Confess
Capítulo 2 · Owen
Ela está aqui. Bem aqui, em pé no m eu estúdio, olhando para m inha arte. Eu nunca pensei que eu iria vê-la novam ente. Eu estava tão convencido de que a possibilidade de nossos cam inhos se cruzarem era m ínim a, que eu nem m e lem bro da últim a vez que eu pensei nela.
Mas ela está aqui, j ustam ente de frente para m im . Eu quero perguntar- lhe se ela se lem bra de m im , m as eu sei que ela não se lem bra. Com o ela poderia quando nós nunca sequer conversam os?
Eu m e lem bro dela, no entanto. Lem bro-m e do som de sua risada, sua voz, seu cabelo, m esm o que seu cabelo costum asse ser m uito m ais curto. E m esm o que eu sentisse com o se eu a conhecesse naquela época, eu nunca realm ente dei um a boa olhada em seu rosto. Agora que eu estou vendo-a de perto, eu tenho que m e esforçar para não olhar tanto . Não por causa de sua beleza despretensiosa, m as porque é exatam ente com o eu im aginei que ela pareceria de perto. Eu tentei pintá-la um a vez, m as eu não conseguia m e lem brar o suficiente dela para term inar. Eu tenho a sensação de que posso tentar fazê-lo novam ente depois de hoj e à noite. E eu j á sei que vou cham ar o quadro de Mais de Um . Ela passa sua atenção para outro quadro e eu olho para longe antes que ela m e pegue olhando-a. Eu não quero que isso pareça m uito óbvio, que eu estou tentando descobrir quais cores m isturar para criar seu tom de pele único, ou se eu iria pintá-la com o cabelo para cim a ou para baixo. Há tantas coisas que eu deveria estar fazendo agora e não olhando para ela. O que eu deveria estar fazendo? Tom ar banho. Trocar de roupa. Preparar-m e para todas as pessoas que estão prestes a aparecer pelas próxim as duas horas.
— Eu preciso tom ar um banho rápido – eu digo. Ela se vira, rápido, com o se eu a assustasse.
— Sinta-se livre para olhar ao redor. Eu vou passar por cim a de todo o resto quando eu term inar. Não vai dem orar m uito.
Ela balança a cabeça e sorri, e pela prim eira vez que eu penso, em Hannah, a últim a garota que eu contratei para m e aj udar. Hannah, a m enina que não poderia lidar em ser a segunda na m inha vida. Hannah, a m enina que term inou com igo na sem ana passada.
Espero que Auburn não sej a com o Hannah.
Havia tantas coisas que eu não gostava nela, e não é assim que deve ser. Hannah m e decepcionava quando ela falava, por isso que passam os m uito do nosso tem po j untos sem falar. E ela sem pre, sem pre fez questão de m e dizer que o nom e dela, quando soletrado para trás, ainda era Hannah. — Um palíndrom o – eu falei a prim eira vez que ela m e disse. Ela olhou para m im , perplexa, e foi aí que eu soube que nunca poderia am á-la. Que desperdício de um palíndrom o ela era, essa Hannah.
Mas j á posso dizer que Auburn não é com o Hannah. Eu posso ver as cam adas de profundidade em seus olhos. Eu posso ver o j eito que m inha arte a transform a pela form a com o ela focaliza sobre ela, ignorando todo o resto ao seu redor. Espero que ela não sej a com o Hannah em tudo. Ela estava m elhor com as roupas de Hannah do que quando Hannah as vestia. Vestia. Outro palíndrom o.
Entro no banheiro e olho para as roupas dela, e eu j á quero voltar para ela lá em baixo. Eu quero dizer a ela que não im porta, que eu quero que ela use suas próprias roupas esta noite, não as roupas de Hannah. Eu quero que ela sej a ela m esm a, fique confortável, m as m eus clientes são ricos e da alta sociedade e eles esperam saias pretas e cam isas brancas. Não calça j eans azul e top rosa (é rosa ou verm elho) que m e faz pensar na Sra. Dennis, m inha professora de arte do colégio.
Sra. Dennis am ava a arte. Sra. Dennis tam bém am ava os artistas. E um dia, depois de ver o quão incrivelm ente talentoso com um pincel, ela pensou que eu fosse, a Sra. Dennis m e am ava. Sua cam isa era rosa ou verm elha, ou talvez am bos, naquele dia, e isso é o que eu m e lem bro quando eu olho para baixo para a cam isa de Auburn,
Ela não era um palíndrom o, m as o seu nom e escrito ao contrário ainda era m uito j usto, porque Dennis = Pecado, e isso é precisam ente o que nós fizem os. Pecam os por um a hora inteira. Ela m ais do que eu. E não pense que não foi um a confissão transform ada em um quadro. Ele foi um dos prim eiros que eu j á vendi. Eu o cham ei Ela Pecou Com igo. Aleluia. Mas, infelizm ente, eu não quero pensar sobre o colégio ou a Sra. Dennis ou Palíndrom o Hannah, porque eles são o passado e este é o presente, e Auburn é... de certo m odo am bos. Ela ficaria chocada se ela soubesse o quanto de seu passado tem afetado o m eu presente, e é por isso que eu não vou com partilhar a verdade com ela. Alguns segredos nunca devem se transform ar em confissões. Eu sei disso m elhor do que ninguém .
