Você tem Fome de Quê?

Deepak Chopra · Capítulo 7 de 21

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Você tem Fome de Quê?

Pureza, Energia e Equilíbrio

PUREZA, ENERGIA

E EQUILÍBRIO

 

Pontos principais

Uma dieta ideal considera três aspectos: pureza, energia e equilíbrio. Pureza significa eliminar toxinas e voltar à natureza. Energia significa mais do que abastecer o corpo – o melhor tipo de energia tem origem na alegria de comer.

Equilíbrio significa adaptar o corpo à vida que desejamos levar.

 

Eu mesmo, em minha vida pessoal, encontrei uma maneira de viver a história que desejava viver. Já discutimos o tema “leveza e luz”, que foi essencial para mim. E ainda é. Não só me alimento de coisas mais leves, mas também aliviei a minha carga de estresse e evito sobrecarregar as pessoas. Durante trinta anos, aprofundei o significado da palavra “esclarecimento” e como conseguir alcançá-lo. É maravilhoso como os temas conseguem alterar várias dimensões de uma história. Afetam tudo: a mente, o corpo, as emoções e o espírito.

Espero que você tenha vivenciado os benefícios da leveza, primeiramente com mais saladas, mais frutas e verduras e porções menores. Mas um benefício mais amplo só acontece depois de tratarmos o tema holisticamente. Ao juntar três novos temas neste capítulo, nos aproximamos de uma dieta ideal e, o que é mais importante, vamos obter um sentido mais profundo da história que desejamos viver. Os novos temas são:

Pureza

Energia

Equilíbrio

Esses temas são familiares, e uma das tendências encorajadoras das dietas atuais é que as pessoas estão dando mais valor a uma dieta com alimentos puros – isto é, naturais. Mas há também um efeito colateral que desfavorece a condescendência. “É assim que eu devia me alimentar” costuma baixar o ânimo mais do que aumentá-lo. “É assim que gosto de me alimentar” não pede nenhum dedo em riste; entendemos logo a mensagem. O meu objetivo é ajudar as pessoas a preferirem uma dieta natural, energética e equilibrada por gostarem mais dela do que de outras dietas.

Pureza

O acúmulo de toxinas no sistema corpo-mente leva ao ganho de

peso descontrolado, acelerando o envelhecimento e prejudicando

as funções físicas. Eliminar toxinas desperta a capacidade de renovação, assim retomamos um equilíbrio natural. As toxinas

precisam ser eliminadas do corpo,

da mente e da alma.

O trecho destacado resume os principais objetivos da pureza como temática da vida. O oposto de puro é impuro, tóxico, poluído, adulterado e assim por diante. Há muito o que dizer sobre excluir sentimentos e relacionamentos perniciosos. Todos os temas funcionam melhor quando aplicados de forma holística. Aqui, para começar, vamos nos concentrar principalmente em comida.

O que fazer:

Como mencionado anteriormente, jogue fora toda a comida rançosa e velha. Diminua o consumo de alimentos processados.

Ao armazenar frutas e verduras, conserve-as o mais frescas possível. Dê preferência aos grãos integrais e aos adoçantes naturais. Exclua as gorduras hidrogenadas e as gorduras trans. De preferência, compre produtos orgânicos.

Prefira verduras verde-escuras, como o espinafre e a couve, além de toda a família do repolho (inclusive brócolis e couve-flor).

O que não fazer:

Comer sobras rançosas.

Cozinhar com gordura hidrogenada e gordura trans. Usar óleo velho ou rançoso.

Comprar alimentos muito processados, que contenham uma longa lista de aditivos. Comprar alimentos enlatados ou de caixinha, exceto os que tenham poucos aditivos ou aditivos simples, como ácido cítrico e água.

Contei no início a minha história com uma dieta na qual “tudo era natural”, considerada algo extremo há uma década. Mais do que nunca, agora acho que a dieta do cidadão norte-americano comum é que é extrema. Ter pureza em nossa comida e na água é uma exigência básica, que deveria ser geral. Se alguém tem a intenção de fazer uma alimentação completamente natural, existem inúmeras constatações médicas para embasar essa atitude.

Não é preciso consumir açúcar branco refinado para satisfazer o desejo por doce – mel, melado, xarope de agave e outros adoçantes naturais estão entre os alimentos puros, portanto são melhores. Não precisamos do estímulo do álcool, pois seus efeitos tóxicos não devem ser ignorados. Considerando apenas o peso, o álcool interfere nos níveis de insulina ao dar um choque no organismo, causado pelo açúcar mais elementar da natureza – o álcool não passa disso, afinal. Não é preciso aditivos e conservantes cujo efeito a longo prazo sobre o corpo não é conhecido, e existem novos surgindo a toda hora. Não é preciso realçadores de sabor, pois tudo o que fazem é embotar a nossa sensibilidade natural para os sabores.

Tenhamos como objetivo uma dieta completamente natural, e busquemos isso com entusiasmo. Não é por ansiedade que devemos mudar a vida. A pureza é um tema positivo, feito para incrementar a alegria de viver.

É possível criar uma dieta mais pura neste instante dando um passo simples: eliminando da sua casa o que estiver estragado ou velho. Se o nariz nos diz que algo não está muito fresco, lixo! O embolorado e rançoso têm uma química complexa, mas, pensando em termos amplos, alguém deseja que “ranço” seja um tema de vida? Fresco, puro e natural são palavras tão atraentes que os publicitários as empregam o tempo todo para comercializar produtos que estão longe de serem frescos, puros e naturais (por exemplo, o sabor “fresco” do creme chantili artificial, cheio de gorduras processadas, aditivos e ingredientes artificiais).

