Com amor, Simon

Becky Albertalli · Capítulo 33 de 38

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Com amor, Simon

Capítulo 33

E eu seguro.

 

NA SEGUNDA, DURANTE a aula de literatura, meus olhos encontram Bram imediatamente. Ele está sentado no sofá ao lado de Garrett, usando uma camisa de gola por baixo do suéter, e está tão lindo que quase dói olhar para ele.

— Oi, oi — digo.

Ele sorri como se estivesse me esperando e chega para o lado para abrir espaço.

— Bom trabalho nesse fim de semana, Spier — diz Garrett. — Foi bem engraçado.

— Eu não sabia que você estava lá.

— É que Greenfeld me fez ir três vezes — diz ele.

— Ah, é? — pergunto, sorrindo para Bram.

Ele sorri de volta, e fico tonto e sem fôlego e meio desnorteado.

Não dormi nada à noite. Passei dez horas imaginando este momento, e, agora que chegou, não faço ideia do que dizer. Talvez, algo incrível, espertinha e não relacionada à escola.

Talvez.

— Você terminou o capítulo?

— Terminei — diz ele.

— Eu, não.

Ele sorri e eu sorrio. Fico vermelho, e ele olha para baixo, e passamos por uma pantomima de gestos ansiosos.

O sr. Wise entra e começa a ler O despertar em voz alta, e temos que acompanhar nos nossos exemplares. Mas fico me perdendo o tempo todo. Nunca fiquei tão distraído. Então, eu me inclino para acompanhar com Bram, e ele se aproxima um pouco de mim. Estou perfeitamente ciente de cada ponto de contato entre nós. É como se

nossas terminações nervosas tivessem encontrado um jeito de passar pelo tecido.

Bram estica as pernas e empurra o joelho contra o meu. O que quer dizer que o resto da aula é dedicado a olhar para os joelhos de Bram. Tem um ponto em que a calça dele está desfiando, e uma pontinha da pele marrom fica levemente visível. E eu só queria encostar ali. Chega uma hora em que Bram e Garrett se viram para olhar para mim, e percebo que suspirei em voz alta.

Depois da aula, Abby passa o braço pelo meu ombro e diz:

— Eu não sabia que você e Bram eram tão amigos.

— Shhh — faço, e minhas bochechas coram.

Nossa, a Abby nunca deixa passar nada.

Não espero vê-lo de novo até o almoço, mas ele se materializa em frente ao meu armário um pouco antes.

— Acho que devíamos ir a algum lugar — diz ele.

— Fora do campus?

Tecnicamente, só os formandos podem sair do campus, mas os seguranças não saberiam dizer se somos formandos. Pelo menos, eu acho.

— Você já fez isso antes? — pergunto.

— Não — diz ele.

E resvala as pontas dos dedos nas minhas de leve, só por um momento.

— Nem eu. Tudo bem.

Saímos e atravessamos o estacionamento com toda a confiança que temos. O ar está frio depois de uma hora ou duas de chuva de manhã.

O Honda Civic de Bram é velho e confortável e bem cuidado, e ele liga o aquecimento assim que partimos. Um cabo auxiliar sai do isqueiro e se liga a um iPod. Ele me pede para escolher a música.

Não sei se Bram sabe que me entregar o iPod é como me entregar a janela da alma dele.

É claro que a seleção musical dele é perfeita. Muita música soul clássica e hip-hop moderno. Uma verdadeira variedade de bluegrass. Há uma única música de Justin Bieber, puro misto de prazer e culpa. E, sem exceção, todos os discos e músicos que já mencionei nos e-mails.

Acho que estou apaixonado.

— Para onde vamos? — pergunto.

Ele olha para mim e sorri.

— Pensei num lugar.

Eu me recosto no banco e passo a lista de músicas de Bram enquanto o aquecedor reaviva meus dedos. Está começando a chover de novo. Vejo os pingos deslizarem em diagonais pela janela.

Resolvo apertar o play, e a voz de Otis Redding sai baixinho pelos alto-falantes. “Try a Little Tenderness”. Eu aumento o volume.

