Confess

Colleen Hoover · Capítulo 3 de 25

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Confess

Eu atravesso as portas de correr autom…

PRÓLOG O

Auburn

Eu atravesso as portas de correr autom áticas do hospital sabendo que vai ser a últim a vez.

No elevador, eu pressionei o núm ero três, assistindo ilum inar pela últim a vez. As portas abrem para o terceiro andar e eu sorrio para a enferm eira de plantão, observando sua expressão quando ela tem pena de m im pela últim a vez. Eu passo a sala de espera e da capela e a sala de descanso dos funcionários, tudo pela últim a vez.

Eu continuo pelo corredor e m antenho m eu olhar para frente e m eu coração valente quando eu bato levem ente a sua porta, à espera de ouvir Adam convidar-m e pela últim a vez.

— Entre. - Sua voz é de algum a form a ainda cheia de esperança, e eu não tenho nenhum a ideia de com o.

Ele está em sua cam a, deitado de costas. Quando ele m e vê, ele m e conforta com seu sorriso e levanta o cobertor, convidando-m e para acom panhá-lo. O espaço j á é reduzido, então eu subo ao lado dele, e envolvo o m eu braço sobre o peito, e pressiono as pernas j untas. Eu enterro m eu rosto em seu pescoço, em busca de seu calor, m as eu não posso encontrá-lo. Ele está frio hoj e.

Ele aj usta-se até estarm os em nossa posição de costum e, com o braço esquerdo ao m eu redor e seu braço direito em cim a de m im , m e puxando para ele. Ele dem ora um pouco m ais de tem po para se sentir confortável do que norm alm ente faz, e eu noto seu aum ento de respiração com cada pequeno m ovim ento que ele faz.

Eu tento não notar essas coisas, m as é difícil. Estou ciente de que ele está m ais fraco, sua pele ligeiram ente m ais pálida, a fragilidade em sua voz. Todos os dias, durante o tem po da visita com ele, eu posso ver que ele está cada vez m ais longe de m im e não há nada que eu possa fazer sobre isso. Ninguém pode fazer nada, apenas ver isso acontecer. Sabem os a seis m eses que term inaria desta form a. É claro que todos nós oram os por um m ilagre, m as este não é o tipo de m ilagre que acontece na vida real. Meus olhos se fecham quando os lábios frios de Adam beij am m inha testa. Eu disse a m im m esm a que eu não vou chorar. Eu sei que é im possível, m as pelo m enos posso fazer tudo o que puder para evitar as lágrim as. — Eu estou tão triste - ele sussurra.

Suas palavras são tão fora de sintonia com sua positividade de costum e, m as m e conforta. É claro que eu não quero que ele fique triste, m as eu preciso que ele fique triste com igo agora. — Eu tam bém .

Nossas visitas ao longo das últim as sem anas têm sido quase sem pre cheias com um m onte de risadas e conversas, não im porta o quão forçadas. Eu não quero que esta visita sej a diferente, m as sabendo que é a nossa últim a torna im possível encontrar algo para rir. Ou falar. Eu só quero chorar com ele e gritar sobre com o isso é inj usto para nós, m as iria m anchar essa m em ória. Quando os m édicos em Portland disseram que não havia nada m ais que pudesse fazer por ele, seus pais decidiram transferi-lo para um hospital em Dallas. Não porque eles estavam esperando por um m ilagre, m as porque toda a sua fam ília vive no Texas, e eles pensaram que seria m elhor se ele pudesse

estar perto de seu irm ão e todos os outros que o am avam . Adam se m udou para Portland com seus pais apenas dois m eses antes de com eçarm os a nam orar há um ano.

A única m aneira que Adam concordaria em voltar para o Texas era se eles m e perm itissem vir tam bém . Foi um a batalha finalm ente conseguir que nossos pais concordassem , m as Adam argum entou que ele era o único a m orrer, e ele deveria perm itir e determ inar quem ele quer e o que acontece quando essa hora chegar.

Já se passaram cinco sem anas desde que eu vim para Dallas, e nós dois não tem os a sim patia de nossos parentes. Disseram que eu tenho que voltar para Portland im ediatam ente ou m eus pais vão pagar taxas de evasão escolar. Se não fosse por isso, seus pais poderiam ter m e deixado ficar, m as a últim a coisa que os m eus pais precisam agora é de problem as j udiciais. Meu voo é hoj e, e nós j á esgotam os todas as outras ideias de com o eu posso convencê-los de que eu não preciso estar naquele voo. Eu não disse a Adam isso e eu não vou, m as ontem à noite depois de m ais apelos m eus, sua m ãe, Ly dia, finalm ente expressou sua verdadeira opinião sobre o assunto. — Você tem quinze anos, Auburn. Você acha que o que você sente por ele é real, m as vai passar em um m ês. Nós o am am os desde o dia em que nasceu e vam os sofrer com sua perda até o dia em que m orrerm os. Nós som os as pessoas que ele precisa para estar com ele agora.

É um a sensação estranha quando você sabe que aos quinze anos, acabam os de viver as palavras m ais duras que você j am ais vai ouvir. Eu nem sequer sei o que dizer a ela. Com o pode um a m enina de quinze anos de idade, defender o seu am or quando esse am or é rej eitado por todos? É im possível defender-se contra a inexperiência e idade. E talvez eles estej am certos. Talvez a gente não conheça o am or com o um adulto conhece o am or, m as com certeza sentim os. E agora, esse sentim ento é im inentem ente desolador. — Quanto tem po antes de seu voo? - Adam pergunta enquanto seus dedos delicadam ente traçam círculos lentos pelo m eu braço para a últim a hora.

