Você tem Fome de Quê?
A Alegria da Consciência
PARTE 2
COMO
DESENVOLVER
A CONSCIÊNCIA
A ALEGRIA
DA CONSCIÊNCIA
Pontos principais
Quando comemos, ou temos consciência do que estamos ingerindo ou nem nos preocupamos com isso, comendo de maneira inconsciente.
Muitas pessoas se alimentam sem consciência, e por isso a alimentação delas fica fora de controle. Só podemos ter controle do que temos consciência. Quando nos alimentamos inconscientemente, nossa mente “dá um branco”, e não nos damos conta do que estamos fazendo. Fazer as coisas de maneira automática é uma escolha, não precisamos agir assim. A conscientização propicia um modo simples de sintonia com o cérebro, que nos envia quatro tipos de mensagens: sensações, imagens, sentimentos e pensamentos (o quarteto SISP). A alegria da conscientização desponta quando escapamos da prisão do condicionamento. Ter consciência significa recuperar a liberdade de escolher o que desejamos em vez de escolher o que o nosso passado nos impõe.
Venho muitas vezes enfatizando que não podemos ter controle do que não temos consciência. Para mim, esse aprendizado foi surpreendente no início, porque eu superestimava a minha própria conscientização, não em todas as áreas, mas em várias. Uma delas era a minha carreira médica. Durante anos eu me empenhei em ser bem-sucedido me autodisciplinando, por exemplo, a levantar às cinco da manhã para fazer plantão em dois hospitais antes de ir para minha clínica particular, cuja lista de pacientes chegava aos milhares. O sucesso veio, mas não a sensação de satisfação que supostamente o acompanha.
Então, um dia, um sábio amigo me disse: “Sabe, acho que você venceu a força de vontade. Que tal considerar a aceitação? Você não tem que ficar correndo o tempo todo”. Ele talvez tenha acrescentado mais algumas coisas cruciais para alguém encontrar satisfação, tais como demonstrar gratidão e aprender a viver no presente.
Eu tinha muito o que aprender sobre a arte de viver. Acabei aprendendo – pelo menos, espero que sim –, e gostaria de usar o resto deste livro para mostrar o que isso significa. Fico preocupado e sensibilizado com o fato de milhares de pessoas não terem consciência do que estão fazendo com a própria vida. A alegria não deve ser ilusória. Ela é o subproduto do despertar para o que somos e para o porquê de estarmos aqui. É possível descobrir essas coisas apenas por meio da expansão da consciência, mas expandi-la depende primeiro de outra coisa: da coragem de enxergar a própria situação sem negá-la nem ceder à tentação de permanecer inconsciente.
Vamos começar pela maneira como o comportamento inconsciente se aplica ao excesso de peso, pois é essa a situação em que se encontram muitos dos leitores deste livro. Tomara que você já tenha começado a mudar, fazendo uso dos passos para uma alimentação consciente. Mas a conscientização pode levá-lo ainda mais longe, como você vai ver.
O elo perdido
Alice tem 30 e poucos anos e marcou uma consulta porque estava ganhando peso e não entendia por quê. Conforme dizia, estava fazendo tudo certo.
“Fui criada para me alimentar de modo saudável, e ainda faço isso”, ela disse. “Quando engravidei da minha filha, que agora está com 4 anos, fiquei ainda mais cuidadosa, cortando o álcool e todas as porcarias. Continuei assim depois que ela nasceu, mas os meus hormônios devem ter mudado, pois estou pesando 11 quilos a mais.”
Perguntei a ela se o ganho de peso começou logo depois de o bebê nascer. Alice pensou um pouco, mas não tinha certeza.
“Parece que se passaram dois anos e de repente as minhas roupas não serviam mais”, ela disse.
Conversamos sobre as mudanças na vida dela depois que se tornou mãe. Alice não tinha como se sustentar se ficasse em casa tomando conta da criança, e ter que voltar ao trabalho logo depois de ter dado à luz representou uma pressão de um jeito como ela nunca tinha sentido antes. Houve alguns conflitos no casamento também, já que o seu marido achava que ela voltava toda a atenção para o bebê e tinha perdido o interesse por ele, sobretudo na cama. O cansaço era a sua maior defesa, mas essa tensão ainda permanecia, quatro anos depois. Ela tinha muita coisa para encarar, e com frequência esse é um bom motivo para enterrar algumas coisas, com medo de se sobrecarregar.
Sugeri que adiássemos qualquer exame médico (que provavelmente seriam inconclusivos, já que um desequilíbrio hormonal, se encontrássemos algum, poderia ser o resultado do ganho de peso e não a causa). Em vez disso, pedi a Alice que fizesse um diário de tudo o que ela comia. A cada item que anotasse, deveria registrar a quantidade.
Quando nos encontramos na semana seguinte, ela parecia envergonhada. Acabou descobrindo que estava comendo mais do que imaginava – embora não muito mais.
Contei a Alice que os estudos em que pessoas com sobrepeso contam as calorias com cuidado revelam que elas estão consumindo mais do que imaginavam e, ao mesmo tempo, superestimavam a quantidade de atividade física que praticavam.
“Quando comemos mais do que pensamos e somos menos ativos do que pensamos, ganhamos peso”, eu disse. “Você poderia manter um diário de seu consumo, mas em geral as pessoas desistem depois de algum tempo. É uma tarefa chata, e a gente perde o entusiasmo. Acho que o seu problema pode ser resolvido se tiver consciência do que come.”
