Adolpho Lutz: entomologia, tabanídeos
Capítulo 1909
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.
A espécie parece largamente distribuída, mas de um modo geral não é freqüen-te. Conheço um exemplar da Argentina (província de Entre Ríos).
Procedência: Rio Grande (São Leopoldo, Macq.) [São Paulo, Itapetininga (uma fêmea), Jacutinga (inúmeras fêmeas)]. Província de Entre Ríos, na Argentina.
Comprimento variável. Em exemplares grandes, até 19 mm.
15. E. sorbens Wied (R.1, 3) (Fig. 15)
Descrição original:
Schimmelgraulichbraun, mir rostgelblichem Hinterleibe, Fühler
und Beinen. – 6 Linien; Rüssel 6 Linien. – ♀ von Montevideo.
Fühler brennend rostbräunlichgelb, Wurzelglieder graulich. Der
kegelförmige Vordertheil des Kopfes honiggelblich, obenauf ein
wenig grau. Stirne braun, mit graulichem Schimmer.
Rückenschild mit nicht sehr deutlichen tiefer braunen Striemen;
über der Flügelwurzel wenig gelbliches Haar. Brustseiten und
Brust schimmelgraulich und, wie der Bart, lang gelblich behaart;
von der Flügeleinlenkung nach der Spitze des Rückenschildes
eine Strieme von schwärzlichen Haaren. Hinterleib an der
Wurzel bleicher, nach der Spitze zu brennender rostgelb. Bauch
gelblich, Flügel bräunlich: innerer Gabelast wie gewöhnlich mit
der nächten Ader verbunden. Beine rostbraun.9
A descrição de Wiedemann está bem correta, ao contrário da procedência, pois não obtive nenhum exemplar de Montevidéu, ao passo que em São Paulo a espécie é a mais freqüente entre todas as pangoninas que lá ocorrem. Com esta espécie combina muito bem um macho do Espírito Santo com nítido processo facial. É estranho que este falte, pelo contrário, em dois machos de São Paulo, o que nunca observei em machos de outras espécies.
Procedência: Espírito Santo, Rio de Janeiro B (Petrópolis), São Paulo B (Cap., São Roque etc). Freqüente. Inúmeras fêmeas, três machos.
Período de ocorrência: janeiro, agosto, novembro e provavelmente também outros meses tanto do inverno quanto do verão.
16. E. marginalis Wied. (R.1, anexo da segunda parte, 3) (Fig. 16)
Descrição original:
Schimmelgraulich braun; der rostgelbliche Hinterleib mit
schwarzer Fleckenstrieme; Seitenränder des Rückenschildes
und Afters weiß. – 6 Linien. – aus Cassapawa in Brasilien.
Rüssel etwas länger als der Mittelleib. Fühler und Taster
rostgelb; Stirn bräunlich, Bart weiß. Rückenschild grünlichbraun,
mit sehr kurzem gelblichem Flaume; Seitenränder bis zur
Fühlerwurzel gelblich, von da bis ans Schildchen weißbehaart.
Brustseiten fast schimmelgraulich, aber mit weißer Behaarung,
die selbst von oben her zu sehen ist. Hinterleib mehr weniger
rostgelblich, mit sehr kurzen anliegenden gelblichen Härchen.
Auf jedem Abschnitt ein bräunlich schwarzer Fleck der
Grundfarbe; Seitenränder der vier letzten Abschnitte weiß
behaart. Bauch überall auf gelblichem Grunde weißseiden
behaart; Flügel bräunlich getrübt, zumal am äußeren Theile.
Äußerer Ast der Gabelader über die Wurzel hinaufragend,
innerer Ast mit der folgenden Ader über dem innern Flügelrande
vereinigt. Beine mehr weniger braungelb, mit gelblichen
Seitenhärchen.10
Meu desenho foi feito a partir de um exemplar coletado por Sello em Caçapava (localidade provavelmente no Rio Grande do Sul), cujo comprimento avalio em 16 mm. Não possuo outros exemplares além desse. Considero a espécie descrita por Macquart como “ nigrivittata” (du Brésil. M. Clausse[n]) como idêntica a esta, já que na descrição não existem diferenças importantes.
17. E. leucopogon Wied (R. 1, 3) (Fig. 17)
Descrição original:
Braun. mit schneeweißem Barte, weißhaarigen Seitenrändern
des Rückenschildes, rostbraunem Hinterleibe und Beinen. 6
Linien; Rüssel 3 ¼. – Aus Brasilien.
Fühler rostbraun, Spitze des dritten Gliedes schwarz. Stirne und
Rückenschild braun, fein behaart; Brustseiten vor der
Flügeleinlenkung mit einem Büschel schneeweißer Haare, des
Rückenschildes Seitenränder aber mit gelblichweißen Haaren
besetzt. Hinterleib rostbraun, mit äußerst kurzen brennend 19. E. incisuralis Macq. (R. 2, 3) (Fig. 19)
rostgelben Härchen; Bauch rostbraun, Fußwurzel in's
schwärzliche ziehend.11
Procedência: Rio de Janeiro e São Paulo, muito distribuídas e freqüentes. Período de ocorrência: novembro a fevereiro. Comprimento: até 16 mm.
18. E. aurimaculata Macq. (R. 2, 3) (Fig. 18)
Descrição original:
Antennis nigris, oculis hirsutis. Thorace nigro. Abdomine
ferrugineo, maculis dorsalibus auratis. Pedibus fuscis. Long. 6 l.
♀.
Trompe noire, longue de 3 ¼ lignes. Palpes gris. Barbe blanche.
Face et front d'un brun mat. Antennes noires; troisième article à
base d'un testacé brunâtre. Des ocelles. Thorax à duvet brun;
lignes peu distinctes; une bande longitudinale au-dessus des
ailes, d'un fauve vif; une autre semblable sous l'insertion des
ailes et séparée de la première par une bande étroite de poil
noirs. Abdomen ferrugineux; une tâche dorsale de poils dorés
sur les deuxième-cinquième segments. À compter du quatrième
exclusivement la couleur des segments devient de plus en plus
brune: des poils dorés de chaque côté du bord extérieur des
segments. Pieds d'un brun noirâtre. Ailes grises, un peu
brunâtres à la base et au bord extérieur. Nervures normales. Du
Brésil.