E toco no cotovelo de Bram.

— Você está tão quieto — digo.

— Agora ou em geral?

— Ah, os dois.

— Fico quieto perto de você — diz ele, sorrindo.

Eu também sorrio.

— Sou um dos caras fofos que deixam você sem palavras?

Ele aperta o volante.

— Você é o cara fofo — diz Bram.

Ele entra em um shopping center não muito longe da escola e estaciona na frente da Publix.

— Vamos fazer compras? — pergunto.

— É o que parece — diz ele, com um sorriso de leve.

Bram Misterioso. Cobrimos a cabeça com as mãos e saímos correndo pela chuva.

Quando entramos pela porta iluminada, meu celular vibra na calça jeans. Tem três mensagens não lidas. Todas de Abby.

Vc vem almoçar?

Onde vc está?

Bram tb sumiu. Q estranho. ;-)

Mas ali está Bram, carregando uma cesta de mercado, e os cachos estão úmidos, e os olhos, iluminados.

— Vinte e sete minutos até o final do almoço — diz ele. — Talvez devêssemos nos dividir.

— Combinado. Para onde, chefe?

Ele me manda para o corredor de laticínios pegar leite.

— O que você foi buscar? — pergunto, quando nos reencontramos no caixa.

— O almoço — diz ele, voltando a cesta para mim.

Dentro, há duas embalagens de Oreos em miniatura e uma caixa de colheres descartáveis.

Eu quase dou um beijo nele bem na frente do leitor do código de barras.

Ele insiste em pagar. A chuva aumenta, mas vamos correndo e entramos no carro, sem fôlego, deixando as portas baterem. Esfrego os óculos na camisa para secá-los. Bram gira a ignição, e o aquecedor volta a soprar, e o único som é o das gotas de chuva na janela. Ele olha para as mãos, e vejo que está sorrindo.

— Abraham — digo, experimentando o nome, e sinto uma dor delicada abaixo do estômago.

Ele olha para mim.

A chuva forma uma espécie de cortina, o que acaba sendo uma coisa boa. Porque, de repente, me inclino por cima do câmbio, coloco as mãos nos ombros dele e tento continuar respirando. Só consigo ver os lábios de Bram. Que se abrem delicadamente assim que me inclino para beijá-lo.

E não consigo descrever. É calmaria e pressão e ritmo e respiração. Temos dificuldade de posicionar os narizes no começo, mas depois conseguimos, e percebo que meus olhos ainda estão abertos. Então, os fecho. E as pontas dos dedos dele roçam no meu pescoço, em um movimento lento e constante.

Ele para por um momento, e meus olhos se abrem, e ele sorri, e eu sorrio também. Ele se inclina para me beijar de novo, de forma doce e delicada. É quase perfeito demais. Quase Disney demais.

Isso não pode estar acontecendo comigo.

Dez minutos depois, estamos de mãos dadas comendo Oreo com leite, o almoço perfeito. Mais Oreo do que leite. E eu jamais me lembraria das colheres, mas ele se lembrou. Claro.

— E agora? — pergunto.

— Devíamos voltar para a escola.

— Não, estou falando de nós. Não sei o que você quer. Não sei se você está pronto para fazer as coisas abertamente.

Ele passa o polegar nas linhas da palma da minha mão, e isso me faz perder o foco.

Ele para de mover o polegar, olha para mim e entrelaça os dedos nos meus. Eu me inclino e viro a cabeça na direção dele.

— Estou dentro se você estiver — diz ele.

— Dentro? Como assim? Tipo namorando?

— Isso, é. Se for o que você quer.

— É o que eu quero.

Meu namorado. Meu namorado de olhos castanhos, que escreve superbem e ainda é uma estrela do futebol.

E não consigo parar de sorrir. Há momentos em que realmente dá mais trabalho não sorrir.

* * *

Naquela noite, às 20h05, Bram Greenfeld não está mais solteiro no Facebook, o que também pode ser descrito como a melhor coisa que já aconteceu na história da internet.

