Confess
Capítulo 9 · Auburn
Eu tenho quatro irm ãos m ais novos com idades de seis a doze anos. Meus pais m e tiveram quando ainda estavam na escola, depois esperaram m uitos anos para ter m ais filhos. Nenhum dos m eus pais foi para a faculdade e m eu pai trabalha num a fábrica, desde seus dezoito anos. Devido a isso, nós crescem os com um orçam ento lim itado. Um orçam ento m uito rigoroso. Um orçam ento que não perm itia ar condicionados ligados à noite. “Para isso servem as j anelas”, m eu pai costum ava falar isso quando alguém reclam ava. Acabei adotando hábitos avarentos, m as realm ente não tem sido um problem a m orar com Em ory. Ela estava prestes a ser despej ada, depois de estar presa a um a antiga com panheira de quarto na m etade do contrato de locação, então, coisas com o ar-condicionado são considerados necessidades. Não luxo. Eu fiquei bem quando voltei a m orar em Portland, m as ao viver com o tem po bipolar do Texas um m ês inteiro, tive que m udar m eus hábitos de sono. Em vez de usar um cachecol, durm o com alguns lençóis. Assim , se ficar m uito quente no m eio da noite, apenas em purro um ou dois lençóis da cam a. Mas considerando isso tudo, por que estou com frio agora? E por que estou em brulhada no que parece ser um edredom ? Toda hora que tento abrir m eus olhos e acordar para encontrar as respostas das m inhas perguntas, eu volto a dorm ir, porque nunca estive tão confortável. Sinto com o se eu fosse um querubim dorm indo pacificam ente em um a nuvem . Espera. Não devo m e sentir com o um anj o. Estou m orta?
Me sento na cam a e abro m eus olhos, estou confusa e assustada para m e m exer, então deixo m inha cabeça com pletam ente parada e m ovo m eus
olhos ao redor da sala. Eu vej o um a cozinha, um a porta de banheiro, um a escada que leva ao estúdio.
Estou no apartam ento de Owen.
Por quê?
Estou na grande e confortável cam a de Owen. Por quê? Im ediatam ente olho para o resto da cam a, Owen não está aqui, obrigada Deus. A próxim a coisa que faço é verificar m inhas roupas. Ainda estou com pletam ente vestida, obrigada Deus.
Pense, pense, pense.
Por que você está aqui, Auburn? Por que sua cabeça está com o se alguém tivesse usado ela com o tram polim a noite toda?
O porquê volta para m im lentam ente. Prim eiro, m e lem bro de beber. Vadia. Me lem bro de Harrison. Lem bro de sair correndo para o banheiro depois que ele m e traiu e cham ou Owen. Odeio Harrison. Tam bém m e lem bro de estar no salão de beleza e ... Oh, Deus. Realm ente, Auburn?
Eu estava no seu colo. Em seu colo, cortando seu m aldito cabelo. Levo m inha m ão para a testa. É isso aí. Nunca m ais vou beber de novo. Álcool faz as pessoas fazerem coisas estúpidas, e eu não posso m e dar ao luxo de ser pega fazendo coisas estúpidas. A única coisa inteligente que posso fazer nesse m om ento é dar o fora daqui, o que é um a porcaria, porque realm ente desej o aproveitar m ais essa cam a.
Eu deslizo silenciosam ente para fora dela e vou na direção do banheiro. Fecho a porta atrás de m im , com eço a vasculhar as gavetas, esperando encontrar um a escova de dentes não usada, m as m inhas m ãos voltam vazias. Em vez disso, uso m eu dedo, pasta de dente, e bastante
enxaguante bucal. Owen tem um bom gosto para produtos de higiene, isso é certo.
Onde ele está, de qualquer m aneira?
Um a vez que term ino de fazer m inhas coisas no banheiro, procuro m eus sapatos e os acho ao pé da cam a. Eu podia j urar que estava de salto alto em algum m om ento da noite passada. Bem , definitivam ente nunca m ais vou beber de novo. Vou até a escada, esperando que Owen não estej a no estúdio. Ele não parece estar aqui, talvez tenha m e deixado para evitar m e encarar quando eu acordasse. Ele obviam ente tem suas razões para não aparecer, duvido que tenha m udado de ideia sobre o que sente. O que significa que esta é provavelm ente a oportunidade perfeita para dar o fora daqui e nunca m ais voltar. — Você não pode continuar m e evitando, Owen. Precisam os conversar sobre isso antes de segunda-feira.
