Circos e palhaços brasileiros

Mario Fernando Bolognesi · Capítulo 12 de 40

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Circos e palhaços brasileiros

11 Circo Roger

 

O espetáculo

Primeira parte: Facas; Malabares; Corda indiana; Concurso de Dança; Reco-Reco em "Abelha, Abelhinha".

Segunda parte: "O morto que não morreu".

O Circo Roger foi visitado em 22 de maio de 1998, na cidade de Catanduva-SP. Era um circo pequeno que estava se reorganizando, após um longo tempo de inatividade. O espaço cênico resumia-se a um tapete estendido sobre o chão. Os recursos de iluminação e de sonorização eram bastante precários. O público acomodava-se em uma arquibancada e algumas poucas cadeiras de madeira.

O espetáculo concentrou-se no palhaço Reco-Reco. Foram poucos os números circenses. Havia um clima geral de desmotivação no espetáculo, que se transferiu para o público da noite. Aos poucos, a plateia foi tomando conta do espetáculo, com gozações, interjeições e xingamentos generalizados. No picadeiro, tudo seguia seu curso normal, como se nada estivesse ocorrendo.

 

Reco-Reco

Nascido em circo, Nei Aires Neto, em 1998, tinha 39 anos de idade. Trabalhou como acrobata e trapezista. Aos 16 anos, começou a criar o Reco-Reco, uma personagem grande e abobalhada. O artista explorava devidamente sua alta estatura, fazendo de Reco-Reco um palhaço desengonçado, de raciocínio lento, porém simpático.

A cor amarela predominava no paletó do palhaço Reco-Reco, que trazia finas listras vermelhas e verdes, acentuando a estatura da personagem. O paletó era acompanhado de uma bermuda xadrez, com predomínio do azul, que atingia a altura dos joelhos. As canelas à mostra também enfatizavam a personagem que cresceu, mas não deixou de ser criança. A peruca era farta e cobria a testa até a altura dos olhos. Assim, restava à maquiagem ressaltar a boca e o nariz.

Reco-Reco demonstrou domínio da arte do palhaço, especialmente quanto ao tempo cômico. Isso foi possível de se observar durante a entrada "Abelha, Abelhinha". Na segunda parte do espetáculo, quando da apresentação da curta comédia "O morto que não morreu", essa habilidade não se efetivou, prejudicando, assim, a interação com o público.