Circos e palhaços brasileiros
27 Circo Gitano
O espetáculo
Adagas; Tutuca em "Cidade de trás pra frente"; Dublagem; Trapézio em Balanço; Malabares; Dublagem parodiada, com Tutuca; Dança -Rumba; Biliscada e Tutuca em "O caveirão"; Dublagem - Madona do Nordeste; Arame bambo; Bombinha em "Abelha, abelhinha"; Escada giratória.
Tutuca
Walace Ferreira Viana, o Tutuca (abaixo, à direita), tinha 14 anos. Filho do proprietário, Biliscada, ele era simpático no picadeiro e, em pleno aprendizado, ainda estava apegado a gestos corriqueiros e à piada prevista no roteiro das entradas. A roupa, bastante colorida, contrastava com o fundo negro da cortina. Deslocou-se muito pouco pelo picadeiro e ainda não possuía o tempo cômico devidamente assentado. Interagia precariamente com o público e não trabalhou o congelamento dos gestos. Sua voz, contudo, era bem projetada. Havia, no entanto, um contraste entre o tipo "esperto" que aparentava ser e o raciocínio lento que a entrada, "Cidade de trás pra frente", requer. Além de palhaço, Walace participou do espetáculo como aramista e também integrou a equipe da escada giratória.
Bombinha
Neubis Bezerra de Assis (abaixo, à esquerda), além de apresentar-se como malabarista e atirador de facas, também participou do espetáculo como palhaço. Sua vestimenta era modesta: camisa estampada, gravata cintilante, macacão pequeno listrado, meias longas e sapatos simples. Participou da "Abelha, abelhinha". Se não possuía qualidades exuberantes de cômico, ao menos foi eficiente nos poucos recursos que manipulou, como por exemplo a cadência rítmica da graça. Não se pode dizer que tivesse conhecimento técnico do domínio e interação com o público, mas, em compensação, não se apegou a recursos de "riso garantido", tais como a exploração de gestos e falas obscenas. Aliás, todas as três apresentações dos palhaços primaram pela ausência de recursos fáceis, de apelo a temas e gestos explicitamente sexuais. Quando esteve presente, o que se viu foi a exploração do duplo sentido.
Biliscada
O proprietário do circo, Roberto Ferreira Viana, interpretou o palhaço Biliscada (acima). Sua performance foi depurada, sintética, com gestos trabalhados adequadamente para o objetivo cômico. As roupas eram simples, compostas de uma camisa não muito larga e de um macacão listrado e curto. Os sapatos eram desproporcionais, típicos do Augusto. A maquiagem acompanhava os traços clássicos do palhaço, com peruca e rosto ampliado. Um pequeno chapéu evidenciava a cabeça enorme. Este tipo de maquiagem, no geral, "esconde" o homem para "revelar" o artista e sua personagem. Participou com Tutuca de "O caveirão". A cada ação do fantasma, ele paralisava o gesto e buscava uma expressão facial precisa que, para o caso em questão, deve transparecer dubiedade: mostrava o medo e, ao mesmo tempo, alardeava coragem.