Circos e palhaços brasileiros

Mario Fernando Bolognesi · Capítulo 37 de 40

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Circos e palhaços brasileiros

36 Circo Shalom

 

 

O espetáculo

Parada de mão; Dança; Monociclo; Bimbolinho e Real em "Aprender a namorar"; Lira; Dublagem; Pipo; Bimbolinho e Real em "Caveirão"; Magia; Corda indiana; Facas; Pipo e Bimbolinho em "A bomba"; Arame alto.

 

Às margens da rodovia BR-101, em Cruz das Almas-BA, estava instalado o Circo Shalom. Com dois mastros, o pequeno circo alcançava as dimensões de 20 metros x 26 metros. A lona, amarela e branca, era nova. O espaço de cena dividia-se entre um pequeno palco e um picadeiro, sem tapete.

O espetáculo não fez uso abusivo das dublagens. Elas existiram, sem apelos à exposição do corpo feminino. Prevaleceram, no espetáculo, os números circenses, que foram apresentados com proezas, a exemplo das Paradas de mão e do Arame alto.

Pipo

 

Pipo foi concebido por Cleberson Macedo da Silva, o gerente do circo. Ele tinha 30 anos de idade e havia cinco anos interpretava o Pipo. Seu traje era bastante vistoso. O artista revelou que nunca teve preferências por ser palhaço, já que sempre se dedicou a números acrobáticos, que continuava a desempenhar. Também era trapezista voador, mas não era possível desenvolver este número em seu pequeno circo. Seu desempenho cênico como palhaço não fez uso de expressões de apelo sexual, observação que se aplica também aos outros dois palhaços da companhia.

Bimbolinho

Cleber Brito Laborda, o Bimbolinho, tinha, na época, 23 anos. Desde a infância desempenhava a função de cômico. Iniciou na profissão acompanhando o seu pai. O aprendizado, portanto, foi totalmente empírico, no contato constante com o público. Pebolim se transformou em cena. A timidez do cotidiano cedeu lugar a um ator expressivo, com gestual largo e expandido.

Real

O menino Lucas Wilber Silva Laborda, aos 5 anos de idade, fazia o palhaço Real. O nome surgiu porque a data de seu nascimento coincidiu com a implantação do Plano Real. Lucas é filho de Cleber e foi desde cedo para o picadeiro porque não havia quem cuidasse do garoto quando o pai estava trabalhando. Real foi bastante seguro em cena. Manteve a atenção aos detalhes, com uma comunicação constante com a plateia. Não tinha uma caracterização firme da personagem. Estava em processo de formação, mas já apresentava uma característica fundamental à profissão: atenção ao tempo do riso da plateia.

No espetáculo noturno de 21 de janeiro de 2000, Pipo e Bimbolinho levaram à cena as entradas "Aprender a namorar" e "A bomba". Na última participação, os dois associaram-se ao menino Real e encenaram "O caveirão". Eles se apegaram ao microfone, apesar das pequenas dimensões do circo. Esse recurso inibiu o desempenho corporal dos artistas. Contudo, mesmo com esse limite, os palhaços tiveram uma performance precisa. O tempo cômico, por exemplo, foi observado com rigor a todo instante. Ademais, principalmente Bimbolinho (mais) e Pipo (menos) conseguiram estabelecer um diálogo cênico com a plateia, o que motivou a improvisação a partir dos roteiros básicos das entradas.