Cada vez mais a medicina preventiva tem se voltado para os efeitos danosos da oxidação, o mesmo processo que faz o ferro enferrujar, o vinho vinagrar e a maçã ficar marrom. No corpo, o processo é muito mais complicado, mas os agentes importantes são átomos de oxigênio de flutuação livre, conhecidos como radicais livres, que se ligam aos tecidos, causando danos. Alguns radicais livres vêm do ambiente (por exemplo, do ar poluído e da fumaça de cigarro), mas são produzidos principalmente pelo corpo. O efeito colateral decorrente da formação de radicais livres é responsável por doenças e pelo envelhecimento. Muitas das doenças mais comuns de nossa sociedade estão relacionadas a esses danos, inclusive as seguintes:

Câncer

Doenças cardíacas

Derrame

Diabetes

Artrite

Osteoporose

Infecções da bexiga

Glaucoma

Degeneração da retina

Doença de Alzheimer

Outros efeitos prejudiciais são visíveis no espelho. Pele enrugada, cabelo grisalho, juntas enrijecidas são também resultado dos radicais livres.

Em relação ao excesso de peso, se uma pessoa está comendo demais, e isso também vale para alimentos velhos, rançosos e sobras, ela está agravando o problema. Não quero estimular o medo dos radicais livres, pois a função deles no corpo é complexa e ainda não foi completamente compreendida (por exemplo, a quantidade de radicais livres aumenta muito diante de ferimentos e cortes, influindo no processo de cicatrização).

Os alimentos frescos não estão oxidados e, o que é ainda melhor, alguns contêm antioxidantes que podem se opor aos efeitos prejudiciais dos radicais livres. Um dos benefícios das frutas secas e dos óleos vegetais naturalmente processados é que são uma fonte primordial de vitamina E, um dos melhores antioxidantes que existem (mas seus benefícios se perdem se ficarem rançosos ou velhos ao serem armazenados). Dito isso, podemos fazer certas coisas que aumentam ou limitam a produção de radicais livres. Os seguintes fatores aumentam a formação de radicais livres:

Cigarro

Poluição ambiental

Álcool

Radiação, incluindo a excessiva exposição à luz solar Carnes defumadas ou churrasco

Alimentos envelhecidos ou fermentados, como queijos Quimioterapia

Consumir muitas gorduras saturadas ou hidrogenadas (a gordura hidrogenada, em geral gordura vegetal, fica sólida através de processos químicos) Estresse e hormônios do estresse

O corpo tem um sistema para desativar os radicais livres, e existem maneiras de ajudarmos nesse processo:

Comendo mais alimentos ricos em antioxidantes – frutas frescas e vegetais, grãos, frutas secas e favas.

Usando bastante ervas e especiarias ricas em antioxidantes – endro, coentro, alecrim, sálvia, tomilho, hortelã, erva-doce, gengibre e alho.

Tomando vitaminas antioxidantes – A, C e E.

Eliminando o cigarro, o álcool em excesso e drogas desnecessárias. Reduzindo o estresse.

Meditando.

Estar acima do peso não contribui na prevenção desses problemas. Já é sabido que a obesidade está relacionada ao consumo excessivo de gorduras, calorias vazias do açúcar, todos os tipos de alimentos industrializados e às refeições em redes de fast-food. Se nossas escolhas favorecem a pureza alimentar, alteramos tudo isso.

E o que fazer com a falta de compromisso, a incapacidade de seguir bons conselhos? A resposta está em fazer da pureza uma parte dos planos de satisfação.

Satisfação “pura”: imaginemos que estamos considerando o que comer no almoço e topamos com um “prato mexicano com enchiladas de carne e feijões fritos”. Temos fome e começamos a salivar diante da perspectiva. Comer uma enchilada de carne seria um prazer, e, se nos negarmos isso, o cérebro vai registrar como privação. É preciso, então, encontrar uma outra escolha, igualmente satisfatória. Numa situação como essa, algumas pessoas vão suspirar e dizer: “Quero me comportar. Traga-me uma salada e pronto”, o que é sensato e nutritivo, mas é difícil pensar que uma salada vai satisfazer da mesma forma que uma gordurosa enchilada.

Então, eis aqui um jeito novo de pensar, usando o tema da pureza. A enchilada é feita de carne, que vem de um animal que provavelmente recebeu hormônios para acelerar a produção muscular. O queijo é cheio de gorduras saturadas e, se a carne foi preparada no fogo, numa grelha, a fumaça da gordura queimada é um conhecido cancerígeno. Essas coisas não combinam com uma vida plena. Façamos uma pequena mudança para tacos de peixe. O peixe contém ômega-3 e é de fácil digestão; a alface ou o repolho que acompanham têm vitamina C e antioxidantes. Assim, ainda teremos a picante comida mexicana (as pimentas são boas para as funções pulmonares, pois limpam as vias respiratórias), mas com muito menos calorias. Mesmo se mantivermos o queijo, os tacos de peixe combinam com o tema da pureza. Ao decidir por esse pedido, obtemos uma pequena vitória positiva no contexto de nosso histórico.

(Observação: os estudos da medicina também ajudam aqui. O sangue é composto de células que flutuam num líquido claro, amarelado, conhecido como “plasma”. Depois de um prato de enchilada de carne ou de um hambúrguer com queijo, o plasma fica manchado por até seis horas – é chocante ver a diferença do plasma extraído de uma pessoa logo após uma refeição assim. As manchas são de moléculas de gordura animal que permanecem sólidas à temperatura do corpo. Ficam facilmente depositadas em frestas microscópicas das paredes das nossas artérias, formando sedimentos de placas parecidos com flocos de neve nos buracos de uma calçada.)

