Confess
Capítulo 16 · Owen
Eu queria que ela soubesse o quanto eu pensei nela. Com o todas as noites, eu m e perguntava se o aperto no peito poderia ser realm ente o resultado da falta que sentia dela, ou se era sim plesm ente o fato de que eu não tinha perm issão para vê-la. Às vezes as pessoas querem o que não pode ter e confundem isso com sentim entos por outra pessoa.
De qualquer m aneira, o sentim ento está lá. A pressão, a dor, esse frio na barriga que está m e incentivando a fechar a distância entre nós e tom ar sua boca com a m inha. Eu teria feito isso por agora, se eu não tivesse visto Trey deixando seu apartam ento quando eu estava chegando. Felizm ente, ele é um idiota distraído, então ele nem sequer m e notou.
Eu definitivam ente o vi, no entanto. E isso faz eu m e perguntar o que ele estava fazendo aqui tão tarde da noite. Não que eu tenha o direito de saber, m as eu certam ente não posso controlar m inha curiosidade. Ele veio m e ver na prisão na sem ana passada. Eu fui inform ado que eu tinha um visitante, e eu esperava que fosse m eu pai. Houve um a pequena parte de m im que esperava que fosse Auburn. Eu nunca esperei que ela viesse m e ver enquanto eu estava na cadeia, m as eu acho que a esperança de que isso poderia acontecer m e m anteve m ais confiante do que o norm al. Quando entrei na sala de visitação e vi Trey ali de pé, de início eu não achei que ele estava lá para m e ver. Mas um a vez que o seu olhar penetrante caiu sobre m im , tornou-se claro. Eu andei até a m inha cadeira e sentei-m e, e ele fez o m esm o.
Ele olhou para m im por vários m inutos sem dizer um a palavra. Eu o encarei de volta. Eu não sei se ele pensou que sua m era presença era
intim idação suficiente, m as ele não falou. Apenas sentou em sua cadeira por dez longos m inutos, olhando para m im .
Eu nunca vacilei. Eu queria rir algum as vezes, m as fui capaz de m e segurar. Ele finalm ente levantou-se, m as eu perm aneci sentado. Ele cam inhou ao redor da m esa, pronto para ir em direção à saída atrás de m im , m as ao invés disso ele fez um a pausa e olhou para m im .
— Fique longe da m inha garota, Owen.
Foi aí que ele perdeu o contato com m eus olhos. Não porque ele m e irritou ou m e deixou nervoso, m as porque as palavras dele foram um excruciante soco no estôm ago. O fato de que ele se referiu a Auburn com o sua m enina era a últim a coisa que eu queria ouvir, e que nada tem a ver com o m eu zelo e tudo a ver com m eus instintos sobre Trey.
E enquanto eu tenho que adm itir que eu odeio que eu tenha ferrado m inha vida até o ponto que iria nos afetar negativam ente se estivéssem os j untos, eu odeio ainda m ais que ele possa tê-la. Porque ela m erece m elhor. Muito m elhor. Ela m e m erece.
Se ela pelo m enos soubesse disso.
Ela está olhando para m im com o se ela quisesse j ogar seus braços em volta de m im . Com o se ela quisesse m e beij ar. E acredite em m im , se ela fizesse qualquer um a dessas coisas eu estaria m ais do que agradecido. Ela está de pé com as m ãos em seus lados, com o se ela não soubesse o que fazer com elas. Ela levanta a m ão direita e a passa através de seu peito, apertando o bíceps de seu braço esquerdo. Seu olhar se desloca para seus pés. — Você está bem .
Sua voz sai extrem am ente insegura. Eu não tenho certeza se ela está m e fazendo um a pergunta ou se está fazendo um a sim ples observação. Concordo com a cabeça de qualquer m aneira. Ela sopra um a respiração leve e seu alívio é algo que eu não estava esperando. Eu não estava esperando que ela estivesse preocupada com igo. Eu queria que ela estivesse, m as querer isso e ver são duas coisas diferentes.