O desenho é de um exemplar proveniente da Amazônia, que está um pouco desgastado. De um modo geral, a descrição está bastante correta em relação a ele, só que a barba é amarelo-esbranquiçada, as outras diferenças não têm grande importância. Denomino esta espécie pseudo-aurimaculata, já que encontrei o verdadeiro tipo próximo a Petrópolis. O belo exemplar de Macquart, que examinei há tempos, lembra de forma impressionante o macho de E. besckii.
Descrição original:
Fusca. Antennis rufis. Oculis nudis. Abdomine incisuris flavis.
Pedibus rufis. Long. 5 l. ♀.
Trompe noire, longue de deux l. Barbe d'un blanc jaunâre.
Palpes, face et front fauves; ce dernier à léger duvet gris. Des
ocelles. Thorax d'un brun roussâtre, à lignes jaunâtres: côtes à
duvet blanchâtre. Abdomen: bord postérieur des segments
fauve, finissant en jaune. Ventre de même. Ailes d'un brun
roussâtre clair; deuxième cellule sous-marginale appendiculée;
première postérieure fermée. Du Brésil? M. Bigot.
O desenho representa uma espécie proveniente de Porto Alegre (Rio Grande do Sul), da qual possuo várias fêmeas fortemente desgastadas. Ela é um pouco variável pois ora domina um tom avermelhado, ora um marrom, e às vezes as nervuras transversais possuem uma margem escura. Ela está bastante de acordo com a descrição de Macquart, no entanto é sensivelmente maior.
Período de ocorrência: provavelmente janeiro ou dezembro.
Tamanho: por volta de 15 mm.
20.E. brevistria n. sp. (E. nigripes v. ROEDER = longirostris Macq.) (R. 2, 3)?? (Fig. 20)
Descrição de Macquart:
Thorace fusco. Abdomine rufo, apice fusco. Haustello
longitudine corporis. Antennis pedibusque nigris. Oculis hirsutis.
Ocellis.
Long. 5 ½ l. Barbe blanche. Trompe et palpes noirâtres. Face et
front brunâtre. Base du troisième article des antennes d'un
testacé obscur. Thorax à lignes jaunâtres; une bande
longitudinale de poils jaunes en avant des ailes; flancs à duvet
blanchâtre. Abdomen: une tâche triangulaire de poils jaunes au
bord extérieur des derniers segments: ventre fauve. Ailes
grisâtres; deuxième cellule sousmarginale à petit appendice;
première postérieure fermée. Du Brésil?
A espécie aqui desenhada mostra alguma concordância com a descrição, mas ao mesmo tempo algumas divergências, de tal modo que a questão da identidade só pode ser decidida através da comparação dos exemplares. Em apenas um de meus exemplares a probóscida alcança, quando esticada, quase, se não totalmente, o comprimento do corpo (cerca de 4/5), nos outros casos ela mede 1/2-3/5. Pêlos amarelos encontram-se antes das bases das asas (sob uma estreita faixa longitudinal de pêlos pretos do mesmo tipo), sobre as bases das asas (em forma de faixa estreita), na margem do mesonoto e do escutelo e, finalmente, logo abaixo das bases das asas. A barba e os outros pêlos da pleura podem ser brancos puros ou amarelados. Nas margens laterais, assim como na estria média das margens posteriores, encontram-se, do segundo ao sexto anel, pêlos amarelo-ouro bastante caducos; em outras partes eles são pretos apenas no ápice exterior, fora isso são amarelos. As pernas são marrons, sendo somente os fêmures mais avermelhados; as tíbias do último par com finos cílios pretos, assim como os tarsos anteriores e posteriores. Células discoidal e anal, bem como a basal, um pouco claras. Nos meus exemplares a nervura furcada é curvada angulosamente, mas sem nítido apêndice. O tórax mostra muito claramente as quatro faixas longitudinais costumeiras, sendo as medianas nitidamente mais curtas. Sugiro portanto o nome E. brevistria, caso a espécie de Macquart seja diversa.
O nome de Macquart: P. longirostris, já havia sido dado, e em seu lugar Roeder (Dipteren, gesammelt usw. von A. Stübel, Berlin 1892, R. Friedländer und Sohn) sugeriu a denominação P. nigripes.
Meus três exemplares, só fêmeas, foram coletados em Canaã (São Paulo C), por volta do fim de março. Tamanho: 12-15 mm.
21. E. pubescens n. sp. (Fig. 21)
Probóscida de pelo menos 7 mm, preta, palpos marrom-avermelhados escuros, antenas com os dois primeiros segmentos marrom-cinzentos e o terceiro de amarelo-ferrugíneo a amarelo-avermelhado. Face coniforme, marrom-cinzenta. Vértice marrom escuro, com nítidos ocelos. Olhos escuros com brilho esverdeado e pêlos esbranquiçados. Barba branca, occipício com pubescência amarelada.
Tórax: dorso com finos pêlos marrons, mas com brilho dourado, com quatro faixas escuras, marrons, sobre fundo claro, das quais as medianas são separadas por uma linha fina e encurtadas atrás, enquanto são lateralmente, como de costume, interrompidas antes do meio por uma linha transversal. Escutelo marrom, próximo à sua margem, como também à do mesonoto, longos pêlos amarelos acinzentados claros formam uma faixa que segue por sobre a base da asa. Nas pleuras e na face ventral do tórax pêlos com o mesmo tipo de coloração, passando a brancos em direção à frente.
Abdome amarelo-ocre translúcido na parte anterior, com pelinhos vermelho-ouro brilhantes e provido de algumas manchas escuras irregulares que, a partir do terceiro segmento, recobrem quase ou totalmente os tergitos, deixando à mostra apenas as margens posteriores marrom-ocre. Os pelinhos dourados tornam-se mais espessos, longos e claros a partir da margem posterior do segundo segmento, de modo que toda a parte apical é coberta por uma pubescência amarelo-clara com brilho dourado. Coloração do ventre semelhante à do dorso, porém mais clara e menos hirsuta, com cílios amarelo-ouro somente nas margens posteriores.
Pernas amarelo-couro avermelhadas, os ápices dos tarsos um pouco mais escuros, fêmur anterior e tíbia posterior com cílios muito finos.