Alice ficou surpresa e intrigada. A maior parte das pessoas com sobrepeso se alimenta num estado de inconsciência, e não leva muito tempo para que esse comportamento leve ao excesso de peso. Em vez de vigiarmos o quanto comemos (ninguém consegue acompanhar isso, sobretudo se dá esse branco), podemos fazer uso da ligação entre a mente e o corpo e ter consciência enquanto comemos. Seguem aqui os principais suspeitos quando investigamos esses momentos de branco.
Os comportamentos inconscientes mais prováveis
Fazer as refeições às pressas, sem saborear o prato. Petiscar em frente à TV.
Repetir mesmo estando satisfeito.
Limpar o prato inteiro automaticamente.
Comer quando estamos cansados.
Comer quando estamos estressados.
Eu disse a Alice que, como ela considerava realizar uma alimentação saudável, ter consciência desses lapsos de consciência provavelmente era o que ela precisava. Até agora, funcionou. Alice reconheceu o maior de todos eles – a tensão entre ela e o marido à mesa do jantar. Ambos tinham desistido emocionalmente, o que nunca resolve tensões latentes. Incapaz de aproveitar a refeição com tranquilidade, ela ainda queria ter algum tipo de satisfação, o que a levou a comer mais.
Muita gente vai achar ameaçador observar os próprios hábitos alimentares e descobrir que existe muito mais a ser analisado. Prefeririam conservar o ato de comer num compartimento separado das questões emocionais ou de relacionamento. Porém, se alguém sente esse tipo de desconforto, eu o estimularia a mudar de perspectiva. A negação e a resistência são maneiras de não ter consciência. Não é possível mudar o que não temos consciência; na verdade, com o tempo o que ocorre é que questões enterradas ficam ainda piores. Como me disse um terapeuta: “Quando resistimos, persistimos”.
Alice teve sorte, pois estava pedindo permissão para despertar. Não queria permanecer inconsciente. Percebendo como se sentia constrangida à mesa do jantar, ela criou coragem e começou a encarar o problema, inicialmente admitindo esse desconforto para o marido. Não é de surpreender que ele, do seu lado da mesa, também se sentisse mais ou menos do mesmo jeito. Ambos queriam discutir os problemas do casamento e, felizmente, quando se abriram se sentiram melhor. A ansiedade e o ressentimento começaram a diminuir – com a ajuda inicial de uma terapia de casal –, e Alice teve cada dia menos motivo para comer em excesso. Foi retomando o controle sobre a vida e, quase como um efeito colateral, começou a perder peso.
Dinâmica familiar
A história de Alice serve como lembrete de que poucos de nós comemos sozinhos, e com certeza não aprendemos a comer sozinhos. Toda criança desenvolve hábitos alimentares em família. Uma das razões para persistir com os hábitos alimentares ruins é também a família. Vamos considerar uma típica cena de nossa mesa de jantar. Qual é o clima? Os membros da família estão interagindo? Independentemente da resposta, acontece muita coisa à mesa além de passarmos o saleiro e enchermos o estômago.
Estudos demonstraram que o comportamento é contagioso; ele se espalha de pessoa para pessoa, como um vírus invisível. Se alguém na família, ou mesmo um amigo, gosta de praticar exercícios é mais provável que vamos gostar disso também. Por outro lado, se temos familiares e amigos obesos, o risco de obesidade aumenta, mesmo que não tenhamos consciência do que está acontecendo. Em relação ao ato de comer, a dispersão viral do comportamento funciona de modo positivo ou negativo.
Teste: A sua família à mesa
A seguir, listamos duas categorias de comportamentos “contagiosos”. A primeira contém influências positivas em relação ao ato de comer; a segunda contém influências negativas. Verifique cada item que se aplica a você e a sua família quando fazem uma refeição juntos. Como parâmetro de tempo, use as duas últimas semanas.
Influências positivas
q Gostamos de estar juntos e ficamos de bom humor.
q O clima da refeição é tranquilo.
q O ritmo da refeição é tranquilo.
q Ninguém tem pressa de ir embora. Muitas vezes ainda ficamos um tempo na mesa mesmo depois de
termos acabado de comer.
q Fazemos elogios ao(à) cozinheiro(a).
q Fazemos uma prece pelo alimento.
q Comemos com prazer. Ninguém torce o nariz para certos alimentos nem reclama do que está
comendo.
q A família considera que a alimentação saudável é prazerosa.
q Não beliscamos antes nem depois das refeições.
q As porções são moderadas. Ninguém se sobressai por comer muito ou pouco.
q Somos abertos em relação aos nossos hábitos alimentares. Se alguém está comendo demais
habitualmente, é possível chamar sua atenção sem ferir seus sentimentos.
q A atenção está toda voltada para a refeição. A TV não fica ligada ao fundo.
Pontuação: ______
Influências negativas
q Quando fazemos uma refeição juntos, não damos valor um ao outro. Não há muita conversa. Um ou
dois membros da família mal participam dos assuntos.
q O clima da refeição é neutro ou tenso. Existem comentários pessoais.
q O ritmo da refeição é acelerado, de modo que todo mundo possa retomar o que estava fazendo
antes.
q Assim que a comida termina, todo mundo se dispersa. Ninguém se demora à mesa.
q Com frequência, ninguém elogia o(a) cozinheiro(a) ou alguém resmunga mecanicamente algumas
palavras.
q Não fazemos nenhuma prece nem agradecemos pelo alimento.
q Há quem reclame do que está no prato ou diga que a comida não está boa.
q Não há conversa sobre alimentação saudável.
q Pelo menos um de nós belisca antes ou depois das refeições.
q As porções são grandes. Mesmo assim, sempre tem quem repita.
q Não conversamos sobre hábitos alimentares. Se alguém está comendo demais habitualmente, não há
abertura para chamar sua atenção. Cada um cuida do que come.
q Não prestamos muita atenção no que estamos comendo. Às vezes a TV fica ligada ao fundo.
