Circos e palhaços brasileiros

Mario Fernando Bolognesi · Capítulo 6 de 40

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Circos e palhaços brasileiros

5 Super Circo Bira

 

O espetáculo

Primeira parte: Malabares; Birinha em "Salto mortal com a lata na mão"; Corda marinha; Show pirotécnico; Contorção; Clowns musicais; Equilibrismo; Trapézio em Balanço; Cama elástica.

Segunda parte: Magia; Clowns musicais; Arame alto; Birinha em "Equilíbrio de ovos"; Trapézio Voador.

O Super Circo Bira foi visitado duas vezes. A primeira, em 23 de janeiro de 1998, na cidade de Bauru-SP; depois, o circo foi encontrado na cidade de Ituiutaba-MG, em 9 de junho de 2000. Nas duas oportunidades, o mesmo espetáculo foi apresentado.

O Super Circo Bira era de estrutura média, com lona vermelha e azul, nas dimensões de 30 metros x 40 metros. Ele estava em formação. Bauru foi a cidade de estreia da companhia. Um picadeiro compunha o espaço de apresentação dos artistas. Em Bauru, a plateia ficava acomodada apenas em cadeiras. Já em Ituiutaba, o circo contava com arquibancadas, cadeiras e camarotes. A melhoria das acomodações do público, entretanto, não foi acompanhada por uma ampliação dos recursos técnicos de som e luz.

Os espetáculos apresentados foram compostos, exclusivamente, de números circenses. A companhia era a mesma, nas duas oportunidades. Os artistas apresentaram-se com muito afinco. Os números eram bem montados, bastante simples, sem grandes recursos sonoros ou visuais. Os artistas eram bastante empenhados na profissão e isso transpareceu em todo o espetáculo. Apesar de não serem tecnicamente exuberantes, os artistas demonstraram muita vitalidade em cena. Os números foram executados com uma energia reconfortante, característica que faz destoar de muitos espetáculos vistos. Era visível a preocupação da companhia com a transmissão do saber circense às crianças. Alguns números foram executados exclusivamente por elas, acompanhadas de perto pelos ensaiadores.

 

Birinha

Raul Gregório Nogueira, nascido em 1969, de família circense, era o proprietário do circo e o palhaço Birinha. Desde criança vinha ganhando a experiência do picadeiro, como palhaço. Seu tipo era alegre e procurava envolver o público em sua apresentação. Assim, estimulava sobremaneira a improvisação. Não apresentava, contudo, um perfil definido de personagem. Procurava uma caracterização genérica de um palhaço alegre, com uma roupa sem brilho, sem lantejoulas e uma maquiagem que ele mesmo admitiu como sendo a dos "palhaços antigos", ou seja, dos Augustos, composta por branco, vermelho e contornos de lápis preto. O nariz era avermelhado. Um pequeno boné cobria-lhe a cabeça. Uma camiseta de mangas compridas, branca, e um macacão xadrez, nas cores vermelha e preta, completavam seu figurino.

 

Entrevista

Eu sou um palhaço mais de entradas, de contar piadas. Mas, pra fazer isso, precisa do quê? De um clown... Seria um segundo, uma pessoa de cara limpa pra perguntar pra mim, eu responder errado, coisa assim... Como o pessoal que está comigo é novo na área, então não tem como fazer, porque são coisas que precisam ser ensaiadas pra deixar as "deixas" na hora certa, pra você fazer o desfecho da piada.

O público, é o seguinte: você entra sem saber a reação do público. Porque tem público, por exemplo, que participa, você fazendo entrada ou reprise, eles participam, eles vaiam, batem palma; já tem aquele público mais frio! Aí, dependendo do público, você vai, vê o que vai levar na hora. Na hora, às vezes você tem que criar e mudar rapidinho. Porque não dá pra estipular: pra esse público eu vou levar isso, porque a gente não sabe a reação deles ali dentro, entendeu?! Esse circo meu, por exemplo, a gente tá tentando resgatar isso; a gente faz todas essas reprises que eu tô te falando, mais mexendo com a criança.

Ensinar, não tem como, porque palhaço não tem jeito de ensinar. O ser palhaço não tem como ensinar: pode ensinar a se vestir, a se pintar, a fazer uma entrada, mas ensinar a ser palhaço não tem como, já nasce com isso.

Agora, acontece de alguém espirrar e você na hora improvisar aquilo, brincar com aquela pessoa, ou um sorriso mais alto que o outro, não é? Uma entrada que você faz e alguém sente um pouco de vergonha, tal. Improviso é isso.

Às vezes, você entra lá sem nada e num sentar, numa palavra, você agrada muito mais que qualquer aparelho. Então, o essencial pro palhaço é dom, e gostar de ser palhaço, né! Isso é o essencial.

É ótimo, a gente fica contente de ter um trabalho como o de vocês, tentando resgatar um pouco e reviver isso aí... Não que tenha esquecido. Palhaço não vai ser esquecido nunca, não tem televisão, não tem computador, não tem videogame... Palhaço vai ser sempre o palhaço, enquanto tiver criança, vai ter palhaço.