Eu não tenho certeza do que está acontecendo no presente segundo, m as nós dois dam os sim ultaneam ente um rápido passo em frente. Nenhum de nós para até que os braços dela estão em volta do m eu pescoço e m eus braços estão enrolados nela, nós dois estam os segurando um ao outro em um abraço desesperado. Eu inclino m eu rosto em direção ao pescoço dela e inalo seu perfum e. Se o cheiro dela tivesse um a cor, seria rosa. Doce e inocente com um toque de rosas. Depois de um longo abraço, m as ainda dem asiado curto, ela dá um passo para trás e agarra a m inha m ão. Ela m e puxa para seu quarto e eu a sigo. Quando ela abre a porta, m eus olhos caem para a tenda azul ainda m ontada ao lado da cam a dela. Ela não a desm ontou o que m e faz sorrir. Ela fecha a porta do quarto atrás de nós e agarra os travesseiros de sua cam a sorrindo suavem ente quando ela j oga-os na barraca e se arrasta para dentro.
Ela deita-se na barraca e eu rastej o e m e deito ao lado dela. Nós nos encaram os e por vários m om entos, tudo o que fazem os é nos olharm os. Eu finalm ente levanto m inha m ão e tiro um a m echa de cabelo de sua testa, m as eu noto com o ela se afasta um pouco. Eu deixo cair a m inha m ão. É com o se ela não quisesse iniciar a conversa porque ela sabe que a prim eira coisa que precisa ser esclarecida é seu relacionam ento com Trey. Eu não quero colocá-la em um a posição difícil, m as eu tam bém preciso saber a verdade. Eu lim po m inha garganta e de algum a form a libero as palavras que não querem respostas.
— Você está com ele agora?
Essas são as prim eiras palavras que eu falei para ela desde que nos despedim os há um m ês. Odeio que estas tenham sido as palavras que escolhi. Eu deveria ter dito: “Eu senti sua falta” ou "Você está linda”. Eu deveria ter dito palavras que ela apreciaria, m as em vez disso, eu disse palavras que são difíceis para ela ouvir. Sei que elas são difíceis para ela ouvir, porque ela olha para baixo, ela j á não pode olhar para m im .
— É com plicado. - diz ela.
Se ela soubesse.
— Você o am a?
Ela im ediatam ente sacode a cabeça negativam ente. Isso m e enche de alívio, m as eu tam bém odeio que ela está com alguém pelas razões erradas. — Por que você está com ele?
Ela faz contato visual com igo agora e sua expressão endurece. — Pela m esm a razão pela qual eu não posso estar com você. - Ela faz um a pausa. — AJ.
Esta é provavelm ente a única coisa que eu não queria ouvir porque é a única coisa que eu sei que não tenho controle.
— Ele te deixa m ais perto de AJ e eu faço exatam ente o oposto. Ela balança a cabeça, sutilm ente.
— Você sente algum a coisa por ele? Nem que sej a um pouco? Ela fecha os olhos com o se ela estivesse envergonhada.
— Com o eu disse... é com plicado.
Eu m e aproxim o e pego a m ão dela. Eu levo-a até m inha boca e beij o. — Auburn, olhe para m im .
Ela olha para m im de novo, e m ais do que qualquer coisa, eu quero inclinar-m e para frente e beij á-la. No entanto, essa é a últim a coisa que ela precisa. Isso só iria acrescentar m ais com plicação na vida dela. — Sinto m uito. - ela sussurra.
Eu im ediatam ente balanço a cabeça. Não preciso ouvir o quanto ela sente por não poderm os estar j untos. As razões pelas quais não podem os estar j untos são todas m inha culpa. Não dela.
— Eu entendi. Eu nunca iria querer ser parte de qualquer coisa que poderia m antê-la longe de seu filho. Mas você tem que entender que Trey não é a resposta. Ele não é um a boa pessoa, e você não quer que AJ cresça com ele com o um exem plo.
Ela deita de costas e olha para cim a. Eu não gosto da distância que ela colocou entre nós logo agora, m as tam bém sei que as m inhas palavras não são nada de novo para ela. Eu sei que ela sabe que tipo de pessoa ele é. — Ele adora AJ. Ele é bom para ele.
— Por quanto tem po? - eu pergunto. — Quanto tem po ele vai ter que fazer essa encenação para conquistá-la? Porque não vai durar, Auburn. Ela traz as m ãos até seu rosto e os om bros com eçam a trem er. Eu im ediatam ente coloco m eu braço em torno dela e puxo-a para o m eu peito. Eu não queria aparecer aqui e fazê-la chorar.