— Duas horas. Sua m ãe e Trey estão lá em baixo esperando por m im . Ela diz que precisa sair em dez m inutos, a fim de chegar a tem po. — Dez m inutos, - ele repete suavem ente. — Isso não é tem po suficiente para com partilhar com você a sabedoria profunda que eu tenho acum ulado enquanto estou no m eu leito de m orte. Eu vou precisar de pelo m enos quinze anos. Vinte no m áxim o.

Eu rio o que é, provavelm ente, a m ais patética e triste risada que j á deixou m inha boca. Nós dois ouvim os o desespero nela e ele m e segura m ais apertado, m as não dem ais. Ele tem m uito pouca resistência, m esm o em com paração com ontem . Sua m ão conforta m inha cabeça e ele pressiona seus lábios no m eu cabelo. — Eu quero agradecer a você, Auburn, - diz ele em voz baixa. — Por tantas coisas. Mas em prim eiro lugar, eu quero agradecer a você por estar tão chateada quanto eu estou.

Mais um a vez, eu rio. Ele sem pre tem piadas, m esm o quando sabe que elas são as últim as.

— Você tem que ser m ais específico, Adam , porque eu estou chateada com todo um inferno de coisas no m om ento.

Ele solta seu aperto em volta de m im e faz um esforço trem endo para rolar em direção a m im , de m odo que nós estam os face a face. Alguém poderia argum entar que os seus olhos são cor de avelã, m as eles não são. São cam adas de verde e castanho, elas se tocam , m as nunca se m isturam , criando o m ais intenso par, definido de olhos que j á olharam em m inha direção. Olhos que antes eram a parte m ais brilhante dele, m as agora estão tam bém derrotados por um destino prem aturo que está drenando lentam ente a cor certa para fora deles.

— Eu estou m e referindo especificam ente à form a com o nós dois estam os tão chateados com a m orte por ser um a bastarda gananciosa. Mas eu acho que eu tam bém estou m e referindo a nossos pais, por não entender isso. Para não perm itir que eu tenha a única coisa que eu quero aqui com igo.

Ele está certo. Eu definitivam ente estou chateada com as duas coisas. Mas nós j á passam os por isso m uitas vezes nos últim os dias para saber o que perdem os e o que ganham os. Agora eu só quero tocá-lo e aproveitar cada últim a gota de sua presença, enquanto eu ainda a tenho.

— Você disse que tem tantas coisas a m e agradecer. Qual é a próxim a? Ele sorri e leva a m ão ao m eu rosto. Seus polegares sobre m eus lábios e sinto com o se o m eu coração fosse arrancado do m eu peito em um a tentativa de perm anecer aqui enquanto m inha casca vazia é forçada a voar de volta para Portland. — Eu quero agradecer a você por m e deixar ser seu prim eiro, -diz ele. — E por ser a m inha.

Seu sorriso transform a-o brevem ente de um garoto de dezesseis anos de idade, em seu leito de m orte em um belo rapaz, vibrante, cheia de vida adolescente que está pensando sobre a prim eira vez que ele teve relações sexuais. Suas palavras, e sua própria reação a suas palavras, força um sorriso envergonhado que cruza m eu rosto enquanto eu volto para aquela noite. Foi antes de nós saberm os que ele estaria se m udando de volta ao Texas. Sabíam os seu prognóstico nesse ponto e ainda estávam os tentando aceitar. Passam os um a noite inteira discutindo todas as coisas que poderia ter experim entado j untos se tivéssem os a possibilidade de sem pre. Viaj ar, casam ento, filhos (incluindo com o seriam seus nom es), todos os lugares que teríam os vivido, e, claro, sexo. Nós previm os que teríam os tido um a vida sexual fenom enal, se tivesse a chance. Nossa vida sexual teria causado invej a em todos os nossos am igos. Gostaríam os de ter feito am or, todas as m anhãs, antes de sair para o trabalho e todas as noites antes de irm os para a cam a e, por vezes, durante o dia. Nós rim os sobre isso, m as a conversa logo ficou em silêncio enquanto que am bos perceberam que esse foi o aspecto da nossa relação que ainda

tínham os o controle sobre ela. Tudo sobre o futuro, não tinha voz, m as nós poderíam os ter um a coisa privada que a m orte nunca poderia tirar de nós. Nós nem sequer discutim os o assunto. Não foi preciso. Assim que ele olhou para m im e eu vi m eus próprios pensam entos espelhados em seus olhos, com eçam os a nos beij ar e nós não param os. Nós nos beij am os enquanto nos despim os, nos beij am os enquanto nos tocam os, nos beij am os enquanto choram os. Nós nos beij am os até que estávam os acabados, e m esm o assim , continuam os a beij ar em com em oração ao fato de que tínham os vencido esta pequena batalha contra a vida e a m orte e o tem po. E nós ainda estávam os nos beij ando quando ele m e segurou m ais tarde e m e disse que m e am ava. Assim com o ele está segurando e beij ando-m e agora. Sua m ão está tocando o m eu pescoço e os seus lábios desfazendo m inha m ente que sente a som bria abertura de um adeus. — Auburn, - seus lábios estão conspirando contra m im . — Eu te am o tanto.

