TED Talks: O Guia Oficial do TED para Falar em Público
21. Sua vez
diversos canais on-line (nosso TED.com ,
m as tam bém o YouTube, o iTunes, The TED Radio Hour na NPR — rede de rádio pública dos Estados Unidos —, aplicativos para celulares e um am plo leque de colaborações com dezenas de outras organizações). Existe ainda o TED-Ed, iniciativa separada destinada a estudantes, além do Prêm io TED (anual) e do program a TED Fellows.
9. Você pode encontrar os eventos realizados m ais perto de você
ou candidatar-se a organizar seu próprio evento em http://ted.com
/tedx.
10. O site do TED-Ed Clubs é http://ed.ted.com .
11. Detalhes sobre com o postar sua palestra em
http://open.ted.com .
Reflexão
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SUA VEZ
O segredo do filósofo
Meu pai era oftalm ologista e m issionário. Dedicou a vida a tentar curar a cegueira no Paquistão, no Afeganistão e na Som ália, ao m esm o tem po que tentava divulgar o evangelho cristão. Provavelm ente foi bom que ele não chegasse a ver um dos prim eiros palestrantes que levei ao palco do TED. Foi o filósofo Dan Dennett, ateu declarado. Os dois teriam discordado quanto a quase tudo. Menos em relação a um a coisa.
Mais ou m enos no m eio de um a apresentação fascinante sobre o poder dos m em es, Dennett disse: “O segredo da felicidade é o seguinte: descobrir algum a coisa m ais im portante que você e dedicar sua vida a ela.”
Essas são palavras com que m eu pai concordaria plenam ente.
Dennett dedica-se a proclam ar o poder das ideias. Em sua palestra, destacou um fato extraordinário a respeito do hom em , algo que é próprio de nossa espécie: às vezes, nós nos dispom os a subj ugar nossas necessidades biológicas à busca de ideias que j ulgam os im portantes. E, no entender de Dennett (e no de m eu pai e tam bém no m eu), essa busca é um dos segredos de um a vida significativa e satisfatória.
Som os criaturas estranhas, nós, hum anos. Em determ inado nível, só querem os com er, beber, nos divertir e adquirir m ais coisas. Entretanto, a vida num a rotina hedonista acaba se m ostrando insatisfatória. Um a boa solução para isso é largar essa rotina e com eçar a buscar um a ideia m aior do que você.
Ora, é claro que eu não sei que ideia é essa. E talvez, neste m om ento, você tam bém não saiba.
Talvez você desej e destacar um a com unidade invisível em sua cidade, fazer um a pesquisa histórica a respeito de um m em bro de sua fam ília cuj a coragem deveria ser m ais conhecida, organizar dias de faxina em sua com unidade, m ergulhar em estudos oceanográficos, m ilitar num partido político, desenvolver algum aparelho, viaj ar a algum lugar onde as necessidades hum anas sej am cem vezes m aiores do que qualquer coisa que você j á tenha enfrentado ou apenas tirar proveito da experiência e dos conhecim entos de pessoas que conhece.
Sej a lá o que você procure, prevej o duas coisas, caso de fato se dedique a esse obj etivo:
Sim , você vai encontrar um a form a significativa de felicidade.
Você vai descobrir algo m uito m ais im portante do que qualquer conselho deste livro: algo que merece ser dito.
E aí? Bem , é claro que aí você vai ter de dividir isso, usando todo o entusiasm o, as aptidões e a determ inação possíveis. Dividir de um a form a que só você saberá fazer. Acender um a fogueira que espalhará novos conhecim entos.
Tom Chatfield é autor de vários livros sobre tecnologias m odernas e falou num de nossos eventos. Meu colega Bruno Giussani lhe perguntou que conselho daria a outros palestrantes. Eis sua resposta:
Para m im , o que um a palestra tem de m ais assom broso é seu potencial de causar im pacto. A breve apresentação que você vai fazer poderá não só alcançar centenas de m ilhares de pessoas, m as dar início a m uitos m ilhares de conversas. Por isso, o principal conselho que eu daria é o seguinte: faça todo o esforço possível para ser ousado e coraj oso, procure fugir da zona de conforto do que você sabe com certeza, ou do que outras pessoas j á falaram , e dê ao m undo perguntas e m otivações que m ereçam m il conversas. O im portante não é estar certo ou em segurança — assim m e parece —, m as sobretudo ter um a chance incrível de criar algo capaz de gerar novas ideias.
Eu adoro essas palavras. Quero um futuro em que as pessoas percebam sua capacidade de cutucar o m undo. Estou convencido de que sem ear um a ideia valiosa é o ato m ais im pactante que alguém pode realizar. Isso porque, num m undo conectado, essa ideia, se bem sem eada, é capaz de se propagar. Não há lim ite para o núm ero de pessoas que ela pode influenciar, hoj e e no futuro.
Mas o que dizer sobre quem cutuca o m undo para que ele tom e um a direção ruim ? Se alguém fala em público para o bem , outro não pode falar para o m al?
Pode. São abundantes os dolorosos exem plos disso, que variam de dem agogos a cínicos m al-intencionados.
No entanto, acho que nesse ponto a sim etria não é perfeita. Há fortes m otivos para acreditar que o crescim ento acelerado da palavra falada se inclinará para o lado positivo. Vou explicar.
