TED Talks: O Guia Oficial do TED para Falar em Público
18. Novos formatos
E, agora, a lição m ais im portante. É um a arapuca bem com um se preocupar dem ais com a questão de como dar a palestra e acabar esquecendo o que m ais im porta — dar a sua palestra à sua m aneira.
Assim com o o que se refere à escolha do figurino, quando encontrar o estilo de apresentação que funciona para você, não pense dem ais no assunto. Não tente ser outra pessoa. Concentre-se em seu conteúdo e em sua paixão por ele... e não tenha m edo de deixar sua personalidade transparecer.
O sucesso da palestra de Jill Bolte Tay lor, em 2008, levou toda um a geração de palestrantes do TED a tentar im itar seu tom em otivo. É um erro. E por pouco Mary Roach não o com eteu:
A prim eira coisa que fiz depois de ser convidada a dar um a palestra foi clicar na palestra m ais popular da época, a de Jill Bolte Tay lor. Depois de dois m inutos parei, porque sabia que não podia ser Jill Bolte Tay lor. Insegura com o sou, eu sabia que seria m elhor ser Mary Roach do que ser Mary Roach tentando ser Jill Bolte Tay lor.
Dan Pink concorda:
Fale do seu j eito. Não im ite o estilo alheio nem procure se enquadrar no que considera o “m odo TED” de apresentação. Isso é entediante, banal e antiquado. Não tente ser o novo Ken Robinson ou a nova Jill Bolte Tay lor.
Sej a você.
No palco
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NOVOS FORMATOS
A promessa (e o perigo) das palestras de amplo espectro Em novem bro de 2011, John Bohannon, que escreve sobre tem as científicos, subiu ao palco do TEDxBrussels com um inusitado recurso auxiliar. Em vez de um a apresentação em PowerPoint, levou um grupo de dança. Na verdade, foi o grupo que o levou. Os dançarinos o carregaram para o palco. E, enquanto Bohannon falava sobre lasers e superfluidos, eles representavam fisicam ente os assuntos abordados.
Foi um a apresentação surpreendente. Mais adiante, Bohannon defendeu a ideia de que a dança pode ser um excelente acom panham ento para palestras científicas e até lançou um m ovim ento cham ado Dance Your PhD (Dance seu Doutorado).
Se você quer que sua palestra de fato se destaque das dem ais, há m uitas opções para inovar.
Se nós analisarm os os pontos fundam entais, a única verdadeira lim itação de um a apresentação é o tem po. No decorrer de dezoito m inutos, você pode pronunciar cerca de 2.500 palavras. No entanto, o que m ais poderia fazer? Os ouvintes têm cinco sentidos e são capazes de absorver m últiplos estím ulos.
Usam os no TED a expressão “am plo espectro” para nos referirm os às tentativas de incluir num a palestra algo além de palavras e slides. A seguir, darem os dezesseis sugestões que você pode avaliar. Tem os a im pressão de que verem os enorm es inovações nos próxim os anos.
No entanto, todas essas propostas devem ser tratadas com extrem o cuidado.
Quando postas em prática da m aneira errada, podem parecer em brom ação. Por outro lado, se bem executadas, podem conferir a um a palestra um nível de altíssim a qualidade.
1. ACESSÓRIOS DRAMÁTICOS
Há m ais de vinte anos, assisti a um a palestra sobre a necessidade de dar prosseguim ento à luta pelo desarm am ento nuclear. Não consigo lem brar quem a deu. Nem a organização a que o orador estava ligado. Nem m uita coisa do que ele disse. Mas nunca vou m e esquecer do que ele fez. Ele pegou um a única ervilha seca, exibiu-a para a plateia e falou: “Quero que vocês im aginem que isto aqui é um a arm a term onuclear, um a bom ba de hidrogênio. É m il vezes m ais poderosa do que a bom ba de Hiroshim a.” Dito isso, atirou a ervilha num grande
balde de m etal ligado a um m icrofone. O silvo estridente produzido pela queda e pelos quiques da ervilha foi assustadoram ente alto. Daí ele perguntou: “E quantas ogivas term onucleares vocês im aginam que existam hoj e na Terra?” Um a pausa.