Eu não tenho certeza do que fazer com o fato de que ela sim plesm ente apareceu na m inha porta, com os olhos arregalados e calm os, porque eu não sei m ais em que acreditar. Meia hora atrás eu acreditava em coincidências e casualidade. Agora? A ideia de que ela está aqui por um a sim ples coincidência é risível.
Quando eu faço a volta escada abaixo, ela está de pé parada im óvel, olhando para o quadro que eu cham o Você Não Existe, Deus. E Se Você Existisse, Você Deveria Ter Vergonha.
Eu não era o único que o nom eou, é claro. Eu nunca sou o único que nom eia os quadros. Estão todos rotulados pelas confissões anônim as que os inspiram . Eu não sei por que, m as esta confissão m e inspirou para pintar a m inha m ãe. Não com o eu m e lem bro dela, m as com o eu im aginava que ela era quando tinha a m inha idade. E a confissão não m e lem bra dela por causa de seus pontos de vista religiosos. As palavras só m e fazem lem brar com o eu m e sentia nos m eses seguintes à sua m orte.
Eu não tenho certeza se Auburn acredita em Deus, m as algo sobre este quadro a atinge. Um a lágrim a rola pelo seu rosto e desliza lentam ente em direção a sua m andíbula.
Ela m e ouve, ou talvez ela m e vej a ficar ao seu lado, porque ela lim pa seu rosto com as costas da m ão e respira. Ela parece envergonhada de ter se conectado com esta peça. Ou talvez ela estej a apenas envergonhada de que eu a vi se conectar com ela.
Em vez de perguntar o que ela pensa do quadro, ou por que ela está chorando, eu só olho para o quadro com ela. Eu tive este por m ais de um ano e apenas ontem decidi colocá-lo na exibição de hoj e. Eu não costum o m antê-los por tanto tem po, m as por razões que eu não entendo, este foi m ais difícil de desistir do que o resto. Eles são todos difíceis de desistir, alguns m ais do que outros. Talvez eu tenha m edo de que um a vez que deixem m inhas m ãos, os quadros vão ser m al interpretados. Desvalorizados.
— Esse foi um banho rápido. – diz ela.
Ela está tentando m udar de assunto, m esm o que não estivéssem os falando em voz alta. Nós dois sabem os que m esm o que tenham os estado quietos, o assunto para os últim os m inutos foi às lágrim as e o que as levou e por que você am a m uito esta peça, Auburn?
— Eu tom o banho rápido. – eu digo, e percebo que a m inha resposta é inexpressiva e por que eu ainda estou tentando ser im pressionante? Viro-m e e a encaro e ela faz o m esm o, m as não antes de olhar para os pés em prim eiro lugar, porque ela ainda está envergonhada que eu a vi se conectar com a m inha arte. Adoro que ela olhou para seus pés em prim eiro lugar, porque eu am o que ela estej a envergonhada. Para ficar envergonhada, um a pessoa tem de se preocupar com as opiniões dos outros em prim eiro lugar. Isso significa que ela se preocupa com a m inha opinião, m esm o que apenas um pouco. E eu gosto disso, porque eu, obviam ente, m e preocupo com a opinião dela sobre m im , ou eu não estaria secretam ente esperando que ela não faça ou diga qualquer coisa que m e faça lem brar o Palíndrom o Hannah. Ela gira ao redor, lentam ente, e eu tento pensar em algo m ais im pressionante para dizer para ela. Não é tem po suficiente, no entanto, porque seus olhos estão de volta nos m eus e parece que ela está esperando que eu sej a a pessoa confiante e sej a a prim eira a falar.
Eu vou falar prim eiro, em bora eu não ache que confiança tem algum a coisa a ver com isso.
Eu olho para o m eu pulso para verificar a hora — Eu nem estou usando um relógio – e eu rapidam ente arranho um a coceira inexistente. — Abrim os em quinze m inutos, então eu deveria explicar com o as coisas funcionam .
