Confess

Colleen Hoover · Capítulo 6 de 25

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Confess

Capitulo 4 · Owen

Se eu voltasse a ter onze anos de novo, eu apertaria a m inha bola Magic 8 e faria perguntas tolas com o, “Auburn Mason Reed gosta de m im ? Ela acha que sou bonito?”

E eu posso fazer suposições com base no m odo com o ela está olhando para m im agora, m as espero que a resposta sej a “Definitivam ente sim ”. Continuam os cam inhando para longe do bar, em direção a seu apartam ento, e considerando que está a vários quarteirões de distância, eu posso parar de pensar em perguntas tolas e tentar com eçar a conhecê-la m elhor. A única coisa que tenho vontade de saber, desde que a vi na frente do m eu estúdio, é porque que ela voltou para o Texas.

— Você nunca m e disse porque se m udou para o Texas. Ela parece alarm ada com m eu com entário, m as não sei o porquê. — Nunca te disse que não sou do Texas.

Eu sorrio para encobrir m eu erro. Eu não deveria saber que ela não é do Texas, e até onde ela sabe, eu não sei nada sobre ela além do que m e disse essa noite. Faço m eu m elhor para esconder o que realm ente está passando pela m inha cabeça, porque se eu fosse j ogar lim po com ela agora, ia parecer que estou escondendo algo pelo resto da noite. Eu estou, m as é tarde dem ais para adm itir isso agora.

— Você nem precisou m e dizer. Seu sotaque disse. Ela m e olha de perto, e posso dizer que ela não vai responder m inha perguntar, então penso num a pergunta diferente para substituir aquela, m as a que vem é ainda m ais precipitada.

— Você tem nam orado?

Ela rapidam ente olha para longe e m eu coração parece ter sido picado, porque por algum m otivo, ela parece se sentir culpada. Suponho que isso quer dizer que ela tem nam orado, e a dança que com partilham os não deve acontecer com garotas que tem nam orados.

— Não.

Meu coração instantaneam ente se sente m elhor. Eu sorrio de novo, m ais ou m enos pela m ilésim a vez desde que a vi na m inha porta hoj e à noite. Não sei se ela sabe disso de m im ainda, m as dificilm ente sorrio. Espero ela m e perguntar tam bém , m as ela fica quieta.

— Você não vai m e perguntar se eu tenho nam orada? Ela ri. — Não. Ela term inou com você sem ana passada. Oh sim . Me esqueci que j á falam os disso.

— Sorte m inha.

— Isso não é m uito legal. - ela diz fazendo careta. — Tenho certeza que foi um a decisão difícil para ela.

Eu discordo, balançando a cabeça.

— Foi um a decisão fácil para ela. É um a decisão fácil para todas. Ela pausa por um segundo ou dois, e olha para m im com cautela antes de com eçar a andar de novo.

— Todas elas?

Sei que isso não m e fez soar bem , m as não vou m entir para ela. Além do m ais, se eu disser a verdade, ela pode continuar confiando em m im e m e fazer m ais perguntas.

— Sim . Eu j á term inei com várias.

Ela aperta os olhos torce seu nariz com a m inha resposta. — Por que você acha que é, Owen?

Eu tento am enizar a dureza da afirm ação prestes a sair da m inha boca, falando m ais suave, m ais não é um fato que quero necessariam ente adm itir para ela. — Eu não sou um bom nam orado.

Ela olha para longe, provavelm ente não querendo que eu vej a a decepção em seus olhos.

— O que faz de você um nam orado ruim ?

Eu tenho certeza que existem várias razões, m as vou m e focar nas m ais óbvias. — Eu coloco m uitas coisas antes dos m eus relacionam entos. Para a m aioria das garotas, não ser a prioridade é um bom m otivo para term inar as coisas. Eu olho para ela para ver se ainda está franzindo a testa ou se está m e j ulgando. Em vez disso, ela tem um olhar pensativo em seu rosto e está concordando.

— Então Hannah term inou com você porque não tinha m ais tem po para ela? — Isso é o que resum e, sim .

— Quanto tem po você dois estavam j untos? — Não m uito. Alguns m eses. Talvez três.

— Você a am ava?

Eu quero olhar para ela, para ver o olhar em seu rosto depois de m e perguntar isso, m as não quero que vej a o m eu. Não quero que ela pense que m inha careta significa que estou com o coração partido, porque não estou. Se for algum a coisa, seria que estou triste de não am á-la.