Faço um a pausa no com eço da escada e pressiono m inhas costas na parede. Merda. Owen ainda está aqui e tem com panhia. Por que, por que, por quê? Eu só queria sair.
— Eu sei quais são m inhas opções, pai.
Pai? Ótim o. A últim a coisa que quero é fazer m inha cam inhada da vergonha na frente do seu pai surtando. Isso não seria bom . Ouço passos se aproxim ando e com eço a im ediatam ente voltar pela escada novam ente, m as os passos param com a m esm a rapidez. Fico parada, m as depois, os passos ficam m ais altos. Volto dois degraus e os passos som em de novo.
Quem está andando, cam inha de um lado para o outro. E depois de fazer isso quatro vezes para.
— Eu preciso m e organizar para fechar o estúdio. - Owen disse. — Pode dem orar alguns m eses antes de eu abri-lo novam ente, então realm ente preciso m e focar nisso.
Fechar o estúdio? Me encontro rastej ando de volta para o fim das escadas para ouvir m ais da conversa. Estou sendo tão estranham ente introm etida, isso m e fez sentir um pouco com o Em ory agora.
— Este estúdio é a últim a coisa que você deve se preocupar agora. - diz seu pai com raiva.
O vai e vem de passos acelera ainda m ais.
— Este estúdio é a única coisa que m e preocupa agora. - Owen diz elevando sua voz. Ele soa ainda m ais nervoso que seu pai. Os passos param . Seu pai solta um suspiro tão forte que eu poderia j urar que ecoou por todo o estúdio. Há um a longa pausa antes dele falar de novo. — Você tem opções Owen. Só estou tentando te aj udar. Eu não deveria estar ouvindo isso. Não sou o tipo de pessoa que invade a privacidade de alguém , e m e sinto culpada por isso. Mas assim com o a vida, não posso voltar atrás e subir as escadas.
— Você tentando m e aj udar? - Owen diz rindo em descrença. Ele, obviam ente, não está satisfeito com o que seu pai disse. Ou deixa de dizer. — Quero que você vá em bora, pai.
Meu coração salta com um a batida. Consigo senti-lo na m inha garganta. Meu estôm ago está m e dizendo para encontrar um a rota de fuga. — Owen.
— Vá em bora!
Aperto m eus olhos fechados. Eu não sei de quem sentir pena agora, se de Owen ou de seu pai. Não posso dizer sobre o que estão discutindo e, é
claro, isso não é da m inha conta, m as estou a ponto de enfrentar Owen, e quero estar preparada para qualquer tipo de hum or que ele carregue. Um vai e vem . Ouço passos novam ente, alguns chegam m ais perto e outros se afastam e ...
Lentam ente abro um olho e depois o outro. Tento sorrir para ele, porque ele parece tão derrotado ali no com eço das escadas, olhando para m im . Ele está com um boné de beisebol azul, ele o levanta e o gira depois de passar sua m ão pela cabeça. Ele aperta a parte de trás da cabeça e suspira. Nunca o vi com um boné antes, m as parece com binar com ele. É difícil im aginar um artista que usa um boné de beisebol, por algum m otivo. Mas ele é um artista, e ele com certeza faz isso dar certo.
Ele não parece quase tão bravo quanto parecia um m inuto atrás, m as definitivam ente parece estressado. Não parece ser o m esm o cara com os olhos arregalados que conheci na porta há três sem anas. — Desculpa. - digo tentando arrum ar um a bom m otivo para estar aqui bisbilhotando. — Eu estava prestes a sair e então ouvi você... Ele sobre alguns degraus, chegando m ais perto de m im e paro de falar.
— Por que você estava indo em bora?
Seus olhos procuram os m eus e ele parece desapontando. Estou confusa com sua reação, afinal assum i que ele queria que eu fosse em bora. E honestam ente, não sei por que ele parece confuso se ele escolheu desaparecer e não tentou entrar em contato com igo por três sem anas. Ele não pode esperar que eu queira passar o dia aqui com ele.