Às 20h11, Simon Spier também não está mais solteiro. O que gera umas cinco milhões de curtidas e um comentário instantâneo de Abby Suso: CURTI CURTI CURTI.

Seguido de um comentário de Alice Spier: Espera… o quê?

Seguido de outro comentário de Abby Suso: Me liga!

Mando uma mensagem dizendo que vou conversar com ela amanhã. Acho que quero guardar isso só para mim hoje.

Em vez de ligar para ela, ligo para Bram. Quase não consigo acreditar que eu não tinha o número dele até ontem. Ele atende na mesma hora.

— Oi — diz ele, depressa e gentilmente. Como se a palavra só pertencesse a nós.

— Grandes novidades no Facebook hoje.

Eu afundo no colchão. Ele ri baixinho.

— É.

— Qual é o próximo passo? Vamos manter a classe? Ou explodimos os feeds de notícias de todo mundo com selfies nossas se beijando?

— Boa ideia a das selfies — diz ele. — Mas só umas dezenas por dia.

— E temos que ficar falando do aniversário de namoro toda semana. Todos os domingos.

— Ah, e todas as segundas, por causa do nosso primeiro beijo.

— E umas vinte postagens por noite sobre quanto sentimos saudade um do outro.

— Estou mesmo com saudade — diz ele.

Meu Deus do céu. Que semana para eu estar de castigo.

— O que você está fazendo agora? — pergunto.

— Isso é um convite?

— Eu queria que fosse.

Ele ri.

— Estou sentado na frente da escrivaninha, olhando pela janela e falando com você.

— Falando com seu namorado.

— É — diz ele. Consigo ouvir o sorriso. — Com ele mesmo.

* * *

— Agora chega. — Abby me aborda no meu armário. — Estou quase enlouquecendo. O que está rolando entre você e Bram?

— Eu, hã...

Eu olho para ela e dou um sorriso enquanto uma onda de calor sobe pelas minhas bochechas. Ela espera. Eu dou de ombros. Não sei por que é tão estranho falar sobre isso.

— Ai, caraca. Olha só você.

— O quê? — pergunto.

— Está vermelho. — Ela cutuca minhas bochechas. — Me desculpe, mas você é tão fofo, eu não consigo aguentar. Vai logo.

Vai para a aula.

Bram e eu temos inglês e álgebra juntos, o que quer dizer duas horas olhando e desejando os lábios dele e cinco horas imaginando e desejando os lábios dele. Em vez de almoçar, fugimos para o auditório, e é estranho ver o palco sem o cenário de Oliver!. O show

de talentos da escola é na sexta, e alguém já pendurou pompons dourados na frente das cortinas.

Estamos sozinhos no teatro, mas o local parece grande demais, então seguro Bram pela mão e o puxo até o camarim masculino.

— Ahá — diz ele, enquanto mexo na tranca. — É uma atividade a portas fechadas.

— É, sim — confirmo, e o beijo.

Ele coloca as mãos na minha cintura e me puxa mais para perto.

Ele é poucos centímetros mais alto do que eu e tem cheiro de sabonete Dove, e para alguém cuja carreira de beijos começou ontem, ele tem lábios mágicos. Macios, doces e dedicados. Ele beija como Elliott Smith canta.

Pegamos cadeiras, e eu viro a minha de lado para apoiar as pernas no colo dele. Ele bate com as mãos nas minhas canelas, e conversamos sobre tudo. Sobre o Pequeno Feto estar do tamanho de uma batata-doce. Sobre Frank Ocean ser gay.

— Ah, e adivinha quem parece que era bissexual — diz Bram.

— Quem?

— Casanova.

— A bosta do Casanova?

— Eu juro — diz ele. — De acordo com meu pai.

— Você está me dizendo — começo, beijando seu punho — que seu pai contou para você que Casanova era bissexual?

— Foi a reação dele quando contei.

— Seu pai é incrível.

— Incrivelmente constrangedor.