— Acho que am or é um a palavra difícil de definir. - digo a ela. — Você pode am ar um m onte de coisas em um a pessoa, m as ainda não am a a pessoa inteira. — Você chorou?

Sua pergunta m e fez rir.

— Não, eu não chorei. Fiquei irritado. Eu m e envolvo com garotas que dizem que podem lidar com o fato de que preciso m e isolar de vez em quando por um a sem ana. Então, quando realm ente acontece, gastam os o tem po que estam os j untos lutando sobre com o am o m ais m inha arte do que elas. Ela se vira e cam inha para trás para pegar m eu olhar. — Você am a? Am a sua arte m ais?

Olho para ela dessa vez.

— Absolutam ente.

Seus lábios se enrolam num sorriso hesitante, e não sei por que essa resposta a agrada. Isso perturba a m aioria das pessoas. Eu deveria ser capaz de am ar as pessoas m ais do que am o criar, m as até agora isso não aconteceu ainda. — Qual a m elhor confissão anônim a que você j á recebeu? Nós não andam os por um tem po. Nem alcançam os o final da rua, m as a pergunta que ela m e fez poderia abrir um a conversa que duraria dias. — Essa é um a pergunta difícil.

— Você guarda todas elas?

Concordo balançando a cabeça.

— Nunca j oguei um fora. Mesm o as m ais horríveis. Isso pega sua atenção. — Defina horrível.

Olho por cim a de seu om bro, para o final da rua, onde fica m eu estúdio. Não sei porque o pensam ento de m ostrar para ela passa pela m inha cabeça, j á que nunca com partilhei as confissões com ninguém .

Mais ela não é ninguém .

Quando olho para ela de novo, seus olhos estão esperançosos. — Posso te m ostrar algum as. - eu digo.

Seu sorriso se alarga com as m inhas palavras, e ela im ediatam ente m uda a direção do seu apartam ento para o m eu estúdio. Um a vez lá em cim a, eu abro a porta e deixo-a passar, e esse é o lim ite, que apenas foi atravessado por m im . Esse é o quarto que pinto. Este é o

quarto que guardo as confissões. Esse quarto é o que tem de m ais privado para m im . De certa form a, posso dizer que este quarto possui m inha confissão. Existem várias pinturas aqui que nunca m ostrei para ninguém . Pinturas que nunca irão ver a luz do dia, com o as que ela está olhando agora. Ela toca a tela e passa seus dedos sobre o rosto de um hom em na pintura. Ela traça os olhos, nariz, lábios.

— Essa não é um a confissão. - diz lendo o pedaço de papel preso a pintura. Ela olha para m im . — Quem é?

Ando até ela e olham os para a foto j untos.

— Meu pai.

Ela suspira baixinho, correndo os dedos sobre as palavras escritas no pedaço de papel.

“O que é nada, além de tristeza, pode significar”?

Seus dedos estão agora deslizando ao longo das linhas brancas bruscas da pintura, e gostaria de saber se alguém j á disse a ela que artistas não gostam que toquem em suas pinturas.

O que não é um a verdade nesse caso, porque quero ver seu toque em cada um a delas. Eu am o com o ela não consegue só observar cada um a sem sentir com seus olhos e m ãos. Ela olha para m im com expectativa, m e esperando explicar o que o título significa.

“Isso quer dizer nada além de m entiras”

Eu vou em bora antes que ela possa ver a expressão no m eu rosto. Pego três caixas que m antenho num canto e as levo para o centro da sala. Me sento no chão de concreto e faço um sinal para ela fazer o m esm o. Ela se senta de pernas cruzadas na m inha frente com as caixas em pilhadas entre nós. Tiro as duas m enores da pilha e, em seguida, abro a tam pa da caixa m aior. Ela espia dentro e enfia a m ão na pilha de confissões, tirando um a aleatória. Ela lê em voz alta.

“Perdi m ais de 45kg no ano passado. Todos pensam que é porque agora tenho um m odo de vida m ais saudável, m as na verdade é porque sofro de depressão e ansiedade e não quero que ninguém saiba.”

Ela coloca de volta a confissão na caixa e pega outra. — Você vai usar algum as dessas para pinturas? É por isso que você as guarda aqui?

Balanço a cabeça.

— É aqui onde guardo as que eu j á vi e que são parecidas. Os segredos das pessoas são m uitos sem elhantes, surpreendentem ente. Ela lê outro.