Com o j á sabem os, para realizar um a palestra eficaz, um orador tem de ir aonde estiver um ouvinte e dizer: Venha, vamos construir algo juntos. O orador precisa m ostrar a razão pela qual vale a pena construir aquela ideia. Há um gesto de busca de com unicação. Um apelo para o com partilham ento de valores, desej os, esperanças e sonhos.
Em certas circunstâncias, esse processo pode ser terrivelm ente deturpado.
Pode-se irritar um a m ultidão. Pode-se inflam ar o ódio. Pode-se divulgar um a concepção falsa do m undo com o real. Na história, porém , isso sem pre ocorreu quando, pelo m enos em algum grau, os ouvintes estavam isolados do resto do
m undo. O cham am ento que o orador faz nesses casos não é universal, é tribal. É
o “nós contra eles”. E fatos cruciais são ocultados desses ouvintes.
Entretanto, quando estam os ligados m ais de perto — quando as pessoas veem o m undo plenam ente e tam bém um as às outras —, algo diferente com eça a acontecer. Os oradores que passarão a exercer m aior influência serão os que explorarem os valores e sonhos que forem divididos m ais am plam ente. Serão os que usarem argum entos baseados em fatos que m uitos indivíduos, e não som ente alguns, podem verificar.
Im aginem os dois religiosos que desej am ter influência em todo o m undo. Um fala da superioridade de sua religião sobre todas as dem ais e insiste na conversão em m assa. O outro nota que o único valor profundo de sua religião, a com paixão, é tam bém partilhado por todas as outras religiões. Decide que vai falar sobre isso e faz um esforço para falar em term os universais, que alcancem os seguidores de outras religiões. Qual desses oradores exerce m ais im pacto no longo prazo e tem m ais chance de alcançar um a plateia am pla?
Ou im aginem os dois líderes políticos m undiais. Um deles se dirige apenas aos interesses de um a etnia, enquanto o outro procura se com unicar com toda a hum anidade. Qual deles m obiliza m ais apoio? Se as pessoas fossem irrem ediavelm ente xenófobas, intolerantes e racistas, o segundo político não teria esperança algum a. Mas acho que não é esse o caso. Acho que o que tem os em com um é m uitíssim o m ais significativo e profundo do que aquilo que nos separa.
Todos sentim os fom e, tem os anseios, sofrem os, rim os, choram os e am am os.
Todos sangram os. Todos sonham os. Todos som os capazes de sentir em patia, de nos colocarm os no lugar do outro. E os oradores visionários — ou qualquer um com coragem para se levantar e dizer algo — podem explorar essas qualidades hum anas com partilhadas e fom entá-las.
Eu j á falei sobre o poder da razão no longo prazo. A razão busca, por natureza, ver o m undo não de um a perspectiva pessoal, m as da perspectiva de toda a hum anidade. A razão rej eita argum entos que dizem Quero que isso aconteça porque vai ao encontro de meu interesse em favor de Eis por que todos nós devemos querer que isso aconteça. Se a razão não fizesse isso, j am ais poderia ter se tornado a m oeda com um de discussão que perm ite aos hom ens se alinharem .
Quando dizem os Seja razoável, é exatam ente isso o que querem os dizer. Estam os dizendo Por favor, analise a questão de uma perspectiva mais ampla.
Aliado à crescente conectividade do m undo, o poder da razão faz a balança da influência pender para o lado dos oradores dispostos a se colocarem no lugar de todos nós, e não apenas no lugar dos outros m em bros de sua tribo. Estes últim os podem até ter seus m om entos de poder, m as, no fim , os prim eiros vencerão.
É por isso que creio firm em ente na brilhante declaração de Martin Luther King Jr.: “O arco do universo m oral é longo, m as pende para a j ustiça.” Existe m esm o um a seta na história. Existe m esm o o que cham am os de progresso
m oral. Se recuarm os a câm era por um m om ento, afastando-a deste ou daquele m al da época que estej a dom inando o noticiário, verem os esse progresso escrito em letras garrafais na história dos últim os séculos, e em especial no im pacto que o próprio Martin Luther King teve. E esse progresso tem todas as chances de prosseguir.
À m edida que os hom ens se aproxim am uns dos outros — não apenas graças à tecnologia, m as por um a com preensão recíproca cada vez m ais profunda —, encontram novas m aneiras de ver em cada um de nós as coisas que todos consideram os im portantes. E é assim que as barreiras desm oronam e as alm as se unem .
Isso não acontecerá depressa, nem com facilidade. Esse tipo de m udança se processa ao longo de várias gerações. E são m uitos os desastres im agináveis que poderiam retardá-lo. Mas pelo m enos tem os um a chance.
As conversas constituem parte crucial do incentivo a essa m udança. Estam os program ados para reagir à vulnerabilidade, à honestidade e ao entusiasm o de outras pessoas — desde que tenham os um a chance de vê-las. Hoj e nós tem os essa chance.
No fim das contas, é m uito sim ples: m ais do que nunca, estam os fisicam ente ligados uns aos outros. Isso significa que nossa capacidade de dividir as m elhores ideias nunca foi tão relevante. A m aior lição que aprendi com as Conferências TED é a seguinte: O futuro ainda não está escrito. Estamos todos nós, coletivamente, no processo de escrevê-lo.