Pontuação: ______
Resultado
Se você marcou de 8 a 12 itens positivos, a dinâmica de sua família é saudável. Fazer uma refeição juntos é uma experiência bastante satisfatória. Como o vínculo entre vocês é bom, vocês “contagiam” um ao outro com comportamentos positivos, e o esforço para que a alimentação de todos seja mais saudável será bem recebido. Parabéns!
Se você marcou de 3 a 7 itens positivos, existe uma boa experiência à mesa de refeição. A sua família provavelmente dará apoio se você mudar os hábitos alimentares para perder peso ou simplesmente para se alimentar de modo mais saudável. (Menos de três itens positivos significa que você provavelmente caiu no grupo das influências negativas.)
Se você marcou de 8 a 12 itens negativos, a dinâmica de sua família à mesa não é boa. É provável que você não consiga mudar seus hábitos alimentares com tranquilidade, seja para perder peso, seja para se alimentar de modo mais saudável. Você precisa se esforçar para interromper o “contágio” dos maus hábitos. Comece a seguir os princípios da consciência alimentar e gradualmente apresente a sua família uma dieta saudável. A melhor maneira de provocar mudanças é a partir da mesa – haverá muita resistência se você começar a fazer alterações sem avisar. Converse e tente chegar a um consenso sobre maneiras de se alimentar melhor, mesmo que as mudanças sejam pequenas. Enquanto isso, trabalhe nesse sentido consigo mesmo. A configuração familiar pode não ser a ideal, mas isso não deve desanimá-lo.
Se você marcou de 3 a 7 itens negativos, a dinâmica da família está presa a hábitos ruins e a comportamentos inconscientes. A situação provavelmente não parece tão séria a você, mas mesmo uma alimentação neutra não pode ser considerada satisfatória. É provável que a mesa de refeições de sua casa seja um lugar de trégua. Um ou mais membros da família não se sentem felizes ali, ou talvez prevaleça um clima geral de indiferença. É bom saber que você tem uma boa oportunidade de persuadir todo mundo a se juntar a você, seja para perder peso ou para se alimentar de maneira saudável. As suas refeições precisam ser mais satisfatórias, e há muito espaço para isso. Consulte os conselhos do aiurveda para fazer refeições mais saborosas e vibrantes.
Se houver pessoas teimosas, totalmente resistentes a mudanças, use estratégias. Convide-as para se juntarem a você em seu novo regime. Dê a essas pessoas uma semana ou duas para que vejam como você se sai com a sua nova maneira de se alimentar. Se ainda encontrar muita resistência, diga a qualquer um da família que tenha 16 anos ou mais que precisam ser responsáveis pelo que comem. Isso pode levar a diversas escolhas:
Ofereça informações impressas sobre alimentação saudável (por exemplo, um livro ou artigo da internet), deixando claro que você quer conversar sobre os riscos de uma dieta ruim a longo prazo.
Negocie. Converse e estabeleça limites para a ingestão de gordura, açúcar, sal e calorias em geral. Diante do que foi reduzido, prometa que a comida vai continuar sendo saborosa, e, caso isso não aconteça, você vai tentar fazer substituições que agradem mais. Se a discussão sobre como se alimentar melhor chegar num impasse, diga que cada um cozinhará para si mesmo, sem dinheiro extra para ser gasto em porcarias e em redes de fast-food. E as refeições devem ser feitas com o restante da família. Talvez não seja viável chegar a um ponto em que todos os doze itens positivos façam parte da experiência da família, mas eles são realizáveis. O primeiro passo é tomar consciência do que está acontecendo à mesa de refeições e depois, diplomaticamente, ajudar os demais a também tomarem consciência, sem julgar, culpar nem reclamar.
O direito de ser consciente
Apesar dos benefícios da tomada de consciência, as outras pessoas não enxergam as coisas assim. Para elas, a ordem do dia é manter os outros inconscientes. A indústria alimentícia é muitas vezes responsabilizada – e com razão – por usar açúcar, sal e gorduras em excesso nos alimentos processados. O mais pernicioso, porém, é a investida contra a conscientização. Os alimentos são deliberadamente manufaturados para encorajar uma forma robótica de se alimentar, como o “ritmo ao mastigar” tão propalado pelas propagandas em frases como: “Impossível comer um só”. A indústria dos salgadinhos e as redes de fast-food desejam que obedeçamos a uma resposta automática da fome criada pelo excesso de sal, açúcar e gordura, que são estimulantes do apetite. Para completar, eles servem os mesmos três sabores – salgado, doce e azedo – que instigam a salivação. Lembremos que o aiurveda considera esses sabores como os que mais tendem a gerar desequilíbrios.
Ao comer salgadinhos e fast-food as pessoas seguem uma sugestão inconsciente, e não apenas em termos de sabor. Ficar viciado nesses alimentos acontece quando não estamos nem cientes. Para provar isso, vamos fazer um simples experimento de mente e corpo. Vamos fechar os olhos e imaginar um limão. Mentalmente, peguemos uma faca e o cortemos ao meio. Vejamos uma gota de limão caindo. Ao fazer isso, o que acontece? Quase todo mundo começa a salivar. Basta a imagem do limão para desviar a mente superior. Ficamos viciados em porcarias porque temos memória de todos os alimentos salgados, doces e azedos que nos estimularam anteriormente. A indústria alimentícia conta com a ativação dessa memória quando olhamos as imagens tentadoras de hambúrgueres suculentos, quando ouvimos o som crocante das batatas fritas num comercial de TV ou quando observamos a expressão de um deleite quase orgástico de uma modelo mordendo uma barra de chocolate.