“Eu odeio anim ais. Algum as vezes quando m eu m arido trás para casa um filhote de cachorro novo para nossos filhos, eu espero alguns dias, depois o abandono a quilôm etros de nossa casa. E finj o que fugiram .” Ela franze a testa para a confissão.

— Jesus. - ela diz, j á pegando outras. — Com o você m antém a fé na hum anidade depois de ler coisas com o essas todos os dias?

— Fácil. - digo. — Na verdade isso m e faz apreciar m ais as pessoas, sabendo que todos nós tem os a incrível capacidade de se colocar na frente do outro. Especialm ente daqueles que são m ais próxim os de nós. Ela para de ler um a confissão em suas m ãos e seus olhos encontram os m eus. — Você não fica surpreso com o as pessoas podem m entir tão bem ? Eu balanço a cabeça.

— Não. Apenas aliviado que todo m undo faz isso. Faz-m e sentir que m inha vida não é tão fodida com o pensei que fosse.

Ela m e olha com um sorriso calm o e continua vasculhando na caixa. Eu a observo. Algum as das confissões a fazem rir. Para algum as ela faz um a carranca. Algum as fazem ela desej ar nunca ter lido.

— Qual foi a pior que você j á recebeu?

Eu sabia que isso ia acontecer. E quase desej ei que tivesse m entido e dito que j oguei um m onte fora, m as em vez disso aponto para a caixa m enor. Ela se inclina para frente e toca, m as não puxa na sua direção. — O que tem aqui?

— As confissões que nunca m ais quero voltar a ler. Ela olha para a caixa e lentam ente tira a tam pa para fora. E pega um as das confissões do topo.

“Meu pai faz ... “

Sua voz soa fraca e ela olha para m im com um a tristeza assustadora. “Meu pai faz sexo com igo desde quando eu tinha oito anos. Tenho trinta e três anos, casada e com m eus próprios filhos, m ais ainda tenho m uito m edo de dizer não para ele.”

Ela não só coloca a confissão de volta na caixa. Ela a am assa com o punho fechado e depois a j oga de volta para a pilha, com o se estivesse brava com ela. Fecha a tam pa e a em purra a vários m etros de distância. E consigo ver que ela odeia essa caixa tanto quanto eu.

— Aqui. - eu digo, entregando a caixa que ela ainda não abriu. — Leia algum as dessas. Vai se sentir m elhor.

Ela hesitante rem ove um as das confissões. Antes de ler ela endireita o corpo e depois o alonga de novo, e então inala um a respiração profunda. “Cada vez que vou com er fora, eu secretam ente pago um a refeição para alguém . Eu não posso ficar gastando assim , m as faço porque m e sinto m elhor ao im aginar com o deve ser isso para eles, saber que um com pleto estranho acabou de fazer algo bom sem ter nenhum a expectativa em troca.” Ela sorri, m as precisa de outro m elhor. Vasculho a caixa até que encontro um num papel azul.

— Leia esse. É m eu favorito.

“Todas as noites depois que m eu filho dorm e, escondo um brinquedo novinho em folha no seu quarto. Toda m anhã quando ele acorda finj o que não sei com o foi parar lá. Porque o natal deve ser todos os dias e nunca quero que m eu filho pare de acreditar em m agia.”

Ela ri e m e olha com adm iração.

— Esse garoto vai ficar triste quando acordar em seu dorm itório de faculdade pela prim eira vez e não encontrar nenhum brinquedo. Ela coloca de volta na caixa e continua vasculhando. — Algum as dessas são suas?

— Não. Nunca escrevi um a.

Ela m e olha em estado de choque.

— Nenhum a?

Eu balanço a cabeça e ela m exe a dela em confusão. — Isso não está certo, Owen.

Im ediatam ente ela levanta e sai da sala. Fico confuso com o que está acontecendo, m as antes de eu ter tem po de m e levantar e a seguir, ela volta. — Aqui. - ela diz, m e entregando um pedaço de papel e caneta. Ela se senta no chão na m inha frente, e acena com a cabeça para o papel, m e incentivando a escrever. Olho para o papel quando ouço ela dizer. — Escreva algo sobre si m esm o que ninguém m ais sabe. Algo que você nunca disse a ninguém . Eu sorrio, há tanta coisa que eu poderia dizer para ela. Tanto que provavelm ente nem vai sequer acreditar, tantas coisas que nem sei se quero que ela saiba. — Aqui. - rasgo o papel no m eio e entrego um pedaço para ela. — Você vai escrever um tam bém .