Ela expira, parecendo m ais aliviada e descontraída do que ela estava antes que a sentença saísse da m inha boca. — Parece bom – ela diz. Eu ando para Você Não Existe, Deus e aponto para a confissão gravada na parede. — As confissões são tam bém os títulos das peças. Os preços estão escritos no verso. Tudo que você fará é trazer a com pra, tê-las preenchidas num cartão com as inform ações para a entrega do quadro, e anexar a confissão para o cartão de entrega, então eu vou saber para onde enviá-la. Ela balança a cabeça e olha para a confissão. Ela quer vê-la, então eu a tiro da parede e entrego para ela. Eu vej o com o ela lê a confissão de novo antes de lançar o cartão.
— Você acha que as pessoas nunca com pram suas próprias confissões? Eu sei que eles com pram . Pessoas adm itiram para m im que eles são os únicos que escreveram a confissão. — Sim , m as eu prefiro não saber.
Ela olha para m im com o se eu fosse louco, m as tam bém com fascínio, então eu aceito isso.
— Por que você não quer saber? – Ela pergunta. Eu dou de om bros e seus olhos caem para m eus om bros e talvez fiquem no m eu pescoço. Isso m e faz pensar o que ela está pensando quando ela olha para m im assim .
— Sabe quando você ouve um a banda no rádio e você tem essa visão deles na sua cabeça? – Eu pergunto. — Mas, então, você vê um a foto ou um vídeo deles e não é nada com o você pensou? Não necessariam ente m elhor ou pior do que você im aginou apenas diferente?
Ela balança a cabeça em com preensão.
— Isso é o que acontece quando eu term ino um quadro e alguém m e diz que sua confissão o inspirou. Quando estou pintando, eu crio um a história na m inha cabeça do que inspirou a confissão e de quem ela veio. Mas quando eu descubro que a im agem que eu tinha enquanto a pintava não se encaixa na im agem real que está na m inha frente, de algum a form a invalida a arte para m im . Ela sorri e olha para seus pés novam ente. — Há um a m úsica cham ada 'Hold On' da banda Alabam a Shakes – ela diz, explicando o m otivo por trás de suas bochechas coradas. — Eu escutei essa m úsica há m ais de um m ês antes de eu ver o vídeo e perceber que o cantor era um a m ulher. Fale de um a m ente- fodida. Eu ri. Ela entende exatam ente o que eu estou dizendo, e eu não consigo parar de sorrir, porque conheço a banda, e acho que é difícil acreditar que alguém poderia pensar que o cantor era um hom em . — Ela diz seu próprio nom e na m úsica, não é?
Ela encolhe os om bros e agora eu estou olhando para o seu om bro. — Eu pensei que ele estava se referindo a outra pessoa – ela diz, ainda cham ando a cantora com o ele m esm o que ela saiba que é ela agora. Seus olhos voltam distante, e ela anda em volta de m im em direção ao balcão. Ela ainda está segurando a confissão em sua m ão, e eu a deixei segurá-la. — Algum a vez você j á pensou em perm itir que as pessoas com prem de form a anônim a?
Eu cam inho para o lado oposto do balcão e eu m e inclino para frente, m ais perto dela. — Não posso dizer que eu tenho.
Ela passa os dedos sobre o contador, a calculadora, as cartas de inform ações, m eus cartões de visita. Ela pega um . Ela vira de um lado a outro. — Você deve colocar confissões no verso destes.
Assim que essas palavras deixam sua boca, seus lábios pressionam em um a linha apertada. Ela acha que eu estou insultado por suas sugestões, m as eu não estou. — Com o ele iria m e beneficiar se as com pras forem anônim as? — Bem – diz ela, pisando com cuidado — se eu fosse um a das pessoas que escreveu um deles – ela m antém a confissão em sua m ão — Eu ficaria com vergonha de com prá-lo. Eu teria m edo de que você saberia que era eu quem a escreveu.
— Eu acho que é raro que as pessoas que escreveram a confissão realm ente virem para um a exibição.
Ela m e dá a confissão, finalm ente, em seguida, cruza os braços sobre o balcão. — Mesm o que eu não escreva a confissão, eu ficaria com vergonha de com prar a pintura por m edo de você supor que eu a escrevi. Ela faz um bom ponto.
— Eu acho que as confissões adicionam um elem ento de realidade para seus quadros que não podem ser encontrados em outras artes. Se um a pessoa entra em um a galeria e vê um quadro eles se conectam , eles podem com prá-lo. Mas se um a pessoa entra em sua galeria e vê um quadro ou um a confissão e eles se conectam , essa pessoa pode não querer se conectar com ele. Mas eles fazem . E eles estão envergonhados que se conectam com um quadro sobre um a m ãe adm itir que ela possa não am ar o seu próprio filho. E se eles entregam o cartão de confissão para quem vai telefonar para a sua com pra, eles estão dizendo essencialm ente a essa pessoa, ‘Eu m e conecto com esta horrível adm issão de culpa.