“Trinta. Mil.” Sem m ais um a só palavra, ele estendeu a m ão e pegou um saco de ervilhas secas, as quais arrem essou no balde, prim eiro um a a um a, depois em torrente. O som foi ensurdecedor, aterrorizante. Todos na sala entenderam de m aneira profunda, visceral, por que o assunto era im portante.
Muitas Conferências TED ganharam um a nova dim ensão com o uso de acessórios inesperados. Para com provar o que dizia sobre os hem isférios cerebrais esquerdo e direito, Jill Bolte Tay lor levou para o palco um cérebro hum ano de verdade, com pleto, até com a m edula espinhal. No prazer com que ela retirou o conj unto de seu recipiente, havia algo que calou fundo na m ente de todos. Aquilo era um obj eto de paixão! Bill Gates ganhou as m anchetes do m undo inteiro com sua palestra sobre a m alária ao soltar um a nuvem de m osquitos, dizendo, de brincadeira: “Não há m otivo algum para que só os pobres vivam esta experiência.” J. J. Abram s fascinou a plateia ao levar para o palco um a caixa m isteriosa que seu avô lhe dera de presente e que ele nunca abrira (e é claro que, ao fim da apresentação, ele deixou o palco com a caixa ainda fechada).
Se você tiver algo de grande efeito que possa usar com legitim idade, pode ser um j eito m agnífico de garantir que sua palestra se torne inesquecível.
Mas tenha cuidado. E não deixe de ensaiar o núm ero em condições reais.
Certa vez, levei ao palco um a espetacular píton birm anesa am arela enrolada no corpo para dem onstrar o quanto a natureza pode ser assustadora. Achei que estivesse abafando... até o público com eçar a gargalhar. O que eu não sabia era que as j iboias birm anesas procuram lugares quentes. A cobra desceu pelas m inhas costas, passou a cabeça entre as m inhas pernas e com eçou a agitá-la para a frente e para trás. Im pactante, m as não com o eu tinha im aginado.
2. TELAS PANORÂMICAS
No TED2015, a artista plástica e designer Neri Oxm an deixou o público sem fôlego com um a apresentação em que dois telões, cada um de um lado dela, exibiam conj untos paralelos de im agens ao m esm o tem po. Um revelava o lado técnico de seu trabalho; o outro, o lado m ais orgânico.
Cada conj unto de im agens causava forte efeito, e a com binação dos dois sim plesm ente atordoava, e não só pelo im pacto visual. Tínham os diante de nós, num nível visceral, a natureza dupla de seu trabalho com o artista e designer num a base científica. O ciclo de palestras Google Zeitgeist tam bém está entre os que têm inovado no cam po das apresentações com telões, o que perm ite m ostrar m últiplas versões da m esm a im agem , fotografias panorâm icas espetaculares e
linhas ousadas de texto que se estendem por trinta m etros de cada lado do palestrante. A sensação cinética é inacreditável. (Mais com plicado é editá-las para exibição na internet. Até agora, os únicos form atos acessíveis são os convencionais de vídeo, nas proporções 16:9 e 4:3, de m odo que essas apresentações podem ser assom brosas num a sala, m as são de difícil apreciação para o público on-line.)
3. ESTIMULAÇÃO MULTISENSORIAL
Alguns palestrantes têm tentado ir além da sim ples bidim ensionalidade e do som estereofônico. Já vim os chefs que encheram a sala com o arom a delicioso de um prato preparado no palco. Ou distribuíram sacolas com am ostras de pratos, o que perm itiu ao público sentir bem de perto seu cheiro e sabor. Woody Norris nos m ostrou com o sua invenção, o som hipersônico, pode ser proj etado do palco e captado por ocupantes de apenas alguns assentos na plateia. Steve Schklair, pioneiro das câm eras 3-D, nos brindou com um a das prim eiras dem onstrações de eventos esportivos em 3-D, graças aos óculos distribuídos a todos os presentes.
O criador de perfum es Luca Turin usou um a m áquina para aspergir diferentes arom as na sala. Essas palestras inovadoras são sem pre interessantes, m as, com a possível exceção da fala de Schklair sobre 3-D, é provável que se lim item a um punhado de tópicos.