Asas cinza-claras, costa e nervuras maiores amarelo-couro a marrom, passando a amareladas a partir da base e da costa, um curto apêndice na nervura furcada. Primeira célula posterior e célula anal fechadas pouco antes da margem. Halteres amarelo-couro, capítulo significativamente mais amarelo, especialmente no ápice. Comprimento até 15 mm. Procedência: São Paulo C (Jacutinga).
Período de ocorrência: início de abril. Quatro fêmeas.
Phaeoneura n. g.
(Ver chave)
22. Ph. basilaris Wied (R.1) (Fig. 22)
Descrição original:
Braun, After und Hinterleibflecken goldgelb, Flügelwurzel
schwarzbraun. – 7 Linien, Rüssel 4 Linien. ♀. Aus Brasilien.
Fühler etwas rötlichbraun; Bart gelblichweiß, Stirn und Schnabel
tiefbraun. Scheitel und Punktaugen. Mittelleib rotbraun, schwarz
behaart; Hinterleib obenauf ebenso, aber an den zwei letzten
abschnitten und an den äußersten Seitenrändern der vorden
bleich goldgelb behaart. Auch mitten am Hinterrande der
vordern Abschnitte ist ein solcher Haarflecken zu bemerken, ja
am zweiten scheint der Flecken weiß zu sein. Bauch eben so
braun, als die obere Fläche, aber die Hinterränder aller
Abschnitte gelblich. Flügel wenig gelblich, am Wurzeldrittel
schwarzbraun, was aber nur die Hälfte von der Breite einnimmt
und von da bis zum Innenrande fast ganz verwaschen ist.
Schenkel tiefbraun: Schienen und Füße an allen Beinen
bleich.12
Wiedemann descreveu outra espécie, que ocorre no México, com esse nome (Roeder afirma que também as encontrou no Equador.) Bellardi chamou-a Pangonia wiedemanni.
No Museu Britânico encontram-se reunidas sob a denominação de P. basalis duas espécies distintas, como supostas variedades. Uma é a nossa espécie e originária, provavelmente, do Rio, a outra pertence à região amazônica.
Esta espécie parece bem rara. Possuo um exemplar que, embora não tenha mancha pilosa na linha mediana e apresente fêmur mais claro, com certeza pertence a esta espécie. Trata-se de uma fêmea de 15 mm de comprimento, coletada no final de janeiro próximo a Petrópolis, Rio de Janeiro B.
Adendo. Recebi desde então inúmeras fêmeas, coletadas em Santo Aleixo, próximo a Petrópolis, em 3 de fevereiro de 1909.
Bombylopsis n. g.
(Ver chave)
23.B. erythronotata Bigot (R. 6) (Fig. 23)
Descrição original:
♀ long = 13 millim. Pipette à-peu-près deux fois aussi longue
que la hauter de la tête; les yeux villeux; palpes, antennes,
barbe, face et front noirs; tergum, écusson densément couverts
d'une courte villosité d'un roux vif, flancs noirs, teintés en arrière
d'un gris rougeâtre; abdomen noir luisant, dos des segments et
extrémité teintés obscurément d'une nuance rougeâtre pâle.
Cuillerons et balanciers roux; fémurs noirs; tibias d'un blanc un
peu jaunâtre; tarses de la même nuance, brunâtre à l'extremité:
ailes d'un brunâtre pale, bifurcation externe de la quatrième
nervure longitudinale (Rondani) coudée à angle droit. Brésil,
Theresopolis. – 1 spécimen.
Possuo inúmeras fêmeas dessa espécie. À descrição de Bigot deve-se ainda acrescentar o seguinte: a face é brilhante, porém mais marrom-avermelhada do que negra; o vértice é claro, com polinosidade marrom-canela; os dois primeiros segmentos antenais são marrom-canela claros, o último é vermelho-ferrugíneo inferiormente e negro superiormente. Pelinhos marrom-ferrugíneos no occipício, o mesmo tipo de pêlos no final posterior da barba e sobre as pleuras após a base das asas. Abdome marrom-avermelhado a negro brilhante, pelinhos amarelos ou ver-melho-ferrugíneos a partir do quarto segmento, primeiramente no meio, depois também nas laterais. Mero e coxas com pêlos marrom-enegrecidos. – na nervura furcada pode haver um apêndice curto.
Apesar da descrição insuficiente de Bigot, cujo exemplar estava provavelmente incompleto, não pode haver dúvida quanto à identificação, se levarmos em consideração a procedência.
Habitat: Rio de Janeiro B (Teresópolis segundo Bigot, Petrópolis), São Paulo B (Cantareira).
Período de ocorrência: fevereiro, março.
Tamanho: até 15 mm.
24.(B. pseudoanalis n. sp .), B. analis Fabr. (R. 4) ?? (Fig. 24)
Descrição original de Fabricius, in Systema Antliatorum. Brunsw. 1805:
P. analis, nigra, abdomine apice fulvo, haustello longitudine
corporis. Hab. in America meridionali.
Caput nigrum, haustello valde porrecto. Antennae ferrugineae.
Thorax villosus, niger, immaculatus. Abdomen basi nigrum,
apice fulvum. Alae albae. Pedes flavi, femoribus hirtis nigris.
Descrição de Wiedemann:
Schwärzlich-braun, mit goldgelber Hinterleibsspitze, Rüssel von
der Lange des Körpers. – 6 Linien. ♀. – Aus Südamerika.
Farbe sehr satt schwärzlichbraun, an der untern Körperfläche
rötlichgelb, Flügel wasserklar, Schenkel schwärzlichbraun,
schwarz behaart; Schienen und Fußwurzeln lichtgelb.13
Essas descrições indicam uma espécie de Bombylopsis. Meus exemplares apresentam uma concordância conspícua em alguns pontos. No entanto, as asas não são transparentes como água, mas sim levemente marrom-acinzentado-avermelhadas. Além disso, a área inferior do corpo não é amarelo-avermelhada, mas sim marrom-avermelhado-escura. A descrição e a indicação de procedência deficientes mostram-se aqui capazes de causar perturbação. Como não consigo classificar nem a espécie de Fabricius nem a minha, reunirei ambas provisoriamente, ainda que com muitas dúvidas. Caso se trate de diferentes espécies, o nome deverá ser substituído por “pseudoanalis n. sp.”
A espécie não é freqüente, mas possuo inúmeros ♂ ♂ e 1 ♀.
Procedência: São Paulo B, C (Cantareira Cap. 7), São João da Boa Vista.