Eu dou de om bros, sem saber o que responder. — Eu só ... eu acordei e ... eu queria ir em bora. Owen leva suas m ãos na parte inferior das m inhas costas e m e estim ula e subir as escadas.
— Você não vai a lugar algum . - ele diz.
Ele tenta subir as escadas com igo, m as em purro suas m ãos de m im . Ele m ais do que provavelm ente pode ver pelo choque no m eu rosto que eu não vou receber ordens dele. Abro a boca para falar, m as ele m e im pede. — Não até você arrum ar m eu cabelo. - acrescenta. Oh.
Ele puxa o boné e passa a m ão pelo cabelo agitado. — Espero que você corte o cabelo m elhor quando está sóbria. Eu cubro m inha boca com a m ão para abafar m eu riso. Existem dois grandes pedaços cortados de seu cabelo, um na frente e outro no m eio. — Sinto m uito.
Eu diria que agora estam os quites. Destruir um cabelo tão bonito quanto o seu definitivam ente com pensa por ele ter agido com o idiota nas últim as três sem anas. Agora, se eu pudesse m eter m inhas m ãos no cabelo de Ly dia, eu com certeza ia m e sentir bem m elhor.
Ele desliza de volta o boné na cabeça e com eça a subir as escadas. — Se im porta se form os agora?
Hoj e é m eu dia de folga, então estou livre para poder corrigir os danos que fiz em seu cabelo, m esm o sendo um a bosta ir ao salão em m eu dia livre. Em ory m arcou esse fim de sem ana para nós com em orarm os, m esm o m eu aniversário tendo sido ontem . Ela provavelm ente fez isso porque a m aioria dos j ovens que com em oram vinte e um anos fazem coisas divertidas e querem um fim de sem ana para festej ar. Eu tenho vivido com ela por três m eses, então, se ela ainda não notou, vai logo perceber que m inha vida não precisa de um especial “dia da recuperação” reservados no calendário.
Percebo que fiz um a pausa e Owen j á está lá em cim a, então faço m eu cam inho até seu apartam ento. Quando chego no topo da escada, m eus pés param de se m over de novo. Ele está tirando a cam iseta. Suas costas estão viradas para m im , e ao tirar salpica tinta na sua cabeça. Vej o os m úsculos de seus om bros se m ovim entando e m e pergunto se ele j á fez um autorretrato. Ele m e pega olhando para ele quando se vira para pegar outra cam iseta. E eu faço aquela coisa, olho para longe, que torna com pletam ente óbvio que eu estava olhando, um a vez que agora estou vendo nada além de um a parede branca, e sei que ele ainda está olhando para m im , e oh senhor, só queria desaparecer agora. — Tudo bem ? - m e pergunta, puxando m inha atenção de volta para ele. — Se eu estou bem ? - digo rapidam ente, m e aliviando com o som de nossas vozes, que pelo m enos alivia o constrangim ento que eu estava prestes a m e afogar.
— Podem os ir agora? Para arrum ar m eu cabelo? Ele coloca a cam isa lim pa e fico desapontada de agora só olhar um a cam isa cinza chata, em vez da obra prim a por baixo.
Que pensam entos ridículos e superficiais são esses que agora estão atorm entando m eu cérebro? Eu não m e im porto com m úsculos ou pacotes de seis ou com sua pele que parece tão im pecável, isso m e faz querer descer e perseguir seu pai e dizer “bate aqui cara”, o parabenizando por ter feito um filho tão perfeito. Lim po m inha garganta.
— Sim , vam os agora. Eu não tenho outros planos. Cam inhe tentando ser m enos patética, Auburn. Adm ita que você não tem nada m ais para fazer num sábado depois de cobiçar esse corpo-quase-nu. Realm ente atraente.
Ele pega o boné de beisebol e o coloca de novo antes de calçar os sapatos. — Pronta?
Concordo com a cabeça, m e viro e vou descendo as escadas. Estou com eçando a odiar essa escada.
Quando ele abre a porta da frente, o sol é tão brilhante, que com eço a questionar m inha m ortalidade e m e divirto com o pensam ento que talvez m e tornei um vam piro de um dia para o outro.
Se ressaca for assim , não tenho ideia de com o alguém pode se tornar alcoólatra. Owen fecha a porta e dá uns passos até m im .