Agora, temos para comer algo delicioso que não causará sensação de privação, pois acrescentamos uma nova satisfação – de melhor qualidade –, que se baseia no poder de escrevermos a história que desejamos. Se conquistamos duas ou três vitórias desse tipo todos os dias, a nossa história começa a tomar o rumo certo, assim como nosso corpo.

 

Atitude: Tudo puro!

Da próxima vez que for escolher o que comer, passe as possibilidades por um filtro mental, fazendo uso das melhores informações disponíveis (nas embalagens, na internet etc.):

Será que é muito gorduroso?

Será que contém açúcar?

Tem aditivos e adulterantes?

Tem bom potencial antioxidante?

Os ingredientes são frescos?

Os ingredientes são muito processados?

Esse tipo de verificação é fácil e rápido de fazer depois que você se acostuma. Nesse questionário mental, tente se lembrar dos alimentos mais deliciosos que puder.

Quando pegar o espírito da coisa, essa etapa será um desafio prazeroso. Você saberá que está consumindo alimentos que combinam com a história que deseja viver. Não escolha nada que não deseje de fato – decepção e privação estão proibidas. O objetivo é aumentar a satisfação pessoal, não diminuí-la. Como um bônus para a satisfação emocional, uma hora depois de consumir alimentos naturais o seu corpo quase sempre se sentirá melhor do que se consumisse alimentos gordurosos ou industrializados.

Se você deseja que a sua vida seja natural, e não o contrário disso, isto é, uma vida tóxica, todas essas mudanças oferecerão uma nova história e um novo corpo ao mesmo tempo.

 

Energia

A energia começa com um alimento nutritivo e natural. Os cinco

sentidos contribuem com a vibração do alimento, que é mais uma

fonte de energia. O melhor tipo de energia está na alegria

de comer, que evoca a mente e as emoções.

O corpo precisa de combustível, portanto, o tema energia começa com a extração de calorias durante a digestão dos alimentos. Nesse tema, há muito mais coisas envolvidas. O alimento que consumimos deve acrescentar vibração, entusiasmo e alegria à vida – são esses os tipos de energia que propiciam uma satisfação verdadeira, muito além dos níveis de açúcar no sangue. O que não queremos é propiciar o tema oposto, a inércia, que é sem graça e apática. Ao considerar os alimentos em termos mais amplos, eis algumas orientações:

O que fazer:

Comer para ficar com energia. Coma menos quando estiver inativo. Escolha os ingredientes mais frescos.

Pare de comer quando estiver razoavelmente satisfeito, e não mais que isso. Escolha alimentos leves e de digestão mais fácil. Evite gorduras de origem animal e açúcar refinado. Quanto mais sentidos você satisfizer, melhor, prestando atenção no sabor, no cheiro e na textura dos alimentos.

O que não fazer:

Comer até ficar empanturrado.

Servir-se de doses rápidas de energia, por exemplo, de bebidas energéticas com muita cafeína e tabletes açucarados. (O chá e o café são os melhores energéticos, pois são naturais e pouco calóricos.)

Ficar enfraquecido de tanto açúcar, gordura ou álcool. Engolir a comida sem apreciar cada mastigada.

Escolher sempre os mesmos alimentos, sem variar. Ignorar o aspecto visual de uma bela refeição.

A energia é um bom exemplo de como a mente, o corpo e as emoções estão intimamente relacionados. Podemos sair da mesa nos sentindo animados e alegres, de todo satisfeitos. Ou, apesar das mesmas calorias ingeridas, nos sentindo como se nada tivesse acontecido – a refeição não passou de algo rotineiro. Por essa razão, a energia é um tema holístico, cujo objetivo não é apenas extrair nutrientes do modo mais eficiente possível, mas fazer do ato de comer uma vivência alegre.

Lembro-me de ler uma autobiografia em que a autora, apaixonada por um europeu, encontrava-se nos Alpes num dia muito animado. Era maio, e o panorama, deslumbrante. Ela tinha todos os motivos para se sentir contente, e assim estava. Mas o que ficou em sua lembrança foi a comida. O pequeno grupo de amigos com quem estava fez um piquenique com pão fresco, pequenas ervilhas apanhadas na horta e manteiga cremosa. Assim, naquele cenário todo, esses alimentos simples se tornaram uma lembrança mágica.

Porém, considerados isoladamente, ervilha é ervilha, pão é pão e manteiga é manteiga: o valor calórico dos três é fixo, não muda, tenham sido os alimentos retirados de uma geladeira, onde ficaram durante algum tempo, ou se os consumimos bem frescos. Mas somos sensíveis em outros níveis, e cada estado tem uma energia própria. Não existe um método científico que explique por que uma rosa recém-apanhada e ofertada por alguém que amamos é diferente de uma rosa embalada disponível no supermercado. Não há como quantificar, mas a energia certamente é diferente.

Quando consideramos a energia como um todo, o alimento que consumimos deve estar de acordo com a história que queremos viver, ou seja:

O mais fresco possível, sem monotonia, repetição nem rotina. O mais colorido possível, para deleite do olhar. O alimento é um arco-íris na terra. O mais alegre possível, para incrementar os momentos de alegria e prazer. Um sábio provérbio judaico diz: “É melhor comer palha numa manjedoura que um banquete na casa da discórdia”.

É irônico que muitas pessoas achem que precisam viajar para ter prazer na hora da alimentação. Elas se deliciam com as demoradas refeições nos terraços da Toscana, na Itália. Ficam entusiasmadas nos cafés parisienses, onde o orgulho da boa mesa pode ser sentido no ar. Em comparação, comer em casa tende a ser rápido, eficiente e rotineiro. O combustível entra no estômago. Assim, não há nutrição nem dos sentidos nem da alma. Le Corbusier, um arquiteto modernista, dizia que a casa é a “máquina de viver”, o que soa bastante árido. É bem árido também quando a refeição não passa de uma parada para reabastecer as energias.