Posso provar m inhas lágrim as no nosso beij o e eu odeio que estou arruinando o nosso adeus com m inha fraqueza. Ele se afasta da m inha boca e m antem sua testa contra a m inha. Estou lutando para obter m ais ar do que eu preciso, m as o m eu pânico é a definição, enterrando-se em m inha alm a e tornando-se difícil pensar. A tristeza sente seu calor lento em seu cam inho até m eu peito, criando um a pressão intransponível à m edida que vai se aproxim ando do m eu coração. — Diga-m e algo sobre você que ninguém m ais sabe. - Sua voz é enfeitada com as suas próprias lágrim as, quando ele olha para m im . — Um a coisa que eu possa m anter para m im .

Ele pede isso de m im todos os dias e cada dia que eu lhe digo algo que eu nunca disse em voz alta. Penso conforta-lo, sabendo coisas sobre m im que ninguém vai saber. Quero fechar m eus olhos e pensar enquanto as suas m ãos continuam a executar em todas as áreas de m inha pele que ele pode alcançar.

— Eu nunca disse a ninguém o que se passa pela m inha cabeça quando eu vou dorm ir a noite.

Sua m ão faz um a pausa no m eu om bro. — O que passa pela sua cabeça? Abro os olhos e olho para longe dele. — Eu penso em todas as pessoas que desej ariam poder m orrer em vez de você.

Ele não responde à prim eira, m as eventualm ente a m ão retom a seus m ovim entos, traçando pelo m eu braço até que ele atinj a os m eus dedos. Ele desliza a m ão sobre a m inha. — Eu aposto que você não precisa chegar m uito longe.

Eu forço um sorriso suave e balanço a cabeça. — Eu faço, no entanto. Fico m uito longe. Às vezes eu digo cada nom e que eu sei, então eu com eço a dizer nom es de pessoas que eu nunca conheci pessoalm ente antes. Eu m esm a criei nom es às vezes.

Adam sabe que eu não quero dizer o que eu estou dizendo, m as faz ele se sentir bem ouvindo. Seu polegar furta as lágrim as do m eu rosto e isso m e deixa com raiva por não poder m esm o esperar uns dez m inutos antes de chorar. — Eu sinto m uito, Adam . Eu tentei realm ente não chorar. Seus olhos são suaves com sua resposta. — Se você saísse desta sala hoj e sem chorar, teria m e devastado.

Eu parei de lutar contra ele com essas palavras. Segurei em sua cam isa com m inhas m ãos e com eçei a soluçar contra seu peito enquanto ele m e segurava. Em m eio às lágrim as, tento ouvir seu coração, querendo am aldiçoar seu corpo inteiro por ser tão heroico. — Eu te am o tanto. - Sua voz é ofegante e cheia de m edo. — Eu vou te am ar para sem pre. Mesm o quando eu não puder.

Minhas lágrim as caem m ais em suas palavras. — E eu vou te am ar para sem pre. Mesm o quando eu não deveria.

Nós nos apegam os um ao outro experim entando um a tristeza tão insuportável, torna-se difícil querer viver depois disso. Digo a ele que eu o am o porque eu preciso que ele saiba. Digo a ele que o am o de novo. Eu continuo dizendo, m ais vezes do que eu j á disse isso em voz alta. Toda vez que eu digo isso, ele diz-m e de volta. Dizem os tanto que eu não tenho certeza quem é quem repetindo agora, m as nós continuam os dizendo, m ais e m ais, até que seu irm ão, Trey, toca o m eu braço e m e diz que é hora de ir. Nós ainda estam os dizendo enquanto nos beij am os pela últim a vez. Nós ainda estam os dizendo enquanto nos abraçam os.

Capítulo 1

Auburn

Eu m e contorci na cadeira assim que ele m e disse o preço por hora. De m aneira nenhum a eu poderia pagar isso com m eu salário. — Você trabalha com preços variados? - pergunto a ele. As rugas ao redor de sua boca se tornam m ais proem inentes enquanto tenta m anter a testa franzida. Ele cruza os braços sobre a m esa de m ogno e aperta as m ãos, pressionando as pontas de seus polegares um contra o outro. — Auburn o que você está m e pedindo vai custar dinheiro. Não m e diga.

Ele se inclina para trás da cadeira, puxando suas m ãos até o peito, as apoiando no seu estôm ago.

— Advogados são com o casam entos. Você só tem o que você paga. Nem consigo lhe dizer com o essa analogia é horrível. Em vez disso, olho para o cartão na m inha m ão. Ele foi altam ente recom endado, e eu sabia que ia custar caro, m as não tinha ideia que ia ser tão caro. Vou precisar de um segundo em prego. Talvez até de um terceiro. Sinceram ente, vou ter é que assaltar um m aldito banco.

— E não tem nenhum a garantia que o j uiz decidirá a m eu favor? — A única prom essa que posso te dar é que vou fazer de tudo para garantir que o j uiz decida ao seu favor. De acordo com a papelada que foi

arquivada em Portland, você se colocou num a situação m uito difícil. Isso vai levar tem po.

— Tudo que eu tenho é tem po. — resm unguei. — Volto assim que receber m eu prim eiro salário.