No TED2015, contudo, David Eaglem an m ostrou que a tecnologia pode acrescentar novos sentidos aos cinco sentidos naturais dos seres hum anos, treinando o cérebro para com preender padrões elétricos oriundos de qualquer fonte, com o a m eteorologia ou a bolsa de valores. Talvez num a palestra futura o público use coletes elétricos, com circuitos preparados para experim entar diretam ente a im aginação do palestrante. Se alguém puder inventar isso, por favor, entre em contato conosco.
4. PODCASTING AO VIVO
Um dos destaques do TED2015 foi a palestra de Rom an Mars, guru do design.
Entretanto, em vez de cam inhar pelo palco com um m icrofone, Mars sentou atrás de um a m esa de m ixagem . Com eçou a falar assim : “Eu sei o que vocês estão pensando: por que esse cara sentou? É porque... isto é rádio!” Um a vinheta m usical, e ele com eça a palestra. Mars é o apresentador do podcast 99%
Invisible e fez toda a palestra com o se estivesse produzindo o podcast ao vivo.
Diversos clipes de áudio e de im agens foram m ixados ali m esm o com absoluta precisão. Essa abordagem deu à palestra um a incrível vitalidade. Mark Ronson, o astro dos DJs, tam bém usou um a m esa de m ixagem em partes da palestra. Com
um iPad, Ira Glass, apresentador do program a This American Life, tam bém m ixou partes de seu program a ao vivo.
Na verdade, essa técnica está além da capacidade da m aioria das pessoas, m as dá para perceber que vem se tornando um a form a de arte: um orador atua com o DJ e m ixa ao vivo ideias vindas de m últiplas fontes em tem po real. Caso ache possível dom iná-la, talvez valha a pena o investim ento de tem po.
5. ENTREVISTA ILUSTRADA
Um a entrevista pode ser um a boa alternativa a um a palestra. Ela lhe dá oportunidade de fazer duas coisas:
explorar diversos tópicos sem que haj a um a linha m estra única, a não ser a vida e a atividade do palestrante; e
incentivar o orador a ir m ais fundo do que norm alm ente iria num a palestra convencional. (Isso ocorre sobretudo com oradores de elevada notoriedade, cuj as apresentações públicas em geral são escritas por seu departam ento de com unicação.)
No TED, tem os experim entado um form ato de entrevista que estim ula a preparação tanto do entrevistador quanto do entrevistado, ao m esm o tem po que dá m argem para a m anifestação entusiástica de opiniões diferentes, algo com um nas entrevistas tradicionais. Trata-se de um a conversa acom panhada por um a sequência de im agens preparada de antem ão por am bos. As im agens atuam com o m arcadores de capítulos para os diversos tópicos a serem cobertos e acrescentam pontos de referência para a conversa. Quando entrevistei Elon Musk, pedi que ele nos enviasse vídeos raros que ilustrassem assuntos vitais que desej ávam os debater, com o seu trabalho na construção de naves espaciais reutilizáveis. No m om ento apropriado, sim plesm ente exibi o vídeo relevante e lhe pedi que explicasse. Aquilo em prestou vida e variedade à entrevista.
Do m esm o m odo, quando eu m e preparava para entrevistar Bill e Melinda Gates sobre a vida de filantropia que levavam j untos, pedi fotografias que m ostrassem a participação inicial deles em questões de saúde, algum indício visual do m otivo pelo qual haviam decidido se tornar filantropos, um gráfico ou im agem significativo para cada um deles e — com o queríam os tocar na questão de herança — algum as fotografias de fam ília. As im agens nos perm itiram tornar a entrevista m uito m ais pessoal.
Esse form ato é um m eio-term o satisfatório entre palestra e entrevista. Perm ite aos entrevistados pensar de verdade em com o desej am estruturar um a ideia que
consideram im portante. E dim inui o risco de o palestrante divagar ou se perder.
Consigo im aginar m uitas inovações nesse form ato. Por exem plo, um a palestra, com plem entada por slides, feita inform alm ente pelo entrevistado para o entrevistador, ao m esm o tem po que este pode pedir explicações m ais detalhadas sobre algo que não ficou claro, ao vivo, no palco, enquanto a palestra se desenrola.