— Sinto m uito. - eu sussurro. — Eu não estou dizendo a você nada que você ainda não saiba. Tenho certeza que você pesou suas opções, e esta é a única que funciona para você e eu entendo isso. Eu sim plesm ente odeio isso. Eu passo m inha m ão sobre o cabelo dela e beij o topo de sua cabeça. Ela perm ite-m e abraçá-la durante vários m inutos, e eu saboreio cada um desses m inutos porque nós dois sabem os que a próxim a coisa que ela vai dizer para m im é um adeus.
Eu não quero que ela tenha que dizer isso, então eu beij o sua cabeça m ais um a vez. Eu beij o sua bochecha, e então eu acaricio seu queixo com os dedos, inclinando o rosto dela para o m eu. Eu m e inclino para frente e pressiono suavem ente m eus lábios nos dela. Eu não dou a ela tem po para pensar dem ais sobre isso. Eu fecho m eus olhos, solto-a e saio da barraca. Ela fez a escolha, e em bora não sej a a escolha que qualquer um de nós quer, é a única escolha que funciona para ela agora. E eu tenho que respeitar isso. Eu largo m eu gato no m eu estúdio e decido que não há m elhor m om ento do que a m eia-noite para ir ver o m eu pai. Ele honrou m eu pedido e não m e visitou ou ligou enquanto eu estava fora. Estou surpreso por ele não m e visitar, m as um a pequena parte de m im está esperançosa de que ele não o fez porque ver seu filho ser enviado para a prisão por causa de seus erros pode ter sido o seu fundo do poço.
Eu aprendi ao longo dos anos a não m e perm itir ficar m uito esperançoso, m as eu estaria m entindo se eu dissesse que cada parte de m im não está orando para ele ter estado na reabilitação enquanto eu estava fora. Eu esperava que ele estivesse dorm indo ou tivesse saído, então eu trouxe a m inha chave de casa com igo. Todas as luzes estão apagadas. Quando eu entro em casa, vej o im ediatam ente o fraco brilho da TV. Dirij o-m e em direção à sala de estar e vej o o m eu pai deitado de bruços no sofá. Saber que ele não está na reabilitação envia um a onda de decepção através de m im , m as eu não posso negar a pequena onda de esperança ao
im aginar de que ele está, na verdade, deitado no sofá porque ele não está respirando.
E isso não é algo que um filho deve sentir por seu pai. Sento-m e na m esa de café em frente a ele.
— Pai.
Ele não acorda im ediatam ente. Chego para o m eu lado e pego o frasco de com prim idos. O fato de que eu passei um m ês na prisão por ele deveria ter sido m ais do que suficiente para que ele nunca m ais tocasse em outro desses. Vendo que não era o caso m e faz querer sair desta casa e nunca olhar para trás. Meu pai é um a boa pessoa. Eu sei disso. Se ele não fosse um a boa pessoa, seria m ais fácil ir em bora. Eu teria feito isso m uito tem po atrás. Mas eu sei que ele não está no controle dele m esm o. Ele não tem estado há anos. Depois do acidente, ele estava com um m onte de dor, física e em ocional. Não aj udou que durante todo o m ês que ele esteve em com a tinham -lhe dopado com rem édios.
Quando ele finalm ente acordou e com eçou a se recuperar, as pílulas eram as únicas coisas para aliviar sua dor. Quando ele com eçou a precisar de m ais do que foi prescrito, os m édicos se recusaram a receitar. Durante sem anas, eu tive que vê-lo sofrer. Ele não estava funcionando, ele não iria sair da cam a, ele estava em um constante estado de agonia e depressão. Na época, eu não acho que m eu pai era fosse capaz de perm itir que algo tão pequeno com o um a pílula o devorasse com pletam ente, m as eu era ingênuo. A única coisa que eu vi quando eu olhei para ele foi um hom em que estava com dor e precisava da m inha aj uda. Eu tinha estado por trás do volante do carro que tirou a vida de seu filho e sua esposa, e eu teria feito qualquer coisa para tornar isso m elhor. Para consertar o que aconteceu. Eu carreguei essa culpa por um longo tem po depois daquele acidente, em bora eu
saiba que m eu pai não m e culpe. Essa é um a coisa que ele fez direito: ele m e disse repetidam ente que não era m inha culpa. Ainda assim , é difícil não sentir culpa quando você é um garoto de dezesseis anos de idade. Eu apenas queria tornar isso m elhor para ele. Com eçou com igo repassando m inha própria m edicação para a dor. Foi bastante fácil fingir dor nas costas depois de um acidente daquela m agnitude, de m odo que foi exatam ente isso o que eu fiz. Depois de vários m eses dele continuam ente estar em m ais e m ais dor, chegou a um ponto onde até m esm o as m inhas pílulas adicionais não foram o suficiente para ele.
