Confess

Colleen Hoover · Capítulo 13 de 25

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Confess

Capítulo 11 · Auburn

Eu ouço um zíper sendo aberto, e então eu sinto um a m ão no m eu braço, seguido de um braço deslizando em baixo do m eu travesseiro. Owen m e puxa contra ele e eu im ediatam ente quero m e afastar, m as ao m esm o tem po estou surpresa com o nível de conforto que sinto estando envolta em seus braços. Eu fecho m eus olhos e espero por suas perguntas. Eu só vou continuar aqui e aproveitar o conforto até que ele m e prive disso com sua curiosidade.

As m ãos dele se m ovem para cim a e para baixo nos m eus braços, acariciando-m e com gentileza. Depois de vários m inutos de silêncio, ele encontra os m eus dedos e desliza os dele nos m eus.

— Quando eu tinha dezesseis anos - diz ele em voz baixa — m inha m ãe e m eu irm ão m ais velho m orreram em um acidente de carro. Eu estava dirigindo. Eu aperto m eus olhos fechados. Eu não posso sequer im aginar. De repente, m eus problem as não parecem problem as.

— Meu pai esteve em com a por várias sem anas depois disso. Eu fiquei ao lado dele todo o tem po. Não porque eu queria necessariam ente estar lá quando ele acordasse, m as porque eu não sabia m ais para onde ir. Nossa casa estava vazia. Meus am igos tinham a vidas deles para viver, então eu raram ente os vi após o funeral. Eu tinha parentes que iam fazer um a visita rápida no início, m as até isso parou. No final do prim eiro m ês, era apenas m eu pai e eu. E eu estava com m edo de que, se ele m orresse tam bém , eu não teria nada porque viver. Eu lentam ente virei sobre m inhas costas e olhei para ele. — O que aconteceu?

Owen tocou seus dedos na m inha testa e em purrou m eu cabelo para trás. — Ele sobreviveu, obviam ente - ele diz calm am ente. — Ele acordou pouco antes de com pletar um m ês do acidente. E tão feliz quanto eu estava de que ele estava bem , eu acho que a realidade não m e atingiu até que eu tive que dizer a ele o que aconteceu. Ele não conseguia se lem brar de nada do dia do acidente, nem conseguia se lem brar de nada depois desse ponto. E quando eu tive que dizer a ele que m inha m ãe e Carey estavam m ortos, eu vi. Eu vi a vida esvair-se de seus olhos. E eu não vi ela retornar desde a noite que aconteceu. Eu enxuguei as lágrim as dos m eus olhos.

— Eu sinto m uito. – eu disse.

Ele balançou a cabeça com o se ele não precisasse das m inhas condolências. — Não sinta. – ele disse para m im — Não é algo que eu dê m uita im portância. O acidente não foi m inha culpa. É claro que eu sinto falta deles, e dói todos os dias, m as tam bém sei que a vida tem que seguir em frente. E m inha m ãe e Carey não eram o tipo de pessoas que iriam querer que eu usasse a m orte deles com o desculpa. - Seus dedos se m oviam suavem ente, para trás e para frente, em toda a m inha m andíbula. Ele não está m e olhando nos olhos. Ele está olhando para além de m im , sobre a m inha cabeça, contem plando. — Às vezes eu sinto tanto a falta deles, que m e dói aqui. - diz ele, fazendo um punho apertado com a m ão no peito dele. — Parece que alguém está apertando o m eu coração com a força de todo o m undo m aldito. Eu concordei com a cabeça porque eu sei exatam ente o que ele queria dizer. Eu m e sinto assim toda vez que eu penso em AJ e no fato de que ele não está vivendo com igo.