O nosso corpo não precisa de combustível como um caminhão a diesel, ele procura uma imensidade de nutrientes. E os que funcionam como combustível são poucos e fáceis de resumir:

Os carboidratos se convertem rapidamente em energia, como pode ser avaliado pelos níveis de açúcar no sangue.

As proteínas se transformam em energia mais lentamente e são muito empregadas para a reconstrução das células, e não para gerar a energia que sentimos de imediato. As gorduras se destinam a ser armazenadas pelo corpo e levam mais tempo para se transformar em energia.

Para os nutricionistas, os carboidratos são um combustível essencial para o corpo e devem compor a maior parte da alimentação diária de qualquer pessoa. Uma pequena porção de proteína é necessária a cada 24 horas, a fim de reconstruir os tecidos (cerca de 100 a 300 gramas, o que é muito menos do que as pessoas em geral imaginam; uma boa porção de peixe magro é suficiente). As gorduras são necessárias, mas podem ser reduzidas a apenas 1 ou 2 colheres de sopa de óleo por dia, acrescentado aos pratos sem prejuízo da saúde. Na verdade, uma restrição drástica às gorduras é o único jeito de reverter artérias coronárias entupidas – o nosso corpo não utilizará a gordura acumulada nas veias a menos que cortemos qualquer outra fonte de gordura de nossa dieta.

Nesse panorama nítido, apareceram as mais variadas confusões, em especial em relação aos carboidratos. Há décadas os atletas eram alimentados com carne vermelha, pois se acreditava ser necessário mais proteína para formar massa muscular. Logo, com mais músculos, o atleta chegaria ao máximo do desempenho. Mas, em uma experiência na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, dois grupos de atletas tiveram que pedalar até a exaustão. Os atletas de melhor resultado não foram os que comiam proteína, mas sim os que se alimentaram com carboidratos antes da atividade. Assim nascia a prática de se alimentar com carboidratos antes de práticas esportivas.

A fim de obter energia rapidamente, os carboidratos são processados pela insulina produzida no pâncreas, um mecanismo ágil que leva apenas alguns segundos se ingerirmos um refrigerante ou qualquer outra forma de sacarina, o mais simples dos açúcares e o de entrada mais rápida no organismo. Muitos problemas teriam sido evitados se as pessoas não se entupissem de açúcar refinado ou simples. Na natureza, os carboidratos são complexos. Levam mais tempo para se dividir, o que ajuda a nivelar o açúcar no sangue, ao passo que o açúcar branco refinado eleva o nível de açúcar no sangue. Além disso, o carboidrato natural se junta num alimento integral, então as gorduras e proteínas criam um amortecedor. Consumido puro, o açúcar branco refinado não tem esse recurso.

Infelizmente, as consequências são piores se a pessoa ganha peso. Os norte-americanos há muito correm o risco de problemas de excesso de insulina (hiperinsulinemia) devido ao consumo rápido de combustível em excesso, através do açúcar branco refinado e de xarope de milho com muita frutose. Embora esse último tenha como base a frutose, que não é um açúcar tão simples como a sacarina (a frutose aparece naturalmente nas frutas e em muitos vegetais), na fabricação do xarope de milho o processo de refinamento acaba com essa vantagem.

O que preocupa os médicos é que aparentemente existe uma epidemia de hiperinsulinemia, e esse estado de saúde é um ciclo vicioso: quanto mais insulina o corpo produz, menos eficaz ele é para extrair energia. A gordura se deposita, e a gordura secreta hormônios que elevam o nível de insulina, tornando-a ainda menos eficiente. Enquanto isso, o diabetes fica à espreita, junto com a pressão alta e inúmeros outros problemas. Não é possível julgar pelos sintomas se temos hiperinsulinemia, mas alguns de seus indícios são semelhantes aos do diabetes:

Cansaço

Dores de cabeça

Sede excessiva

Fraqueza muscular

Confusão mental

Tremores

No entanto, em vez de entrar numa espécie de safári de sintomas, é melhor parar e se conscientizar de que é preciso romper o ciclo vicioso entre excesso de peso e insulina. Um pouco de vigilância faz muita diferença.

 

Como romper o ciclo vicioso

Alimentando-se com os carboidratos naturais presentes nos alimentos integrais (frutas, legumes e verduras, cereais).

Não bebendo refrigerantes açucarados; cortando o açúcar branco refinado e usando mel, xarope de agave e outros adoçantes naturais. Usando todos os adoçantes com moderação. Reduzindo a ingestão de alimentos industrializados que contêm açúcar. Preferindo grãos integrais aos refinados.

Fazendo refeições completas com diversos tipos de alimentos em vez de ficar beliscando fora de hora – o que ajuda a controlar os níveis de açúcar.

É bom saber que, para a maioria das pessoas, o fato de perder peso já resolve o problema de excesso de insulina. O diabetes tipo 2, que se espalhou em consequência dessa epidemia de obesidade, em geral desaparece quando as pessoas voltam ao peso ideal. Mesmo tendo nível normal de açúcar no sangue, é bom que todo mundo atente para o amido e o açúcar dos alimentos. Recentemente, a atenção se voltou para o índice glicêmico, que classifica os alimentos de acordo com a complexidade de seus carboidratos. Os números indicam quanto tempo um determinado alimento leva para se transformar em glicose. É melhor que seja devagar, pois isso previne elevações nas taxas de açúcar do sangue, propiciando um fluxo de energia mais estável e consistente. (Alimentar-se corretamente não resolve de todo esse problema, porém. Se comemos demais, por exemplo, a sobrecarga no aparelho digestivo não fará bem. Além disso, o excesso de peso, principalmente a gordura do abdômen, leva as células de gordura a secretarem hormônios que confundem e prejudicam os sinais de fome e saciedade, que estão comprometidos com a insulina e a glicose. Em resumo, a melhor estratégia é fazer boas escolhas alimentares e retomar o peso ideal.)