— Aqui. - ele tira o boné e coloca em m im . — Isso deve aj udar. Ele sorri, e consigo ver um vislum bre de seu incisivo torto e isso m e faz sorrir tam bém , apesar do fato de que m inha cabeça m e odeia por m ovê-la. Levanto m inha m ão para arrum ar o boné, puxando-o m ais para baixo. — Obrigada.
Owen abre a porta e olho para m eus pés, para evitar o sol. Vou para fora e espero ele trancar a porta, depois com eçam os a cam inhar. Felizm ente estam os andando na direção oposta do sol, então sou capaz de olhar para cim a e ver para onde estam os indo.
— Com o você está se sentindo? – Owen pergunta.
Acabo respondendo só depois de uns seis passos. — Confusa. - digo. — Por que nesse m undo as pessoas bebem se no dia seguinte ficam assim ?
Continuo contando os passos, e ele leva cerca de oito até responder.
— É um a fuga.
Olho para ele, m as rapidam ente desvio o olhar para frente de novo, m inha cabeça dói até com esse m ovim ento.
— Até entendo isso, m as escapar de tudo por algum as horas realm ente vale a ressaca no outro dia?
Ele fica quieto depois de oito passos. Nove. Dez. Onze. — Acho que vai depender de que realidade você está tentando escapar. Isso é profundo, Owen.
Eu acho que a m inha realidade é m uito ruim , m as definitivam ente não ruim o suficiente para aguentar isso todas as m anhãs. Mas isso talvez explique o que transform a as pessoas em alcoólatras. Você bebe para escapar da dor em ocional que tem , e no outro dia vai fazer de tudo de novo para se livrar da dor física. Então você bebe m ais e m ais vezes e logo você fica bêbado o tem po todo e tudo se torna ruim , se não pior do que a realidade que estava tentando fugir em prim eiro lugar. Agora, você precisa de um a fuga da fuga, daí vai tentar achar algo m ais forte que álcool. E talvez isso transform e alcoólatras em viciados. Um ciclo vicioso.
— Você quer falar sobre isso? - ele pergunta.
Não com eto o erro de olhar para ele novam ente, m as estou curiosa sobre para onde ele quer ir com essa pergunta.
— Falar sobre o quê?
— Sobre o que você estava tentando escapar ontem à noite. - diz olhando para m im .
Balanço m inha cabeça.
— Não Owen. Não quero. - olho para ele desta vez, m as m inha cabeça dói ao fazer isso. — Você quer falar sobre o porquê de fechar o estúdio? Minha pergunta o pega de surpresa. Vej o isso em seus olhos, antes dele parecer se distanciar.
— Não Auburn. Não quero.
Nós dois param os de andar quando chegam os no salão. Coloco m inha m ão na porta e tiro o boné da m inha cabeça. O coloco de volta na dele, m esm o tendo de ficar na ponta dos pés para conseguir.
— Ótim a conversa, agora vam os calar a boca e arrum ar seu cabelo. Ele m antém a porta aberta para eu passar prim eiro. — Soa m uito com o que tenho em m ente.
Entram os no salão, e aceno para ele m e seguir. Agora sei que seu cabelo vai ser m uito m ais cooperativo estando m olhado, então j á vou levando ele direto para a sala com pias. Posso sentir Em ory m e olhando enquanto fazem os nosso cam inho por ela, e isso m e deixa curiosa sobre o porquê dela não ter surtado quando não apareci ontem à noite, ou ligado pelo m enos e dito a palavra de segurança. Antes que ela tenha a chance de gritar com igo, peço desculpas assim que passo por ela.
— Desculpa não ter ligado ontem à noite. - falo calm am ente. Ela olha para Owen atrás de m im .
— Não se preocupe. Alguém m e fez ter certeza que você estava viva. Im ediatam ente m e viro e olho para Owen, e é óbvio pelo seu encolher de om bros que foi o único responsável por Em ory ser avisada. Não sei se gosto disso, isso é um a coisa atenciosa de se fazer, o que torna m ais difícil ainda ficar com raiva dele.