— Toda vez que eu tenho esse sentim ento no m eu peito, eu com eço a pensar sobre as coisas que eu m ais sinto falta sobre eles. Com o era m inha m ãe e a m aneira que ela costum ava sorrir para m im . Porque não im porta o que, não im porta onde estávam os, o seu sorriso sem pre m e confortava. Poderíam os estar no m eio de um a guerra e tudo o que ela tinha que fazer era aj oelhar-se e m e olhar nos olhos com aquele sorriso, e tiraria cada m edo ou preocupação que eu tinha. E de algum a form a, m esm o em seus dias ruins, quando eu sabia que ela não estava com vontade de sorrir, ela faria de qualquer m aneira. Porque para ela, nada m ais im portava, a não ser a m inha felicidade. E eu sinto falta disso. Às vezes eu sinto tanto a falta disso que a única m aneira que eu poso m e fazer sentir m elhor é pintá-la.

Ele ri baixinho.

— Eu tenho cerca de vinte pinturas da m inha m ãe guardadas. É m eio assustador. Eu ri com ele, m as vendo o quanto ele am a sua m ãe colocou a dor de volta no m eu peito, e m eu riso se transform ou em um a carranca. Isso m e faz pensar se AJ um dia vai sentir isso por m im , j á que eu não sou capaz de ser o tipo de m ãe que eu quero ser para ele agora.

Owen segurou m eu rosto e m e olhou nos olhos m uito seriam ente. — Eu vi o j eito que você olhou para ele, Auburn. Eu vi o j eito que você sorriu para ele. Você sorriu para ele da m esm a form a que m inha m ãe costum ava sorrir para m im . E eu não m e im porto com o que aquela m ulher pode pensar de você com o um a m ãe; eu m al a conheço, e eu podia sentir o quanto você am a aquele garotinho.

Eu fecho m eus olhos e deixo as palavras escoarem sobre cada pensam ento duvidoso que eu j á tive, quando se trata de m inhas habilidades com o m ãe. Eu tenho sido m ãe por m ais de quatro anos agora.

Quatro anos.

E nesses quatro anos, Owen é a prim eira pessoa a dizer qualquer coisa que m e fez sentir com o seu eu fosse capaz de ser um a boa m ãe. E m esm o ele m al m e conhecendo, e não sabendo nada sobre a m inha situação, eu posso sentir a crença que ele tem nas palavras que ele está dizendo para m im . O sim ples fato de que ele acredita no que ele está dizendo m e faz querer acreditar tam bém . — Sério? - eu digo em voz baixa. Abro os olhos e olho para ele. Porque às vezes eu m e sinto com o...

Ele m e corta com um balançar inflexível de sua cabeça. — Não. - diz ele com firm eza. — Eu não conheço a sua situação, e eu suponho, que se você quisesse que eu soubesse, teria m e dito. Então eu não vou pedir. Mas posso dizer-lhe que o que eu testem unhei foi um a m ulher que tira proveito de suas inseguranças. Não perm ita que ela faça você se sentir assim , Auburn. Você é um a boa m ãe. Um a boa m ãe.

Outra lágrim a escapa, e eu rapidam ente viro m inha cabeça para longe. Eu sei no m eu coração que eu poderia ser um a boa m ãe se Ly dia m e desse um a chance. Eu sei que a form a com o as coisas aconteceram não é m inha culpa. Eu tinha dezesseis anos e era despreparada quando eu o tive. Mas nunca soube quão bom poderia ser outra pessoa acreditar em m im .

Descobrir sobre AJ poderia ter enviado Owen porta a fora em um flash. Descobrir que eu não tenho a guarda do m eu filho poderia ter enchido ele de m aus j ulgam entos sobre m im . Nenhum a dessas coisas aconteceu, no entanto. Em vez disso, ele usou esta oportunidade para m e encoraj ar. Para fazer eu m e sentir m elhor. E ninguém m e fez sentir desse j eito desde o dia que Adam faleceu.

Agradecer apenas não parece ser o suficiente, assim , em vez de falar, eu o encaro novam ente. Ele ainda está pairando sobre m im , olhando para m im .

Eu coloco m inha m ão em volta da parte de trás de sua cabeça e eu levanto a m inha boca para a dele.