6. A SPOKEN WORD
Nas décadas de 1970 e 1980, as com unidades afro-am ericanas criaram um a robusta form a de arte que explodiu na cultura popular. Pode-se entender a spoken word (literalm ente, “palavra falada”, um a precursora do rap) com o poesia perform ática. Em geral ela com bina a narração de um a história com um com plexo j ogo de palavras. Os artistas capazes disso oferecem um a sedutora extensão da tradicional arte de falar em público. Eles não procuram “explicar”
ou “persuadir” da m aneira descrita neste livro. Em vez disso, exploram um uso m ais poético, m ais prim itivo da linguagem ; um a linguagem capaz de atrair, com over, inform ar e m otivar.
Há m uitas form as de m esclar o gênero com a fala em público. Sarah Kay, Clint Sm ith, Malcolm London, Suheir Ham m ad, Shane Koy czan e Rives estão entre os que realizaram inesquecíveis palestras perform áticas no TED.
Entretanto, não é algo que se possa ensaiar de m aneira leviana. Malfeita, a spoken word pode ser um a tortura.
7. EXPLORAÇÃO DA VIDEOPOESIA
O poeta canadense Tom Kony ves definiu a videopoesia com o um a “j ustaposição poética de im agens com texto e som ”. O vídeo on-line deu ensej o a um a explosão de experim entação com a poesia em vídeo, com binando toda m istura im aginável de texto, cenas film adas, anim ação e acom panham ento falado. A videopoesia é um gênero capaz de anim ar um a palestra. Em sua Conferência TED, o laureado poeta am ericano Billy Collins apresentou cinco de suas obras transform adas em vídeo. Foi incontestável que as anim ações realçaram o im pacto de suas palavras, que por si sós j á eram im pactantes. A apresentação de spoken word de Shane Koy czan no TED foi reforçada por um fundo de vídeo criado por oitenta anim adores num crowdsourcing. Há um enorm e potencial de experim entação com videopoesia ao vivo, sej a com o parte de um a palestra ou com o toda um a perform ance.
8. TRILHA SONORA
Por que será que quase todos os film es têm trilha sonora? A m úsica intensifica todas as em oções. Pode indicar m om entos de significado especial. Pode evocar dram a, sofrim ento, anseios, entusiasm o, esperança. Então, por que não usá-la em palestras? Vários oradores j á fizeram experiências com m úsica. Quando Jon Ronson contou a arrepiante história de um hom em internado em um hospital psiquiátrico por se suspeitar que era um psicopata, Julian Treasure estava atrás dele no palco, criando um fundo sonoro. A Pop Up Magazine, que procura transform ar conteúdos de revista em perform ances, costum a usar um quarteto de cordas ou um trio de j azz para acom panhar suas m atérias ao vivo, com o ocorreu na palestra de Latif Nasser, que contou a assom brosa história do hom em que inventou o analgésico m oderno.
O risco dessa opção, além do intenso esforço extra exigido pelos ensaios, é destacar o aspecto de espetáculo ensaiado em detrim ento da apresentação ao vivo. Isso pode distanciar o público. E, em m uitas situações, a utilização de m úsica pode parecer m anipulação em ocional.
Ainda assim , o cam po é fértil para a experim entação. Um a possibilidade seria incorporar m úsicos capazes de im provisar com base no que estão ouvindo no m om ento. Outra seria apostar m ais alto no aspecto perform ático e esclarecer que é assim que essa palestra está sendo feita.
9. O MÉTODO LESSIG
O professor de direito Lawrence Lessig lançou um estilo próprio de apresentação, um tipo de PowerPoint bom bado. Toda frase e quase toda palavra significativa é acom panhada de um novo elem ento visual, sej a ele apenas um a palavra, um a fotografia, um a ilustração ou um j ogo de palavras visual. O trecho seguinte corresponde a um a passagem de dezoito segundos de sua palestra de 2013, em que cada // representa a transição de um slide para outro.