Eu poderia estar adm irado com ela, e eu tento não olhar para ela com tanta fascinação óbvia. Eu m e endireito, m as não posso abalar a súbita vontade de hibernar dentro de sua cabeça. Estim ular seus pensam entos. — Você fez um bom argum ento.
Ela sorri para m im . — Quem está discutindo?
Nós não. Definitivam ente, nós não.
— Então, vam os fazê-lo, então – eu digo a ela. — Nós vam os colocar um núm ero abaixo de cada pintura e as pessoas podem trazer-lhe o núm ero em vez do cartão da confissão. Vai dar-lhes um a sensação de anonim ato. Eu observo cada pequeno detalhe de sua reação quando eu ando ao redor do balcão em direção a ela. Ela se anim a e puxa um pequeno suspiro. Chego ao redor dela e pego um pedaço de papel, e depois atrás dela para pegar a tesoura. Eu não faço contato visual com ela quando faço estas coisas tão perto dela, m as ela está olhando para m im , quase com o se ela estivesse disposta tam bém . Eu olho em volta da sala e com eço a contar os quadros quando ela interrom pe e diz: — Há vinte e dois. – Ela quase parece envergonhada por saber quantos quadros há, porque ela olha para longe e lim pa a garganta. — Eu os contei m ais cedo... Enquanto você estava no banho. – Ela pega a
tesoura de m inhas m ãos e com eça a cortar o papel. — Você tem um m arcador preto?
Eu recupero um e o coloco sobre o balcão. — Por que você acha que eu preciso de confissões em m eus cartões de visita?
Ela continua m eticulosam ente cortando os quadrados, enquanto ela m e responde. — As confissões são fascinantes. Ela define seu estúdio para além de todo o resto. Se você tem confissões sobre seus cartões de visita, vai despertar o interesse.
Ela está certa novam ente. Eu não posso acreditar que eu não pensei nisso ainda. Ela deve ser um a grande em presária. — O que você faz para ganhar a vida, Auburn?
— Eu corto cabelo em um salão de beleza a poucos quarteirões de distância. – A resposta dela carece de orgulho e isso m e deixa triste por ela. — Você deveria ser um a grande em presária.
Ela não responde, e tenho m edo de que eu possa ter apenas insultado sua profissão. — Não é que cortar cabelo sej a algo que você não deva se orgulhar – eu digo. — Eu só acho que você tem um cérebro para negócios. – Eu pego o m arcador preto e com eço a escrever os núm eros nos quadrados, do 1 até o 22, porque é a quantidade de quadros que ela disse estar pendurada e eu acredito nela o suficiente para não recontar .
— Quantas vezes você abre? – Ela ignora com pletam ente o m eu insulto / elogio a respeito de sua profissão.
— Prim eira quinta-feira de cada m ês.
Ela olha para m im , perplexa. — Apenas um a vez por m ês? Concordo com a cabeça. — Eu disse que isso não é realm ente um a galeria de arte. Eu não exponho outros artistas, e eu fico raram ente aberto. É apenas algo que eu com ecei a fazer há alguns anos atrás e ele decolou, especialm ente depois que eu consegui exibir na prim eira página no ano passado no Dallas Morning News. Eu faço bem o suficiente em um a noite eu estou aberto para ganhar a vida.
— Bom para você – ela disse, realm ente im pressionada. Eu realm ente nunca tentei ser im pressionante antes, m as ela m e fez um pouco orgulhoso de m im m esm o.
— Você sem pre tem um núm ero definido de quadros disponíveis? Eu am o que ela está tão interessada.
— Não. Um a vez, cerca de três m eses atrás, eu abri com apenas um quadro. Ela se vira e m e enfrenta. — Por que som ente um ? Eu dou de om bros, j ogando longe. — Eu não estava m uito inspirado para pintar aquele m ês.
Isso não é inteiram ente verdade. Foi quando com ecei a ver Palíndrom o Hannah, e a m aior parte do m eu tem po foi gasto dentro dela naquele m ês, tentando m e concentrar em seu corpo e ignorar o fato de que eu não ligava tanto para sua m ente. Em bora Auburn não precise saber de nada disso. — Qual foi a confissão?
Eu olho para ela interrogativam ente, porque eu não tenho certeza do que ela está falando.
— O único quadro que você fez naquele m ês – ela esclarece. — Qual foi à confissão que o inspirou?
Eu penso novam ente naquele m ês e volto para a única confissão que eu parecia querer pintar. Mesm o que ele não fosse a m inha confissão, de algum a form a parecia que era agora que ela está m e pedindo para lhe dizer o que m inha única inspiração foi para esse m ês inteiro.