Ele irá m arcar um encontro através de seu secretário e depois vai m e m ostrar o cam inho, de volta para dentro do calor do Texas. Eu m oro aqui só há três sem anas e é tudo que pensei que seria: quente, úm ido e solitário. Cresci em Portland, Oregon, e assum i que passaria o resto da m inha vida ali. Só visitei o Texas um a vez quando eu tinha quinze anos, e apesar da viagem não ter sido tão ruim , não quero repetir um segundo daquilo. Mas agora eu faria qualquer coisa para voltar para Portland.

Puxei m eus óculos de sol de volta para m eus olhos e fui na direção do m eu apartam ento. Viver no centro de Dallas não é nada com o m orar no centro de Portland. Pelo m enos, em Portland, eu conseguia ter acesso a tudo que a cidade tinha a oferecer, apenas com um a pequena cam inhada. Dallas tem tudo espalhado e afastado, e eu j á m encionei o calor? É tão quente. E tive que vender m eu carro para com prar a passagem , então m inhas opções ficam entre transporte público e m eus pés, sem falar que estou agora sem nenhum dinheiro, j á que gastei o resto com o advogado que acabei de encontrar. Não posso acreditar que cheguei nesse estado. Eu nem sequer consegui ter um a clientela fixa no salão de beleza que estou trabalhando, então definitivam ente vou ter que procurar um segundo em prego. E não tenho ideia de com o vou encontrar tem po, tudo isso graças aos agendam entos erráticos de Ly dia. Falando de Ly dia.

Disquei seu núm ero e esperei ela atender. Depois foi para o correio de voz e fico em dúvida se deixo um a m ensagem ou ligo de volta essa noite. Tenho certeza que ela exclui as m ensagens, de qualquer form a, term ino a ligação e j ogo o celular dentro da bolsa. Eu consigo sentir o rubor subindo pelo m eu pescoço e bochechas e a ardência fam iliar em m eus olhos. Essa é a terceira vez que volto cam inhando para casa no m eu novo estado, em um a cidade habitada por nada m ais que estranhos, m as estou determ inada a chegar pela prim eira vez na porta de casa sem chorar. Meus vizinhos provavelm ente acham que sou psicótica. É apenas um a longa cam inhada do trabalho para casa, e longas cam inhadas m e fazem contem plar m inha vida, e m inha vida m e faz chorar. Faço um a pausa e olho para um a j anela de vidro de um dos edifícios para verificar se o rím el está borrado. Olho m eu reflexo e não gosto do que vej o. Um a garota que odeia as escolhas que fez na vida. Um a garota que odeia sua carreira.

Um a garota que sente falta de Portland.

Um a garota que precisa desesperadam ente de um segundo em prego, e agora um a garota que está lendo PRECISA-SE DE AJUDA na placa, que só agora ela notou na j anela.

Precisa-se de aj uda.

Bata para m ais inform ações.

Dei um passo para trás para avaliar o prédio que estou em pé na frente; eu passei por ele todos os dias durante m eu traj eto e nunca notei isso. Provavelm ente porque passo m inhas m anhãs no telefone e m inhas tardes com m uitas lágrim as em m eus olhos para notar algum a coisa.

CONFESSO

Isso é tudo que diz na placa. Pelo nom e m e leva a crer que poderia ser um a igrej a, m as descarto o pensam ento rapidam ente quando dou um a olhada m ais perto das j anelas de vidro que revestem à frente do prédio. E está coberto com vários pedaços de papel de várias form as e tam anhos, ocultando a vista para dentro do edifício, retirando qualquer esperança de dar um a espiada lá dentro. Os pedaços de papel estão todos m arcados com palavras e frases, escritas com diferentes caligrafias. Chego m ais perto e leio alguns deles. “Sou grata todos os dias que meu marido e seu irmão são exatamente iguais. Isso significa que é pequena a chance do meu marido descobrir que nosso filho não é dele.”

Levo m inha m ão até m eu coração. Que diabos é isso? E leio outro. “Não falo com meus filhos há quatro meses. Eles sempre falam comigo em feriados e no meu aniversário. Mas nunca entre essas datas. Eu não os culpo. Eu fui um pai horrível.”

Eu li outro.

“Eu menti no meu currículo. Não tenho graduação. E nos cinco anos que venho trabalhando com meu patrão, ele nunca pediu para confirmar.” Fico boquiaberta e m eus olhos ficam arregalados e tento ler o m áxim o de confissões que m eus olhos podem alcançar. Ainda não tenho ideia do que este edifício é ou sobre todas essas coisas sendo expostas para todo m undo ver, m as as ler m e dá um a sensação de norm alidade. Se todas essas coisas são verdadeiras, então talvez m inha vida não sej a tão ruim quanto eu achava.

Depois de m ais ou m enos quinze m inutos eu passo para a segunda j anela, depois de ler a m aioria das confissões na direita da porta, quando ela com eça a se abrir. Dou um passo para trás para evitar ser atingida, enquanto luto sim ultaneam ente com o desej o intenso de ir para frente e dar um a espiada no interior do edifício. Um a m ão puxa e arranca o PRECISA-SE DE AJUDA. Consigo ouvir a caneta deslizando através da placa enquanto perm aneço atrás da porta. Querendo dar um a olhada m elhor em quem ou o que é este lugar, eu com eço a m e aproxim ar da porta e um a m ão bate a placa de volta para a j anela.