Eu o beij o suavem ente, e ele não faz nada para tentar parar isso, nem tenta prolongar. Ele só aceita o beij o enquanto ele inala devagar. Eu não separo m eus lábios, e nenhum de nós tenta aprofundar o beij o. Eu acho que nós sabem os que esse beij o foi m ais um "obrigado" do que um "eu quero você." Quando eu m e afasto, seus olhos estão fechados e ele parece tão em paz com o só ele m e faz sentir.

Eu deito no travesseiro e vej o quando ele lentam ente abre os olhos. Um sorriso se form a nos lábios dele e ele se deita ao m eu lado, am bos olhando para o teto da barraca.

— O pai dele foi m eu prim eiro nam orado. - eu digo, explicando a m inha situação para ele. É um a sensação boa dizer a ele. Eu não digo isso para m uita gente, m as eu quero dizer tudo a Owen por algum a razão. — Ele m orreu quando eu tinha quinze anos. Duas sem anas depois, eu descobri que estava grávida de AJ. Quando m eus pais descobriram , eles queriam que eu o colocasse para adoção. Eles tinham outros quatro filhos para cuidar, além de m im , e foi bastante difícil para eles colocarem com ida na m esa para todos nós. Não havia m aneira deles sustentarem outra criança, m as tam bém de m aneira nenhum a eu iria dar m eu filho. Felizm ente, Ly dia surgiu com um acordo. — Ela disse que se eu concordasse em dar-lhe a custódia legal depois que ele nascesse, eu poderia viver com ela e aj udar a criá-lo. Ela queria a certeza de que eu não iria acabar colocando-o para adoção e a custódia dele daria a ela essa certeza. Ela tam bém disse que seria m ais fácil por questões m édicas e de seguro. Eu não a questionei. Eu era j ovem , eu não tinha ideia do que nada disso significava. Eu só sabia que essa era a m inha única garantia de que eu poderia m anter AJ, então eu fiz isso. Eu teria assinado qualquer coisa que ela quisesse se isso significasse que eu poderia estar com ele.

— Um a vez que AJ nasceu, ela assum iu tudo com pletam ente. Ela nunca estava satisfeita com a form a com o eu fazia nada. Ela m e fez sentir ignorante. E depois de um tem po, com ecei a acreditar nela. Afinal de contas, eu era j ovem , e ela tinha criado crianças antes, então eu achava que ela sabia m ais do que eu. Até o m om ento que eu term inei o ensino m édio, Ly dia estava tom ando todas as decisões sobre ele. E um a dessas decisões foi a de que ele iria ficar com ela enquanto eu iria para a faculdade.

Owen encontra a m inha m ão e puxa-a entre nós, segurando-a. Eu aprecio o gesto encoraj ador porque essa é um a confissão difícil. — Em vez de ir para um a universidade de quatro anos, eu decidi ir para a escola de cosm etologia, um a vez que era apenas um program a de um ano. Eu pensei que um a vez eu m e form asse e conseguisse m eu próprio lugar, ela o deixaria viver com igo. Mas três m eses antes da form atura, o m arido dela faleceu. Ela m udou-se de volta para o Texas para estar m ais perto de Trey, seu outro filho. E levou m eu filho com ela.

Owen suspira.

— Foi por isso que você se m udou para o Texas? Você não poderia im pedi-la de sair de Oregon?

Eu balancei m inha cabeça.

— Ela tem o direito legal para levá-lo em qualquer lugar que ela queira. Ela disse que o Texas era um lugar m elhor para educar um a criança e que se eu queria o m elhor para AJ, eu m e m udaria para cá depois da form atura. Minha aula final term inou às cinco horas na sexta-feira e eu tinha m e m udado para este apartam ento m enos de vinte e quatro horas m ais tarde. — E seus pais? - diz ele. — Eles não podiam fazer nada para deter isso. Eu balancei m inha cabeça.