Período de ocorrência: fevereiro, março.
Tamanho: até 15 mm. Os machos se diferenciam apenas pelos caracteres sexuais habituais.
25. B. leonina n. sp. (Fig. 25)
Probóscida com cerca de 8 mm, negra. Palpos enegrecidos, face com proeminência coniforme, negra brilhante. Antenas com os dois primeiros segmentos marrons e o último enegrecido. Fronte e vértice com polinosidade marrom-canela, sobre fundo negro. Olhos bastante escuros, com brilho esverdeado e pilosidade avermelhada.
Tórax: todo o dorso, inclusive o escutelo, guarnecido por pêlos longos e espessos, cuja cor reluz do amarelo-acinzentado-claro ao amarelo-avermelhado e ao marrom-amarelado. Todo o ventre é negro e com pêlos muito espessos e escuros.
Abdome: curto, espesso; dorso fortemente abaulado em duas direções, com brilho pardo-negro, pêlos bastante longos, finos e negros nos três primeiros segmentos, em direção às extremidades; a partir daí, todos os anéis na parte superior cobertos de pêlos, cuja coloração concorda com a do mesonoto; no entanto eles são um pouco mais curtos e menos espessos. Podem também invadir o meio do terceiro segmento.
Asas marrons com nítidos tons avermelhados, mais intensos na base e na costa: cada célula pode ser mais ou menos fenestrada; um curto apêndice da nervura furcada não é totalmente constante. Célula anal fechada bem junto à margem e primeira célula posterior fechada pouco antes da margem. Pernas cobertas densamente por pêlos longos e negros até os joelhos, a partir daí glabras e bastante finas, de nuances que vão do amarelo-claro à cor de oliva, os ápices das tíbias e a parte exterior dos metatarsos enegrecidos. Tíbias do último par com cílios muito finos e escuros na parte exterior. Halteres enegrecidos, capítulo marrom, mais claro na área apical.
Procedência: São Paulo [Cap. (Serra da Cantareira)].
Período de ocorrência: segunda metade de abril. Quatro fêmeas.
Tamanho: até 17 mm.
Epipsila n. g.
Pernas como em Bombylopsis, apenas a pilosidade um pouco
mais curta. Mesonoto com pêlos longos somente nas margens.
Asas claras, com sinais negros nas veias transversais da
primeira célula basal. Olhos singularmente azuis.
26. E. eriomera Macq. (R. 2, 3) (Fig. 26)
Descrição original:
Nigra antennis rufis. Oculis hirsutis. Abdomine maculis
dorsalibus albis. Femoribus nigris, hirsutis; tibiis tarsisque flavis.
Alis flavicantibus, basi nigrâ.
Long. 5 ½ l. ♂. Trompe d'un fauve brunâtre à l'extremité noire.
Soies et palpes fauves. Barbe noire. Face testacée, assez
saillante. Front noir. Des ocelles. Thorax noir, à poils noirs; des
poils blancs aux épaules. Abdomen d'un noir luisant; une petite
tache dorsale de poils blancs au bord postérieur des segments,
et une de chaque côté des derniers segments. Pieds: tarses,
hanches noires; cuisses noires, velues surtout en dessus;
postérieures d'un testacé obscur; jambes et tarses d'un jaune
pâle. Jambes postérieures nues et menues. Ailes d'un jaunâtre
très-clair; bord extérieur jaune; base, jusqu'à celle des cellules
basilaires brunes, avec un point blanc; nervures formant la base
des cellules sous-marginale, première postérieure et discoïdale,
brunes; deuxième sous-marginale à appendice très-court;
première postérieure à pétiole. Du Brésil.
Possuo inúmeras fêmeas, que inequivocamente pertencem a esta espécie. Encontro os fêmures posteriores sempre com pilosidade negra, o apêndice da nervura bastante curto e na maioria das vezes inexistente. O ápice, e por vezes também as genas, com polinosidade cinza. Em exemplares frescos os olhos são bastante conspícuos, azuis metálicos com brilho esverdeado.
Procedência: São Paulo B, C (Cap. [Cantareira], Jacutinga).
Período de ocorrência: fevereiro a abril.
Tamanho até 19 mm, habitualmente um pouco menores.
27.E. eriomeroides n. sp . (Fig. 27)
A espécie assemelha-se de forma conspícua à anterior, com a qual compartilha a procedência e o período de ocorrência. Ela se diferencia através das seguintes características: comprimento total significativamente menor, face mais enegrecida em vez de vermelho-amarelada ou enegrecida e com polinosidade cinza, antenas pardo-avermelhadas escuras em vez de cor de ferrugem. Barba nívea em vez de negra. De resto, nenhuma diferença importante.
Procedência: São Paulo B (Cap. [Cantareira]).
Período de ocorrência: março.
Tamanho: 15-17 mm, 2 fêmeas.
Ionopis n. g.
Este gênero tem diferenças com os dois últimos. As asas são
escuras como em Bombylopsis, mas com uma marca
transversal, como em Epipsila, com a qual também se
assemelha na cor dos olhos e na forma do escudo. Tem em
comum com ambos a coloração negra básica, no entanto a
constituição característica das pernas de ambos é, ao contrário,
inexistente.
28. I. nitens Bigot (R. 6.) (Fig. 28)
Descrição original:
Long. = 16 millim. (praeter haustellum).
Antennes (incomplètes) noires; pipette noire, à peu près aussi
longue que le corps; les yeux tomenteux; palpes et front noirs;
face d'un noir luisant; barbe blanche, très courte; tout le reste du
corps et des pieds d'un noir luisant, extrémité de l'abdomen
bordée de duvet blanc; massue des balanciers rougeâtre; ailes
obscurément enfumées, bifurcation externe de la nervure
longitudinale (Rondani) brièvement appendiculée. Brésil. Un
specimen.
Não tenho dúvidas quanto à identificação de minha espécie com a descrição de Bigot. Dever-se-ia observar o seguinte: a probóscida, quando não proeminente nem esticada, soma apenas 2/5 do comprimento total. Sobre a base da asa encon-tra-se uma curta faixa de pêlos brancos, e na margem posterior dos segmentos abdominais, a partir do terceiro, podem existir manchas brancas de pêlos. No segundo segmento encontram-se lateralmente, tanto em cima quanto embaixo, pelinhos brancos na margem posterior e, no ventre, também medianos. Nos limites entre a margem posterior e a lateral do tórax encontra-se um cachinho branco. Coxas e fêmures apenas com pilosidade curta e fina, de pardo-chocolate a negra, o restante da perna marrom-avermelhado ou enegrecido; tíbias posteriores com cílios muito curtos e escuros. O curto apêndice de veia não é totalmente constante, a barba não chega a chamar atenção por ser curta.
