TED Talks: O Guia Oficial do TED para Falar em Público

20. Por que isso é importante

A era do conhecim ento que estam os adentrando exige um tipo diferente de conhecim ento, que incentive as pessoas a buscar inspiração em outras que não trabalhem no m esm o cam po e, assim , adquirir um a com preensão m ais profunda do m undo e do papel que desem penham nele. Esse é o prim eiro grande im pulso ao renascim ento da arte de falar em público.

Mas isso não é tudo.

Reflexão

20

POR Q UE ISSO É IMPORTANTE

A interligação das pessoas

O segundo grande im pulso ao renascim ento da arte de falar em público é a trem enda m udança tecnológica que fez com que todos nós nos tornássem os visíveis uns para os outros: a internet e, em particular, a difusão do vídeo on-line.

Deixe-m e contar a história ao m esm o tem po que a vivenciam os, pois em m enos de um ano a transm issão de vídeos on-line virou o TED de cabeça para baixo e contribuiu para que nos transform ássem os em um dos pioneiros de um a nova m aneira de com partilhar conhecim ento.

Um a grande razão para isso é o fato de o TED ser um a organização sem fins lucrativos. Em geral, não vem os esse tipo de organização com o um poderoso veículo de inovação, m as isso de fato aj udou. Vou explicar.

Quando eu ainda trabalhava com revistas, com ecei a investir dinheiro num a fundação sem fins lucrativos com o form a de retribuição. Foi essa fundação que adquiriu o TED. Trabalho para ela sem receber salário. Para m im , elim inar o obj etivo de lucro enviou um claro sinal de intenção. Tornou m uito m ais fácil dizer ao m undo de m odo convincente: Venham nos ajudar a construir uma nova forma de descobrir e partilhar ideias. Afinal, pedim os às pessoas que nos prestigiam que gastem m uito dinheiro para assistir a nossas conferências principais e pedim os aos palestrantes que participem sem rem uneração. É m uito m ais fácil fazer isso quando as pessoas veem que estão contribuindo para o bem público, e não para engordar a conta bancária alheia.

De que form a o TED poderia contribuir m elhor para o bem público? O

pequeno grupo que vem dirigindo o TED depois da transição pensou m uito nessa questão. Afinal, o evento não passava de um ciclo de palestras privado. As pessoas se inspiravam nele, m as era difícil ver com o expandir essa experiência.

Nossas prim eiras tentativas de prom over a m issão não lucrativa do TED

consistiram em testar um program a de m em bros a fim de levar ao

evento pessoas que não podiam pagar,7 aum entar o foco em questões globais e tentar transform ar inspiração em ação com a criação do Prêm io TED, que concedia aos ganhadores a realização de um plano para m elhorar o m undo, plano esse que outras pessoas presentes às palestras financiariam .

Entretanto, em certo m om ento, percebem os que tínham os de achar um m eio de partilhar o conteúdo do TED. As ideias e inform ações apresentadas m ereciam m ais audiência. No início de 2005, descobri a pessoa perfeita para solucionar o problem a. June Cohen tinha um conhecim ento profundo de m uitos dos avanços

m ais im portantes da internet. Era um a das principais integrantes da equipe que desenvolveu o site pioneiro HotWire — que veiculou os prim eiros anúncios on-line do m undo — e tinha publicado um livro sensacional em que expunha o que era necessário para criar um site de sucesso. Além disso, com eçou a ir ao TED no m esm o ano que eu, apaixonou-se pelo proj eto tanto quanto eu, e cada conversa entre nós acabava sendo estim ulante e valiosa.

June j untou-se ao nosso grupo de novatos, e nós nos em penham os no que parecia ser a estratégia lógica para partilhar m ais am plam ente o conteúdo do TED: levá-lo à televisão. Todas as palestras realizadas até então tinham sido gravadas em vídeo, e, com tantos canais a cabo, sem dúvida alguém se interessaria em veicular um a apresentação sem anal. Produzim os um piloto, o qual, em j unho de 2005, exibim os anim adam ente para quem quisesse vê-lo. O

veredicto retum bante do m undo da TV: indiferença total.

Ouvim os incontáveis vezes que discursos na TV são uma chatice. Tentam os convencer os que diziam isso, argum entando que talvez a chatice não se deva aos discursos em si, m as ao fato de os oradores dizerem coisas chatas. Não tivem os sucesso.