O Congresso produziu um a dependência diferente, // que não é m ais um a dependência apenas do povo, // é cada vez m ais um a dependência dos financiadores. // Ora, isso tam bém é dependência, m as é // conflitante e diferente // de um a dependência apenas do povo, // um a vez que // os financiadores não são o povo. // Isso é corrupção. //
Não era para dar certo. O dilúvio de m udanças de tipologia em seus slides viola todas as regras prescritas nos m anuais. Entretanto, nas m ãos de Lessig, o resultado im pressionou. São tam anhas a inteligência e a elegância em sua escolha de fontes, form atação e im agens que o público sim plesm ente se deixa levar, extasiado. Lessig m e disse que tinha com eçado a fazer suas apresentações
desse j eito porque não suportava m ais ver as pessoas olhando para as telas dos tablets e sm artphones enquanto ele falava. Ele não queria lhes dar a chance de desviar a atenção nem por um segundo.
O estilo de Lessig é tão original e diferente que há quem o cham e de m étodo Lessig. Se tiver coragem , você pode tentar im itá-lo. Mas se disponha a gastar m uito tem po em preparação e ensaios. E, m ais um a vez, tenha cuidado. Grande parte do brilho de Lessig está nos detalhes e nas transições no instante preciso.
Em m ãos m enos hábeis, o estilo pode, e vai, ficar desaj eitado e cansativo.
10. DOIS PALESTRANTES
De m odo geral, desaconselham os apresentações feitas por m ais de um palestrante. Por um m otivo ou outro, a plateia parece ter m ais dificuldade para entrar em sintonia com m ais de um orador no palco. As pessoas não sabem para quem olhar e podem acabar não se ligando profundam ente a nenhum deles.
Contudo, há ocasiões em que a interação entre os palestrantes cria um efeito vívido e autêntico. Foi o que aconteceu quando Beverly e Dereck Joubert descreveram o trabalho que realizaram durante toda a vida com leopardos e outros felinos selvagens: o afeto e o respeito evidentes entre os dois com overam o público.
Desconfio que há aqui m uita m argem para inovação. Na m aioria das apresentações duplas, quando um fala, o outro fica im óvel ou olha para o com panheiro. Mas há diversas possibilidades:
Gesticular
Representar
Acom panhar com um instrum ento m usical ou com percussão Desenhar ou pintar
Interpor com entários
Se Lawrence Lessig tivesse um irm ão gêm eo, daria para im aginar um term inando as frases do outro, de form a a duplicar o im pacto.
Essa é um a opção m uitíssim o arriscada. No caso de dois oradores, a preparação é bem m ais com plexa. Afinal, um depende do outro, e é fácil que as contribuições e transições pareçam forçadas. Não recom endo este m étodo, a m enos que os participantes tenham um a enorm e confiança recíproca e boa quím ica e se sintam à vontade j untos. No entanto, acredito na possibilidade de êxito.
11. NOVAS FORMAS DE DEBATE
No caso de haver duas pessoas no palco, em geral é m ais interessante que defendam lados opostos de um a questão. Com frequência, o m elhor cam inho para se entender um a ideia é vê-la contestada. Há inúm eros form atos de debate que criam clim as instigantes para isso. Um dos m elhores é o form ato da Oxford Union — dois contra dois. Os palestrantes se revezam , fazendo apresentações de, digam os, sete m inutos a favor e contra um a ideia controversa. Depois da participação de um m oderador ou da plateia, cada dupla tem direito a m ais dois m inutos para as considerações finais. Segue-se a votação do público. (Pode-se ver com o o form ato funciona no excelente site
IntelligenceSquaredUS.org. ) Contudo, existem várias alternativas, e eu adoraria ver inovações. Por exem plo, pode-se tentar um form ato de tribunal, em que cada “testem unha” é interrogada por alguém hábil. Estam os planej ando introduzir m ais debates em futuros eventos do TED.
12. BARRAGEM DE SLIDES
Muitas palestras de fotógrafos, pintores e designers assum em a form a de exibição de um a sequência de slides, com com entários sobre cada um . A ideia é boa, porém o orador pode acabar se alongando dem ais nos com entários. Se seu talento for basicam ente visual, é provável que queira m uitas im agens, e não m uitas palavras. Por isso, faz sentido aum entar o núm ero de im agens e reduzir o de palavras sobre cada um a delas.
