A gente mira no amor e acerta na solidão

Com licença!

 

Quero começar, mas não sei por onde

Onde será que o começo se esconde?

Tiquequê

Oi, você que está prestes a ler este meu livro (que agora não é mais meu, mas seu). Antes de começarmos, eu queria dizer algumas coisas.

Queria te contar que escrevo com um medinho, que escrevo como quem pensa que pisa em ovos, mesmo que não pise em ovos. Queria te contar que ser procurada por uma editora grande para escrever um livro é o meu sonho infantil. Na verdade, nunca pensei em ser escritora quando era criança, mas uso aqui o termo “infantil” porque é o lugar em mim (talvez em você também) onde tocam as coisas que mais importam. Nas outras vezes que publiquei livros, eu não os escrevi para publicar, nem sequer os escrevi para mostrá-los a alguém, mas sim por escrever – e depois escolhi o que iria publicar. Mas escrever para publicar faz dar medinho de escrever.

Então, queria que soubesse que as letras que compõem este livro têm um destinatário: você. Escrevi falando com você.

Estou escrevendo isso porque estou inibida para escrever,

preocupada com o que você vai pensar. Então, como escritora que sou, faço do meu mal-estar, escrita. Porque uma parte de mim (amor) quer ser amada por quem me lê, inclusive por mim mesma. E a outra parte quer apenas escrever (solidão).

Querida leitora, querido leitor, era isso o que eu queria dizer para começar. Eu escrevo porque preciso escrever, porque é o meu modo de viver. Escrever não é cuspir verdades. Escrever é começar a partir de algo que se supõe saber e descobrir coisas novas no meio do caminho. Livros têm vida própria. Começo o parto deste livro aqui.