A gente mira no amor e acerta na solidão
Páginas iniciais
Copyright © Ana Suy Sesarino Kuss, 2022 Copyright © Editora Planeta do Brasil, 2022
Todos os direitos reservados.
PREPARAÇÃO: Marina Castro
REVISÃO: Fernanda França e Matheus de Sá
DIAGRAMAÇÃO E PROJETO GRÁFICO: Nine Editorial
CAPA E ILUSTRÇÃO DE MIOLO (P. 112): Helena Hennemann |
Foresti Design ADAPTAÇÃO PARA EBOOK: Hondana
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Angélica Ilacqua CRB-8/7057
Suy, Ana A gente mira no amor e acerta na solidão [livro eletrônico] / Ana Suy. -- São Paulo : Planeta do Brasil, 2022.
ePUB
ISBN 978-65-5535-711-0 (e-book) 1. Amor – Reflexões 2.
Amor – Aspectos psicológicos I. Título
22-1398
CDD 158.1
Índices para catálogo sistemático: 1. Amor – Reflexões Ao escolher este livro, você está apoiando o manejo responsável das florestas do mundo
Este livro foi composto em FreightText Pro e impresso pela Geográfica para a Editora Planeta do Brasil em abril de 2022.
2022
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Para Gabriel e Milena Yumi, minhas grandes novidades no amor.
PREFÁCIO
A psicanálise oferece à Ana Suy compreensão do lugar e da função do amor na constituição da estrutura psíquica, e a clínica psicanalítica lhe dá acesso à sua verdade de sujeito, sendo assim, sua transmissão da psicanálise é produzida pelo seu desejo de ser analista. Fechado esse ciclo de formação, o amor deixa de ser, para ela, apenas (pois sem fim) tema de pesquisa e estudo e passa a ser modo de vida. “Eu leio tudo a partir do amor.” Esse lugar central que reserva ao amor, Ana Suy o atribui à mãe tê-la “ensinado a amar”. “Ensinar uma filha a ‘amar’, isto é, dar-lhe sua falta, é também transmitir-lhe a forma erotomaníaca feminina de amar da mulher: ‘... o amor demanda o amor. Ele não deixa de demandá-lo. Ele o demanda... mais... ainda.’” (Lacan, Seminário XX: mais, ainda). Ao revelar que “escreve porque precisa escrever”, Ana Suy indica que a palavra pode servir de mediação, na sua demanda de amor, entre ela e o Outro. Detém-se num primeiro tempo em reflexões sobre como lidar com a “sua”
demanda de amor e, para tanto, recorre à poesia em dois de seus livros. Porque sobre o amor, como bem mostrou Roland Barthes, se fala e se é só. Os poetas sempre souberam disso.
Fazer do amor seu modo de viver a mantém conectada à experiência quotidiana, sobretudo à de mulheres cujas demandas de amor ela busca esclarecer e aprofundar. Este livro sobre Amor e Solidão é dedicado a elas, pois, ao esperarem demais do amor, temem a solidão como sendo a perda do amor. Acham que ele é infinito, inquebrável, imortal
– ou que não é amor. Para Ana Suy, a solidão não é para ser combatida, nem negada, mas sim explorada. Esclarece que não se trata sempre do abandono do outro e muito menos do abandono de si mesmo, e sim de estarmos com nós mesmos.
Há sempre partes que não podemos compartilhar. Saber que é um sentimento comum a todos os seres nos permite nos sentirmos menos sós.
“O amor e a solidão sempre andam juntos – não são dois contrários, mas dois reflexos de uma mesma luz que é viver”, diz André Comte-Sponville. Essa reflexão, por ser a de um filósofo, evoca a de Lacan: “O amor…podemos nos perguntar se se trata de um conceito propriamente psicanalítico e não mais um tema ligado à filosofia – os filósofos só falam disso”.
Se o filósofo é alguém que pratica a filosofia, que se vale de sua razão para refletir sobre a vida, para se libertar de suas ilusões e, se puder, para ser feliz, o livro de Ana Suy não teria além de um viés psicanalítico, um viés filosófico? Afinal, como já dizia Montaigne: “A filosofia é uma poesia sofisticada”.
Malvine Zalcberg,
psicanalista, doutora em psicanálise.
SUMÁRIO
Com licença!
Apresentação
1
Amor contém solidão
2
No início era o amor?
3
Quem ainda se interessa pelo amor?
4
De onde vem essa ideia de que há a metade da laranja?
5
Nosso primeiro amor: o Eu
6
Como habitar um corpo sozinho
7
Solidão × sentimento de solidão
8
Amar não livra ninguém da solidão
9
O amor como elaboração de luto pelo que se pensava que era amor 10
Por que tanta pressa?
11
A caixa de Pandora da linguagem
12
O amor precisa de tempo
13
Elogio à infelicidade
14
Amamos aquilo que nos interroga
15
O amor acaba
16
Como assim o amor acaba?
17
O medo do abandono
18
Como fazer dois virarem três? E cinco virarem seis?
19
É de números que se trata no amor
19.1 Paixão – um – loucura
19.2 Amor – três – loucura sã
19.3 Solidão – dois – realidade
20
O amor é um bem bolado de paixão e solidão
21
O perigo do ciúme
21.1 O ciúme normal
21.2 O ciúme projetado
21.3 O ciúme delirante
22
O amor amizade
23
Um comentário sobre o amor transferencial
24
Deixamos por aqui!
Agradecimentos
Músicas citadas nesta obra
O amor por si mesmo só conhece uma barreira: o amor pelos outros, o amor por objetos.
Sigmund Freud