Circos e palhaços brasileiros
34 Circo Real Bandeirantes
O espetáculo
Monociclo; Dublagem; Dublagem cômica; Arame bambo; Fogo; Dublagem; Equilíbrio; Dublagem; Caçolão em "O jornal"; Dublagem; Chocolate em "O morto que não morreu".
O Circo Real Bandeirantes estava em Marechal Deodoro-AL. O circo possuía um mastro apenas, para uma lona de 22 metros de circunferência. A lona era velha e apresentava muitos furos. No interior, uma cerca de madeira dividia a pequena arquibancada das nove cadeiras que a companhia possuía. Um pequeno palco de três metros de boca, por dois de profundidade, era o principal espaço de apresentação. Com muita frequência, os artistas desciam do palco e ocupavam o chão em torno do mastro, próximo às cadeiras. Os aparelhos se destacavam pela precariedade. O arame bambo estava fixado por duas cruzetas de paus, com dois metros de altura. O artista que equilibrava objetos no queixo fazia uso de uma cruz de pau de lenha: um menino da plateia sentou-se na cruz e o artista equilibrou-os.
A precariedade do circo e dos aparelhos estava também presente na roupa e na performance dos artistas. Muitos deles apresentaram-se com suas roupas cotidianas, surradas, com chinelos de dedos. Apenas as mulheres se maquiaram e, mesmo assim, com uma base apenas.
O espetáculo tinha excesso de números de dublagens. As moças abandonaram o palco, em direção à plateia. Lá, sentaram-se no colo dos espectadores, incitando-os a uma dança erótica. O Circo Real Bandeirantes colocou em cena, para dublagem, um homossexual do lugar, conhecido de todos, sem a menor noção de ritmo e de palco.
Chocolate
Washington Júnior, o Chocolate (à esquerda e, abaixo, no monociclo), tinha 18 anos de idade e se apresentava como palhaço desde os 10. Sua roupa era um macacão estampado e desbotado. Maquiagem simples. Usava sapatos grandes, feitos por ele mesmo com um pedaço de madeira (sarrafo), recoberto por um pano preto. Além de explorar o riso das falas, Chocolate esboçava um gestual mais trabalhado, procurando adequar-se ao texto. Participou do espetáculo nos números de monociclo e do equilíbrio sobre o queixo.
Caçolão André Valentim dos Santos, o Caçolão (à direita), tinha 20 anos de idade. Ele iniciara na arte do palhaço havia um ano. Sua caracterização apresentava traços interessantes. O nariz era alongado e esverdeado. A roupa e a maquiagem acompanhavam a tonalidade verde, permanecendo, contudo, a precariedade da vestimenta. No geral, apegava-se - como a maioria dos palhaços vistos no Nordeste - na graça que advém da piada falada. Além de palhaço, André entrou no espetáculo no número de fogo e ainda acompanhou os outros palhaços nas entradas. Ele encenou "O jornal", diferente daquela já conhecida: vai rasgando aos poucos o jornal, lendo-o por partes, misturando notícias e frases, com efeitos interessantes. A gestualidade, contudo, manteve-se apegada a gestos com fortes conotações sexuais, especialmente nas referências fálicas, acompanhando a disposição do nariz.