Procedência: São Paulo B, C (Cantareira e Cap.), provavelmente também Rio de Janeiro B.
Período de ocorrência: fevereiro.
Tamanho: 17-19 mm.
Inúmeras fêmeas.
29.I. foetterlei n. sp. (Fig. 29)
Comprimento total (sem a probóscida): 16 mm, probóscida com cerca de 9 mm, Comprimento das asas cerca de 14 mm.
Probóscida negra. Palpos: o segundo segmento bastante prolongado, estreito, enegrecido, face inferior proeminente, brilhante, marrom-enegrecido. Antenas vermelho-ferrugíneas, os dois primeiros segmentos mais marrons e com pilosidade negra, vértice enegrecido; ocelos nítidos, olhos azul-aço escuros com brilho verde, pilosidade curta. Barba marrom-enegrecida. Dorso do tórax – assim como do escutelo – glabro e castanho-escuro, com quatro estrias longitudinais escuras não nítidas, das quais as do meio pouco se separam, com pilosidade negro-fuligem ao redor e nas pleuras. Face ventral um pouco mais clara, castanha opaca.
Abdome negro brilhante no dorso e no ventre. Margem posterior do segundo segmento com pilosidade esbranquiçada embaixo, bem como em cima nos quartos exteriores, onde a pilosidade branca, de forma triangular, se estende mais para a frente; no dorso da margem posterior do terceiro e do quarto segmentos alguns pelinhos brancos na linha mediana, quinto, sexto e sétimo segmentos com cílios brancos laterais em cima e embaixo, os dois últimos em cima em toda a margem posterior. Pernas negras; tarso um pouco marrom-avermelhado; fêmur com curtos pêlos negros.
Asas claras, base e costa mais avermelhadas. Nervuras pardas avermelhadas mais claras ou mais escuras; nervuras transversais nitidamente sombreadas; primeira célula posterior e anal fechadas antes da margem. Nervura furcada curva, com ângulo com apêndice bastante curto, escâmulas enegrecidas, halteres castanhos com capítulo um pouco mais claro.
Esta espécie, aparentemente rara, diferencia-se facilmente da anterior, mesmo quando desgastada, pela barba escura e o tamanho pequeno.
Esta espécie é dedicada ao senhor Foetterle, de Petrópolis, a quem devo inúmeros Tabanídeos daquela região.
Procedência: Rio de Janeiro B (Petrópolis).
Período de ocorrência: início de fevereiro.
Duas fêmeas um pouco desgastadas.
Neopangonia n. g.
Com caracteres de Erephopsis, mas com a primeira célula
posterior bem mais aberta.
30. N. pusilla n. sp. (Fig. 30)
Probóscida negra, mais longa que o abdome; palpos: primeiro segmento amarelo acinzentado, segundo amarelo-ferrugíneo, enegrecido em direção ao ápice; face bastante proeminente, marrom, sob os olhos e as antenas com sulcos arqueados, rasgados profundamente: antenas vermelho-ferrugíneas, com os dois primeiros segmentos pilosos, o último glabro, somente com o ápice do oitavo artículo negro e com alguns pelinhos negros; fronte marrom-enegrecida. Olhos verdes bastante vivos, com pilosidade esbranquiçada espessa, porém curta. Ocelos nítidos, vértice marrom, com margem clara ao redor dos olhos. Occipício e barba cinzas.
Dorso do tórax marrom-enegrecido, com linhas medianas mais escuras e linhas laterais mais claras. A partir dos úmeros, passando por sobre a base da asa, prolonga-se uma área nitidamente mais clara. Escutelo marrom ou avermelhado. Pleuras e ventre do tórax, inclusive da coxa anterior, cobertos por pêlos bastante longos, cinza-esbranquiçados.
Abdome fortemente peciolado a partir do terceiro segmento, pontiagudo, seguindo de forma quase retilínea em direção ao ápice. Dorso fortemente convexo em ambas as direções, ventre côncavo. A tonalidade básica é um amarelo-chifre diáfano, com desenhos marrom-enegrecidos, que formam faixas de contornos irregulares nos três primeiros segmentos e, em direção ao ápice, revestem quase continuamente o dorso. No dorso há curtos pelinhos negros, enquanto as margens laterais apresentam cílios mais claros e esbranquiçados. O ventre amarelo-cinza-opaco apresenta – mais ou menos nitidamente – uma estria escura, algumas vezes interrompida na linha mediana, e faixas transversais irregulares, marrom-enegrecidas.
Asas cinzas, mais claras ou mais escuras, na base e na margem anterior mais avermelhadas, algumas células fortemente clareadas no meio, especialmente as anais, o estigma e as duas nervuras transversais sombreadas de negro, primeira célula posterior largamente aberta, nervura furcada abaulada em ângulo, mas sem apêndice. Halteres passando de marrom-amarelados a pardo-enegrecidos. Pernas amarelo-ferrugíneas, com cílios cinzas na face inferior do fêmur, nas outras partes cobertas com finos pelinhos amarelos. Todos os tarsos enegrecidos dorsalmente e com pilosidade negra, embaixo um pouco mais claros.
Período de ocorrência: abril.
Procedência: São Paulo B (Cantareira), quatro fêmeas, coletadas em dois diferentes anos.
Gênero Diatomineura Rondani
(Ver chave)
31. D. exeuns Walker (R. 4) (Fig. 31)
Descrição original:
Fem. Ferruginea, thoracis disco piceo, abdomine rufo, palpis
fulvis, antennis ferrugineis basi fulvis apice nigris, pedibus
ferrugineis, alis subcinereis ad costam fulvis.
