Confess
Capítulo 7 · Auburn
— Quer m ais café?
Eu sorrio e digo claro para a garçonete, m esm o sabendo que não preciso de m ais café. Eu devia ir em bora, m ais ainda há um a pequena parte em m im que espera que Ly dia vá aparecer. Certam ente ela não apareceu. Penso se devo ou não m andar um a m ensagem para ela de novo. Ela j á está m ais de um a hora atrasada e eu sentada aqui, pateticam ente esperando e não m e levanto.
Não que ela sej a a prim eira pessoa a m e deixar plantada. Esse prêm io vai para Owen Mason Gentry.
Eu deveria saber. Devia ter m e preparado para isso. Aquela noite inteira com ele pareceu boa dem ais para ser verdade e o fato que não tenho notícias dele por três sólidas sem anas, só prova que m inha decisão de renunciar a hom ens foi boa. Ainda doí, em bora. Doí com o o inferno, porque quando ele saiu pela m inha porta naquela noite de quinta-feira, m e senti tão esperançosa. Não só por ter conhecido ele, m as tam bém por com eçar a pensar que o Texas não ia ser tão ruim assim . Pensei que talvez, pela prim eira vez, as coisas estavam indo bem e m eu carm a ia m e deixar em paz.
Doí perceber com o eu estava cheia de m erda, e com Ly dia não aparecendo ainda doí um pouco m ais do que o que Owen fez, pelo m enos ele não m e deixou plantada no m eu aniversário.
Com o ela pode se esquecer?
Não vou chorar. Não vou. Já derram ei lágrim as suficientes por essa m ulher e não vou fazer isso agora.
A garçonete volta para m inha m esa, enchendo m eu copo. Minha bebida sem álcool.
Estou aqui bebendo um patético café, sentada sozinha num restaurante, deixada no vácuo pela segunda vez no m ês, no m eu vigésim o prim eiro aniversário. — Eu vou pagar a conta. - digo derrotada.
A garçonete m e dá um olhar de piedade enquanto lim pa m inha m esa. Pago e vou em bora.
Odeio ter que passar pelo estúdio no cam inho de casa para o trabalho. Ou neste caso, de m ais um encontro furado para casa. Às vezes a luz de seu apartam ento no andar de cim a está acesa e fico com vontade de botar fogo no lugar. Não realm ente. Só um pouquinho. Não quero queim ar seus belos quadros. Só ele.
Quando chego perto do seu prédio paro e fico olhando. Talvez valha a pena andar um quarteirão extra ou dois a partir de agora, só assim nunca m ais vou ter que passar aqui de novo. Antes de m udar de direção talvez eu deva deixar um a confissão. Estou querendo deixar um a por três sem anas e hoj e tudo se alinhou perfeitam ente para eu estar irritada o suficiente para fazer isso. Ando na direção da porta do prédio e fico olhando a fenda enquanto checo dentro da m inha bolsa e retiro papel e caneta. Não tenho nenhum papel, então cavo de volta dentro da m inha bolsa até achar o recibo do j antar de aniversário fantástico, que acabei de com partilhar com igo m esm a.
“Conheci um ótim o cara há três sem anas. Ele m e ensinou a dançar, m e lem brou do que é flertar, m e acom panhou até m inha casa, m e fez sorrir e depois VIROU UM IDIOTA DO CARALHO, OWEN!”
Coloco a tam pa de volta na caneta. Coloco de volta na bolsa. Curiosam ente, botar isso no papel m e fez sentir um pouco m elhor. Com eço o dobrar o recibo, m as pego m inha caneta de volta para adicionar outra frase. “PS: As suas iniciais são m uito estúpidas.”
Bem m elhor. Deslizo a confissão através da fenda antes m esm o de pensar um pouco sobre isso. Ando uns passos e m e dou um adeus. Vou na direção do m eu apartam ento e m eu celular toca. Pego da bolsa e abro a m ensagem . Ly dia: Desculpe. Me perdi, esse dia tem sido m uito louco. Espero que não tenha ficado m uito tem po lá. Volto para Pasadena na parte da m anhã, você pode j antar com igo dom ingo?
Li o texto e só o que consigo pensar é, puta, puta, puta. Isso é tão im aturo. Mas vam os lá, a puta não podia dizer nem um feliz aniversário?
Deus, m eu coração doí.
Com eço a colocar o celular na bolsa quando toca de novo. Talvez ela se lem brou que é m eu aniversário. Pelo m enos vai se sentir um pouco culpada. Talvez eu não devesse tê-la cham ado de puta.
Ly dia: Da próxim a vez m e lem bre do com prom isso. Você sabe que ando com as m ãos cheias.
Cerro os dentes e grito frustrada. Não posso ganhar dela. Nunca vou ganhar dela. Puta.
Não acredito que estou prestes a fazer isso, m as preciso de álcool. Um a bebida alcoólica. E para m inha sorte, sei onde encontrar. — Você m entiu.
Harrison olha m inha identidade.
Presum o que ele percebeu que hoj e é m eu aniversário, e que eu não estava com m eus vinte e um quando vim aqui com Owen. — Owen m e fez m entir.
Harrison balança a cabeça e devolve m inha identidade. — Owen faz um m onte de coisa que Owen não deveria fazer. - lim pa a m esa do bar, j oga o pano longe e espero ele fazer outro com entário. — Então o que vai ser, Sra. Reed? Jack com Coca-Cola de novo?
Im ediatam ente discordo com a cabeça.
— Não, obrigada. Quero algo m enos agressivo. — Margarita? Eu aceno.
Ele se vira e faz m inha prim eira bebida alcoólica j uridicam ente perm itida. Espero que ele coloque aqueles guarda-chuvinhas no copo. — Onde Owen está? - pergunta.
Rolo m eus olhos.
— Pareço ser a dona do Owen? Ele provavelm ente deve estar dentro da Hannah. Harrison dá um giro, com olhos arregalados. Dou de om bros pelo m eu insulto e ele ri antes de voltar sua atenção para a bebida. Quando term ina ele a coloca no balcão, na m inha frente. Com eço a franzir a testa, m as ele j á em seguida arranca um guarda-chuva de um a j arra e coloca na m inha bebida. — Vê se gosta desse.
Trago a Margarita para m eus lábios, lam bo o sal prim eiro, depois tom o um gole. Meus olhos se ilum inam . Porque com certeza isso é m elhor do que a m erda que o Owen pediu para m im . Concordo com a cabeça para ele e peço outro. — Por que não term ina esse prim eiro? - sugere. — Quero outro. - digo lim pando a boca. — É m eu aniversário e eu sou um a adulta responsável que quer duas bebidas.
Seus om bros sobem quando respira fundo e balança a cabeça, a propósito, ele faz o que eu quero. O que é um a coisa boa, e assim que term ino m inha segunda j á estou ordenando um a terceira. Porque eu posso. Porque é m eu aniversário e estou sozinha, e Portland é o cam inho para o topo do país e eu estou aqui em baixo, bem no fundo do poço, e Owen Mason Gentry é um grande idiota! E Ly dia é um a puta.