Já houve várias tentativas de sistem atizar isso. Por exem plo, o form ato de apresentações PechaKucha prevê a exibição de vinte im agens, com vinte segundos de com entários sobre cada um a. Os slides avançam autom aticam ente, e o palestrante deve encerrar cada com entário antes que o slide seguinte surj a na tela. A série de palestras Ignite, autoproclam ada um “evento geek”, apresenta form ato sem elhante, em bora o tem po concedido aos com entários sobre cada im agem sej a reduzido para quinze segundos. Os dois m étodos criam apresentações rápidas e fascinantes.
Há m argem para m ais inovações. Acho que não se deve dedicar a todos os slides o m esm o tem po para com entários. Eu gostaria de ver palestras que m ostrem cem im agens em seis m inutos. Dos cem , em doze o orador poderia parar e falar durante vinte segundos; cada slide restante apareceria durante um segundo, com fundo sonoro ou silêncio.
13. EXIBIÇÃO AO VIVO
Podem os levar o form ato da barragem de im agens ao ponto de im aginar que, na verdade, o orador não está fazendo um a palestra, m as, sim , criando um a experiência de extrem a im ersão em seu trabalho. Im agine que você sej a um fotógrafo, pintor ou designer que teve a oportunidade de realizar um a exposição na sala principal de um a das grandes galerias de arte do m undo. Com o desej aria que fosse essa experiência? Im agine o público cam inhando de um a obra para outra, todas ilum inadas à perfeição e com legendas feitas com esm ero para dar aos visitantes o contexto correto. Ora, por que não recriar essa experiência ao vivo, no palco?
Pense em suas palavras não com o as palavras de um a palestra, m as com o se elas estivessem destinadas a provocar a expectativa ou a percepção corretas.
Não é preciso que form em frases lógicas. Podem ser legendas, letreiros (palavras ou frases criadas para guiar os leitores ao longo do conteúdo de seu ensaio), poesia. E podem se cercar do silêncio. Isso m esm o, silêncio. Se você tem algo incrível para m ostrar, a m elhor form a de cham ar a atenção é m ostrá-la e sim plesm ente se calar!
Com o eu j á disse, o escultor cinético Reuben Margolin sabe fazer isso. Durante trinta segundos de sua palestra/exposição ao vivo, tudo o que ele disse foi: “Um a única gota de chuva aum entando de am plitude.” Essas palavras foram cercadas de silêncio, m as a tela ganhou vida com o m ovim ento de sua escultura, e a plateia m ergulhou na contem plação da beleza que ele havia criado.
O fotógrafo Frans Lanting criou toda um a perform ance em torno de suas im agens, que ilustram a evolução da vida na Terra. À m edida que as fotos estupendas eram apresentadas, ouvia-se um a trilha sonora de Philip Glass, e Frans narrava em voz baixa a história da vida.
Com todos os recursos hoj e disponíveis num a sala m oderna — ilum inação, som am biente, proj eção em alta resolução —, chega a ser trágico que os m elhores artistas plásticos do m undo m uitas vezes não façam uso deles. Em vez de pensar em com o levar um a plateia a im ergir na obra que criaram , eles partem do princípio de que, com o foram convidados a dar um a palestra, é isso que têm de fazer. Espero que no futuro haj a m ais exibição e m enos falação.
14. APARIÇÕES SURPRESA
Depois do relato de um a história extraordinária sobre alguém , o surgim ento dessa pessoa no palco pode produzir um im pacto adicional.
Por ocasião do TED2014, Hugh Herr, professor do MIT, contou que havia desenvolvido um a perna biônica para Adrianne Haslet-Davis, dançarina ferida no atentado durante a edição de 2013 da Maratona de Boston. Em seguida, assom brou a plateia ao cham ar Adrianne ao palco para realizar sua prim eira apresentação pública com a nova perna.
E, no TEDxRiodelaPlata, a palestra de Cristina Dom enech sobre poesia na prisão ganhou nova em oção com a leitura ao vivo de trabalhos do presidiário
Martín Bustam ante, que obtivera autorização para ir se apresentar no evento.
Essa linha rende m elhores resultados quando um convidado especial pode dar um a contribuição autêntica. Se não for possível, é m elhor sim plesm ente anunciar a presença da pessoa na plateia. Cham ar alguém ao palco apenas para ele dar um tchauzinho pode ser constrangedor.