Quando chegam os na sala, todas as pias estão vazias, então ando para a m ais distante. Aj usto a altura e faço um m ovim ento para Owen se sentar. Vej o a tem peratura certa e ele inclina a cabeça em direção a pia. Mantenho m eu foco em seu rosto, quando com eço a m olhar seu cabelo. Ele fica olhando para m im o tem po todo que estou trabalhando com m inhas m ãos, j á criando um a espum a espessa com o xam pu. Já venho fazendo isso há m ais de um m ês agora, e a m aioria dos m eus clientes são m ulheres. Nunca tinha notado o quão intim o lavar o cabelo de alguém pode ser. Bem que ninguém m e olha tão descaradam ente enquanto estou trabalhando. E sabendo que ele observa cada m ovim ento que faço m e faz ficar incrivelm ente nervosa. Meu pulso acelera e m inhas m ãos trem em um pouco. Depois de um tem po ele abre a boca para falar. — Está com raiva de m im ?
Minhas m ãos param o que estão fazendo. Isso é um a coisa tão infantil de se perguntar. Sinto que parecem os duas crianças dando tratam ento de silêncio um a na outra. Mas é um a pergunta tão sim ples, e tam bém realm ente difícil de se responder.
Estou brava com ele há três sem anas. Eu estava com raiva dele ontem à noite. Mas agora não. Na verdade, estar perto dele e ver com o olha para m im m e faz pensar que deve ter tido um m otivo válido para não aparecer, que não tinha nada a ver com o que ele sentia por m im . Ele só deve se explicar. Eu dou de om bros, enquanto tiro o xam pu de seu cabelo. — Eu estava. - digo a ele. — Mas você m e avisou, não foi? Disse que tudo vem antes de garotas. Então raiva é um pouco de exagero. Desapontada, sim . Irritada, sim . Mas não estou realm ente com raiva.
Isso foi m ais do que um a explicação. Um a que ele não m erecia. — Eu disse que m eu trabalho é m inha prioridade núm ero um , m as nunca disse que eu era um idiota. Deixo um a garota saber de antem ão que preciso de espaço para trabalhar.
Olho para ele brevem ente e depois volto m inha atenção para o frasco de condicionador. Esguicho um pouco na m inha m ão e espalho em seu cabelo. — Traduzindo, você tem a decência de avisar suas nam oradas que você está prestes a desaparecer, m as não tem a decência de avisar as garotas que não estão dorm indo com você?
Acho que m udei de ideia ... agora estou com raiva. Trabalho o condicionador em seu cabelo e ele se senta em linha reta e se vira para m e enfrentar.
— Isso não foi o que eu quis dizer, Auburn. - água escorre pelo lado do seu rosto. Para baixo de seu pescoço. — Quis dizer que não desapareci por causa da m inha arte. Não foi esse tipo de situação. Não quero que pense que eu não quis aparecer, porque eu quis.
Minha m andíbula fica tensa e ranj o m eus dentes. — Você está m olhando toda parte. - digo e o puxo de volta para a pia. Pego um spray e passo em seu cabelo. E novam ente seus olhos então em m im o tem po todo, m as agora não quero fazer contato visual com ele. Não quero saber qual a sua desculpa, porque honestam ente, não quero m e envolver com ninguém nesse m om ento. Mas m aldito sej a, eu m e im porto. Eu quero saber por que ele não apareceu, e por que não fez nenhum esforço para entrar em contato com igo depois de tudo. Acabo de enxaguar seu cabelo e tiro a espum a do ralo. — Você pode se sentar.
Ele se senta e pego um a toalha e tiro o excesso de água. Jogo num cesto ao lado e com eço a andar para longe, m as ele agarra m eu pulso e m e im pede. E som ente fica ali, ainda segurando m eu pulso.
Tento não puxar para longe dele. Mas eu sei que deveria, m as estou curiosa dem ais para m e im portar com o que deveria fazer. Tam bém não m e
afasto porque am o com o o toque dele, por m enor que sej a, m e deixa sem fôlego. — Menti para você. - diz em voz baixa.
Eu não gosto dessas palavras, e certam ente não gosto da sinceridade em seu rosto agora.
— Eu não ... - seus olhos ficam estreitos quando ele expira lentam ente. — Não vim aqui para falar sobre esse ponto. Estou indo em bora segunda-feira. Ele diz o resto da frase com o se não conseguisse falar rápido o suficiente. Não gosto dessa confissão. Com absoluta certeza.