— Meus pais apoiaram m inhas decisões, m as não se envolveram . Eles realm ente não têm um relacionam ento próxim o com AJ desde que eu saí da casa deles para a casa de Ly dia quando eu estava grávida dele. Além disso, eles têm o suficiente para se preocupar. Eu m e sentiria m al dizendo-lhes com o Ly dia está m e tratando, porque iria apenas fazê-los sentir-se culpados por m e deixarem m e m udar todos esses anos atrás.

— Então, você apenas finge que está tudo bem ? Eu olho para ele e aceno, um pouco preocupada com o que eu poderia ver em seus olhos. Desprezo? Decepção? Quando nossos olhos se encontram , não vej o nenhum a dessas coisas. Eu vej o sim patia. E talvez um pouco de raiva. — Está tudo bem eu dizer que eu odeio Ly dia? Eu sorrio.

— Eu odeio ela tam bém . - eu digo com um rápido sorriso. — Eu tam bém a am o, apesar de tudo. Ela adora AJ tanto quanto eu, e sei que ele a am a. Eu sou grata por isso. Mas eu nunca teria dado a custódia para ela, em prim eiro lugar, se eu soubesse que ia acabar assim . Eu pensei que ela quisesse aj udar, m as agora eu percebo que ela está usando AJ para substituir o filho que ela perdeu. Owen vira para m im até que eu estou olhando debaixo para ele e ele m e encara de cim a.

— Você vai tê-lo de volta. - diz ele. — Não há m otivo para um tribunal não querer seu filho com você.

Seu elogio m e faz sorrir, m esm o eu sabendo que ele está errado. — Eu pesquisei todas as m inhas opções. O tribunal não tiraria um a criança de alguém que tenha estado com ele legalm ente desde o nascim ento, a m enos que haj a um a razão legítim a. Ly dia nunca vai concordar em deixá-lo viver com igo em tem po integral. A única opção que eu tenho, realm ente, é

fazer o que eu puder para apaziguá-la, enquanto isso econom izo cada centavo extra que puder para pagar o advogado que contratei para m e aj udar. Mas nem ele parece esperançoso.

Ele repousa a cabeça em um a das m ãos e traz a outra m ão para o m eu rosto. Seus dedos trilham levem ente toda m inha bochecha, e seu toque faz m eus olhos querer fechar. Eu de algum a form a os m antenho abertos, apesar da sensação reconfortante de sua pele contra a m inha bochecha. — Você sabe o que? - ele diz com um sorriso. — Eu tenho certeza que você tornou a determ inação a m inha qualidade favorita em um a pessoa. Eu sei que eu m al o conheço, m as eu definitivam ente não quero que ele se m ude na segunda-feira. Eu sinto com o se ele fosse a única coisa boa que m e aconteceu desde que eu cheguei no Texas.

— Eu não quero que você se m ude, Owen.

Seus olhos deslocam para baixo, e ele para de olhar para m im . Suas m ãos se m ovem para m eu om bro e ele traça um padrão invisível com a ponta do seu dedo, seguindo-o com os olhos. Ele olha apologético, e é m ais do que apenas o fato de que ele está saindo. Ele está chateado com algum a coisa m ais profunda, e eu posso ver sua confissão querendo sair da ponta da língua. Ele está segurando algo.

— Você não conseguiu um em prego. - eu digo. — Não é para onde você está indo segunda-feira, não é?

Ele ainda não olha para m im . Ele não tem sequer responder, porque o seu silêncio confirm a. Mas ele responde de qualquer m aneira. — Não.

— Para onde você está indo?

Eu vej o com o ele se encolhe ligeiram ente. Sej a lá para onde ele vai, ele não quer m e dizer. Ele está com m edo do que eu vou pensar. E

honestam ente, eu estou com m edo do que eu estou prestes a ouvir. Eu tive negatividade suficiente para um dia.