Body pale ferruginous, clothed with tawny hair; head thickly
clothed beneath with yellow hairs; eyes black, clothed with
tawny hairs; fore part flat, its facets not larger than those
elsewhere; sucker black, nearly half the length of the body; palpi
tawny, triangular, very short, lancets ferruginous; feelers
ferruginous with black tips; first and second joints tawny, short
beset with black bristles, third joint narrower than the first and
the second, diminishing towards the tip; the following joints are
closely united with the third, and appear like a single one which
is pointed and slightly curved, and whose divisions successively
decrease in breadth; disc of the chest pitchy; abdomen dark red,
oval, shining, much longer and broader than the chest; sides
clothed with black hairs; hind borders of the segments clothed
on each side with tawny hairs; legs ferruginous, clothed with
short black hairs, hind legs darker than the two other pairs; foot
cushions pale tawny; claws black; wings slightly gray, tawny
along the fore border for three-fourths of the length; wing-ribs
and veins tawny; tips of the vein black; scales and poisers
tawny. Length of the body 6 lines, of the wings 15 lines.
Meus exemplares estão de acordo com os originais e com a descrição – certamente pouco precisa – de Walker. O que mais salta aos olhos, além da estatura maciça e relativamente grande, é a forma larga e curta, quase triangular, do segmento apical dos palpos. Tal caráter só é partilhado por ela com a espécie descrita a seguir, da qual se diferencia levemente, no entanto, através de abundantes cílios amarelo-pálidos no abdome. Estes se encontram em toda a margem posterior do segundo segmento, além disso, porém, apenas lateralmente, nas margens posteriores do quarto, do quinto e do sexto segmentos. Também no primeiro segmento encontram-se inúmeros pelinhos, no entanto sua cor é ouro-avermelhada a verme-lho-raposa, como nos pêlos que se encontram no esterno, nas laterais, e nas margens do escudo e do escutelo. Em exemplares não desgastados todo o escudo é finamente piloso.
Procedência: Rio de Janeiro B (Petrópolis).
Período de ocorrência: abril.
Comprimento: 15-16 mm.
Várias fêmeas.
32. D. molesta Wied (R. 1, 3) (Fig. 32)
Descrição original:
Mit braunem, gelblich behaartem und zweilinigem
Rückenschilde, kastanienbraunem Hinterleibe und bräunlich
getrübten Flügeln. 6 Linien. ♀. Rüssel 1 ½ Linie. – Aus
Brasilien.
Größe, Ansehen und Form der vorigen sehr ähnlich (P.
winthemi), aber der Hinterleib in keiner Richtung haargreis, auch
ohne alle weiße Härchen und Bauchbinde. Behaarung der
Augen und vorzüglich des Mittelleibes mehr gelb, schon ins
Rehbraune ziehend. Innerer Ast der Gabelader von der
nächsthintern Ader weit entfernt. – in v. Winthem's und meiner
Sammlung.14
Apesar da curta descrição, a concordância é inconfundível. Ainda seria importante observar que o abdome é mais claro e brilhante na parte anterior, enegrecido na posterior, e ciliado, especialmente nas laterais. As pernas são avermelhadas, os tarsos mais negros perto do ápice, fêmur coberto escassamente por pelinhos negros, tíbias posteriores com cílios curtos e negros. Asas mais escuras ou mais claras, com nervuras em parte amarelo-couro.
Procedência: São Paulo C (Limeira, Caconde).
Período de ocorrência: maio.
Comprimento: 15 mm.
Várias fêmeas
33. D. tabanipennis Macq. (R. 2, 3) (Fig. 33)
Descrição original:
Fulva. Antennis rufis, oculis hirsutis, pedibus rufis. Alis fuscanis;
cellulâ submarginali secundâ inappendiculata; posticâ primâ
apertâ. Long. 7 l.♀.
Trompe brune; longue de quatre lignes. Palpes fauves, assez
larges, aplatis, pointus. Barbe fauve. Face très-saillante, fauve.
Front fauve, peu large. Ocelles distinctes. Thorax à lignes
blanchâtres peu distinctes. Abdomen et ventre de coleur fauve
uniforme. Pieds d'un fauve clair. Ailes d'un brunâtre clair. – Du
Brésil.
Cette espèce ressemble au leucopogon Wied.; mais la trompe
de celle-ci n'a que 1 ½ ligne, et l'auteur ne parle pas de la forme
de la deuxième cellule sous-marginale des ailes.
Un autre individu femelle de Lamana. La trompe n'a que deux
lignes et demi.
Trata-se, no caso de meus exemplares, indubitavelmente da mesma espécie. Em peças frescas encontra-se um verde nos joelhos, na nervura subcostal e sob ela, bem com no capítulo dos halteres. A espécie ocorre com muita freqüência na costa, nos meses de inverno, em determinados locais. Ela persegue o homem mais do que qualquer das espécies descritas, e as picadas são bastante doloridas.
Procedência: São Paulo A, B, Rio de Janeiro B (Petrópolis).
Período de ocorrência: abril a julho, comum em determinados locais.
Tamanho: 12-16 mm.
34. D fenestrata Macq. (R.2, 3) (Fig. 34)
Descrição original:
Testaceus. Antennis rufis. Pedibus nigris; tibiis anticis dilatatis.
Thorace nigro nítido. Abdomine basi flavo, diaphano, apice
fuscano. Antennis rufis, apice nigro. Pedibus fuscis; tibiis rufis.
Oculis hirtis. Alis fuscanis; medio hyalinis (tab 3, fig 4).
Long. 4 ½ ♀. Trompe longue de 2 l. Barbe d'un blanc jaunâtre à
poils noirs antérieurement. Palpes fauves, face d'un testacé
brunâtre, à poils noirs. Front brunâtre; moitié postérieure à deux
bandes longitudinales et parallèlles noires. Antennes fauves à
extrémité noire. Des ocelles. Thorax à lignes blanchâtres et
poils noirs; côtés brunâtres. Abdomen transparent; les deux
premiers segments et le bord antérieur du troisième jaunes; le
reste brunâtre. Cuisses et tarses bruns; jambes fauves. Ailes
um peu brunâtres; cellule discoïdale claire; première postérieure
ouverte.
Du Brésil, Minas Gerais.