Devemos reivindicar o nosso direito de ter consciência. Se não o fizermos, uma avalanche de estímulos de venda continuará nos levando a ter perda da consciência alimentar. A criança estimulada pelos programas de TV matinais a pedir uma refeição no McDonald’s consome 1.842 calorias em um lanche completo grande. Só um Big Mac tem 700 calorias, mais da metade do que uma criança pequena precisa por dia. Um desejo inconsciente de alimentos doces, salgados ou gordurosos está sendo reforçado e, ao mesmo tempo, a quantidade de calorias de um lanche completo é suficiente para um homem adulto de 80 quilos que não comeu nada durante o dia. (Em 2004, no elucidativo documentário Super size me, o diretor Morgan Spurlock ganhou quase 11 quilos a mais por apenas se alimentar no McDonald’s durante um mês. Enquanto ganhava peso, Spurlock viu a sua saúde se deteriorar, pois o colesterol e a pressão sanguínea subiram vertiginosamente, e, ao mesmo tempo, a sua libido despencou. Embora fora do comum, Super size me soou familiar para muitos, já que se tratava de uma versão em ritmo acelerado do que milhões de pessoas fazem com o próprio corpo.)
A medida de oferecer McDonald’s nas escolas dos Estados Unidos para baixar custos é vergonhosa, ainda mais do que o fato de esses sanduíches serem vendidos em hospitais norte-americanos. Temos que recuperar o direito de ter consciência. A solução é nos alimentarmos com atenção plena. O termo “atenção plena” foi originalmente cunhado pelo budismo, e agora se tornou popular no Ocidente. Significa perceber o que estamos fazendo, pensando e sentindo. Aproveito para adaptar o acrônimo SISP, proposto pelo inovador psiquiatra e escritor dr. Daniel Siegel. Ele abrange os quatro elementos de que a mente tem consciência em qualquer momento:
S = Sensações
I = Imagens
S = Sentimentos
P = Pensamentos
Neste instante, a nossa consciência está voltada para uma dessas ocorrências mentais. Uma sensação corporal está presente, levando mensagens de conforto e desconforto. Ou um quadro em nossa cabeça está nos mostrando uma imagem, que pode ser agradável ou desagradável. Também podemos estar experimentando um sentimento (humor, emoção), seja ele positivo ou negativo. Por fim, a mente pode estar ocupada com certos pensamentos, e eles também podem ser agradáveis ou desagradáveis.
Estou enfatizando a dualidade agradável/desagradável porque, quando realizamos tarefas de modo automático e comemos sem perceber, estamos evitando o lado desagradável do quarteto SISP e tentando nos entorpecer. Um instante de inconsciência é o mesmo que dessintonizar, e todos nós já aprendemos a sair de sintonia quando não queremos ver, ouvir, sentir nem pensar sobre determinado assunto.
Quando decidimos nos sintonizar com nosso eu interior, é possível ser consciente. Os inimigos da conscientização são bem conhecidos:
Negação: nos recusamos a enxergar o problema. Distração: encontramos uma distração do problema. Esquecimento: não nos lembramos da existência do problema. Entorpecimento: não sentimos nada, portanto, não há problema.
Um ou mais desses mecanismos assumem durante uma alimentação inconsciente. A incapacidade de saber quando o estômago está cheio – uma das situações mais comuns entre pessoas acima do peso – é uma forma de entorpecimento. Ficar entorpecido nunca é uma solução, e mesmo quando alguém age com desatenção para o fato de estar obeso, por exemplo, em uma outra camada da mente há um pedido de ajuda e em outra ainda mais profunda está a solução. Essas camadas profundas vêm à luz simplesmente com consciência, pois querem ser ouvidas – podemos ter certeza disso.
As coisas que tiramos de sintonia ainda estão por aí. Nos privamos da oportunidade de melhorá-las ao relacioná-las com a alimentação. Praticar a atenção plena é eficiente para manter intacta a relação entre mente e corpo. É fácil atingir o nível mais elementar de atenção plena, e isso pode ser feito a qualquer hora do dia.
EXERCÍCIO:
Como ter atenção plena
Encontre um cômodo onde possa ficar tranquilo e sozinho. Sente-se com as costas eretas e com os
pés separados e apoiados no chão. Apoie as mãos nos joelhos e feche os olhos. Quando estiver relaxado e pronto, vá se sintonizando devagar com o que está acontecendo no seu corpo. Deixe que a sua consciência passeie por cada uma das seguintes áreas:
Sensações: observe como o seu corpo se sente. Imagens: observe as imagens fugidias em sua mente. Sentimentos: observe qualquer emoção que surja. Perceba o seu humor como um todo. Pensamentos: observe os pensamentos que vão e vêm.
Leve um minuto em cada área antes de abrir os olhos. Não reaja diante do que percebeu.
Simplesmente observe, sem julgar e sem tentar mudar nada. Ser observador é o mesmo que sair do caminho, e, quando saímos do caminho, criamos espaço para que a ligação entre a mente e o corpo descanse e se reajuste.
Este exercício é uma adaptação das técnicas que o dr. Siegel tem empregado com impressionante
eficácia. Seu método terapêutico é pertinente para a mente e o corpo, e visa especificamente cada área do cérebro ao relacioná-la ao desconforto, aprisionamento ou entorpecimento do corpo. Estando ciente desses sintomas, ele pode levar o paciente a reativar as áreas específicas do cérebro que se tornaram pouco usadas ou deficientes. A atenção é sempre poderosa quando estamos conscientes do que devemos focar, e o corpo vai nos dizer para onde ir. O exercício que acabei de recomendar é tranquilo, mas não passivo. Ele nos desperta para a realidade “aqui dentro”.