Escrevo o m eu prim eiro, assim que term ino ela pega a caneta de m im . Ela escreve sem hesitar. Dobra no m eio e tento o j ogar na caixa. Mas a im peço. — Vam os fazer um trato.

Ela im ediatam ente nega com a cabeça.

— Você não vai ler o m eu. - diz com firm eza. Ela é tão inflexível, isso m e faz querer o ler ainda m ais.

— Não é um a confissão se ninguém lê. É apenas um segredo não com partilhado. Ela enfia a m ão dentro da caixa e libera a sua dentro da pilha de outras confissões.

— Você não precisa ler na m inha frente para ser considerada um a confissão. -depois pega o papel da m inha m ão e j oga na caixa j unto com o dela e dos outros. — Você não leu nenhum desses na m esm a hora que foram escritos. Ela fez um bom ponto, m as estou extrem am ente desapontado de não saber o que foi escrito no papel. Quero virar a caixa de cabeça para baixo e procurar até achar a sua confissão, m as ela se levanta e puxa m inha m ão. — Me leve para casa, Owen. Está ficando tarde. Cam inham os a m aior parte do cam inho para seu apartam ento em com pleto silêncio. Mas não um silêncio desconfortável, de qualquer form a. Acho que nós dois estam os quietos porque nenhum de nós está pronto para dizer adeus ainda. Ela não faz um a pausa quando chega no seu apartam ento, para assim se despedir de m im . Ela continua andando, esperando que eu a siga.

Eu vou.

Sigo atrás dela por todo cam inho até o apartam ento núm ero 1408. Olho fixam ente para o núm ero da porta dela, e quero perguntar se ela j á viu o film e de terror 1408, com John Cusack. Mas fico em dúvida, se nunca ouviu falar disso, pode não gostar de que há um film e de terror com o m esm o nom e que tem seu núm ero de apartam ento.

Ela coloca a chave na fechadura e abre a porta. Depois se vira e m e encara, m as não antes de apontar para o núm ero na porta.

— Estranho, huh? Você j á viu o film e né?

Concordo com a cabeça.

— Nem ia trazer isso à tona.

Ela olha para o núm ero e suspira.

— Eu encontrei m inha com panheira de quarto num site, então ela j á m orava aqui. Acredite ou não, Em ory tinha três apartam entos para escolher e quis esse pela correlação m órbida com esse film e.

— Isso é um pouco preocupante. Ela acena com a cabeça. — Ela é ... diferente.

E olha para seus pés.

Eu respiro fundo e olho para o teto.

Nossos olhos se encontram por um segundo, e eu odeio esse m om ento. Odeio isso, não term inei ainda de falar com ela, m as j á é hora de ela entrar. É m uito cedo para um beij o, m as o desconforto do prim eiro encontro j á está chegando ao fim . Odeio esse m om ento, pois consigo sentir com o ela está desconfortável m e esperando dizer boa noite.

Em vez de fazer o esperado, aponto para dentro do seu apartam ento. — Se im porta se eu usar o banheiro antes de ir? Isso j á é platônico o suficiente ... m as m esm o assim m e dá um a desculpa de falar com ela um pouco m ais. Ela olha para dentro, e vej o um flash de dúvida cruzar seu rosto, afinal ela não m e conhece, e não sabe que nunca irei m achucá-la, e ela quer fazer a coisa certa e se proteger. Eu gosto disso. Faz com que m e preocupe um pouco m enos, sabendo que tem cuidado com sua segurança. Eu sorrio inocentem ente.

— Eu j á prom eti que não ia torturar, estuprar ou m atar você. Não sei por que isso faz ela se sentir m elhor, m as ela ri. — Bem , j á que prom eteu. - ela diz abrindo m ais a porta, m e perm itindo entrar. — Mas só no caso, você deve saber que grito m uito alto. Eu posso berrar com o Jam ie Lee Curtis.

Eu não posso ficar pensando agora sobre com o ela pode gritar alto. Mas foi ela que com eçou. Me aponta a direção do banheiro, e entro nele, fechando a porta atrás de m im . Aperto as bordas da pia e olho no espelho. Eu tento dizer a m im m esm o que isso não é nada m ais que um a coincidência. Ela aparecer na m inha porta essa noite. Ela se conectar com a m inha arte. Ela ter o m esm o nom e do m eio que o m eu.

Isso só pode ser o destino, você sabe.