Tam bém foi quando o m eu m édico m e tirou as m inhas pílulas e se recusou a m e dar outra prescrição. Eu acho que ele sabia o que estava acontecendo e não queria contribuir para o vício do m eu pai.
Eu tinha um am igo ou dois na escola que sabiam com o conseguir as pílulas que m eu pai precisava, então isso com eçou com igo trazendo-lhe os m edicam entos de pessoas que eu conhecia. Isso continuou por dois anos, até que aqueles am igos cresceram tanto que tiveram seus esconderij os invadidos ou saíram da casa de seus pais para a faculdade. Desde então, eu tenho conseguido os rem édios da m inha única outra fonte, que é Harrison.
Harrison não é um traficante, m as estando rodeado de alcoólatras a m aioria dos dias torna bastante fácil para ele saber quem contatar quando alguém precisa de algum a coisa. Ele tam bém sabe que as pílulas não são para m im , e é a única razão que ele esteve disposto a dá-las para m im . Agora que ele sabe que eu fui para a cadeia por causa das pílulas que ele tem fornecido para o m eu pai, ele se recusa a conseguir m ais para ele. Harrison se foi e eu estava esperando que fosse o fim disso para o m eu pai, j á que isso significava o fim do seu fornecim ento.
Mas aqui está ele com m ais pílulas. Eu não tenho certeza de com o ele conseguiu isso, m as isso m e deixa nervoso, que alguém lá fora, outra pessoa que não eu ou Harrison agora sabe sobre o vício dele. Ele está sendo im prudente agora.
Tanto quanto eu tentei falar com m eu pai sobre ir para a reabilitação, ele tem m edo do que aconteceria com sua carreira se ele fosse e isso se tornasse de conhecim ento público. Agora, seu vício está ruim o suficiente que ele está destruindo sua vida pessoal. No entanto, é quase o ponto onde ele vai destruir a sua vida profissional. É apenas um a questão de tem po, porque o álcool está com eçando a desem penhar um grande papel em sua vida e os incidentes que eu tenho ido resgatá-lo desde o ano passado estão se tornando m ais e m ais frequentes. E eu sei que o vício nunca fica m elhor. Eles estão ativam ente lutando ou ativam ente alim entando o vício. E agora, ele não está fazendo um a m aldita coisa para lutar por ele.
Eu abro a tam pa e despej o as pílulas dele na palm a da m inha m ão e com eço a contá-las.
— Owen? – m eu pai m urm ura. Ele levanta e se coloca num a posição sentada. Ele está cuidadosam ente olhando para as pílulas na m inha m ão, m ais focado no que eu vou fazer com elas do que ele está com o fato de que eu fui solto hoj e. Eu coloco as pílulas ao m eu lado na m esa de café. Eu j unto m inhas m ãos entre os m eus j oelhos e sorrio para o m eu pai.
—Eu conheci um a garota recentem ente.
A expressão de m eu pai diz tudo. Ele está com pletam ente confuso. — O nom e dela é Auburn.
Eu m e levanto e cam inho até a lareira. Eu olho para a últim a foto de fam ília que nós tiram os. Foi m ais de um ano antes do acidente, e eu odeio que esta é a últim a lem brança que tenho de com o eles eram . Eu quero um a m em ória m ais recente deles em m inha m ente, m as as m em órias desaparecem m uito m ais rápido do que fotografias.
— Isso é bom , Owen. - m eu pai m urm ura. — Mas j á passa da m eia noite. Você não podia ter m e falado am anhã?
Eu volto para onde ele está sentado, m as não sento dessa vez. Em vez disso, eu olho para ele. Para baixo, para este hom em que um dia j á foi m eu pai. — Você acredita em destino, pai?
Ele pisca.
— Até eu vê-la, eu não acreditava. Mas ela m udou isso no segundo que ela m e disse o nom e dela. – eu m ordo o interior da m inha bochecha por um segundo antes de continuar. Eu quero dar-lhe tem po para absorver tudo o que estou dizendo. — Ela tem o m esm o nom e do m eio que eu. Ele levanta um a sobrancelha sobre seus olhos verm elhos. — Ter o m esm o nom e do m eio não necessariam ente torna isso destino, Owen. Mas eu estou feliz que você está feliz.