Não tenho dúvidas sérias quanto à identidade de minha espécie com a descrita acima, já que eventuais diferenças parecem insignificantes. Assim, parece-me que a parte posterior da fronte possui apenas pilosidade negra, mas sem nítidas estrias negras paralelas. A pilosidade é geralmente bastante longa e ou cinza, como nos olhos e na barba, ou enegrecida, como nas margens laterais do segundo ao quarto segmentos abdominais e no final do abdome, onde mostra amiúde brilho dourado. Sobre o mesonoto, o escutelo e a margem posterior dos segmentos abdominais encontra-se uma pubescência bastante curta com brilho dourado. As asas são pouco enfuscadas, e portanto o clareamento da célula discoidal não chama atenção; as nervuras transversais são, ao contrário, mais ou menos nitidamente acentuadas, às vezes uma parte das nervuras longitudinais mostra margem amarelada. A coloração das asas varia, podendo elas concordar com a descrição ou ainda ser uniformemente vermelho-amareladas.
Esta espécie voa bastante cedo. Possuo inúmeras fêmeas, coletadas já em agosto em diferentes locais montanhosos da região de São Paulo. Elas voam até por volta do final de novembro.
Procedência: São Paulo B (Cantareira, Estação Rio Grande etc. próximo à Capital).
Período de ocorrência: agosto a novembro.
Comprimento do corpo: 12 a 14 mm.
35. D. longipennis Ricardo (R. 9) (Fig. 35)
Descrição original:
Reddish brown. Thorax with four white spots. Wings with
shaded cross-veins. Antennae blackish. Legs brown.
Face reddish brown, with grey tomentum and black
pubescence, and long white hairs on the sides extending from
the base of the antennae to the palpi and covering the cheeks;
some long black hairs are intermixed with the white ones on the
upper part of the face; the palpi obscure reddish brown, the
second joint the length of the first, broad, ending in a point, with
the upper edge rounded, the first joint with long white
pubescence, the second with short black on the edges.
Antennae black, the first two joints grey, with long black hairs,
the first annulation of the third dull red. Forehead brown, lighter
at the sides; a broad band of grey extends across on the
anterior margin; the pubescence is black. Beard whitish, as are
also the hairs bordering the eyes. Thorax brown, lighter at the
sides, with four greysh spots on the dorsum, the posterior pair
contiguous, the anterior pair more widely separated; the spare
pubescence consists of black hairs, with a thick tuft of whitish
hairs at the base of the wings and on the posterior margin of the
thorax and a few scattered white hairs among the black ones on
the sides of the anterior part of the thorax; the breast clothed
with black hairs and a thick fringe of whitish hairs on the sides;
the scutellum dark brown with long black pubescence. Abdomen
ovale, hardly wider than the thorax reddish brown with an
indistinct black central stripe, with irregular greyish bands on the
posterior part of the segments, widest and most noticeable on
the second segment; towards the apex darker in colour, the
pubescence black, chiefly on the sides and on the posterior
segments; there are some whitish hairs on the posterior border
of the fifth segment and on the sides of the second, third, fourth,
fifth and sixth segments; the underside is yellowish brown, with
irregular black bars and black pubescence. On the other female
specimen there are also fringes of white hairs on the posterior
borders of the segments. Legs reddish brown, the femora
darker, the pubescence black, long on the femora, short and
thick elsewhere. Wings grey with brown vein all the cross-veins
shaded those enclosing the basal cells most intense; no
appendix. Length 10 millim. – Two females from Espirito Santo,
Brazil.
This small species is easily distinguished by the grey spots on
the thorax, the thick tufts of white hairs at the sides and the
shaded wings, which are considerably longer than the abdomen. Nada importante é necessário acrescentar à detalhada descrição. Possuo duas fêmeas do interior do estado de São Paulo.
Sobre as espécies não ilustradas aqui, que se encontram no catálogo de Kertész, é necessário mencionar o seguinte:
Das espécies de Macquart, P. fasciata, incisuralis e translucens pertencem, ao que tudo indica, a Esenbeckia, e dela se aproxima ainda longipalpis que, em todo caso, possui a primeira célula posterior aberta. Estas ficam portanto excluídas por hora e apenas P. unicolor, que procurei por muito tempo em vão, se mantém como pertencente ao gênero Erephopsis. Eu tendo à opinião de que só se pode tratar de E. xanthopogon, na qual a barba mal se diferencia da cor do restante do corpo. Acrescente-se a isto que Williston afirma ter examinado inúmeros exemplares da mesma espécie, nos quais havia um apêndice e a última célula posterior era aberta. Pois ambas as variações ocorrem justamente em xanthopogon, sendo a última bastante rara nas espécies de Erephopsis. Através desta confirmação, minha suposição transforma-se praticamente em certeza, principalmente porque as dimensões concordam perfeitamente.
Walker trata das seguintes espécies: fumifera, tenuistria e nana. A primeira provém de Santarém, a procedência das últimas não é conhecida. Todas as três são certamente espécies boas e ou pertencem a Erephopsis, ou devem ser vistas como tipos de novos gêneros.
P. suturalis Rondani assim como P. arcuata e filipalpis Williston pertencem ao gênero Esenbeckia, e o mesmo vale para P. bahiensis Bigot.
Passo então às descrições ainda restantes:
Erephopsis (Pangonia) unicolor Macq. (R. 2, 8).
Descrição original:
Rufa. Antennis pedibusque rufis. Alis fuscanis. Oculis hirtis (tab.
3, fig. 6).
Long. 9 l. Trompe longue de 4 l. Barbes, palpes, face, front et
antennes roux. Front mat à deux bandes longitudinales
luisantes.
Yeux brièvement velues. Des ocelles. Thorax et abdomen roux;
dessous du corps roux. Ailes d'un rouge brunâtre; deuxième
cellule sous-marginale à appendice court; première postérieure
fermée au bord de l'aile.
Du Brésil, Minas Gerais. Collection de M. Bigot.
Aditamento de Williston (l. c.):
Numerous specimens. The antennae are slender, the third joint
but little expanded at the base, the second to the seventh annuli
of the third joint of nearly equal length, the eighth as long as the
three preceding together. The face is conically produced. The
second joint of the palpi is as long as the third joint of the
antennae and is slenderly crescentic in shape. A rudiment of a
vein is present on the anterior branch of the third vein, but the
first posterior cell is open. The proboscis is long, and the labium
is coiled up within the buccal cavity admiting of great extension.
Erephopsis (Pangonia) fumifera Walker (R. 3, 9).
Descrição original:
Foem. Picea; caput et pectus albohirta, illum antice ferrugineum;
antennae fulvae; proboscis corpore dimidio longior; abdomen
ferrugineum, fasciculis dorsalibus et apicalibus albis; pedes
ferruginei, tarsis piceis; alae cinereae ad costam fuscae, apud
venas transversas obscuriores.