PRECISA-SE DE AJUDA

BATA PARA MAIS INFORMAÇÕES.

PRECISAMOS DESESPERADAMENTE!

BATA NA MALDITA PORTA!

Eu ri quando vi as alterações feitas na placa. Talvez fosse o destino. Preciso desesperadam ente de um segundo em prego e alguém precisa desesperadam ente de aj uda.

A porta se abre m ais e estou de repente sob o exam e m inucioso de olhos que eu garanto que são m ais verdes do que eu poderia achar olhando para sua cam isa salpicada de tinta. Seu cabelo é preto e grosso, e ele usa as duas m ãos para os em purrar para longe de sua testa, revelando ainda m ais seu rosto. Seus olhos se abrem ainda m ais e ficam cheios de ansiedade no início, m as depois vem em m im e ele deixa escapar um suspiro. É quase com o se ele soubesse exatam ente onde eu deveria estar e ele está aliviado que finalm ente apareci aqui. Ele fica olhando para m im com um a expressão concentrada durante alguns segundos. Mexo m eus pés e olho para longe. Não porque m e sinto

desconfortável, m as porque a form a que m e olha é estranham ente reconfortante. Essa é provavelm ente a prim eira vez que m e sinto bem -vinda desde que voltei para o Texas, em torno de com pletos estranhos. — Você está aqui para m e salvar? - ele pergunta, puxando m inha atenção de volta para seus olhos. Ele está sorrindo, m antendo a porta aberta com o cotovelo. Ele m e avalia dos pés à cabeça, e não consigo deixar de m e perguntar o que ele está pensando.

Meu olhar vai para PRECISA-SE DE AJUDA na placa e penso nos m ilhões de cenários que poderia acontecer se eu respondesse sua pergunta com um sim e o seguisse para dentro do edifício. O pior cenário que m e veio foi que ele ia acabar m e assassinando. Infelizm ente, isso não é um im pedim ento suficiente, considerando o m ês que tive.

— Você é responsável pela contratação? - pergunto. — Só se você desej a se candidatar.

Sua voz é abertam ente am igável. Não estou acostum ada com essa sim patia evidente, e não sei com o lidar com isso.

— Eu tenho um as perguntas antes de concordar em aj udá-lo. - digo, orgulhosa de m im m esm a por não soar tão desesperada.

Ele pega a placa e arranca da j anela, a j oga no interior do edifício, e pressiona a porta contra as costas, a abrindo, e faz um sinal para eu entrar. — Nós realm ente não tem os tem po para perguntas, m as prom eto que não vou te torturar, estuprar, ou te m atar, se isso j á aj uda. Sua voz fica ainda m ais agradável, apesar de sua escolha de palavras. Então vem um sorriso que m ostrar as duas fileiras de dentes quase perfeitos e um incisivo dianteiro um pouco torto. Mas essa pequena falha em seu sorriso é m inha parte favorita nele.

Isso e sua total desconsideração as m inhas perguntas. Odeio perguntas. Isso até que não pode ser tão ruim .

Dou um suspiro e passo por ele, indo para dentro do edifício. — No que eu estou m e m etendo? - m urm uro.

— Algo que você não vai querer sair. - ele diz. A porta se fecha atrás de nós, bloqueando toda a ilum inação natural do lugar. Isso não seria um a coisa ruim se tivesse luzes dentro, m as não tem . Apenas um fraco brilho vindo do que parece ser um corredor, do outro lado da sala. Assim que as batidas do m eu coração com eçam e m e inform ar em com o é estúpido andar em um edifício com um com pleto estranho, as luzes dão um clique e voltam a vida.

— Desculpe. - sua voz soa perto, então dou um giro em torno de m im m esm a à m edida que as luzes fluorescentes atingem todo o seu poder. — Eu não costum o trabalhar nessa parte do edifício, então m antenho as luzes apagadas para econom izar energia.

Agora toda a área está ilum inada, e lentam ente visualizo a sala. As paredes são totalm ente brancas, adornadas com várias pinturas. Não consigo dar um a boa olhada nelas, pois estão todas espalhadas, a vários m etros de distância. — Isso é um a galeria de arte?

Ele ri, o que acho estranho, então viro de volta para o enfrentar. Ele m e olha com olhos estreitos e curiosos.

— Eu não iria tão longe a ponto de cham ar isso de galeria de arte. - ele se vira e tranca a porta da frente e, em seguida, passa por m im . — Que tam anho você tem ?

Em seguida ele foi cam inhando através da grande sala, em direção ao corredor. Eu ainda não sei por que estou aqui, m as o fato dele perguntar m eu tam anho m e fez ficar ainda m ais preocupada do que estava há dois m inutos. Será que ele quer saber o tam anho do caixão para eu caber dentro? Ou quem sabe saber o tam anho das algem as?

Ok, agora estou m uito preocupada.

— O que você quer dizer? Meu tam anho de roupa? Ele m e encara e continua cam inhando, ainda em direção ao corredor. — Sim , seu tam anho de roupa. Você não pode usar isso hoj e à noite. - ele disse, apontando para m eu j eans e cam iseta.