Meu pai esfrega a cabeça, ainda confuso sobre por que estou aqui. Tenho certeza de que não é toda noite que um filho acorda seu pai depois da m eia-noite de um sono induzido por drogas para falar sobre a garota que ele conheceu. — Você quer saber qual a m elhor parte dela?
Meu pai dá de om bros. Eu sei que ele quer m andar eu m e foder, m as m esm o ele sabe que é de m au gosto dizer a alguém para se foder depois que ele passou um m ês na prisão por você.
— Ela tem um filho.
Isso o acorda um pouco m ais. Ele olha para m im . — É seu? Eu não respondo a isso. Se ele estivesse escutando, ele teria m e ouvido dizer que eu só a conheci recentem ente. Oficialm ente a conheci, de qualquer m aneira.
Sento-m e na frente dele. Encaro-o diretam ente no olho. — Não. Ele não é m eu. Mas se fosse, eu garanto a você que eu nunca iria colocá-lo nas situações que você m e colocou nos últim os anos. Os olhos do m eu pai caíram para o chão.
— Owen... - diz ele. — Eu nunca lhe pedi para... — Você nunca m e pediu para não fazer! - eu grito. Eu estou em pé de novo, olhando para ele. Eu nunca senti tanta raiva dele. Eu não gosto disso. Eu pego o frasco de com prim idos e cam inho até a cozinha. Eu derram o-os na pia e j ogo água nelas. Quando todas as pílulas se vão eu sigo em direção ao escritório dele. Eu o ouço vindo atrás de m im quando ele percebe o que estou fazendo. — Owen! - ele grita.
Eu sei que ele tam bém recebe um a prescrição legal, além da que eu consigo para ele, então eu ando atrás da m esa e abro a gaveta. Eu encontro um outro vidro de com prim idos m eio vazio. Ele sabe que não deve tentar m e parar fisicam ente, então ele fica de lado, o tem po todo m e im plorando para não fazer isso.
— Owen, você sabe que eu preciso delas. Você sabe o que acontece quando eu não as tom o.
Eu não o ouço dessa vez. Eu com eço j ogando-as pelo ralo, lutando com ele enquanto eu faço isso.
— Eu preciso delas! - ele está gritando, m ais e m ais, tentando agarrá- las enquanto eles descem pelo ralo. Na verdade, ele pega um a entre os dedos e em purra na boca. Isso faz m eu estôm ago doer. Ele parece m uito m enos hum ano quando ele está tão desesperado e fraco.
Quando o últim o com prim ido se vai, eu viro e o encaro. Ele está tão envergonhado; ele não vai sequer olhar para m im . Ele deixa cair os cotovelos no balcão e em bala a cabeça entre as m ãos. Dou um passo m ais perto dele e m e encosto no balcão enquanto eu falo com ele com calm a. — Eu a observei com o filho dela. Eu vi o que ela sacrifica por ele. - eu digo. — Eu j á vi até onde um pai deve ir para garantir que seu filho tenha a m elhor vida possível que eles possam dar. E quando eu vej o ela com ele, eu penso em você e eu, e com o nós som os tão fodidos, pai. Tem os estado fodidos desde aquela noite. E a cada m om ento, desde então, a única coisa que eu queria era ver você tentar ficar m elhor. Mas você não tenta. A coisa ficou pior, e eu não posso sentar aqui e ser um a parte disso. Você está se m atando, e eu não vou m ais deixar a culpa de vê-lo sofrer desculpar as coisas que eu faço por você. Eu m e viro em direção à porta da frente, m as não antes de cam inhar até a lareira e pegar o porta-retrato com a foto. Eu passo por ele e saio pela porta da frente.
— Owen, espera!
Faço um a pausa antes de descer as escadas e encaro-o. Ele fica na porta, esperando que grite novam ente. Eu não vou. No segundo que eu vej o seus olhos sem vida, a culpa escoa de volta na m inha alm a. — Espere. – ele diz de novo.
Eu nem tenho certeza se ele sabe o que ele está m e pedindo. Ele só sabe que ele nunca viu esse lado m eu antes. O lado decidido. — Eu não posso esperar, pai. Eu estive esperando por anos. Não sobrou m ais nada em m im para dar.
Eu m e viro e ando para longe dele.