Adoro o sorriso irônico dele. Adoro vê-lo todo relaxado perto de mim. Adoro isso. Tudo. Ele se inclina para a frente e coça o tornozelo, e meu coração dá um nó. A pele marrom-dourada do pescoço dele.

Tudo.

Passo o resto do dia flutuando e só consigo pensar nele. Mando uma mensagem de texto assim que chego em casa.

Estou com taaaaanta saudade!!!

É brincadeira. Mais ou menos.

Ele responde com outra mensagem de texto.

Feliz aniversário de dois dias!!!!!

E isso me faz gargalhar à mesa da cozinha.

— Você está de bom humor — diz minha mãe, entrando com Bieber.

Eu dou de ombros.

Ela me dá um sorrisinho curioso.

— Tudo bem, não se sinta obrigado a falar sobre o assunto, mas só estou dizendo que se você quiser…

Malditos psicólogos. Até parece que ela não é esquisita e obcecada.

Escuto um carro parar na porta de casa.

— Nora já está em casa? — pergunto.

É engraçado, mas me acostumei a ela estar fora até a hora do jantar.

Olho pela janela e um segundo depois preciso confirmar o que acabei de ver. Nora está mesmo em casa. Mas o carro. A motorista.

— Aquela é Leah? — pergunto. — Dando carona para Nora?

— É o que parece.

— Ah, tá. Tenho que ir lá fora.

— Ah, não — diz ela. — Que pena você estar de castigo.

— Mãe — suplico.

Ela dá de ombros.

— Para com isso. Por favor.

Nora já está abrindo a porta do carro.

— Estou aberta a negociações.

— Pelo quê?

— Uma noite de condicional em troca de acesso por dez minutos ao seu Facebook.

Meu Deus.

— Cinco — digo. — Com supervisão.

— Combinado — diz ela. — Mas quero ver o namorado.

Pois bem. Uma das minhas irmãs está prestes a ser assassinada.

Mas, primeiro, Leah. Eu saio correndo pela porta.

* * *

Nora vira o rosto para mim, surpresa, mas passo direto por ela e estou ofegante quando alcanço a porta do passageiro. Antes que Leah possa protestar, eu abro e entro.

O carro de Bram é velho, mas o de Leah é uma relíquia dos Flinstones. Tem toca-fitas e janelas de manivela. Tem uma fileira de personagens de anime de pelúcia no painel, e o chão está sempre coberto de papéis e garrafas vazias de Coca-Cola. E tem aquele cheiro floral de avó.

A verdade é que eu adoro o carro de Leah.

Ela olha para mim, perplexa, e faz uma cara muito feia.

— Sai do meu carro — diz ela.

— Eu quero conversar.

— Mas eu não quero.

Prendo o cinto de segurança.

— Me leva para a Waffle House.

— Você só pode estar de brincadeira.

— Nem um pouquinho.

Eu me recosto no assento.

— Então você está basicamente sequestrando meu carro comigo dentro.

— Acho que é bem isso mesmo.

— Inacreditável.

Ela balança a cabeça. Mas, um instante depois, começa a dirigir.

Leah olha para a frente com os lábios comprimidos e não diz nada.

— Sei que você está magoada comigo — digo.

Nada.

— E peço desculpas por Midtown. De verdade.

Nada ainda.

— Você pode dizer alguma coisa?

— Chegamos. — Ela para o carro. O estacionamento está quase vazio. — Pode comer seu waffle de bosta ou o que quiser.

— Você vem comigo.

— Ah, não vou, não.

— Então não vá. Mas eu não vou sem você.

— Não é problema meu.

— Tudo bem. Vamos conversar aqui.

Eu solto o cinto de segurança e me viro para ela.

— Não há nada para conversar.

— Então o quê? É isso? Não vamos mais ser amigos?

Ela se recosta no banco e fecha os olhos.

— Own, talvez você devesse ir chorar no ombro da Abby.

— Isso é sério? Qual é o seu problema com ela?

Estou tentando não elevar a voz, mas não está adiantando muito.

— Eu não tenho nenhum problema com ela — diz Leah. — Só não sei por que viramos melhores amigos dela de repente.