Fem. Piceous. Head ferruginous in front, clothed beneath with
white hairs. Proboscis black much more than half the length of
the body. Antennae tawny, darker towards the tips. Pectus and
sides of the thorax clothed with white hairs. Wings gray, brown
toward the costa; transverse veinlets and angle of the cubital
vein forming a slightly obtuse angle which has no rudiment of a
vein clouded with darker brown; fore branch of the cubital vein
hind branch joining the first externomedial at a short distance of
the border of the wing. Abdomen pale ferruginous, semipellucid,
darker above than beneath whit a patch of white hairs on the
hind border of each segment and one on each side of the tip.
Legs tawny tarsi piceous, tawny at the base. Length of the body
5 lines; of the wings 10 lines. This species much resembles P.
sorbens but the latter has a longer proboscis and its abdomen is
without the dorsal patches of white hairs. – Santarem, Brazil.
From Mr. Bates collection.
Observação de Miss Ricardo (l. c.):
The palpi are long, the second joint broad at base, tapering to a
point; wings with no appendix. Hab. Santarem, Brazil (Bates).
E. (Pangonia) nana Walker (R. 4, 9).
Descrição original:
Fulva, thorace ferrugineo, palpis fulvis apice nigris, antennis
pedibusque fulvis, alis subcinereis ad costam fulvis.
This species will form a subdivision of the group for the posterior
submarginal areolet is very short being closed at one-fourth of
its length from the border. Body tawny, clothed with short tawny
hairs; head thickly clothed beneath with white hairs; upper
region of the eyes reddish brown, flat, composed of very large
facets, clothed with tawny hairs; lower region brassy, convex,
composed of very small facets, clothed with white hairs; sucker
black nearly as long as the body, pitchy at the base; palpi tawny
with black tips, a little shorter than the feelers; feelers tawny, first
joint twice the length of the second; third twice the length of the
first; fourth slightly curved, composed of six division, of which
the first, second, third and fourth are short; the fifth is much
longer than the fourth; the sixth is near twice the length of the
fifth; chest ferrugineous; abdomen obconical, longer and a little
broader than the chest; legs tawny, clothed with short tawny
hairs; feet darker towards the tips; claws black; wings slightly
gray, tawny along the fore borders; wing-ribs and veins tawny;
veins pitchy towards the tips; scales and poisers tawny. Length
of the body 4 ½ lines; of the wings 12 lines. – Brazil.
Observação de Miss Ricardo (l. c.):
E. nana, ♀. In this species the first posterior cell is closed far
from margin and more rounded than usual. Hab. Brazil.
E. (Pangonia) tenuistria Walker (R. 3, 9).
Descrição original:
Pangonia tenuistria n. sp. Cinereo-nigra, abdomine nigro albo
univittato, pedibus piceis, femoribus nigris, alis limpidis; basi
fuscis.
Resembles a Bombylius. Body greyish black; head thickly
clothed beneath with black hairs; eyes dark piceous, with a
metallic tinge; mouth black, hardly half the length of the body;
feelers black; breast and sides of the chest clothed with black
hairs; abdomen black, thickly clothed above and below with
short black hairs, and having on the back a slender, short and
irregular white stripe; legs very dark piceous; thighs black
clothed with short black hairs; wings colourless, pale brown
towards the base which is dark brown; veins piceous, tawny
along the fore border; poisers ferruginous with piceous tips.
Length of the body 6 lines; of the wings 12 lines. Brazil. From
Mr. Mornay's collection.
Aditamento de Miss Ricardo (l. c.):
The palpi have the second joint shorter than the first and club-
shaped. Wings have no appendix.
E. fulvitibialis Ricardo (in: Ann. Mag. Nat. Hist. (7), v.5, Febr.
1900)
Descrição original:
Brown. Antennae reddish brown. Palpi black, long and slender;
second joint equal in length to the first, broader at base, tapering
to a point. Face with upper part covered with hoary pubescence.
Beard white. Thorax chestnut-brown with some hoary
pubescence, white hairs at the base of wings. Abdomen shining;
a tuft of white hairs on the lateral margins of second, fifth and
sixth segments; on the underside the white hairs become a faint
band on the second segment. Legs brown; the tibiae and the
first joints of tarsi yellow, the posterior tibiae and the tarsi are
darker in colour. Wings hyaline, brown at the base and on fore
border, cross-veins sligthly shadowed. Length 15 proboscis 8
millim. Hab. Brazil (Mornay).
Com isto estaria pronta a lista das pangônias no sentido amplo. Certamente não se pode admitir dúvida de que ainda ocorrem na região algumas espécies desconhecidas; todavia, provavelmente, será fácil decidir, com base nas presentes descrições e figuras, se os exemplares coletados pertencem a espécies já conhecidas ou novas.
Gênero Esenbeckia Rondani
Embora este gênero pareça limitado às partes mais quentes do continente americano, existem inúmeras espécies suas que em parte ainda não se encontram descritas. Como tipos devem valer os que Wiedemann erroneamente incluiu em Silvius e os que Rondani subdividiu em vulpes Wied. e esenbeckii Wied. (pangonina Rondani). A pesquisa deste gênero está ligada a grandes dificuldades, já que se trata de espécies bastante variáveis, das quais amiúde apenas exemplares esporádicos existem, e que em parte são provavelmente muito semelhantes entre si. É, portanto, bastante difícil orientar-se apenas através das descrições, principalmente levando-se em consideração que a indicação exata da procedência, tão importante justamente aqui, inexiste quase completamente. As espécies diferenciam-se umas das outras, em parte de modo bastante significativo, através da presença ou ausência de calosidades nítidas no vértice; através da constituição deste último e de sua forma, dela dependente; através do desenho das asas, não raro conspícuo, e especialmente através da forma do abdome. No entanto, uma divisão em diferentes gêneros exigiria provavelmente um material mais rico do que o que está à minha disposição atualmente. No momento já é possível afirmar que elas mostram, através de seus caracteres peculiares, uma relação bem mais próxima com as tabaninas do que as verdadeiras pangoninas. Dou aqui primeiramente a descrição das formas brasileiras de que disponho, para cuja seqüência foi determinante a escala de tamanho.