15. APRESENTADORES VIRTUAIS
A tecnologia vem criando m eios de levar um orador ao palco. Em j unho de 2015, o palestrante m otivacional Tony Robbins participou de um a conferência sobre negócios em Melbourne, Austrália. Detalhe: ele não quis fazer a longa viagem à Austrália. Por isso, m andou um hologram a em 3-D. Os organizadores declararam que o avatar teve tanto im pacto quanto Robbins teria em carne e osso.
Em 2014, Edward Snowden, que divulgou detalhes de program as de vigilância global do governo am ericano, foi convidado para o TED. Mas havia um problem a: ele estava exilado em Moscou e não podia viaj ar a Vancouver por m edo de ser preso. Entretanto, nós o trouxem os m esm o assim , na form a de um robô de telepresença cham ado Beam Pro. A solução só fez aum entar a dram aticidade. Durante os intervalos, o robô Snowden cam inhava pelo corredor, o que perm itia aos presentes conversar e tirar fotos com ele (o que criou um trend no Twitter, #SelfiesWithSnowden).
É claro que as duas palestras foram beneficiadas pela relativa novidade das tecnologias usadas. No entanto, a tecnologia não para de evoluir. Um a das surpresas do sucesso do TED tem sido o fato de um palestrante em vídeo ter quase o m esm o im pacto de um ao vivo. Então, não há m otivo para que um hologram a ou o robô de telepresença não tenham im pacto total.
As possibilidades nessa área não têm lim ites. Por exem plo, quando o com positor Eric Whitacre fez o lançam ento m undial de um a m úsica sua no TED, em 2013, ela não só foi executada por um coro no palco com o contou com a participação de m úsicos de trinta países, que cantavam j untos e ao vivo, graças a um canal de em issão conj unta que o Sky pe m ontou para nós. Vendo-os se apresentarem j untos na tela, tivem os a sensação fugaz de que as diferenças que dividem o m undo poderiam sum ir m ediante elem entos sim ples com o um a conexão de internet, a m úsica que brota do coração e o desej o de aproxim ação das pessoas. Olhei para a plateia e vi m uitos olhos rasos d’água.
Acredito que podem os esperar que surj am m uitos outros experim entos com o esse. Essas inovações perm itirão às pessoas se reunirem em eventos que, de outra form a, não seriam possíveis. Com efeito, é bem possível que um dia robôs reais subam ao palco e façam palestras que eles próprios aj udaram a preparar.
(Estam os trabalhando nisso!)
16. PALESTRAS SEM PLATEIA AO VIVO
A inovação m ais extrem a no cam po das palestras talvez sej a não contar com o que acontece num palco, m as elim inar o palco. E tam bém a sala, a plateia ao vivo e o organizador. Afinal, vivem os num m undo conectado. Graças à internet, podem os nos com unicar com m ilhares de pessoas, ao vivo ou por vídeo. Essa plateia global eclipsa em dim ensões qualquer grupo reunido fisicam ente num salão. Então, por que não planej ar um a palestra diretam ente para esse público?
O estatístico sueco Hans Rosling fez um a série de fantásticas Conferências TED que contaram , coletivam ente, com m ais de vinte m ilhões de visualizações.
E um a de suas apresentações m ais populares não se deu num palco. Foi film ada pela BBC num arm azém vazio, e os gráficos, m arca registrada de Rosling, foram acrescentados na pós-produção.
Num a época em que todo m undo tem acesso a câm eras de vídeo e ferram entas de edição, será im possível deter o núm ero de palestras interessantes postadas diretam ente na internet. Nossa iniciativa OpenTED, explicada no fim do Capítulo 20, busca j ustam ente tirar proveito dessa tendência.
Isso não vai substituir o poder da reunião física de indivíduos — os benefícios da antiga experiência de contato hum ano real são incalculáveis. Entretanto, as palestras feitas diretam ente em vídeo serão um cam po m aravilhoso para experim entação, inovação e aprendizado rápidos.
Eu m e entusiasm o dem ais ao im aginar com o a arte de falar em público poderá evoluir nos próxim os anos. Mas penso tam bém que vale a pena ter cautela.
Muitas das inovações m encionadas podem ser poderosas, m as não devem ser usadas com exagero. A tecnologia básica da com unicação de pessoa para pessoa rem onta a centenas de m ilhares de anos e está profundam ente arraigada em nós.