— Você vai se m udar? - m inha voz é cheia de decepção. Me sinto esvaziando por dentro, e nem sequer é m eu nam orado.
— Você está se m udando? - Em ory pergunta.
Giro m eu corpo e ela está andando com um cliente até a pia, olhando para Owen, esperando sua resposta.
Enfrento Owen de novo e posso ver que nesse m om ento a verdade acabou por agora. Ando para longe da sala e coloco m inha cabeça para fora, na direção do m eu espaço no salão.
Ele segue em silencio.
Nenhum de nós fala enquanto penteio seu cabelo e com eço a pensar com o vou concertar a bagunça que fiz ontem à noite. Vou ter que cortar quase tudo. Ele vai parecer tão diferente e não tenho certeza se estou feliz sobre ele ter cabelo curto. — Vai ficar bem curto. Eu realm ente fiz um lindo estrago ontem . Ele ri, e sua risada é o que exatam ente preciso nesse m om ento. Isso alivia o peso do que estava acontecendo na outra sala.
— Por que você m e deixou fazer isso?
Ele sorri para m im .
— Era seu aniversário. Eu teria feito qualquer coisa que você tivesse pedido. Owen paquerador está de volta, e tanto am o com o odeio isso. Dou um passo para trás para avaliar seu cabelo. Quando tenho certeza do que fazer para concertar, m e viro e pego a tesoura e o pente, que estão aonde deveriam estar. Me lem bro de os deixar cair no chão ontem à noite, e m e veio à cabeça que Em ory m ais do que provavelm ente arrum ou m inha bagunça essa m anhã. Eu nem varri o cabelo que cortei do Owen antes de sairm os do salão ontem , quando ele for em bora vou agradecer a ela por isso.
Com eço a cortar seu cabelo, e faço m eu m elhor para m e concentrar no cabelo e não tanto nele. Em algum m om ento entre o início do corte e agora, Em ory retornou para o seu posto. Ela agora está sentada na sua cadeira do salão, nos observando. Ela levanta os pés e com eça a girar no banco. — Você está se m udando para sem pre ou apenas por pouco tem po? - Em ory pergunta. E vej o Owen levantar um a sobrancelha. — Oh. - eu digo, esquecendo que ainda não os apresentei ainda. Aponto para Em ory. — Owen, esta é Em ory. Minha colega estranha. Ele acena ligeiram ente e olha na sua direção sem dem orar m uito. Acho que ele está nervoso pensando que vou estragar seu cabelo ainda m ais, ele está o m ais im óvel possível.
— Alguns m eses, provavelm ente. - ele responde a ela. — Não é perm anente. Coisas do trabalho.
Em ory faz um a careta.
— Isso é tão chato. - ela diz. — Já gosto de você bem m ais do que do outro cara.
Meus olhos se arregalam e m inha cabeça gira na sua direção. — Em ory ! Não posso acreditar que ela disse isso.
A atenção de Owen foca em m im e ele ergue a sobrancelha. — Outro cara? Balanço m inha cabeça e aceno para ela.
— Ela está m al inform ada. Não tem outro cara. - olho para ela. — Não pode ter outro cara quando não tem nem m esm o um cara. — Ah, conta outra. - ela segura um a m esa e para de girar. E aponta para Owen. — Ele é um cara. Um cara que aparentem ente ficou a noite passada com você. Um cara que acho que é m uito m elhor do que o outro cara, um cara que acho que está triste por se m udar.
O que essa guria tem de errado? Posso sentir Owen m e encarando, m as m orro de vergonha de olhar para ele. Olho novam ente para o lugar onde está Em ory. — Eu estava realm ente com eçando a respeitar você por não ser um a fofoqueira. — Não é fofoca quando falo na frente de vocês dois. Se cham a conversar. Estam os discutindo com o vocês estão atraídos um pelo outro e você quer se apaixonar com o... com o... dois... - ela pausa por um m om ento. — Sou péssim a com m etáforas. Você quer se apaixonar, m as agora ele tem que se m udar e você está triste. Mas não precisa ficar triste, por que graças a m im , você j á sabe que ele vai ficar fora só por alguns m eses. Não para sem pre. Só não ceda para o outro cara prim eiro.
