Confess

Colleen Hoover · Capítulo 19 de 25

Páginas do PDF

Confess

Capítulo 18 · Owen

Eu deveria ter sabido que ela teria ido quando eu acordei. Senti seu coração partido na últim a noite, quando ela estava pensando apenas em dizer adeus, então o fato de que ela saiu antes de ter que fazer isso não m e surpreende. O que m e surpreende é sua confissão deitada no travesseiro ao m eu lado. Eu o pego para lê-lo, m as não antes de passar para o lado dela da cam a. Eu ainda posso sentir o cheiro dela daqui. Eu abro o pedaço de papel dobrado e leio as palavras dela.

“Vou pensar sobre a noite passada para sem pre, Owen. Mesm o quando eu não deveria.”

Minha m ão cai no m eu peito, e eu cerro o punho. Eu j á sinto falta dela o suficiente para doer, e ela só se foi há, provavelm ente, um a hora. Eu li sua confissão várias vezes. É facilm ente m inha confissão favorita agora, m as tam bém a m ais dolorosa.

Eu ando na m inha sala de trabalho, arrasto a tela com o retrato inacabado dela para o m eio o chão, e o aj eito. Eu reúno todo o m aterial que eu vou precisar, e paro na frente da pintura dela. Eu olho para baixo, para o bilhete, im aginando exatam ente com o ela deve ter parecido quando ela escreveu, e eu finalm ente tenho a inspiração que eu preciso para term inar o retrato. Eu pego m eu pincel e pinto-a.

Eu não tenho certeza de quanto tem po se passou. Um dia. Dois dias. Eu acho que eu parei três vezes para com er, pelo m enos. Está escuro lá fora, é tudo que eu sei.

Mas eu finalm ente term inei.

Eu raram ente sinto que algum a das m inhas pinturas sequer chegou a ficar pronta. Há sem pre outra coisa que eu quero adicionar a elas, com o m ais algum as pinceladas ou outra cor. Mas chega um ponto, em cada pintura, que eu só tenho que parar e aceito que é isso.

Estou nesse m om ento com esta pintura. É provavelm ente a pintura m ais realista que eu j á pintei num a tela.

Sua expressão é exatam ente com o eu quero lem brar dela. Não é um a expressão feliz. Na verdade, ela parece m eio triste. Eu quero pensar que é o m esm o olhar que ela vai ter em seu rosto cada vez que ela pensar em m im . Um olhar que revela o quanto ela sente falta de m im . Mesm o quando ela não deveria. Eu arrasto a pintura contra a parede. Pego o bilhete que ela deixou no m eu travesseiro esta m anhã, e prego-o na parede ao lado do rosto dela. Eu puxo a caixa de bilhetes que ela m e deixou nas últim as sem anas, e eu prego- os ao redor da pintura.

Dou um passo para trás e olho para a única parte que m e resta dela.

— O que aconteceu entre você e Auburn? - Harrison pergunta. Eu dou de om bros.

— O de sem pre?

Eu balanço m inha cabeça.

— Nem perto.

Ele ergue um a sobrancelha.

— Uau. - diz ele. — Essa é a prim eira vez. Certeza que eu quero ouvir o resto desta história. - Ele pega outra cervej a e a desliza pelo balcão do bar em direção a m im . Ele se inclina m ais. — Dê-m e a versão resum ida. Eu fecho em algum as horas.

Eu ri.

— Isso é fácil. Ela é a razão para tudo, Harrison. Ele olha para m im com um a expressão confusa. — Você disse resum ido. - Digo a ele. — Essa é a versão resum ida. Harrison balança a cabeça.

— Bem , nesse caso, eu m udo de ideia. Eu quero a versão detalhada. Sorrio e olho para baixo para o m eu telefone. Já passa das dez. — Talvez na próxim a vez. Eu j á estou aqui há duas horas. – Deixei m eu dinheiro no bar e tom o um últim o gole de cervej a. Ele acena para m im quando eu m e viro e volto para o m eu estúdio. A pintura dela que eu term inei m ais cedo deve estar perto de secar agora. Eu acho que esta pode ser a prim eira pintura que eu nunca vou pendurar na parede do m eu apartam ento. Eu puxo a m inha chave do m eu bolso e deslize-a na porta, m as ela não está trancada.

Eu sei que eu tranquei. Eu nunca saio sem trancá-la. Eu em purro a porta aberta, e no segundo que eu faço isso todo o m eu m undo para. Eu olho para a m inha esquerda. Para m inha direita. Eu entro no m eu estúdio e eu giro ao redor, olhando para o dano que foi feito para tudo o que possuo. Tudo pelo que eu trabalhei.

Linhas verm elhas cobrem as paredes, os pisos, cobrem cada pintura em toda a área do andar de baixo. A prim eira coisa que faço é correr para um a das pinturas m ais próxim as de m im . Eu toco a pintura m anchada e posso dizer que j á está seca. Pela secagem , isso aconteceu há cerca de um a hora. Quem fez isso estava esperando por m im sair do estúdio hoj e à noite. Assim que Trey vem à m ente, é quando o pânico real se instala. Eu im ediatam ente subo as escadas e vou direto para a m inha sala de trabalho.

Assim que eu abro a porta, curvo-m e e pressiono as m inhas m ãos nas m inhas coxas. Eu exalo um enorm e suspiro de alívio.

Eles não tocaram nela.

Quem quer que estivesse aqui não tocou na pintura que eu fiz para ela. Depois que eu m e perm ito alguns m inutos para m e recuperar, eu levanto e ando até a pintura dela. Mesm o que a pintura não tenha sido tocada, algo está diferente. Algo está faltando.

E é quando eu noto o bilhete que ela deixou no m eu travesseiro. Ele não está lá.