— O quadro foi cham ado Quando Eu Estou Com Você, Eu Penso Em Todas As Grandes Coisas que Eu Poderia Ser Se Eu Estivesse Sem Você. Ela m antém seu foco em m im e as sobrancelhas estão franzidas com o se ela estivesse tentando com preender a m inha história através desta confissão. Sua expressão relaxa e continua caindo até que ela parece perturbada. — Isso é m uito triste – diz ela.
Ela olha para longe, ou para esconder que esta confissão a incom odava ou para esconder que ela ainda está tentando m e decifrar através da confissão. Ela olha para alguns dos quadros m ais próxim os de nós, para que não estej a olhando diretam ente para m im . Estam os j ogando um j ogo de esconde-esconde e os quadros são a origem , ao que parece.
— Você deve ter estado extrem am ente inspirado este m ês, porque vinte e dois é um núm ero grande. Isso é quase um quadro por dia. Quero dizer: — Basta esperar até o próxim o m ês – m as não digo. — Alguns deles são quadros antigos. Eles não foram todos feitos este m ês. – Eu chego ao seu redor m ais um a vez, para a fita neste m om ento, m as é diferente. É diferente porque eu acidentalm ente toco seu braço com a m inha m ão, e eu realm ente não a tinha tocado até agora. Mas nós definitivam ente acabam os de fazer contato, e ela é absolutam ente real, e eu seguro com um a força adicional a fita.
Quero dizer: — Você sentiu isso tam bém ? – Mas eu não posso, porque consigo ver os arrepios correr até seu braço. Eu quero largar a fita e tocar um a dessas colisões m inúsculas que sua pele acabou de criar. Ela lim pa a garganta e dá um passo rápido de volta para a expansividade da sala e longe da nossa proxim idade.
Eu respiro, aliviado pelo espaço que ela acabou de colocar entre nós. Ela parece desconfortável, e honestam ente, eu estava ficando desconfortável, porque eu ainda estou tentando dom inar m inha m ente em torno do fato de que ela está realm ente aqui.
Se eu tivesse que adivinhar, diria que ela é um a pessoa introvertida. Alguém que não está acostum ada a estar perto de outras pessoas, m uito m enos as pessoas que são com pletam ente estranhas para ela. Ela se parece m uito com igo. Um a solitária, um a pensadora, um a artista com sua vida. E parece que ela tem m edo que eu altere sua tela se ela m e perm itir ficar perto. Ela não precisa se preocupar. O sentim ento é m útuo. Nós passam os os próxim os quinze m inutos pendurando os núm eros abaixo de cada pintura. Eu vej o com o ela escreve o nom e de cada confissão em um pedaço de papel e o correlaciona com o seu núm ero. Ela age com o se j á tivesse feito isso um m ilhão de vezes. Eu acho que ela poderia ser um a daquelas pessoas que são boas em tudo que fazem . Ela tem um talento para a vida. — As pessoas sem pre aparecem para estas coisas? – Ela pergunta enquanto cam inham os de volta para o balcão. Eu am o o fato de que ela não tem ideia sobre o m eu estúdio ou m inha arte.
— Venha aqui. – Eu ando em direção à porta da frente, sorrindo para a sua inocência e curiosidade. Isso m e trás um sentim ento nostálgico da prim eira noite que eu abri há m ais de três anos. Ela traz de volta um pouco daquela excitação, e eu desej o que possa ser sem pre assim .
Quando chegam os à porta da frente, eu m e afasto das confissões para que ela possa dar um a olhada lá fora. Eu vej o que seus olhos se arregalam quando ela tom a a linha das pessoas que sei que estão de pé na porta. Isso nem sem pre costum ava ser assim . Desde a exibição de prim eira página no ano passado, de boca em boca tem aum entado a quantidade do m ovim ento e eu ganho, e eu tenho m uita sorte.
— Exclusividade – ela sussurra, dando um passo para trás. Coloco a confissão de volta para a j anela. — O que você quis dizer? — É por isso que você faz tão bem . Porque você restringe a quantidade de dias que você está aberto e você só pode fazer m uitos quadros em um m ês. Faz sua arte valer m ais para as pessoas.
— Você está dizendo que eu não pinto bem por causa do m eu talento? – Eu sorrio quando digo isso para que ela saiba que eu só estou brincando. Ela em purra m eu om bro de brincadeira. — Você sabe o que eu quero dizer. Eu quero que ela em purre m eu om bro novam ente, porque eu am ei o j eito que ela sorriu quando fez isso, m as em vez disso ela se vira e enfrenta o piso am plo do estúdio. Ela desenha em um a respiração lenta. Isso m e faz pensar se vendo todas as pessoas do lado de fora a tenha deixado nervosa. — Está pronta?