Sei que as pessoas ficam ansiosas só de pensar em sintonizar com lembranças, sentimentos e
sensações dolorosas. Quando estamos acima do peso, a simples ideia de prestar mais atenção ao corpo já não soa bem. Mas a atenção plena não é sobre sentir-se mal consigo mesmo, encarar verdades desagradáveis ou entrar num processo de culpa. Trata-se da alegria de ter consciência. Muitas das boas coisas da vida passam batidas quando não temos consciência, e quando despertamos toda a nossa experiência de vida é elevada. Acessamos poderes íntimos que estavam ocultos. A criatividade exige consciência. Bem como a solução de qualquer problema.
Em relação à maneira de comer, existem vários passos para a tomada de consciência que não
envolvem nenhum tipo de ajuste doloroso, como veremos.
Atitude: 12 maneiras de comer com atenção plena
Qualquer atitude que leve a nossa atenção para o ato de comer ajuda a quebrar o feitiço de um vazio mental. Isso se aplica tanto ao que colocamos na boca quanto aos hábitos comportamentais, como comer depressa. Percorra a lista a seguir e comece a adotar cada dica. Considere uma de cada vez, começando com as mudanças que tragam mais benefícios aos seus hábitos alimentares. (Observação: muitos itens são resumos de tópicos anteriores – eles reaparecem com a decisão de desenvolver a atenção plena.)
1. Coma apenas quando sentir fome. Observe e sinta a sua fome. Esta é a base da alimentação
consciente.
2. A fim de encorajar a sua atenção plena, sempre faça as refeições sentado, numa mesa posta para
esse fim, sem distrações.
3. Comece as refeições com uma porção moderada, por exemplo, meio prato. Ao terminar,
permaneça sentado e veja se ainda tem fome. Tome um pouco de água antes de comer mais.
4. Saboreie cada garfada, demorando-se nela, dando atenção ao aroma e mastigando um pouco
mais do que geralmente faz. Em outras palavras, faça do sabor uma experiência completa em si.
5. Saiba que o apetite é atiçado pelos sabores gordurosos, salgados e doces, e é reprimido pelos
alimentos amargos. Tente tomar uns golinhos de água com gás e limão, e um pouquinho de Angostura antes de comer (a água tônica é amarga, mas tem muito açúcar).
6. Retire a pele do frango e a gordura de todas as carnes antes de comer. Em um restaurante,
coloque essas sobras indesejadas num pratinho separado ou peça ao garçom para levá-las.
7. Coma no ritmo mais lento que puder. O ritmo moderado vai melhorar a digestão. Não encha o
garfo ou a colher novamente se ainda não tiver engolido o que está na boca.
8. Se for do tipo que come depressa, sobretudo se engole sem mastigar, enquanto fala, sirva-se de
pequenas porções. (Você come tão rápido que mal percebe quanto tem no prato.)
9. Se você tende a ser impulsivo ao comer, e sabe que isso fica pior ao longo da refeição, conte a
todos da mesa o quanto pretende comer, e cumpra a sua palavra. (Mas não peça para ser lembrado. O objetivo é monitorar a própria refeição, e não que outras pessoas façam isso para você.)
10. Em um restaurante, peça que levem imediatamente o que não for comer. Não deixe comida no
prato para ficar beliscando sem parar.
11. Se pedir sobremesa, peça que metade dela seja embalada para viagem. Dê a embalagem de
presente a alguém da mesa.
12. Coma o correspondente a dois terços da quantidade que o faria se sentir completamente
satisfeito (a melhor medida é comer dois terços de sua porção normal). Ao atingir esse ponto, retire o prato ou levante-se da mesa. Observe que é possível se sentir bem com um pouquinho de espaço no estômago.
A prisão do condicionamento
Quando saímos do piloto automático, ficamos mais conscientes de nossa alimentação. Ao mesmo tempo, começamos a nos libertar de antigos condicionamentos. Nada mais importante. Essa liberdade maior revela a alegria da conscientização. Sem saber, estávamos vivendo numa prisão sem paredes visíveis, em que o confinamento da cela está inteiramente filiado aos hábitos e condicionamentos da mente. Não é nossa culpa essa vida de limitações desnecessárias, mas, ao mesmo tempo, só nós mesmos temos a chave da liberdade. Ela também é invisível: significa mudar da inconsciência para a conscientização.
Venho orientando sobre como fazer essa mudança, ao mostrar como cada pessoa pode mudar a própria história. Aqui, gostaria de apresentar as recompensas por nos libertarmos dessas limitações ocultas. O condicionamento é diferente de fazer as coisas sem perceber – é a maneira como nos treinamos. Para ilustrar isso, lembro de dois pacientes que abordaram seu problema com a obesidade de modo diferente. Desde que se conhece por gente, Cheryl tem excesso de peso. Quando lhe perguntei de sua infância, ela não falou de gozações, de sermões de sua mãe nem de uma frustração imensa, porque os meninos não prestavam atenção nela.
Embora esteja com sobrepeso de quase 36 quilos aos 40 anos, e se sentindo horrível com isso, Cheryl ergueu um monte de barreiras. Ela nunca usa a palavra “gorda”, sempre se referindo a si mesma como “uma mulher grande”. Se alguém diz que ela talvez esteja comendo demais (o que é óbvio), ela fica na defensiva imediatamente. Ela tem um pacote de reações condicionadas; não enxerga as muralhas em volta de si mesma. Embora sempre pense em seu peso, ninguém pode falar dele a não ser outras “mulheres grandes”. Não aceita nenhuma orientação nutricional, pois conhece tudo sobre a sua situação.