Entretanto, um a m udança profunda vinha ocorrendo na infraestrutura do m undo. Anim adas com o crescim ento explosivo da internet, as em presas de telecom unicações tinham decidido investir bilhões de dólares em redes de fibra óptica e em outros aperfeiçoam entos na banda larga. Isso possibilitou o crescim ento de um a tecnologia que, de início, parecia totalm ente inócua: o vídeo on-line. Em 2005, essa tecnologia, que não atraía m aior atenção, tornou-se algo capaz de despertar interesse genuíno. Foi lançado então um site esquisito, cham ado YouTube, que apresentava vídeos curtos, gerados pelos próprios usuários, m uitos dos quais estrelados por gatinhos. Apesar da aparência am adora, o site decolou com o um foguete.

Em novem bro de 2005, June m e procurou com um a proposta radical: deixar de lado a TV por enquanto e tentar veicular os vídeos do TED pela internet.

À prim eira vista, era um a ideia louca. Afora a qualidade ainda pouco aceitável dos vídeos on-line, não existia um m odelo com provado de receita oriunda de vídeos. Faria m esm o sentido correr o risco de disponibilizar nosso conteúdo de graça? Não era pela qualidade desse conteúdo que as pessoas pagavam tão caro para assistir às palestras?

Contudo, por outro lado, distribuir as palestras on-line seria um passo im portante no sentido de prom over a m issão sem fins lucrativos do TED: partilhar ideias em benefício do público. E a possibilidade de controlar nossa própria distribuição sem depender das redes de TV era auspiciosa. Valia pelo m enos experim entar.

E foi assim que, em 22 de j unho de 2006, as seis prim eiras Conferências TED

estrearam em nosso site. Na época, o ted.com recebia m il visitas diárias, na

m aioria para consultas a detalhes sobre apresentações passadas ou futuras.

Sonhávam os que a liberação daquelas palestras pudesse quintuplicar o núm ero de visitas, levando talvez a dois m ilhões de visualizações anuais, crescim ento de cobertura bastante significativo.

No prim eiro dia, tivem os cerca de dez m il visualizações. Im aginei que, com o em geral acontece com novos veículos, assim que passasse o interesse inicial, esse núm ero logo cairia. Aconteceu o oposto. Apenas três m eses depois, tínham os alcançado um m ilhão de visualizações, e os núm eros não paravam de aum entar.

Ainda m ais em polgante era o tom das reações. Tínham os duvidado que as palestras pudessem ter, on-line, o im pacto que causavam ao vivo. Afinal, em vista da existência de tantas distrações, com o se poderia prender a atenção de alguém que assistia a um a palestra num a telinha? Contudo, a intensidade das reações nos surpreendeu: Uau! É de arrepiar! Legal e inspirador. A melhor apresentação de um gráfico complexo que já vi. As lágrimas escorreram pelo meu rosto...

De repente, foi com o se a em oção que as pessoas sentiam nos ciclos de palestras tivesse ganhado o m undo. E isso só podia significar um a coisa: a experiência que tínham os feito, liberando apenas um punhado de palestras, precisava ser am pliada de m odo a cobrir tudo o que tínham os de m elhor. Em m arço de 2007, relançam os o site com cem apresentações, e desde então o TED

deixou de ser um ciclo anual de palestras e se tornou um a em presa de com unicação dedicada a “ideias que m erecem ser espalhadas”.

Ah, e o que dizer do receio de pôr em perigo o ciclo de palestras ao vivo ao distribuir o conteúdo de graça? Na verdade, aconteceu o contrário. As pessoas que com pareciam se m ostravam em polgadas por poder passar a dividi-las com am igos e colegas, e, à m edida que se falava m ais sobre as palestras, aum entava a procura de inscrições para participação ao vivo.

Quase dez anos depois, o interesse pelas Conferências TED se espalhou pelo m undo. Para nossa surpresa e alegria, elas se

transform aram num a plataform a global8 para a identificação e dissem inação de ideias, graças aos esforços de centenas de palestrantes, m ilhares de tradutores voluntários e dezenas de m ilhares de organizadores de eventos locais. No fim de 2015, as palestras som avam cem m ilhões de visualizações m ensais — 1,2 bilhão por ano. E o TED

não está sozinho, é claro. Muitas outras organizações tam bém dissem inam ideias em form a de vídeo. De m odo geral, o interesse pela educação on-line explodiu.

A Khan Academ y, o MIT, a Universidade de Stanford e um núm ero incontável de outras instituições disponibilizam gratuitam ente um volum e inacreditável de recursos acessíveis a todo m undo.