Ela balança a cabeça e força um sorriso. — Pronta. Eu abro as portas e as pessoas com eçam a se espalhar dentro. Há um a grande m ultidão hoj e à noite e durante os prim eiros vários m inutos, eu m e
preocupo que isso vá intim idá-la. Mas, independentem ente da sua calm a e um pouco de tim idez de quando ela apareceu aqui pela prim eira vez, ela agora parece exatam ente o oposto. Ela é florescente, com o se ela estivesse de algum a form a em seu elem ento, quando essa provavelm ente não é um a situação que ela j á esteve antes.
Eu não saberia isso apenas observando-a .
Para a prim eira m eia hora, ela se m istura com os convidados e discute a arte e algum as das confissões. Eu reconheço alguns rostos, m as a m aioria deles são pessoas que eu não conheço. Ela age com o se ela conhecesse todos eles. Ela finalm ente cam inha de volta para o balcão quando vê alguém puxar o núm ero cinco para baixo. Núm ero cinco correlaciona com o quadro rotulado Eu Fui Para A China Por Duas Sem anas Sem Dizer A Ninguém . Quando Voltei, Ninguém Percebeu Que Eu Tinha Ido.
Ela sorri para m im do outro lado da sala, enquanto ela está fechando a sua prim eira transação. Eu continuo trabalhando a m ultidão, m isturando, o tem po todo olhando para ela com o canto do m eu olho. Hoj e à noite, o foco de todos está na m inha arte, m as m eu foco é sobre ela. Ela é a peça m ais interessante nesta sala.
— Será que o seu pai estará aqui esta noite, Owen? Eu olho para longe dela o tem po suficiente para responder à pergunta do Juiz Corley com um aceno de cabeça. — Ele não pode fazê-lo esta noite – eu m into. Se eu fosse um a prioridade em sua vida, ele teria vindo . — Isso é um a vergonha – diz o Juiz Corley. — Eu estou redecorando m eu escritório, e ele sugeriu para eu parar e verificar o seu trabalho. Juiz Corley é um hom em com um a altura de 1.70m , m as um ego duas vezes m ais alto. Meu pai é advogado e passa m uito tem po no tribunal no centro da cidade, onde está o gabinete do Juiz Corley. Eu sei disso porque
m eu pai não é um fã do Juiz Corley, e apesar da dem onstração de interesse do Juiz Corley, eu tenho certeza que ele não é um fã do m eu pai. “Am igos de aparências”. É o que eu cham o. Quando a sua am izade é apenas um a fachada e vocês são inim igos por dentro. Meu pai tem um m onte de am igos de aparência. Eu acho que é um efeito colateral de ser um advogado. Eu não tenho nenhum . E não quero nenhum .
— Você tem um talento excepcional, em bora eu não tenha certeza se é m uito do m eu gosto – diz o Juiz Corley, m ovendo-se em torno de m im para ver outro quadro.
Um a hora passa rápido. Ela tem estado ocupada a m aior parte do tem po, e m esm o quando ela não está ela encontra algo para fazer. Ela não apenas se senta atrás do balcão e olha entediada com o Palíndrom o Hannah fazia. Hannah aperfeiçoou a arte do tédio, lixando m uito as unhas durante as duas exibições que ela trabalhou para m im , eu estou surpreso que ela ainda tenha unhas no final de tudo.
Auburn não parece entediada. Parece que ela está se divertindo. Sem pre que não há alguém no balcão, ela está entretendo e se m isturando e sorrindo das piadas que eu sei que ela acha que são chatas.
Ela vê o Juiz Corley se aproxim ar da m esa com um núm ero. Ela sorri para ele e diz algum a coisa, m as ele só resm unga. Quando ela olha para o núm ero, eu vej o um a certa careta em seus lábios, m as ela rapidam ente em purra-a com um sorriso falso. Seus olhos se encontram brevem ente ao quadro rotulado Você não existe, Deus... E eu im ediatam ente com preendo o olhar em seu rosto. Juiz Corley está com prando a pintura e ela sabe, bem com o eu, que ele não m erece isso. Eu rapidam ente faço m eu cam inho para o balcão. — Houve um m al-entendido.
Juiz Corley olha para m im , irritado, e Auburn olha para m im com surpresa. Eu tom o o núm ero de sua m ão. — Este quadro não está à venda.
Juiz Corley bufa e aponta para o núm ero na m inha m ão. — Bem , o núm ero ainda estava na parede. Eu pensei que isso significava que estava a venda. Eu coloquei o núm ero no m eu bolso. — Foi vendido antes de abrirm os. – eu digo. — Eu acho que eu m e esqueci de anotar o núm ero. – Eu aceno em direção ao quadro atrás dele. Um pouco para esquerda. — Seria algo parecido com este trabalho para você?