Por fim, tudo se resume à seguinte desculpa: “Sempre fui assim. É assim que eu sou”. Se não fosse pelo fato de ter desenvolvido diabetes tipo 2, ela não consultaria um médico.
A outra pessoa de quem me lembro é Sean, também na casa dos 40, um homem despreocupado que ascendeu na área administrativa com uma grande empresa de construção. Como tem mais de 1,80 de altura e fica tempo demais no escritório ou vendo TV em casa, sente dores na coluna. Recentemente, percebi que ele parecia uns 8 quilos mais magro do que a última vez que o vira. Perguntei o que tinha feito para perder peso. Ele deu de ombros.
“Tive que perder”, disse. “Minha mulher não gosta de me ver gordo.”
Mas como ele conseguiu?
“Às vezes, fico chateado e começo a petiscar batatinhas, ou o que tiver à mão, à noite. É assim que ganho barriga. Aí, parei.” Ele sorriu. “E a minha mulher está mais feliz agora.”
O contraste entre essas duas pessoas é total – uma perdeu peso simplesmente tomando consciência sobre a origem do problema e então mudando a situação. Felizmente, não havia nada de compulsivo por trás da comilança de Sean. Cheryl, entretanto, está condicionada a comer compulsivamente. Ela até se descreve como viciada em comida; prefere ter um distúrbio a ter que encará-lo e superá-lo. Para ela, comer faz parte “de como eu sou”. Infelizmente lutar contra o peso e perder a batalha, também.
A realidade sempre é o que entendemos dela. É assim que a realidade, em toda a sua amplitude, se torna algo pessoal. Em nossa realidade pessoal, se entendemos que o nosso corpo é feio, ele jamais será nosso aliado. Se achamos que perder peso é fundamentalmente “muito difícil”, é exatamente assim que vai ser. Por fim, a sociedade tem imposto crenças de segunda mão que acreditamos serem verdadeiras. Na melhor das hipóteses, elas são verdades alheias. Em geral, são apenas tijolos usados para construir uma parede mais espessa da prisão.
Tomar consciência traz liberdade
Quando uma pessoa se identifica com o fato de ser gorda, é preciso mudar toda a sua história a partir de um nível profundo. (Uma minoria entre os obesos afirma que “gordo é bonito”, e se alguns têm orgulho de marchar de acordo com um ritmo diferente, tudo bem. No entanto, ter orgulho de ser como se é não reduz os sérios riscos à saúde, e em geral percebe-se que essa atitude na realidade é defensiva, pois sugere que o obeso tem sentimentos mais profundos e negativos.) Ou seja, é como um prisioneiro, tão desesperançoso que aprendeu a chamar a prisão de lar. É preciso mover uma montanha de experiências negativas, lembranças, hábitos, fracassos e frustrações. É exatamente a liberdade da qual abriu mão que precisa ser reforçada, ser o tema do dia a dia.
Felizmente, nós não somos apenas cérebro. Se estamos diante de uma pizza e o nosso cérebro ativou a mensagem “você tem que comer isso” ou mesmo “você tem que comer tudo”, podemos dizer “não”. As pessoas que não conseguem negar uma tentação sentem-se prisioneiras porque seus impulsos prevalecem. Uma parte deles observa com desalento enquanto a pizza é engolida até a última fatia, como um espectador indefeso vendo um acidente de carro em câmera lenta. O que está ausente é na verdade básico e simples: uma janela para a liberdade.
Estou me referindo ao pequeno espaço mental que se abre antes de tomarmos uma decisão. Quando comemos normalmente, temos liberdade de escolha. Não olhamos para uma pizza e reagimos automaticamente como estamos condicionados a reagir. Em vez disso, existe uma lacuna entre a fome e a escolha. “Estou com fome? Quanto quero comer? Será que eu escolheria esta comida?” A pessoa que se sente impelida a comer tudo não mais aprecia a liberdade de escolha.
Quando fazemos a escolha que desejamos, o espaço entre a fome e o ato de comer não está vazio. Está pleno de consciência. A consciência é muito semelhante ao que se chama de “mente aberta”. Temos liberdade de pensar. O condicionamento é o oposto da mente aberta, pois não temos controle consciente sobre o nosso comportamento – a mente condicionada é que tem o controle, cedendo a antigas e profundas trilhas criadas no passado.
A alegria da tomada da consciência traz o poder para escapar de qualquer limitação imposta. Não tentemos descobrir de onde essas limitações vêm. A questão é que a mente as aceitou. Portanto, o primeiro passo é abrir um espaço em que a pessoa – que faz uso de sua mente – possa dizer “não” a percursos antigos e começar a construir novos.
Atitude: Novas ideias no lugar das antigas
Quando a mente está condicionada, automaticamente envia os mesmos pensamentos sem parar. A menos que um novo pensamento intervenha, os antigos percursos são reforçados. No entanto, não é difícil intervir. É preciso apenas fazer disso uma prioridade, fundamentada no compromisso de ser livre. Consideremos isso como um tipo de terapia de reposição.
Veja a seguir alguns pensamentos típicos ditados por uma imagem corporal insatisfatória, frustração e maus hábitos. Se você tem pensamentos assim, pare e substitua-os no momento em que surgirem. Repita o pensamento substituto muitas vezes até ele silenciar a mente. Se esse novo pensamento parecer desconfortável ou levantar certas emoções, acalme-se, feche os olhos e deixe essa reação passar. Não lute, apenas observe o que está acontecendo. Quando se sentir centrado de novo, repita o novo pensamento uma vez mais.
Pensamento antigo: Fiz isso comigo. A culpa é minha.