Uma vez que estamos aprendendo uma abordagem de controle de peso relacionada ao corpo e à mente, não considero de grande ajuda se aborrecer com a glicemia nem com a quantidade de calorias. Basta saber que os alimentos industrializados e refinados possuem um alto índice glicêmico, ao passo que os alimentos integrais tendem a estar na outra ponta da equação. Vale pesquisar o índice glicêmico dos alimentos, que são classificados como alto (ruim) e baixo (bom). Isso é o suficiente para introduzi-lo ao assunto.

Além do mais, o índice glicêmico não é infalível. Os valores variam de pessoa para pessoa, abrangem uma ampla faixa num simples alimento e o efeito no açúcar do sangue ao longo do tempo não é registrado. Uma orientação simples é suficiente. Existem algumas surpresas, como a batata, que tem altos índices glicêmicos mesmo sendo um alimento natural. Pão branco e arroz branco, que também têm valores glicêmicos altos, passam por processos de refinamento. Como nos lembra o dr. Andrew Weil, as principais palavras a evitar são: refinado, processado e industrializado.

Mas o mais importante sobre o tema energia é enxergar além da questão “alimento como combustível”. O alimento nos dá energia, mas deveria também fortalecer a nossa vida.

 

Atitude: Comer para ter energia

Antes de comer, pergunte a si mesmo:

Estou de bom humor?

Esta refeição vai ser positiva?

Esta comida é atraente e tentadora?

Será que consigo me concentrar no prazer de comê-la?

Se a resposta for “sim” para todas essas questões, você vai obter a melhor energia do alimento. Se a resposta é “não”, então não coma ou adie a refeição até que os elementos negativos tenham desaparecido.

Outra dica é comer até ficar satisfeito, mas não empanturrado. Pare de comer quando ainda houver espaço no estômago. Na metade da refeição, abaixe o garfo e espere de cinco a dez minutos. Só então verifique se ainda está com fome e, em caso positivo, decida se realmente precisa comer mais.

Como sempre, não se prive, e veja como é prazeroso dizer: “Estou acrescentando energia à minha história”. Sendo essa a história que deseja viver, cada escolha que fomentar o tema energia, opondo-se ao tema “inércia”, será uma pequena conquista.

 

Equilíbrio

Conservar o peso ideal é um sinal físico de equilíbrio emocional.

Sentir-se contente e satisfeito demonstra que a mente e as

emoções entraram em harmonia.

O equilíbrio não merece ser algo chato e entediante, pois é algo precioso, um meio-termo, um estado perfeito em que tudo existe na proporção exata. O seu oposto, o desequilíbrio, significa que algo foi levado ao extremo. E, quanto mais extremo, mais difícil para o sistema corpo-mente retomar o equilíbrio. A sociedade em que vivemos celebra todos os extremos, e os riscos são exaltados como um modo excitante de levar a vida. Isso é bem diferente do ponto de vista do corpo, que reage diante de situações extremas liberando hormônios do estresse, como o cortisol. Esses hormônios existem para serem temporários e transitórios, mas podem permanecer no corpo um dia inteiro e acabar contribuindo para o desenvolvimento de hipertensão ou osteoporose.

Quando estamos desequilibrados, inclusive pelo excesso de peso, o nosso corpo dispara uma tropa nociva de hormônios do estresse, levando a desarmonias escondidas em todo o sistema corporal. Aqui me atenho ao equilíbrio em termos de dieta, um dos mais importantes tópicos da vida saudável.

O que fazer:

Alimente-se quando estiver num estado emocional equilibrado. Consuma uma ampla variedade de alimentos frescos. Cuide do essencial, como beber bastante água e dormir bem. Alimente-se em horários regulares e em intervalos regulares. Varie o consumo de calorias de acordo com o seu nível de atividade.

O que não fazer:

Consumir sempre os mesmos alimentos.

Seguir uma dieta monótona, em que um alimento “mágico” predomine. Fazer a refeição de mau humor.

Comer quando estiver cansado ou exaurido.

Evitar sempre o mesmo grupo de alimentos, por exemplo, grãos integrais, frutas frescas ou legumes e verduras.

Deixar que o excesso de gordura desequilibre as refeições.

A minha formação como endocrinologista me ajudou a pensar sobre o equilíbrio, pois o estudo dos hormônios tem tudo a ver com o assunto. Essa química naturalmente gerada pelo sistema endócrino diz ao corpo como dormir, comer, crescer, fazer sexo e reagir ao estresse. Estar acima do peso é estar em um estado de desequilíbrio que envolve cinco hormônios:

Insulina

Cortisol

Leptina

Grelina

Adiponectina

Os dois primeiros são bastante conhecidos, uma vez que a insulina é essencial à digestão, ao controle do nível de açúcar no sangue e à energia. O cortisol é conhecido como um importante hormônio do estresse. Mas a verdade é que esses cinco hormônios interagem entre si. A leptina e a grelina estão relacionadas ao apetite e também ao sono, assim como o cortisol. A adiponectina, palavra que tem a mesma raiz de “adiposo” – que significa “gorduroso” –, regula a divisão do ácido graxo. Quando fazemos um jejum e depois descobrimos que tudo que comemos foi parar na cintura ou nas coxas, o motivo é explicado por este hormônio, que propicia a retenção de gordura. O corpo reage ao que interpreta como escassez, armazenando gordura para o futuro.