Depois faz um gesto para segui-lo e sobe um lance de escadas que levam a um quarto acim a de onde estam os. Eu posso ser m eio boba com bonitinhos, incisivo torto fofo e tal, m as seguir estranhos em território desconhecido deve ser onde tenho que desenhar um ponto final.

— Espere. - eu digo, parando no com eço da escada. — Você pode pelo m enos m e dar um resum o do que está acontecendo aqui, certo? Porque agora estou com eçando duvidar da m inha decisão idiota de colocar m inha confiança em um estranho.

Ele olha para cim a, para onde quer que as escadas levem , e depois se volta para m im . Deixa escapar um suspiro exasperado e volta alguns degraus e se senta e traz seu olhar para m im .

— Meu nom e é Owen Gentry. Sou um artista e este é m eu estúdio. Eu tenho um a exposição em m enos de um a hora, e preciso de alguém para lidar com as transações, e m inha nam orada term inou com igo sem ana passada. Artista. Exposição.

Menos de um a hora?

E nam orada? Não m e com ovi com isso.

Eu m udo o peso dos m eus pés, olho m ais um a vez pelo estúdio e, em seguida, m e viro para ele.

— Eu não recebo nenhum tipo de treinam ento? — Você sabe com o usar um a calculadora?

Eu rolo m eus olhos.

— Sim .

— Se considere treinada. Eu só preciso de você por duas horas, então te pago duzentos dólares e pode ir em bora.

Duas horas.

Duzentos dólares.

Algo não está se encaixando.

— Qual é a pegadinha?

— Isso não é um a pegadinha.

— Porque você precisa de aj uda se paga cem dólares por hora? Tem que ter algum a pegadinha. Você devia estar cheio de potenciais candidatos. Owen passa a m ão da nuca até o queixo, m ovendo-a para trás e para frente com o se estivesse tentando puxar para fora toda tensão. — Minha nam orada esqueceu de m encionar que estava saindo do trabalho no dia que term inou com igo. Liguei para ela quando não apareceu para m e aj udar a organizar tudo há duas horas. É um a espécie de oportunidade de em prego nos últim os m inutos. Talvez você apenas estava no

lugar certo e na hora certa. - ele se levanta e vira, e eu perm aneço no m eu lugar, nos prim eiros degraus.

— Você fez de sua nam orada sua em pregada? Isso nunca é um a boa ideia. — Eu fiz de m inha em pregada m inha nam orada. Um a ideia ainda pior. - ele fez um a pausa no topo da escada e se virou para m im . — Qual é o seu nom e? — Auburn.

Seu olhar cai para m eu cabelo, o que é com preensível. Todo m undo assum e que m e deram o nom e Auburn por causa da cor do m eu cabelo, m as é loiro m orango na m elhor das hipóteses. Cham o isso de tentativa de verm elho. — Qual o resto do seu nom e, Auburn?

— Mason Reed.

Owen inclina a cabeça lentam ente na direção ao teto enquanto sopra para fora um a lufada de ar. Segui seu olhar e olho para o teto com ele, m as não tem nada lá, além de um teto branco. Ele levanta a m ão esquerda e toca a testa, seu peito e depois cada om bro, fazendo o sinal da cruz em si m esm o. O que diabos ele está fazendo? Rezando? Ele olha para trás, m as agora sorrindo. — É realm ente Mason seu nom e do m eio?

Concordo com a cabeça. Tanto quanto eu sei Mason não é um sobrenom e estranho, então não faço ideia porque ele está fazendo rituais religiosos.

— Nós tem os o m esm o nom e do m eio. - ele diz.

Ele balança a cabeça casualm ente, enfia a m ão no bolso de trás, tirando a carteira. Desce a escada de novo e m e entrega sua carteira de m otorista. Olho e realm ente seu nom e do m eio é Mason.

Mordo m eus lábios e entrego de volta sua carteira. OMG

Tento conter o riso, m as é difícil, então coloco m inha m ão na boca, pelo m enos esperando ser discreta. Ele desliza de volta a carteira no bolso. Sua sobrancelha se levanta e m e lança um olhar de suspeita.

— Pode ser m ais rápida?

Meus om bros estão trem endo do riso reprim ido agora. Eu m e sinto tão m á. Assim , tão m á com ele.

Ele revira os olhos e parece um pouco envergonhado pelo m odo com o esconde seu sorriso. E volta a subir as escadas, só não tão confiante com o antes. — É por isso que não conto m eu sobrenom e do m eio para ninguém . - resm unga. Me sinto culpada por achar graça nisso, m as sua hum ildade finalm ente m e dá coragem de subir o resto das escadas.

— Suas iniciais são m esm o OMG? - m ordo m inha bochecha, forçando o riso para dentro, não quero que ele vej a.

Ao chegar no topo da escada ele m e ignora, indo direto para um a côm oda. Abre a gaveta e com eça a vasculhar, só então tenho um a oportunidade de olhar ao redor da sala enorm e. Tem um a enorm e cam a, provavelm ente um a king, no canto m ais distante. No lado oposto tem um a cozinha com pleta, ladeada por duas portas, levando a outros quartos.

Estou em seu apartam ento.

Ele se vira e j oga algo preto. Pego e desdobro, revelando ser um a saia. — Isso deve servir. Você e a traidora tem o m esm o tam anho. - ele cam inha até o arm ário e tira um a cam isa branca do cabide. — Vej a se fica bem . Os sapatos que você usa j á estão ótim os.