— Ah, porque ela é namorada do Nick, por exemplo.

Leah vira a cabeça para mim como se eu tivesse dado um tapa nela.

— Isso mesmo. Fica colocando Nick na história, e podemos esquecer de uma vez que você é obcecado por ela também.

— Você está de brincadeira? Eu sou gay!

— Você é platonicamente obcecado por ela! — grita ela. — Mas tudo bem. Ela é uma melhoria danada.

— O quê?

— Melhor amiga quatro ponto zero. Agora disponível na embalagem mais linda e ousada do mundo!

— Ah, pelo amor de Deus. Você é bonita.

Ela ri.

— Ah, tá.

— É sério, para com isso. Estou tão de saco cheio disso... — Eu olho para ela. — Ela não é melhoria nenhuma. Você é minha melhor amiga.

Ela ri com deboche.

— Bom, vocês são. As duas. E Nick. Os três. Mas eu jamais substituiria você. Você é Leah.

— Então por que contou para ela primeiro?

— Leah.

— É que… deixa pra lá. Não tenho direito de me incomodar.

— Para de dizer isso. Você pode se incomodar.

Ela fica em silêncio. E eu fico em silêncio. Então ela diz:

— Foi tão... Não sei. Era óbvio que Nick gostava dela. Nada disso foi surpresa. Mas quando você contou para ela primeiro, meu mundo caiu, eu não esperava. Achei que você confiasse em mim.

— Eu confio.

— Ao que parece, confia mais nela, o que é incrível, porque há quanto tempo você a conhece? Seis meses? Você me conhece há seis anos.

E não sei o que dizer. Tem um caroço na minha garganta.

— Mas não importa — diz ela. — Eu não posso… você sabe. É

uma coisa sua.

— É que… É, foi mais fácil contar para ela. Mas não é questão de confiar mais em uma ou na outra, nem nada disso. Você nem imagina. — Meus olhos ardem. — É como se… Eu conheço você desde sempre, e Nick há mais tempo ainda. Vocês me conhecem melhor do que ninguém. Vocês me conhecem bem demais.

Ela aperta o volante e evita meus olhos.

— Estou falando de tudo. Vocês sabem tudo sobre mim. As camisetas de lobo. Os cones de cookie. “Boom boom pow.”

Ela abre um sorriso.

— E não, eu não tenho esse tipo de histórico com Abby. Mas foi o que tornou tudo mais fácil. Tem uma grande parte de mim que eu ainda estou experimentando. E não sei como ela se encaixa. Como eu me encaixo. É tipo uma nova versão de mim. Eu só precisava de alguém que conseguisse aceitar isso. — Dou um suspiro. — Mas eu queria muito contar para você.

— Tudo bem.

— É que acabou ficando difícil puxar esse assunto.

Encaro o volante.

— Eu meio que entendo — diz ela, por fim. — Entendo mesmo. É

tipo, quanto mais tempo você convive com algo, mais difícil é falar sobre ele.

Ficamos em silêncio por um instante.

— Leah?

— Sim?

— O que aconteceu com o seu pai? — Prendo a respiração.

— Meu pai?

Eu me viro para ela.

— Ah, é uma história engraçada.

— Jura?

— Hã. Na verdade, não. Ele pegou uma gostosona de dezenove anos do trabalho. E foi embora de casa.

— Ah. — Eu olho para ela. — Leah, cara, sinto muito.

Esperei seis anos para fazer essa pergunta.

Meu Deus, eu sou um idiota.

— Para de piscar assim — diz ela.

— Assim como?

— Não ouse chorar.

— O quê? De jeito nenhum!

E é neste momento que perco o controle: estou aos prantos, com direito a olho inchado e nariz escorrendo.

— Você é impossível, Spier.

— Eu sei! — Desabo nos ombros dela. O perfume de amêndoas do seu xampu é tão familiar. — Eu amo você de verdade, sabia? Me desculpe por tudo. Por toda essa história com a Abby. Por tudo.

— Tudo bem.