O equilíbrio desses cinco hormônios leva a um equilíbrio geral no peso corporal. Parece que existem dois tipos básicos de obesidade. Um se baseia no excesso de cortisol devido ao estresse, assim a gordura se acumula no abdômen. É a pior gordura que podemos ter, pois secreta grelina, o chamado “hormônio da fome”. É um golpe duplo, pois quanto mais gordura ingerimos, mais fome temos, e a gordura consumida dá mais fome. O outro tipo de obesidade está relacionada à insulina e aos problemas de açúcar no sangue de que já tratamos.

Os laboratórios farmacêuticos estão sempre tentando desenvolver novas drogas que reequilibrem os hormônios. Mas, a menos que necessitemos de remédios para uma doença como o diabetes tipo 1, acrescentar mais química ao delicado sistema endócrino não funciona. Os hormônios se desequilibram quando a vida está desequilibrada. Equilíbrio significa:

Sono de boa qualidade

Estresse reduzido

Alimentação adequada

Emoções positivas

Sensação de bem-estar

Se brincarmos com os hormônios, colocamos a carroça adiante dos bois. Ao contrário, o que devemos fazer é equilibrar a vida; o equilíbrio hormonal acompanhará isso naturalmente.

Não é de surpreender que o tema equilíbrio pareça entediante – e que seja muitas vezes ignorado. Afinal, levar uma vida equilibrada soa como uma preocupação que devemos ter da meia-idade em diante. Temos fascínio pela juventude, um tempo em que os impulsos correm soltos, não há responsabilidades e o entusiasmo é movido a novas aventuras (e por uma onda de hormônios). Mas é também verdade que as maiores taxas de suicídio e acidentes de trânsito estão entre os adolescentes, que sofrem de insegurança e ansiedade em relação ao futuro, e as aventuras impróprias podem acabar mal.

Não estou descrevendo um quadro desanimador de propósito. A maior parte das pessoas se alimenta hoje da mesma forma como se alimentava na infância e na adolescência. Vamos pensar em alguns comportamentos típicos de adolescentes em nossa sociedade:

Rompimento de regras

Desejo de liberdade

Temperamento irritadiço

Rebelar-se contra as autoridades

Cair na farra

Se alguém transferir esses comportamentos para a alimentação, não vai dar certo. Não quero condenar ninguém, mas, do ponto de vista corporal, não estamos quebrando regras nem sendo rebeldes quando consumimos seis cervejas, um pacote de salgadinhos e um pote de sorvete. Estamos, no entanto, lançando o corpo num desequilíbrio drástico. Ao sobrecarregarmos o sistema digestivo, o corpo é forçado a suspender ou diminuir o funcionamento de outras atividades que precisam de energia e atenção. Ele não consegue apagar todos os incêndios; vai lidar com o pior em primeiro lugar.

O desequilíbrio crônico do excesso de peso, se continuar por muito tempo, leva ao seguinte:

Apatia e cansaço

Sono de má qualidade

Apetite descontrolado

Diminuição do apetite sexual

Problemas de saúde incipientes (um amplo leque, começando com dores nas juntas, pressão alta, diabetes tipo 2, doenças coronarianas etc.)

Teoricamente, quase todos esses efeitos poderiam ser resolvidos com um sermãozinho de dez segundos, assim: “Cresça. Seja mais maduro. Seja responsável”. Mas isso seria em vão. A maturidade e o equilíbrio não são obrigatórios. Se uma pessoa tem convicções que se aferram à adolescência, não vai preferir uma vida mais equilibrada. Afinal, por que não continuar fantasiando, vivendo uma vida glamorosa em que a adolescência nunca termina?

Assim como todos os temas deste livro, o equilíbrio deve ser mais atraente do que as alternativas. Claro, esse apelo vem com o conhecimento e a experiência. Se a gente se lembrar de como se sente depois de uma noite de farra, o desejo de repetir a dose não será muito forte. Mas não tenho muita certeza de que as motivações negativas funcionem. O primeiro grupo de reações do cérebro consiste de ímpetos, impulsos, apetites e desejos. Esse grupo não quer saber de ouvir: “Você vai se arrepender depois”. Mais tarde não interessa, o que importa é agora. (Lições de moral tampouco resolvem, caso contrário, todos nós teríamos um quadro com o seguinte provérbio protestante: “Pecar a correr, arrependimento no lazer”.)

 

Atitude: Equilíbrio faz bem. Experimente!

O efeito positivo sobre a motivação negativa é este: faça o que é certo, depois veja como se sente. Você pode começar a praticar isso hoje. Tente qualquer uma das atividades sugeridas a seguir. Meia hora depois, observe como se sente. Registre mentalmente qualquer sensação positiva, especificando-as:

Sinto-me concentrado.

Sinto-me alerta.

Estou pensando com clareza, sem entorpecimento. Estou pronto para a ação; tenho energia.

Sinto-me satisfeito.

Sinto-me disposto.

Estas são as atividades sugeridas que você pode testar uma a uma ou combinando-as do jeito que preferir:

1. Faça uma refeição leve e satisfatória.

2. Como já mencionado, deixe um espacinho no estômago em vez de empanturrar-se. 3. Tome uma bebida não alcoólica.

4. Pule a sobremesa.

5. Se está em boa companhia, corte o consumo de comida pela metade. 6. Escolha uma pequena porção de proteína acompanhada de muitas hortaliças saborosas e

coloridas.

7. Quando gostar de tudo o que um determinado lugar oferece, dê preferência aos pratos

vegetarianos.

Observe que não estamos forçando o tema “equilíbrio” como um chavão rotineiro, mas exercendo uma nova maneira de se alimentar. O tema equilíbrio é um tema maduro, pois a medida dele é “como nos sentimos depois”. Ansiar por um estímulo imediato não é ruim. Afinal, o sabor delicioso da comida é algo para ser experimentado aqui e agora. A evidência de maturidade está em equilibrar o imediato e o longo prazo. Se um benefício acontece num prazo muito longo, não funciona. Mas um adiamento de meia hora funciona, pois a nossa sensação ainda vai estar ligada à refeição que acabamos de desfrutar.