Ele finalm ente levanta os olhos para encontrar os m eus novam ente, e o olhar arrependido em seu rosto m e faz desej ar que eu não tivesse trazido isso à tona. Ele abre a boca para falar, m as eu balanço m inha cabeça. — Eu não quero saber ainda. - eu digo rapidam ente. — Diga-m e depois. — Depois de quê?

— Depois deste fim de sem ana. Eu não quero pensar sobre confissões. Eu não quero pensar sobre Ly dia. Vam os apenas passar as próxim as 24 horas, evitando nossas lam entáveis realidades.

Ele sorri agradecido.

— Eu gosto dessa ideia, na verdade. Muito.

Nosso m om ento é interrom pido pelo feroz rosnado do m eu estôm ago. Eu aperto-o com m inhas m ãos, envergonhada. Ele ri.

— Eu estou com fom e, tam bém . - diz ele. Ele sai da barraca e m e aj uda a sair tam bém m e dando sua m ão. — Quer com er aqui ou no m eu lugar? Eu balancei m inha cabeça.

— Eu não tenho certeza se posso esperar quinze quadras. - eu digo, indo em direção à cozinha. — Você gosta de pizza congelada?

Tudo o que estam os fazendo é assar pizza, m as é a m aior diversão que eu tive com um cara desde Adam . Ficar grávida com a idade de quinze anos não deixa um m onte de tem po para a interação social, de m odo que dizer que eu sou um pouco inexperiente poderia ser um eufem ism o. Eu costum ava ficar nervosa com o pensam ento de ficar perto de um outro cara, m as Owen tem o efeito oposto em m im . Eu m e sinto m uito calm a quando estou perto dele. Minha m ãe diz que há pessoas que você encontra e quer conhecer, e há pessoas que você encontra e j á conhece. Eu sinto com o se j á conhecesse Owen. Nossas personalidades parecem com plem entar um a a outra, com o se a gente se conhecesse durante vida inteira. Eu não tinha ideia até hoj e do quanto eu preciso de alguém com o ele em m inha vida. Alguém para preencher os buracos que Ly dia criou na m inha autoestim a.

— Se você não estivesse com tanta pressa para se form ar, qual carreira você teria escolhido que não fosse cosm etologia?

— Qualquer coisa. - eu deixo escapar. — Tudo. Owen ri. Ele está encostado no balcão ao lado do fogão, e eu estou sentada no bar em frente a ele.

— Eu odeio cortar cabelo. Eu odeio ouvir os problem as de todos enquanto eles se sentam na cadeira de salão. Eu j uro, pessoas falam tanta coisa, e ouvir todas as suas histórias chorosas m e coloca de m uito m al hum or. — Estam os m eio que no m esm o negócio, se você colocar dessa m aneira. - diz Owen. — Eu pinto confissões e você tem que ouvi-las. Concordo com a cabeça, m as tam bém sinto que poderia estar parecendo ingrata. — Tem alguns clientes realm ente bons. Eu acho que não é tanto as pessoas que eu não gosto, m as o fato de que eu tive que escolher algo que eu não queria fazer. Ele m e estuda por um m om ento.

— Bem , a boa notícia é que você é j ovem . Meu pai costum ava m e dizer que nenhum a decisão na vida é perm anente, a não ser um a tatuagem . — Eu poderia argum entar com essa lógica. - eu digo com um sorriso. — E você? Você sem pre quis ser um artista?

O tem porizador desliga o forno e Owen im ediatam ente o abre para verificar a pizza. Ele a em purra de volta para dentro. Eu sei que é apenas um a pizza congelada, m as é m eio que um tesão ver um hom em assum ir a cozinha. Ele se inclina contra o balcão de novo.

— E não escolhi ser um artista. Eu acho que isso m eio que m e escolheu. Eu am o essa resposta. Eu tam bém estou com ciúm es dele, porque eu desej o que eu pudesse ter nascido com um talento natural. Algo que teria m e escolhido, para que eu não tivesse de cortar cabelo todo dia.

— Algum a vez você j á pensou em voltar para a faculdade? - pergunta ele. — Talvez com especialização em algo que você realm ente tem interesse? Eu dou de om bros.