Pensamento novo: O que importa saber quem é o culpado? Culpar não é saudável – quero concentrar
todas as minhas energias na solução.
Pensamento antigo: Sou fraco e feio. Não presto pra nada.
Pensamento novo: Sou forte; não preciso me comparar com os outros; não se trata de prestar ou não
prestar para alguma coisa. Até as estrelas de cinema ganham peso, portanto, não se trata de feiura.
Pensamento antigo: Não sirvo pra nada. Olha só quantas vezes fracassei.
Pensamento novo: Antes eu não sabia o que sei agora. A longo prazo, fazer regimes nunca foi a
estratégia correta. Vou fazer da minha história uma história de sucesso. Se algo não der muito certo, tudo bem. Estou aprendendo.
Pensamento antigo: Só estou me enganando. Olhe para mim. Nada vai funcionar.
Pensamento novo: Não preciso ficar olhando toda hora para o meu corpo. Posso encarar a minha nova
história e ver os progressos. O meu corpo vai acompanhá-la. Neste momento, vou procurar algo que eu goste mais de fazer do que ficar com pena de mim mesmo.
Pensamento antigo: Não tenho tempo nem energia para tentar perder peso.
Pensamento novo: Para ser sincero, penso no meu peso o tempo todo. Se eu parar de ser obsessivo,
restará muito tempo para mudar a minha história. Tenho energia de sobra para fazer o que realmente gosto, e, neste momento, mudar a minha história é o que realmente quero.
Observe que você está simplesmente substituindo o negativo pelo positivo. Isso vai funcionar por algum tempo, mas num determinado ponto você perde a motivação – a negatividade é ativada cada vez que você se olha no espelho ou vê outras pessoas fazendo coisas que não pode fazer. Essa atitude oferece razões para que seu cérebro mude. A mente superior é responsável pelas escolhas racionais e pelo comportamento. Se você continua alimentando-a com novos pensamentos que trazem soluções racionais, esses novos pensamentos vão começar a ficar gravados como “a sua maneira de fazer as coisas”. Trata-se de mudar a sua percepção, de modo que a realidade – ou seja, a sua realidade pessoal – vai mudar ao mesmo tempo.
Consciente versus inconsciente
O nosso estilo de vida depende do nosso nível de consciência. Toda escolha remonta à mente. Muitos problemas estão vinculados aos momentos de distração, negação e entorpecimento, e a condicionamentos que já discutimos anteriormente. O que se dispõe adiante é uma visão mais clara, e essa percepção leva a uma vida consciente. Venho mostrando ao longo dessas páginas como levar essa vida, em que a nossa mente superior fica livre dos impulsos, ímpetos e ansiedades da mente inferior.
Se nos afastamos de nosso estilo de vida atual, com todos os seus aspectos positivos e negativos, veremos que o apelo para continuar com atitudes inconscientes é grande – as pessoas não entrariam em negação nem procurariam distrações se isso não fosse verdade. Ao mesmo tempo, o encanto de tomar consciência de si é também muito real, mesmo que a sociedade não nos ensine que isso é verdade. A propaganda de massa, não só de porcarias alimentares, mas de todo tipo de bens de consumo, tenta fazer o impulso parecer emocionante. A resposta para tudo é consumir cada vez mais, como se mascarar a dor com o prazer seja a melhor solução.
É bastante útil olhar para a realidade, mostrando o que de fato acontece se adotamos um estilo de vida consciente em oposição a uma vida sem consciência.
Estilo de vida sem consciência
Quando não temos consciência, a nossa história de vida foge do controle. Ficamos como marionetes do cérebro, ou seja, nossas escolhas não são de fato nossas, e sim repetições mecânicas de escolhas anteriores. Cedemos a impulsos momentâneos. Tomamos decisões apressadas e nos arrependemos mais tarde. Consequências involuntárias vão surgindo como se fossem ervas daninhas. As pessoas que levam um estilo de vida inconsciente não conseguem resolver os problemas de maneira realista. Elas tendem a ter os seguintes pensamentos:
Por que isso está acontecendo comigo?
Por que não consigo resolver nada?
Por que me sinto tão sobrecarregado?
Alguém tem que me ajudar.
Estou fora de controle.
Esses pensamentos não são agradáveis e podem facilmente levar ao pânico. No entanto, quem já não ficou dessa maneira em determinadas circunstâncias? Diante de muito estresse, ficamos paralisados por pura exaustão. Incapazes de resolver um difícil assunto pessoal, nos resignamos. Um processo mente-corpo está em funcionamento, é o instinto natural que evita a dor. Um estilo de vida sem consciência nos desvencilha das situações duras. A curto prazo, isso é um alívio – a sensibilidade ao sofrimento fica reduzida.
Mas a longo prazo é preciso evitar muita coisa para se manter nesse estado indiferente. A negatividade que tentamos bloquear não é resolvida. Coisas ruins continuam a acontecer, e elas aumentam, pois quando não desenvolvemos uma boa habilidade para enfrentar, não resolvemos os problemas. Se nos habituamos a viver inconscientes, a tendência é adiar e continuar adiando decisões importantes. É provável que nos tornemos esquecidos e indecisos. Será difícil exprimir a nossa verdade, pois não teremos certeza de quem somos.
Sentimentos típicos do estado de inconsciência
Impulsividade
Depressão
Ansiedade
Impaciência
Vitimização
Desamparo
Ser consciente
Quando somos conscientes, temos controle sobre os nossos impulsos. Não viramos marionetes do nosso cérebro. Ao contrário, o usamos como um presente magnífico da mente. Ele faz as intenções e os sonhos se tornarem realidade, e propicia um fluxo de criatividade. A mente superior é explorada por causa dos recursos de inteligência e evolução. Quando levamos um estilo de vida consciente, é possível tomar decisões racionais, que nos dão o poder de moldar nosso futuro. É muito menor o número de consequências imprevisíveis, e, quando elas surgem, confiamos que vamos encontrar uma solução. Não ficamos como joguetes do destino.