Refletir sobre as im plicações disso causa espanto. Considerem os a situação prim eiro do ponto de vista do palestrante. Ao longo da história, m uitas pessoas

devotadas a um a ideia passaram anos percorrendo um país ou continente tentando atrair a atenção de um a plateia. Em term os realistas, o m áxim o que se poderia esperar seria falar, quem sabe, cem vezes por ano, para plateias de, em m édia, quinhentas pessoas. Ou sej a, o orador conseguiria falar para um as cinquenta m il pessoas em um ano, e isso exigiria um a program ação exaustiva e um a form idável m áquina publicitária. De form a análoga, em geral, o autor de um livro sério considera um sucesso estrondoso vender cinquenta m il exem plares.

Entretanto, na internet, pode-se alcançar esse núm ero no prim eiro dia. E m ais de m il oradores do TED j á alcançaram um a plateia superior a um m ilhão de pessoas para uma única palestra. Isso representa um salto radical em term os de influência, e m uitos palestrantes j á com provaram o im pacto disso em seus trabalhos.

No entanto, do ponto de vista dos ouvintes as im plicações são ainda m ais fantásticas. Quase todas as pessoas, não im porta onde ou quando tenham nascido, tiveram o seu potencial m odificado por um fato sobre o qual não exerciam quase controle nenhum : a qualidade dos professores ou m entores a que tiveram acesso.

Se tivesse nascido na Alem anha da Idade Média, um garoto com o cérebro de Albert Einstein não provocaria um a revolução científica. Se um a m enina com o intelecto de um a Marie Curie nascesse num a aldeia rem ota da Índia há vinte anos, talvez hoj e estivesse colhendo arroz e lutando para criar os filhos.

Entretanto, atualm ente, pela prim eira vez na história, é possível a qualquer um no planeta com acesso à internet receber em casa os m aiores professores e inspiradores do m undo. O potencial disso é assom broso.

E não devem os pensar nesse processo com o algo unidirecional, do orador para o ouvinte. A im plicação m ais profunda do vídeo on-line é o fato de ter criado um ecossistem a interativo no qual todos podem os aprender uns com os outros. Com efeito, talvez você se surpreenda ao saber com quem aprendi essa ideia: Madd Chadd, Jay Sm ooth, Kid David e Lil’ C são estrelas da Legion of Extraordinary Dancers, a LXD. A apresentação deles no TED, em 2010, deixou todos nós de queixo caído. No entanto, o que m ais m e espantou foi descobrir que eles tinham aprendido grande parte do que faziam no YouTube!

O produtor do grupo, Jon Chu, assim se expressou:

Os dançarinos criaram todo um laboratório global de dança on-line. Com isso, crianças j aponesas aprendem passos num vídeo gravado em Detroit e postado no YouTube, treinam o que aprenderam e postam um novo vídeo, daí adolescentes da Califórnia pegam o vídeo j aponês e o rem ixam com um toque de Filadélfia, criando assim todo um novo estilo de dança. E isso acontece diariam ente. De quartos, salas e garagens, e com film adoras baratas, saem os grandes dançarinos do futuro.

O YouTube tinha provocado um a espécie de concurso global para inovação na dança, fazendo com que essa arte evoluísse com um a rapidez assom brosa. Chu notara isso e transform ara o site em sua principal fonte de recrutam ento de novos talentos. E a LXD era um grupo tão bom que naquele ano foi escolhido para se apresentar na festa de entrega do Oscar.

Ouvindo Chu e vendo a atuação da LXD, ocorreu-m e que exatam ente o m esm o fenôm eno estava acontecendo na arte de falar em público. Oradores viam palestras alheias na internet e aprendiam uns com os outros, procurando copiar o que era bom e depois incorporando suas inovações ao que aprendiam .

Na verdade, via-se o m esm o fenôm eno em tudo o que podia ser m ostrado em vídeo, desde a decoração de bolos até o m alabarism o. O vídeo on-line estava proporcionando duas coisas que nunca tinham estado tão acessíveis: Visibilidade dos m elhores talentos no m undo

Um enorm e incentivo para m elhorar o que j á existia O incentivo era sim plesm ente a em oção de tornar-se um a estrela do YouTube.

A perspectiva de todas aquelas visualizações, curtidas e com entários pode m otivar alguém a labutar durante horas ou sem anas, aprim orando suas aptidões, que serão gravadas e postadas na internet. Se passar algum tem po no YouTube, você vai descobrir m ilhares de com unidades dedicadas a um assunto específico, que variam do m onociclism o ao parkour, da videopoesia ao Minecraft. Os usuários dessas com unidades ensinam coisas incríveis uns aos outros.

Esse fenôm eno exigia um nom e. Com ecei a cham á-lo de inovação acelerada pela multidão. E sua aplicação m ais interessante ocorre no m undo das ideias.