Tom o a cam isa das m ãos dele e olho em direção as duas portas. — Banheiro? Ele aponta para a porta do lado esquerdo.

— E se não servirem ? - pergunto preocupada dele não dar a vaga por eu não estar vestida m ais profissionalm ente. Duas centenas de dólares não são fáceis de encontrar.

— Se não servir, vam os queim ar j untos tudo que ela deixou para trás. Fico rindo até chegar no banheiro. Um a vez que estou dentro, nem presto atenção no que parece ser um a casa de banho real, quando com eço a m udar as m inhas roupas para as que ele m e deu. Felizm ente, elas se encaixam perfeitam ente. Olho para m im m esm a no espelho de corpo inteiro e m e assusto com o desastre que é m eu cabelo. Eu deveria ter vergonha de dizer que sou cosm etologista. Não toquei nisso desde que sai do apartam ento de m anhã, então faço um penteado rápido com um dos pentes de Owen, puxando tudo para cim a em um coque. Dobro as roupas que tirei e as coloco na bancada. Quando saio do banheiro Owen está na cozinha, servindo dois copos de vinho. Penso se devo ou não dizer que falta algum as sem anas para ter idade suficiente para poder beber, m as m eus nervos estão gritando por um a taça de vinho agora. — Serviu. - eu digo, indo até ele.

Ele levanta os olhos e fica olhando tem po dem ais para m inha cam isa do que necessitaria para ver se serviu ou não. Lim pa a garganta e olha de volta para baixo onde está derram ando vinho.

— Fica m elhor em você. - ele diz.

Deslizo para o banco, lutando para esconder m eu sorriso. Tem sido um longo tem po desde que fui elogiada a até esqueci com o é bom . — Você não quis dizer isso. Apenas está am argo pelo rom pim ento. Ele em purra um copo de vinho através do bar. — Não estou am argo, estou aliviado. E eu absolutam ente quis dizer isso. - então ele levanta a taça de vinho e ergo a m inha. — Pelas ex- nam oradas e novos funcionários.

Acabo rindo com o nosso brinde.

— Melhor do que ex-funcionários e novas nam oradas. Ele faz um a pausa com a taça em seus lábios e m e observa saborear a m inha. Quando term ino, ele sorri e finalm ente tom a um gole. Assim que coloco a taça vazia na bancada, algo m acio roça na m inha perna. Minha prim eira reação é gritar, o que é exatam ente o que acontece. Ou talvez o barulho que sai da m inha boca é m ais que um grito. De qualquer form a, puxo m inhas pernas para cim a e olho para baixo, um gato peludo e preto se esfrega no banco que estou sentada. Im ediatam ente abaixo m inhas pernas e m e curvo para pegar o gato. Eu não sei por que, m as sabendo que esse cara tem um gato alivia um pouco m eu desconforto. Não m e parece que alguém perigoso tenha um anim al de estim ação. Sei que não é a m elhor m aneira de se j ustificar por estar num apartam ento de um estranho, m as m e faz sentir m elhor. — Qual o nom e do gato?

Owen se estica e passa os dedos no pelo com prido do gato.

— Owen.

Com eço a rir im ediatam ente de sua piada, m as sua expressão perm anece calm a. Faço um a pausa por alguns segundos, esperando ele rir, m as ele não ri. — Você deu seu próprio nom e para o gato? Sério? Ele olha para m im e posso ver um sorriso brincando no canto de sua boca. Ele dá de om bros, quase tim idam ente.

— Ela m e lem brou de m im m esm o.

Rio de novo.

— Ela? Você deu o nom e de Owen a um a gata? Ele olha para a gata-Owen e continua acariciando-a enquanto eu a seguro — Shh. - ele diz. — Ela pode entender você. Não a deixe com plexada. E com o se ele estivesse certo, e ela pudesse m esm o m e ouvir tirando sarro de seu nom e, a gata-Owen salta dos m eus braços e cai no chão. Ela desaparece em torno do bar, e eu m e esforço para tirar o sorriso do m eu rosto. Eu gostei dele nom ear um a gata com seu nom e. Quem faz isso? Inclino m eu braço em cim a do balcão e descanso m eu queixo na m ão. — Então, o que você precisa que eu faça hoj e à noite, OMG? Owen balança a cabeça e pega a garrafa de vinho, colocando-a na geladeira.

— Você pode com eçar por nunca m ais m e cham ar pelas m inhas iniciais. Depois de concordar com isso, eu vou lhe dar um resum o do que está prestes a acontecer.

Eu deveria m e sentir m al, m as ele parece se divertir. — Feito.

— Prim eiro de tudo. - ele diz, se inclinando na frente do bar. — Quantos anos você tem ?

— Não velha o suficiente para beber vinho. - tom o outro gole. — Ooops. - ele diz secam ente. — O que você faz? Está na faculdade? - ele apoia seu queixo nas m ãos e espera m inha resposta. — Com o essas perguntas m e preparam para hoj e à noite? Ele sorri. Seu sorriso é excepcionalm ente bom quando acom panha m ais uns goles de vinho. Ele acena com a cabeça e fica em pé. Tira a taça da m inha m ão e coloca de volta no bar.

— Me siga Auburn Mason Reed.

Faço o que ele pede, porque por cem dólares a hora, eu faço quase qualquer coisa. Quase.