— Um dia desses, talvez. Agora, porém , o m eu obj etivo é AJ. Ele sorri apreciando a m inha resposta. Eu não consigo pensar em qualquer pergunta que eu queria j ogar para ele, porque o silêncio é bom . Eu gosto do j eito que ele olha para m im quando está tranquilo. O sorriso dele perdura, e seu olhar cai em cim a de m im com o um cobertor.

Eu pressiono m inhas m ãos sobre a bancada abaixo de m im e olho para os m eus pés pendurados. De repente eu acho que é difícil continuar a olhar para ele, porque tenho m edo que ele possa ver o quanto eu gosto disso.

Sem falar, ele com eça a fechar a distância entre nós. Eu m ordo m eu lábio inferior nervosam ente, porque ele está vindo para m im com um a intenção,

e eu não acho que sua intenção é fazer m ais perguntas. Eu vej o quando as palm as das m ãos dele encontram os m eus j oelhos e, em seguida, desliza lentam ente para cim a. Suas m ãos tocam m inhas coxas todo o cam inho até que elas descansam em m eus quadris.

Quando eu olho em seus olhos, eu fico com pletam ente perdida neles. Ele está olhando para m im com um nível da necessidade que eu não sabia que eu era capaz de produzir em alguém . Ele envolve a m ão em torno da parte inferior das m inhas costas e m e puxa contra ele. Eu coloco m inhas m ãos em seus antebraços e aperto com força, não sei o que está prestes a acontecer a seguir, m as estou com pletam ente preparada para perm itir isso.

O leve sorriso em seu rosto desaparece quanto m ais próxim o ele chega dos m eus lábios. Minhas pálpebras vibram e fecham com pletam ente assim que sua boca toca na m inha.

— Eu tenho vontade de fazer isso desde o m om ento que eu coloquei os olhos em você. - ele sussurra. Sua boca se conecta com a m inha, e no prim eiro m om ento o beij o dele é com o o que eu lhe dei na barraca. Suave, doce e inocente. Mas, então, a inocência é arrancada no segundo que ele coloca um a de suas m ãos na parte de trás do m eu cabelo e desliza sua língua contra os m eus lábios. Eu não sei com o eu posso m e sentir tão leve e tão pesada ao m esm o tem po, m as o beij o dele m e faz sentir pesando com o um a nuvem . Eu deslizo m inhas m ãos para cim a até o pescoço dele e faço o m eu m elhor para beij á-lo do j eito que ele está m e beij ando, m as eu sinto que m inha boca não se com para com a dele. Não há nenhum a m aneira que eu possa fazê-lo sentir com o ele está m e fazendo sentir exatam ente agora.

Ele puxa m inhas pernas até que elas estão em torno de sua cintura, e então ele m e tira do bar e nos leva em direção à sala de estar sem parar o nosso beij o. Eu tento ignorar o cheiro de pizza queim ando no forno porque eu não quero que ele pare. Mas eu tam bém estou realm ente, realm ente com fom e e não quero que a pizza queim e.

— Eu acho que a pizza está queim ando. - eu sussurro assim que nós batem os no sofá. Ele gentilm ente m e abaixa em m inhas costas enquanto ele balança a cabeça.

— Eu vou fazer outra para você. - Sua boca se reconecta com a m inha, e eu de repente não poderia m e im portar m enos com a pizza. Ele abaixa-se para o sofá, m as não com pletam ente em cim a de m im . Ele m antém seus braços bloqueados em am bos os lados da m inha cabeça e não faz qualquer coisa para m ostrar que ele espera m ais do que apenas este beij o.

Então é isso que eu lhe dou. Eu o beij o e ele m e beij a e não param os até que o alarm e de fum aça com eça a soar. Assim que percebem os que o som está vindo de dentro do m eu apartam ento, nós dois nos separam os e saltam os para cim a. Ele corre para o forno e o abre enquanto eu agarro a caixa de papelão da pizza e com eço a abanar o alarm e de fum aça.