Ser consciente é saber como lidar com a imprevisibilidade e a incerteza. A experiência nos ensinou que a incerteza tem uma sabedoria própria – sem ela, a vida seria um tédio de previsível. Portanto, vamos surfar na onda da incerteza, em vez de ficar embaixo dela. Vamos ficar atentos e ser ativos nas mudanças da vida. Quando levamos um estilo de vida consciente, nossa mente formula pensamentos como:
Preciso planejar com antecedência.
Está tudo sob controle.
O que é melhor para mim nesta situação?
As coisas estão caminhando como deveriam?
Vou refletir um pouco. Preciso de tempo para pensar. Sei o que estou fazendo.
Esses pensamentos trazem segurança. Quanto mais conscientes nos tornamos, mais nos sentimos responsáveis por trilhar uma história de orgulho e satisfação. Ninguém a está traçando para a gente, e, se alguém tentar intervir, não vamos medir esforços para reivindicar nossos direitos. Ser consciente também está relacionado com o domínio de certas habilidades. Esse conhecimento demanda uma capacidade de lembrar de nossos erros e de aprender com eles, ter paciência com o processo de aprendizado e saber adiar resultados imediatos a troco de ganhos a longo prazo. Ser consciente abre um caminho de êxito diante dos desafios da vida.
Sentimentos típicos do estado de consciência
Atenção
Vigilância
Interesse
Curiosidade
Estabilidade
Segurança
Mente aberta
Flexibilidade
Uma das razões de este livro explorar certos temas é que, ao contrário do que acontece com um simples conselho, é possível apropriar-se dos temas e ser criativo. Incorporando esses temas na vida pessoal – seja a leveza, a pureza, a energia ou o equilíbrio – você poderá mudar seu estilo de vida, caminhando da inconsciência para a tomada de consciência. Chegar ao peso ideal é importante, mas, para ser sincero, os livros de dieta, nutrição e controle de peso, mesmo os mais confiáveis (que são uma minoria ínfima), não mudam a vida de ninguém da maneira que prometem. Apenas tomar consciência de si pode ajudá-lo a fazer isso.
Quando alcançamos um estilo de vida consciente, podemos celebrar a existência. Tenhamos isso em mente todos os dias. Façamos disso a nossa regra, moldando então as nossas escolhas. Eis aqui uma versão de minha visão pessoal. Trata-se de um manifesto, que surgiu do direito de ser consciente. Adote-o, personalize-o. Quando perceber que perdeu o foco, volte-se para o seu manifesto e reforce-o ao máximo.
Manifesto consciente
O meu corpo deve representar o que eu desejo.
Quero estar no meu peso ideal.
Quero me sentir leve, com energia e alegre.
Não quero sentir dor.
Quero me sentir bem com a aparência do meu corpo. Quero ficar tranquilo e centrado.
Quero me sentir bem comigo mesmo.
Antigos condicionamentos podem nos impedir de viver esse nosso manifesto em sua plenitude. Mas nada pode nos impedir de ter uma regra de vida, uma visão, e, uma vez que a busquemos, as possibilidades se expandem, bem como a tomada de consciência. As sábias tradições mundo afora há milhares de anos fizeram essa promessa, e inúmeras pessoas encontraram satisfação nesse mesmo caminho que estamos percorrendo agora.
HORA DE AGIR:
“Como estou me saindo?”
Todas as atitudes têm origem na mente, portanto, aprender a dirigir a mente é um pré-requisito
para qualquer tipo de mudança. Eis um ditado muito verdadeiro: “A nossa segurança reside em nossos pensamentos”. Se os pensamentos falam de tentação, de não desistir, de ansiedades irresistíveis, de incapacidade de controlar o peso, ninguém se sente seguro. O que importa não é o quanto você pesa. Mas permanecer consciente da perda de peso. É possível conservar essa consciência da perda de peso da seguinte maneira:
Não lutando contra você mesmo.
Ignorando a contagem de calorias.
Abandonando os alimentos dietéticos.
Consumindo alimentos naturais.
Sabendo se está mesmo com fome.
Recuperando o equilíbrio mental quando for importante. Lidando com as coisas que tiram você do sério.
Concentrando-se no peso ideal desejado.
Satisfazendo-se sem comer em excesso.
Quando alguém está firme na consciência da perda de peso, está traçando um caminho – não
importa o que faça em termos de atitude, todos os caminhos são de consciência, o lugar onde crenças, esperanças, desejos, sonhos e medos são ativados.
Hoje, gaste um tempinho do seu dia para rever o seu estado emocional. Dê uma nota de 1 a 5 para
cada elemento da consciência de perda de peso, levando em consideração a legenda a seguir:
5. Obstáculo superado – estou orgulhoso do ponto ao qual cheguei. 4. Estou indo bem.
3. Preciso prestar mais atenção.
2. Eu falhei – preciso me concentrar pra valer.
1. Ih, esqueci completamente.
Atente para o aspecto que você precisa trabalhar mais e pense nele em algum momento do seu dia.
O objetivo é apenas relembrar. Com a repetição, isso se transforma numa ferramenta poderosa para treinar a sua mente.
Ao mesmo tempo, reconheça os aspectos em que está se saindo bem. Valorize seus avanços.
Identifique-se realmente com um estado positivo de consciência – é isso que vai mudar a sua vida.