O equilíbrio é um estado natural, mas o desequilíbrio também é, e isso acrescenta mais uma pecinha a esse quebra-cabeça. O nosso organismo faz adaptações milagrosas. Ele pode se adaptar às altitudes do Vale da Morte, o lugar mais baixo do mundo, e a da cordilheira dos Andes, no Peru, a mais de 5.000 metros acima do nível do mar. Somos onívoros; podemos nos adaptar a quase qualquer dieta, ao contrário de um panda, que morre sem seus tenros brotos de bambu, ou de um coala, que não sobrevive sem folhas de eucalipto (e uma enorme quantidade desses alimentos, já que o coala e o panda nunca desenvolveram um sistema digestório eficiente o bastante para dar conta dessa dieta – ambos comem sem parar enquanto estão acordados, e mesmo assim a energia que obtêm é tão pequena que passam o resto do tempo dormindo).

O mecanismo que está por trás dessa adaptação é conhecido como “homeostase”, um tipo específico de equilíbrio. Se misturarmos uma colher de açúcar no café, esse açúcar vai se dissolver por completo, e então qualquer golinho de café, seja do fundo da xícara ou não, vai apresentar um equilíbrio de açúcar e líquido. O nosso corpo não sobreviveria num estado assim, estático e uniforme. São milhares de substâncias químicas, cada uma com um equilíbrio próprio, que está sempre mudando. O fluxo sanguíneo funciona como uma imensa rodovia, levando e trazendo do cérebro todo tipo de mensagem que podemos imaginar. Os músculos e o coração devem atender a comandos de ação em um instante, e isso leva a alterações automáticas de fluxo sanguíneo, batimento cardíaco e consumo de oxigênio.

A homeostase é como um elástico, que consegue voltar ao tamanho inicial depois de ter sido esticado. É muito bom sair do equilíbrio quando se trata de fazer exercício e não ficar parado, quando se trata de expandir os limites da criatividade em vez de seguir a mesma rotina, quando se trata da ação e não da resignação e da passividade. Em relação a alimentar-se, a homeostase adapta-se incrivelmente a todos os tipos de consumo, do empanturramento ao jejum. Mas assim como podemos exigir que os músculos se movimentem, o processo automático de digestão permite várias intervenções:

Podemos pular uma refeição ou nem comer.

Podemos levar comida à boca para compensar sentimentos negativos. Podemos comer até nos satisfazer, não importa o quanto. Podemos comer para esquecer os problemas.

Já discutimos essas coisas, mas a questão agora é que as mensagens que inserimos tanto podem funcionar para equilibrar o sistema mente-corpo quanto levá-lo ao desequilíbrio – e o corpo deve se adaptar, sem poder escolher nem reclamar. As células têm vida própria – uma vida complexa e fascinante –, mas, quando a mente exige, elas têm que ouvir.

As mensagens mais negativas

Depressão

Falta de sono

Baixa autoestima

Fracasso

Perda

Tristeza

Se fôssemos Sherlock Holmes procurando um vilão escondido, o nosso adversário acabaria sendo uma dessas coisas, que em silêncio vai levando o corpo a um estado de estresse, caos, desequilíbrio químico e assim por diante. Na falta de Sherlock Holmes, o único investigador é a consciência.

É aí que o equilíbrio se torna algo positivo. Tomar uma atitude equilibrada diante de mensagens negativas leva a benefícios. Em vez de rejeitar a mensagem ou de nos forçar a ter um pensamento positivo superficial, podemos interferir em nome do equilíbrio.

 

Intervenções benéficas

Seja gentil consigo mesmo.

Leve mais tempo para tomar decisões.

Exercite a paciência quando tiver recaídas.

Seja confiante.

Procure consolo com amigos acolhedores.

Ofereça paz e conforto a si mesmo.

Reduza as experiências estressantes.

Todas essas coisas se aplicam à perda de peso, pois carregar peso em excesso é um estado de desequilíbrio do sistema corpo-mente, tanto quanto perder o emprego ou o luto por um ente querido. O corpo não sabe como rotular tais eventos, mas, se soubesse, a sua mensagem sempre seria: “Estou fazendo o possível para recuperar o nosso equilíbrio”.

Devemos compreender essa mensagem silenciosa e interferir, oferecendo ao corpo o necessário para que ele se reequilibre. Se considerarmos as intervenções benéficas listadas anteriormente, o oposto delas impede a volta ao equilíbrio.

 

O que atrapalha os benefícios?

Ser rígido consigo mesmo.

Exigir soluções imediatas.

Considerar-se um fracasso.

Reprimir sentimentos reais.

Não ter paciência nem prudência.

Dar respostas sem refletir.

A autocrítica.

Eu disse no início que não é preciso fazer análise psicológica para perder peso com a abordagem mente-corpo. E é isso mesmo. Mas é preciso ter consciência. A consciência mais fundamental diz respeito ao equilíbrio – ou estamos equilibrados ou não. Como, por definição, um corpo acima do peso não está equilibrado, cabe a você ajudá-lo a voltar ao equilíbrio tendo pensamentos e atitudes positivos.

Saber que estamos em um processo de cura é uma das maiores satisfações que o tema equilíbrio traz.