Owen puxa a pizza do forno e está m uito queim ada, está com pletam ente intragável.

— Talvez devem os apenas sair para com er no cam inho de volta para o m eu lugar.

O alarm e de fum aça finalm ente para, e eu lanço a caixa de pizza no balcão. — Ou podem os apenas com er um pouco do m onte de com ida que você com prou no m ercado hoj e.

Ele puxa a luva de forno de sua m ão e deixa cair no fogão. Ele chega para a m inha m ão e m e puxa contra ele, baixando a boca de volta na m inha. Tenho certeza que seus beij os são a m elhor form a que há de fazer dieta, porque toda vez que seus lábios tocam os m eus, eu esqueço tudo sobre o fato de que estou m orrendo de fom e.

Assim que nossas línguas se encontram , há um repentino e alto bater na porta da frente. Nossas bocas se separaram e am bos viram os e olham os para a porta, logo que se abre. Quando eu vej o Trey de pé na porta, eu im ediatam ente m e afasto de Owen. Eu odeio que m eu o prim eiro instinto é m e separar dele, porque a últim a coisa que eu quero é que Owen pense que eu estou envolvida com Trey de qualquer form a. A verdade é que eu teria m e afastado dele não im porta quem estivesse na porta.

Eu realm ente queria que não fosse Trey.

— Merda. - m urm ura Owen. Eu olho para ele e seu rosto caiu, j unto com os om bros. Eu posso dizer im ediatam ente que ele deve ter a ideia errada sobre o estouro de Trey através da porta da frente.

Eu olho para trás, para Trey, que, por algum a razão, está fazendo o seu cam inho em direção à cozinha com um olhar m ortal dirigido a Owen. — O que você está fazendo aqui?

Eu olho para Owen, e ele não está prestando atenção em Trey. Ele está olhando diretam ente para m im .

— Auburn. - diz ele. — Nós precisam os conversar. A risada de Trey m e faz estrem ecer.

— Sobre o que você precisa falar com ela, Owen? Você não disse a ela? Os olhos de Owen fecham durante vários segundos, e em seguida, ele os abre e fixa seu olhar em Trey.

— Quando é que vai ser o suficiente para você, Trey ? Porra. Meu coração está m artelando no m eu peito e tenho a sensação de que estou prestes a descobrir por que eles se sentem assim em relação ao outro, m as no m om ento eu não tenho certeza se quero saber. Isso não pode ser bom .

Trey dá dois passos em direção a Owen, até que ele está a centím etros do rosto dele.

— Saia do apartam ento dela. Saia de sua vida. Se você puder fazer essas duas coisas, então eu provavelm ente vou estar satisfeito. — Auburn. - Owen diz com firm eza.

Trey dá vários passos em direção a m im , de pé entre Owen e eu para que eu não possa vê-lo m ais. Eu olho nos olhos de Trey agora e não vej o nada além de raiva.

Ele aponta atrás dele.

— Esse cara que você trouxe de volta para o seu apartam ento? O cara que você perm itiu chegar perto do seu filho? Ele foi preso por posse de droga, Auburn. Eu balanço m inha cabeça com um riso incrédulo. Eu não sei por que Trey está dizendo essas coisas. Ele dá um passo para o lado e eu posso ver Owen novam ente.

Meu coração fica m uito pesado para segurar, porque o olhar no rosto de Owen diz tudo. Eu vej o o pedido de desculpas e arrependim ento. Isto é o que ele ia m e dizer m ais cedo. Esta é a confissão que eu disse a ele que podia esperar até segunda-feira.

— Owen? - Eu digo o nom e dele quase num sussurro. — Eu queria contar a você. – ele diz. — Não é tão ruim quanto ele faz parecer, Auburn. Eu j uro.

Owen com eça a dar um passo em m inha direção, m as Trey im ediatam ente vira e o em purra contra a parede. Seu braço se conecta com o pescoço de Owen. — Você tem cinco segundos para dar o fora.