Quando chegam os no piso principal de novo, ele cam inha para o centro da sala e levanta os braços, fazendo um círculo com pleto. Sigo seu olhar ao redor da sala, vendo a vastidão disso tudo. A ilum inação da trilha é o que m e cham a a atenção prim eiro. Cada luz é focada em um quadro, adornando as paredes de branco do estúdio, puxando o foco para a arte e nada m ais. Bem , não há realm ente qualquer outra coisa. Apenas as paredes até o teto de um com pleto branco, um piso de concreto e arte. É ao m esm o tem po sim ples e avassalador.

— Esse é m eu estúdio. - ele faz um a pausa e aponta para outra pintura. — Isso é arte. - aponta para o outro lado da sala. — É ai que você vai passar a m aior parte do tem po. Vai trabalhar na sala, fazendo telefonem as e com pras. Isso é o bastante.

Ele explica tudo tão casualm ente, com o se qualquer um fosse perfeitam ente capaz de criar algo dessa m agnitude. Descansa as m ãos no quadril e m e espera observar tudo.

— Quantos anos você tem ? - pergunto a ele.

Ele estreita seus olhos, m exe a cabeça ligeiram ente, antes de olhar para longe. — Vinte e um . - ele fala com o se sua idade o envergonhasse. É quase com o se ele não gostasse de ser tão j ovem e j á ter o que parece ser um a carreira de sucesso.

Eu teria im aginado que fosse m uito m ais velho. Seus olhos não se parecem com os olhos de um cara de vinte e um anos. Eles são escuros e profundos, e tenho um a súbita vontade de m ergulhar em suas profundezas para ver tudo o que ele j á viu. Olho para longe e coloco m inha atenção nos quadros. Cam inho em direção a pintura m ais próxim a de m im , sendo cada vez m ais consciente do talento por trás de cada pincelada. Quando chego, eu puxo a respiração.

 

Ela é de certa form a triste, de tirar o fôlego e bela, tudo de um a só vez. A pintura é de um a m ulher que parece abranger tanto am or com o vergonha e cada em oção única entre essas.

— O que você usa além de acrílico? - pergunto e dou um passo para m ais perto. Corro m eu dedo pela tela e ouço seus passos até m im . Ele faz um a pausa ao m eu lado, m as não consigo tirar os olhos da pintura tem po suficiente para olhar para ele.

— Eu uso várias coisas, de acrílico a tinta spray. Depende apenas da peça. Meus olhos são atraídos para um a folha de papel ao lado da pintura, aderido na parede. Leio as palavras estendidas através da folha.

“Às vezes m e pergunto se ser m orta é m ais fácil do que ser sua m ãe” Toco o papel e depois olho para a pintura.

— Um a confissão? - quando m e viro e o encaro seu sorriso brincalhão se foi. Seus braços se dobram sobre o peito com força e abaixa o queixo. Ele m e olha com o se estivesse nervoso com m inha reação. — Sim . - ele diz sim plesm ente.

Olho para a j anela e todos os pedaços de papeis que revestem o vidro. Meus olhos se m ovem ao redor da sala para todas as pinturas e noto tiras de papel coladas ao lado de cada um .

— São todas confissões. - digo em espanto. — São de pessoas reais? Pessoas que você conhece?

Ele balança a cabeça e se m ovim enta em direção a porta.

— Elas são todas anônim as. As pessoas deixam suas confissões naquela abertura ali, e eu as uso com o inspiração para m inha arte. Ando para o próxim o quadro e olho a confissão antes de olhar para a peça interpretada.

“Eu nunca deixei ninguém m e ver sem m aquiagem . Meu m aior m edo é com o vou m e parecer no m eu funeral. Estou quase certa que vou ser crem ada, porque m inhas inseguranças são tão profundas que irão m e seguir até o além . Obrigada por isso m ãe.”

Im ediatam ente m ovo m inha atenção para a pintura.

 

— É incrível. - sussurro, giro em torno tentando tom ar m ais do que ele criou. Ando até a j anela de confissões e encontro um a escrita realçada com tinta verm elha.

“Estou com m edo de nunca parar de com parar m inha vida sem ele a com o era m inha vida quando eu estava com ele.”

Eu não tenho certeza se estou m ais fascinada pelas confissões, a arte, ou o fato que sinto que posso m e identificar com tudo aqui. Eu sou um a pessoa m uito fechada. Raram ente partilho m eus verdadeiros pensam entos com qualquer pessoa, independente de quão útil possa ser para m im . Vendo todos esses segredos e ver que essas pessoas m ais que provavelm ente nunca

partilharam com alguém , e nunca farão, m e faz sentir um a conexão com essas pessoas. Um sentim ento que pertenço aqui.

De certa form a, o estúdio e as confissões m e fazem lem brar de Adam . “Diga algo sobre si m esm a que ninguém m ais sabe. Algo que eu possa guardar para m im .”

Odeio com o eu sem pre pareço estar am arrada a Adam , em tudo que vej o e faço, e m e pergunto se isso nunca vai acabar. Já se passaram cinco anos desde que o vi pela últim a vez. Cinco anos desde que ele m orreu. Cinco anos, e estou querendo saber, assim com o a confissão na m inha frente, se eu vou sem pre com parar m inha vida com ele a m inha vida sem ele. E m e pergunto se algum a vez não ficarei decepcionada.