HORA DE AGIR:

Desintoxicar sem esforço

 

Embora o principal objetivo de uma desintoxicação seja eliminar as toxinas, fazer uma

desintoxicação leve uma vez por semana auxilia os outros dois temas ao mesmo tempo. Assim, o organismo atinge o equilíbrio sem a costumeira exigência de energia necessária ao processo digestivo. A medicina tradicional de todas as culturas sempre recomendou algum ritual de purificação, e a sabedoria por trás disso é holística: se fazemos um leve regime purificador uma vez por semana, sentimo-nos mais leves em todos os sentidos, bem como nosso humor e pensamentos.

Para se desintoxicar, é fundamental consumir alimentos naturais. Inclua ingredientes com

propriedades purificadoras na sua dieta habitual, tais como:

Couve, repolho e brócolis

Laranja, limão e grapefruit

Munguba (fruto da mungubeira)

Agrião

Alcachofra

Aspargo

Beterraba

Gengibre

Alho

Maçã

Gergelim

Amêndoas, castanhas e sementes

Escolha um dia para desintoxicar o organismo. Três grupos alimentares já foram testados e

aprovados, fazem parte da minha rotina semanal, sem falta.

Óleos: vários óleos têm um efeito laxativo, mas também são considerados purificadores. Em meu

dia de desintoxicação, tomo uma mistura de quatro óleos – de oliva, de gergelim, de linhaça e de prímula –, facilmente encontrados em lojas de produtos naturais. Uso 1 ou 2 colheres de sopa da mistura pela manhã, sozinha ou junto com o café da manhã.

Fibras: os benefícios medicinais das fibras estão bem documentados, em especial como um

amortecedor do intestino – moderando os níveis de colesterol, por exemplo, e protegendo as paredes do intestino dos cancerígenos. A fibra natural dos vegetais é melhor para o corpo do que o farelo e outras fibras de grãos (elas podem ter um efeito abrasivo nas paredes do intestino). Eu tomo 2 colheres de sopa de fibra em pó pela manhã, misturadas em água com gás. Algumas variedades deliciosas desse tipo de fibra são vendidas em lojas de produtos naturais.

Sucos: jejuns à base de suco sempre fizeram muito sucesso, mas foram criticados pelo uso

excessivo de açúcar. De qualquer modo, não devem durar mais que alguns poucos dias. No meu dia

de desintoxicação, só tomo suco de hortaliças, e no fim do dia, um caldo à base de hortaliças, como o minestrone. O suco feito de folhas verdes é especialmente rico em fitonutrientes (mais adiante trataremos disso), que são micronutrientes com propriedades antioxidantes. Sucos de ervas e de brotos germinados têm ainda maior concentração de micronutrientes. É melhor preparar o suco você mesmo ou comprá-lo fresco, feito na hora.

Os sucos de hortaliças, exceto o suco de tomate (que é tecnicamente uma fruta), não têm quase

nenhuma caloria, por isso deve-se tomar cuidado para não provocar um choque no organismo ao eliminar subitamente a ingestão de calorias. Já fiz desintoxicações por mais de um dia várias vezes, e não acho difícil aguentar, mas é importante se sentir satisfeito – nada de privação.

Os sucos de fruta não são muito recomendados. Em parte porque ao separar o sumo da fibra da

fruta (a polpa da laranja, a casca da maçã), eles ficam reduzidos a puro açúcar. Por possuírem frutose, os sucos de fruta frescos propiciam energia sem pressionar o trato digestivo. Mas precisam ser consumidos com moderação, pois não queremos desequilibrar o nível de insulina com doses de açúcar num estômago vazio. Misturar o suco com fibra, pela manhã, funciona bem. Ao longo do dia, vá tomando o suco diluído em água morna, sempre com moderação.

A minha desintoxicação semanal, baseada em óleos saudáveis, fibras e sucos, acaba sendo o

melhor dia da semana. Fico satisfeito ao dedicar uma atenção qualitativa ao meu corpo, ouvindo o que ele tem a dizer. As mensagens de leveza e energia são gratificantes, portanto, não há sentimento de privação.

Se você também deseja fazer isso – como sabe, existem mil programas de desintoxicação, basta

uma pesquisa na internet para encontrá-los –, comece com os passos simples já delineados aqui. Depois, veja se outros tipos de desintoxicação funcionam para você. Sintonize-se com o seu organismo. Sofrimento não é purificação; agir com rigidez em relação ao corpo não significa estar sendo cruel agora para depois poder ser gentil – significa apenas crueldade.

Na desintoxicação tradicional há recomendações consagradas:

O dia de desintoxicação deve ser de descanso. Reservar um tempo para a meditação é ainda melhor.

Ficar em silêncio durante um dia leva à reflexão e à tranquilidade. Pode-se experimentar qualquer tipo de jejum. Um jejum moderado para um homem adulto deve ficar entre 1.000 e 1.500 calorias; para uma mulher adulta, entre 700 e 1.100 calorias. Jejuar também significa passar sem carne e álcool e beber muita água ao longo do dia. Também é bom monitorar o nível de energia, comendo uma pequena porção caso se sinta apático ou lânguido. (Um desconforto mais sério significa que você deve parar o jejum de imediato.)

Uma lavagem purificadora também atrai muita gente que busca os mais variados tipos de cura. No Chopra Center usamos ervas específicas e essências de frutas combinadas com panchakarma, os cinco métodos aiurvédicos de purificação. O panchakarma é feito em consultório, com profissionais especializados. Para muita gente, porém, “fazer uma limpeza” significa fazer uso de um único alimento desintoxicador durante um dia todo ou por vários dias (como a sopa vegetal conhecida como “caldo Bieler”), ou dosando isso com uma mistura de azeite de oliva e suco de limão. Se a sua saúde é boa, uma lavagem purificadora, embora seja algo drástico, pode aumentar a sensação de saúde e de bem-estar. Veja como o seu corpo reage e preste atenção nas mensagens enviadas por ele.