Owen está rindo, m as eu não. Agarro o secador e ligo para abafar as palavras dela e term ino de fazer o novo corte curto de cabelo, que parece
realm ente bom . Seus olhos ficam ainda m ais destacados. Muito m ais. Eles ficam brilhantes. Tanto que não estou achando difícil não olhar para eles. Desligo o secador, e im ediatam ente Em ory com eça a falar de novo. — Então, quando você está se m udando, Owen?
Ele olha para m im enquanto responde.
— Segunda-feira.
Em ory dá um tapa no braço da cadeira.
— Mom ento perfeito. - ela diz. — Auburn tem folga am anhã. Vocês podem passar todo o fim de sem ana j untos.
Só não digo para ela calar a boca, porque não ia conseguir im pedi-la. Dou um passo para trás e desato o avental em volta dele e o enfio num a gaveta, ao m esm o tem po que dou a ela um olhar m ortal. — Realm ente gosto dessa ideia. - diz Owen.
Sua voz m e faz tem er pela segurança do m undo, porque eu sozinha estou esgotando o suprim ento de oxigênio do m undo, com todas as respirações profundas que tom o ouvindo isso. Olho no espelho e vej o que ele está inclinado para frente na cadeira do salão, encarando m eu reflexo. Ele quer passar o fim de sem ana com igo? Inferno não. Se isso acontecer, então significa que outras coisas vão acontecer e não sei se estou pronta para as outras coisas. Além do m ais, vou estar ocupada com ... porcaria. Não estou m ais ocupada. Essa é a sem ana que a Ly dia vai passar em Pasadena. Lá se vai a desculpa.
— Ela parece estar tentando achar desculpas. - Em ory diz divertida. Os dois estão olhando para m im agora, à espera da m inha resposta. Pego o boné do Owen, coloco na m inha cabeça e vou direto para a porta da frente.
Não devo a Owen um final de sem ana e definitivam ente não devo a Em ory um espetáculo à parte. Abro a porta e com eço a andar na direção do m eu apartam ento, que tam bém passa a ser na m esm a direção do estúdio do Owen, por isso não estou surpresa dele aparecer do m eu lado. Nossos passos caem na sincronia e com eço a conta-los. Me pergunto se vam os fazer todo o cam inho até seu estúdio sem falar. Treze, catorze, quinze...
— O que você está pensando? - ele pergunta em voz baixa. Paro de contar os passos, pois não ando m ais. Owen não está andando tam bém , ele está na m inha frente, olhando para m im , com aqueles grandes olhos, no novo corte de cabelo que acabo de criar.
— Não vou passar o fim de sem ana com você. E não consigo acreditar que você sugeriu m esm o isso.
Ele balança a cabeça.
— Não sugeri isso. Sua colega de quarto inadequada fez. Eu só disse que gostei da ideia.
Dou um bufo e dobro com força m eus braços no m eu peito. Olho para a calçada entre nós até tentar descobrir porque estou tão louca agora. E andar para longe dele não m e fará nenhum pouco m enos louca, esse é o real problem a. Pensar sobre um fim de sem ana com ele m e excita, e o fato que não posso achar isso um a ideia ruim está m e irritando. Acho que ele ainda m e deve m ais um a explicação. Ou m ais do que um pedido de desculpas. Se Harrison não ligasse para ele ontem à noite, eu provavelm ente nunca m ais ia falar, ouvir ou ver ele novam ente. Isso é um pouco esm agador para m inha autoconfiança, assim acho difícil aceitar sim plesm ente que ele de repente quer passar um tem po com igo. Tiro m eus braços do peito e descanso eles em m eus quadris, depois, olho para ele.
— Por que você não m e deixou saber por que sum iu antes de m e encontrar ontem ?
Eu sei que ele tentou se explicar m ais cedo, m as não bem o suficiente, e ainda estou chateada com isso. Claro, ele pode não querer com eçar qualquer coisa agora, se ele está se m udando, m ais esse é o problem a, ele não deveria ter falado que ia voltar na noite seguinte.
Sua expressão não m e abala, m ais ele dá um passo m ais perto. — Eu não apareci na noite seguinte porque gosto de você. Fecho m eus olhos e abaixo a cabeça desapontada.