Juiz Corley revira os olhos e coloca sua carteira de volta no bolso. — Não, ele não. – diz ele. — Eu gostei do laranj a no outro quadro. Ele coincide com o couro no m eu sofá do escritório.
Ele gosta dele pelo laranj a. Graças a Deus eu o salvei dele. Ele faz um gesto para um a m ulher que estava a vários m etros de distância e ele com eça a cam inhar em direção a ela. — Ruth – diz ele — Vam os parar na Pottery Barn am anhã. Não há nada aqui que eu goste. Eu vej o com o eles saem , em seguida, viro e enfrento Auburn novam ente. Ela está sorrindo. — Não poderia deixá-lo levar seu bebê, você poderia? Deixo escapar um suspiro de alívio. — Eu nunca teria m e perdoado. Ela olha atrás de m im para alguém se aproxim ando, então eu passo para o lado e a deixo trabalhar com sua m agia. Mais m eia hora passa e a m aioria dos quadros foi com prada quando a últim a pessoa sai para a noite. Eu tranco a porta atrás dele.
Eu m e viro e ela ainda está de pé atrás do balcão, organizando as vendas. O sorriso dela é enorm e e ela não está tentando escondê-lo em tudo. Sej a qual for o estresse que ela cam inhava por este estúdio, não é o que a aflige agora. Neste m om ento, ela está feliz e é inebriante. — Você vendeu dezenove! – Diz ela, quase com o um grito. — OMG, Owen. Você se dá conta de quanto dinheiro você acabou de conseguir? E você percebe que eu usei apenas suas iniciais na m inha frase? Eu rio porque sim , eu percebi o quanto de dinheiro eu consegui, e sim , eu percebi que ela apenas usou as m inhas iniciais em um a frase. Mas tudo bem , porque ela está adorável fazendo isso. Ela tam bém deve ter um a capacidade natural para realizar negócios, porque eu posso dizer honestam ente que eu nunca vendi dezenove quadros em um a noite.
— Então? – pergunto esperançoso de que esta não será a últim a vez que ela m e aj uda. — Você está ocupada no próxim o m ês? Ela j á está sorrindo, m as a m inha oferta de em prego faz com que seu sorriso sej a ainda m aior. Ela balança a cabeça e olha para m im . — Eu nunca estou ocupada quando se trata de um a centena de dólares por hora. Ela está contando o dinheiro, separando as contas em pilhas. Ela pega duas das notas de cem dólares e as segura para cim a, sorrindo. — Estes são os m eus. – Ela os dobra e guarda-os no bolso da frente de sua cam isa (ou do Palíndrom o Hannah).
Meu alto da noite com eça a se desvanecer no m om ento em que eu percebo que ela está acabando, e eu não sei com o prolongar o tem po entre nós. Eu não estou pronto para ela sair ainda, m as ela está colocando o dinheiro em um a gaveta e em pilhando os pedidos em um a pilha em cim a do balcão. — É depois das nove – eu digo. — Você provavelm ente está m orrendo de fom e. Eu uso isso com o um a abertura para ver se ela quer algum a coisa para com er, m as seus olhos arregalam im ediatam ente e seu sorriso desaparece. — É, j á depois das nove? – Sua voz é cheia de pânico e ela rapidam ente se vira e
corre para as escadas. Ela leva-os dois de um a vez; Eu não tinha ideia de que ela era capaz de exibir tanta urgência.
Espero que ela venha correndo de volta com a m esm a pressa, m as ela não o faz, então eu faço o m eu cam inho em direção às escadas. Quando eu chego ao últim o degrau, eu posso ouvir a voz dela.
— Eu sinto m uito – diz ela. — Eu sei, eu sei.
Ela fica em silêncio por vários segundos e, em seguida, ela suspira. — Ok. Tudo bem , eu vou falar com você am anhã.
Quando a cham ada chega ao fim , eu subo as escadas, curioso pra saber que tipo de telefonem a poderia deixar um a pessoa em pânico. Eu a vej o, sentada tranquilam ente no bar, olhando para o telefone em suas m ãos. Vej o-a enxugar a segunda lágrim a da noite, e eu im ediatam ente não gosto de quem estava na outra extrem idade dessa cham ada. Eu não gosto da pessoa que a fez se sentir desta form a, quando há poucos m inutos atrás, ela não conseguia parar de sorrir. Ela coloca seu telefone virado para baixo no bar, quando ela m e percebe em pé no topo da escada. Ela não tem certeza se eu vi aquela lágrim a de agora — Eu vi – ela força um sorriso. — Desculpe por isso – diz ela. Ela é m uito boa em esconder suas verdadeiras em oções. Tão boa, que é assustador.
— Está tudo bem – eu digo.
