Circos e palhaços brasileiros

Mario Fernando Bolognesi · Capítulo 36 de 40

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Circos e palhaços brasileiros

35 Circo Estrela

 

O espetáculo

Corda indiana; Dublagem; Futrica em "Cidade de trás pra frente" e "Namoro na praça"; Dublagem; Monociclo; Malabarismo; Dublagem; Tranca; Paródias com Futrica; Lira.

O Circo Estrela foi contatado a partir do Real Bandeirantes. Ambos estavam na mesma localidade. O Estrela estava chegando à cidade e instalou-se próximo ao centro de Marechal Deodoro-AL. O circo tinha 30 metros de diâmetro, com um único mastro. Não era tão precário como o anterior mas, mesmo assim, as instalações eram modestas. Não tinha palco e os artistas apresentaram-se sobre a grama. Os recursos de iluminação eram deficitários. Os de som, ao contrário, foram suficientes para superar o tumulto da plateia.

O espetáculo não era tão rústico, como o do Real Bandeirantes. Os aparelhos eram construídos em ferro e madeira, porém com acabamento precário. Para não fugir à regra, as dublagens ocuparam boa parte do espetáculo. A exceção ficou por conta do palhaço. No Circo Estrela, Futrica participou de todas as entradas.

 

Futrica

Lucélio Leite da Silva, o palhaço Futrica, tinha 27 anos de idade e dedicava-se à arte do palhaço desde os 15. Teve uma boa performance em cena e não se apoiou apenas no riso das piadas. Apresentou uma mobilidade corporal adequada ao tipo esperto que desempenhou. Sua entrada durou cerca de trinta minutos. Após cativar a plateia, foi "costurando" uma entrada à outra ("Cidade de trás pra frente" e "Namoro na praça", com a música Quando eu estava em Paris etc.).

Futrica entrou no espetáculo acompanhando outros números (Malabarismo e as Trancas), com outra roupa. Para finalizar, parodiou músicas, envolvendo pessoas da plateia. Ele foi a grande atração do espetáculo do Circo Estrela: simpático, cativante, conseguiu trazer o completo relaxamento da plateia. Esquivou-se soberbamente dos gracejos e impropérios que o público lhe dirigiu. Não fez uso contínuo de gestos sexuais, mesmo explorando corporalmente o duplo sentido das piadas, especialmente na "Cidade de trás pra frente", quando o mestre de pista diz o nome dos lugares e o palhaço repete-os às avessas: "Eu passei em Pau d'Alho"; "Eu passei alho no.... ah! Não, arde muito!" etc.