— Que resposta m ais estúpida. - sussurro.
Ele dá m ais um passo para perto, bem aqui, bem na m inha frente. Quando ele fala de novo, sua voz é tão baixa, que posso sentir isso no m eu estôm ago. — Eu sabia que estava partindo e eu gosto de você. Essas duas coisas não fazem um a com binação m uito boa. Eu deveria deixar você saber que não ia voltar, m as não tinha seu núm ero.
Boa tentativa.
— Você sabe onde m oro.
Ele não m e dá outra resposta a não ser um suspiro. Mexe seus pés e eu finalm ente perm ito que m eus olhos façam um a viagem coraj osa até seu rosto. Ele realm ente parece estar arrependido, m as faço m ais do que só confiar num a expressão de rosto em um hom em . As únicas coisas que valem a pena confiar são ações, e até agora ele não m ostrou nenhum a confiável. — Eu estraguei tudo. - ele diz. — Sinto m uito.
Pelos m enos não está m e dando um a desculpa. E acho que é preciso um pouco m ais do que honestidade para ser capaz de adm itir que está errado, m esm o você não aceitando os porquês. E ele está no cam inho disso. Não tenho certeza quando ele ficou m ais perto de m im , m as ele está tão próxim o, m uito perto, quem vê isso deve pensar que, ou estam os no m eio de um a separação, ou estam os prestes a iniciar um a relação. Passo por ele e com eço a cam inhar novam ente até chegar ao seu estúdio. Nem sei por que parei quando cheguei na sua porta. Eu deveria ter continuado. Eu deveria estar fazendo todo o cam inho para m eu apartam ento, m as não estou. Ele abre a porta e olha por cim a do om bro para ter certeza que ainda estou aqui. Eu não deveria estar. Eu deveria estar m e separando do que, pelo o que sei, poderia ser dois dos m elhores dias que tive em m uito tem po, m as que será seguido por um a das piores segundas-feiras que tive em m uito tem po. Se eu passar o fim de sem ana com ele, vai ser igual com o beber foi para m im ontem à noite. Vai ser divertido e excitante enquanto durar e vou esquecer de todo o resto, m as depois virá a segunda-feira. Ele vai em bora e vou ter um a ressaca de Owen, que vai ser m uito pior do que a ressaca que vou ter, tam bém dele, se eu for em bora agora m esm o.
Ele abre a porta do estúdio e um a lufada de ar m e cerca, m e atraindo. Olho para dentro e depois para Owen. Ele pode ver a apreensão nos m eus olhos e coloca sua m ão em m im . Ele m e puxa para o estúdio e por algum m otivo, não resisto. A porta se fecha atrás de nós e som os tragados pela escuridão. Ouço o eco do m eu coração, porque tenho certeza que ele está batendo alto o suficiente para se ouvir. Eu posso senti-lo em pé perto de m im , m as nenhum de nós se m ove. Posso ouvir sua respiração, sentir sua proxim idade, sentir seu cheiro lim po de condicionador m isturado com tudo que a chuva fez dele.
— É o pensam ento de passar o fim de sem ana com alguém que m al conhece que faz você duvidar disso? Ou é apenas o pensam ento de passar o fim de sem ana com igo em particular?
— Só não estou com m edo porque é você, Owen. Só estou considerando isso porque é você.
Ele dá um passo para trás e m eus olhos se aj ustam a escuridão o suficiente para ver seu rosto claram ente agora. Ele está esperançoso. Anim ado. Sorrindo. Com o posso dizer não para esse rosto?
— E se eu concordar em passar o dia apenas com você agora? A partir de agora m esm o?
Ele ri com a m inha sugestão, com o se achasse que é um a bobagem eu querer passar o fim de sem ana inteiro depois de passar um dia com ele. — Isso é bonito, Auburn. - ele diz. — Ok então. Seu sorriso é enorm e quando m e puxa para ele. Me envolve com seus braços e m e levanta do chão, j ogando todo ar para fora de m im . — Venha. Vam os ao m ercado.
Faço um a pausa.
— Mercado?
Ele sorri e arrum a o boné na m inha cabeça enquanto m e em purra para o sol de novo.
— Não tenho nada para te alim entar. Vam os às com pras.