Os olhos de Owen ainda estão trancados nos m eus apesar do braço que está pressionado contra a sua garganta. Ele balança a cabeça. — Deixe-m e pegar m inhas coisas que está no quarto dela e eu vou. Trey o olha cuidadosam ente por vários segundos e, em seguida, ele o libera. Eu vej o quando Owen anda até m eu quarto para pegar suas “coisas". Eu sei que Owen não apareceu aqui com nada. Trey está m e olhando agora.

— O tio de seu filho é a porra de um policial e você não acha que pode obter um a verificação de antecedentes sobre as pessoas que você perm ite entrar em sua vida?

Eu não tenho resposta para isso. Ele está certo. Trey balança a cabeça com decepção, assim que Owen sai do m eu quarto. Antes que volta-se para encará-lo, Owen olha rapidam ente em direção a barraca. Seus olhos estão m e dizendo algo que ele não está disposto a dizer em voz alta. Ele esbarra em Trey e sai pela porta da frente sem olhar pra trás. Trey cam inha até a porta e a fecha. Ele está com as m ãos nos quadris, m e encarando, à espera de um a explicação. Se eu não a desse, acho que ele iria voltar para Ly dia e dizer a ela tudo o que aconteceu, eu diria a ele para se foder. Em vez disso, eu faço o que eu sem pre faço. Eu digo qualquer coisa que vai agradá-los.

— Desculpe-m e. Eu não sabia.

Ele cam inha em direção a m im e aperta suavem ente m eus braços enquanto ele m e olha nos olhos.

— Eu m e preocupo com você, Auburn. Por favor, não confie em ninguém até que você corra até m im em prim eiro lugar. Eu poderia tê-la avisado sobre ele.

Ele m e abraça, e leva tudo o que tenho abraçá-lo de volta, m as eu faço. — Você não precisa da reputação dele surgindo entre você e seu filho. Não seria bom para você.

Concordo com a cabeça contra o peito dele, m as eu quero em purrá-lo longe de m im para a am eaça disfarçada. Ele é com o sua m ãe. Sem pre usando a m inha situação com AJ para m e m anipular. Isso m e queim a e m e despe de qualquer confiança que eu m om entaneam ente adquiri ao estar nos braços de Owen. Eu m e afasto dele e tento um sorriso.

— Eu não quero ter nada a ver com ele. - eu digo. As palavras são difíceis de dizer, porque pode haver um a verdade real nelas. Eu não posso nem pensar agora em quão irritada estou com Owen quando Trey ainda está de pé na m inha frente. — Obrigado por m e dizer. - eu digo, quando eu sigo para a porta. Eu a abro para que ele pegue a dica. — Eu quero ficar sozinha por um tem po. Tem sido um longo dia.

Trey cam inha em direção a porta e se vira.

— Eu vou te ver no dom ingo à noite no j antar? Concordo com a cabeça e forço um outro sorriso falso para apaziguá- lo. Assim que eu fecho a porta, eu a tranco corro para o m eu quarto. Eu rastej o dentro da barraca e encontro um pedaço de papel no m eu travesseiro. Eu e pego e leio. “Por favor, venha ao m eu estúdio esta noite. Nós precisam os conversar.”

Eu leio o bilhete de Owen tantas vezes que eu provavelm ente poderia reescrevê-lo com caligrafia perfeitam ente com patível. Eu m e deito no travesseiro e suspiro pesadam ente, porque eu não tenho ideia do que fazer. Não há nada que poderia desculpar o fato de que ele vai para a cadeia, ou o fato de que ele m entiu para m im . Mas, apesar de tudo o que aconteceu, cada parte de m im está doendo por ele. Eu m al conheço o cara, m as de algum a form a eu pude sentir o aperto fam iliar de um punho no m eu coração. Eu tenho que vê-lo m ais um a vez, m esm o que sej a apenas para dizer adeus.