Ela se levanta e olha em direção ao banheiro. Ela está prestes a sugerir que é hora de trocar de roupa e ir para casa. Estou com m edo, se ela fizer isso, eu nunca vou vê-la novam ente.
Tem os o m esm o nom e do m eio. Isso poderia ser o destino, você sabe. — Eu tenho um a tradição – eu digo a ela. Eu estou m entindo, m as ela parece ser o tipo de garota que não gostaria de quebrar a tradição de um cara.
– Meu m elhor am igo é um bartender do outro lado da rua. Eu sem pre vou tom ar um a bebida com ele depois que m inhas exposições são encerradas. Eu quero que você venha com igo.
Ela olha para o banheiro m ais um a vez. Com base em sua hesitação, só posso concluir que ou ela não frequenta bares ou ela apenas não está certa se ela quer ir com igo.
— Eles tam bém servem com ida – eu digo, tentando m inim izar o fato de que eu só pedi a ela para ir a um bar para tom ar um a bebida. — Aperitivos, principalm ente, m as eles são m uito bons e eu estou m orrendo de fom e. Ela deve estar com fom e porque seus olhos se ilum inam quando m enciono aperitivos. — Será que eles têm palitos de queij o? – Ela pergunta. Eu não tenho certeza se eles têm palitos de queij o, m as eu vou dizer qualquer coisa neste m om ento apenas para passar m ais alguns m inutos com ela. — O m elhor da cidade.
Mais um a vez, sua expressão é hesitante. Ela olha para o telefone em suas m ãos e, em seguida, olha para trás de m im . — Eu... – Ela m orde o lábio inferior, envergonhada. — Eu provavelm ente devo ligar para m inha colega de quarto prim eiro. Só para deixá-la saber onde estou. Norm alm ente estou em casa agora. — É claro.
Ela olha para o telefone e disca um núm ero. Ela espera que a outra pessoa atenda.
— Ei – diz ela ao telefone. — Sou eu. – Ela sorri para m im tranquilizadora. — Eu vou chegar tarde hoj e à noite, eu estou indo beber com alguém . – Ela faz um a pausa por um segundo e, em seguida, olha para m im com um a expressão torcida. — Hum ... Sim , eu acho. Ele está bem aqui. Ela segura o telefone na m inha direção. — Ela quer falar com você.
Dou um passo em direção a ela e tom o o telefone. — Olá?
— Qual é seu nom e? – A garota do outro lado da linha diz. — Owen Gentry.
— Onde você está levando m inha colega de quarto? Ela está m e cozinhando em um tom m onótono, voz autoritária. — Para o Bar do Harrison.
— Que horas ela estará em casa?
— Eu não sei. Um par de horas a partir de agora, talvez? – Eu olho para Auburn para confirm ação, m as ela só dá de om bros.
— Cuide dela – diz ela. — Eu estou dando a ela um a frase secreta para usar se ela precisar m e pedir aj uda. E se ela não m e cham ar à m eia-noite para m e deixar saber que ela está em casa segura, eu vou cham ar a polícia e relatar seu assassinato.
— Hum ... ok – eu digo, com um a risada.
— Deixe-m e falar com Auburn novam ente – diz ela. Eu entrego o telefone de volta para Auburn, um pouco m ais nervoso do que antes. Eu posso dizer com a expressão confusa em seu rosto que ela está ouvindo sobre a regra da frase secreta pela prim eira vez. Eu estou supondo que ela e essa colega de quarto não têm vivido j untas por m uito tem po. — O quê?! – Auburn diz ao telefone. — Que tipo de frase secreta é ‘lápis de pau’? Ela dá um tapa com sua m ão sobre sua boca e diz: — Desculpe – depois de acidentalm ente dizer abruptam ente. Ela está um pouco m ais calm a, em seguida, seu rosto se contorce em confusão. — Falando Sério? Por que você não pode escolher palavras norm ais, com o passas ou arco-íris? – Ela balança a cabeça com um a risada silenciosa. — Ok. Eu vou cham á-la à m eia- noite. Ela term ina a cham ada e sorri. — Em ory. Ela é um pouco estranha. – balanço a cabeça, concordando com a parte estranha. Ela aponta para o banheiro. — Posso m e trocar prim eiro?
Digo-lhe para ir em frente, aliviado que ela estará de volta dentro das roupas que eu a encontrei. Quando ela desaparece no banheiro, eu pego m eu celular e envio um a m ensagem ao Harrison.
Eu: Eu estou indo para um drinque. Você serve palitos de queij o? Harrison: Não.
Eu: Faça-m e um favor. Quando eu pedir palitos de queij o, não diga que não está no cardápio. Apenas diga que eles acabaram .
Harrison: Ok. Pedido estranho, m as que sej a.