Ao longo da história, a vasta m aioria das palestras feitas diante de um a plateia só chegou ao conhecim ento daqueles que as assistiram . Hoj e, pela prim eira vez, você pode ligar um com putador e ver m ilhares de oradores em ação, discorrendo sobre praticam ente todos os assuntos. Por m eio da contagem de visualizações, dos com entários etc., você verifica com o essas palestras foram recebidas e, com isso, filtra as que m ais quer ver.

Ou sej a, de repente tem os à disposição um esplêndido laboratório. E tem os tam bém um novo e fantástico incentivo para que m ilhões de pessoas participem dele. Se sua m elhor oportunidade de fazer um a palestra é para apenas alguns colegas ou num clube de sua cidade, talvez você não tenha tanto incentivo para se preparar m elhor. Mas agora, com a possibilidade de gravar o que diz e postar na internet, a coisa m uda de figura. Sua plateia potencial pula para m ilhões de indivíduos. Com isso em m ente, quanto tem po você se dispõe a dedicar à preparação?

Essa é um a receita para um a fantástica espiral ascendente de aprendizado, inovação, divisão de conhecim entos e m ais aprendizado. Por isso, acredito que o

renascim ento da arte de falar em público estej a apenas com eçando. No TED, tem os procurado estim ular esse crescim ento de três m aneiras principais (além de postar palestras no site).

1. UM EVENTO TEDx PERTO DE VOCÊ

Em 2009, com eçam os a oferecer um a licença gratuita a quem desej asse organizar um evento ao estilo TED em sua cidade. Em pregam os nesses casos o rótulo TEDx, em que x indica que o evento é organizado de form a independente, além de rem eter ao efeito m ultiplicador do program a. Para nossa satisfação, m ilhares de pessoas j á organizaram eventos TEDx. Mais de 2.500 ocorrem a cada ano em m ais de 150 países. Eles fizeram com que m ais de sessenta m il Conferências TEDx tenham sido postadas no YouTube. E um núm ero cada vez m aior dessas apresentações viraliza na internet. Se você acha que não é capaz de realizar a palestra que gostaria no trabalho, pense em entrar em contato com o organizador de eventos TEDx em sua cidade. Talvez o palco

perfeito estej a à sua espera, e perto de sua casa. 9

2. UM PROGRAMA DE COMPETÊNCIA COMUNICATIVA PARA CRIANÇAS

Lançam os um program a gratuito e destinado a escolas cham ado TED-Ed Clubs.

Ele perm ite a qualquer professor dar a um grupo de crianças a chance de realizar sua própria Conferência TED. Um a sessão sem anal, durante treze sem anas, incentiva a escolha de um a ideia, dá conselhos em relação à pesquisa a ser feita e m ostra com o preparar e dar a palestra. É anim ador ver o aum ento da confiança e da autoestim a das crianças que levam o proj eto até o fim . Acham os que a com petência com unicativa deveria fazer parte do currículo de todas as escolas, ao lado da leitura e da aritm ética. Ela

será um a qualificação im portante para o resto da vida. 10

3. POSTE SUA CONFERÊNCIA TED NA INTERNET

Tem os um program a, cham ado OpenTED, que possibilita a qualquer um postar sua palestra no estilo TED num a seção especial do nosso site. Incentivam os sobretudo a inovação, não só em term os de conteúdo, com o tam bém na form a de realizar a apresentação. Nossa aposta é a de que alguém há de descobrir um

a form a nova e eficaz de com unicar ideias. Talvez sej a você. 11

E, no decurso da próxim a década, quando bilhões de outras pessoas passarão a

ter acesso à internet, poderem os chegar a elas e lhes oferecer um m eio de aprender com grandes professores, que lhes darão form as de levar um a vida m elhor e nos transm itir suas percepções e ideias. A perspectiva de um a população m undial de dez bilhões de habitantes dentro de trinta anos é intim idante, m as se torna m ais aceitável se pensarm os que isso trará não só m ais consum o, com o tam bém m ais conhecim ento.

A revolução na arte de falar em público é um fenôm eno de que todos podem participar. Se descobrirm os um m eio de realm ente ouvir e aprender uns com os outros, o futuro será prom issor.

7. Liderado por Tom Rielly, o program a TED Fellows atraiu m ais de quatrocentos m em bros nos últim os dez anos, um a rede global de talentos que deu vitalidade a todas as conferências recentes do TED.

8. A plataform a consiste em eventos físicos (o ciclo anual de Conferências TED

em Vancouver, o TEDGlobal, o TEDYouth, o TEDWom en, um a série de eventos em presariais e vários salões), o m ovim ento global TEDx (eventos locais organizados de form a independente) e