Confess
Capitulo 3 · Auburn
A vida é estranha. Eu não tenho nenhum a ideia de com o eu fui de trabalhar no salão de beleza, esta m anhã, para ir a um a consulta em um escritório de advocacia esta tarde, trabalhar em um estúdio de arte, esta noite, e entrar em um bar pela prim eira vez na m inha vida. Eu tinha vergonha de dizer para Owen que eu nunca fui a um bar antes, m as eu tenho certeza que ele poderia adivinhar pela m inha hesitação na porta. Eu não sabia o que esperar quando entram os porque eu ainda não tenho vinte e um . Owen lem brou disso, balançou a cabeça e m e disse para não falar nada se Harrison pedisse a identidade. — Basta dizer a ele que você a deixou no estúdio e eu vou confirm ar para você. Definitivam ente não é com o eu esperava que um bar se parecesse. Im aginei bolas de discoteca e um enorm e piso central de dança, e John Travolta. Na realidade, este bar é m uito m enos dram ático do que eu im aginava. É tranquilo, e eu provavelm ente poderia contar o núm ero de ocupantes em am bas as m ãos. Há m ais m esas cobrindo o chão do que há espaço para dançar. E não há nenhum a bola de discoteca em qualquer lugar à vista. Estou um pouco decepcionada com isso. Owen anda através de algum as m esas até que ele chega ao fundo da sala m al ilum inada. Ele pega um banquinho e aponta para eu m e sentar enquanto ele vai a um próxim o a ele. Tem um cara na outra extrem idade do bar que está olhando para nós, quando estou m e sentando, e eu suponho que ele é Harrison. Ele parece estar em seus vinte e tantos anos, com a cabeça cheia de cabelos crespos, verm elhos. A com binação de sua pele alva e o fato de que há trevos de quatro folhas em quase todos os cantos neste lugar m e faz pensar se ele é irlandês ou se ele só gostaria de ser.
Eu sei que não deveria m e surpreender que esse cara é dono de um bar e aparenta ser tão j ovem , porque se todos aqui são com o Owen, esta
cidade deve estar cheia de j ovens em presários. Ótim o. Faz com que eu m e sinta ainda m ais fora de lugar.
Harrison acena com a cabeça na direção de Owen e, em seguida, olha rapidam ente para m im . Ele não olha por m uito tem po, e, em seguida, seus olhos estão de volta a Owen com um olhar perplexo. Eu não sei por que esse cara está confuso, m as Owen ignora o olhar que ele atira e se vira para m e encarar. — Você foi ótim a hoj e à noite, - diz ele. Seu queixo está descansando em sua m ão e ele está sorrindo. Seu elogio m e faz sorrir de volta, ou talvez sej a apenas ele. Ele tem um a inocente, porém charm osa vibe. A m aneira com o seus olhos dobram nos cantos faz seu sorriso parecer m ais genuíno do que o de outras pessoas.
— Então era você. - Nós dois apenas continuam os a sorrir um para o outro e eu percebo que, apesar de bares não serem típicos para m im , na verdade estou m e divertindo. Eu não tenho tanto tem po, e eu não sei por que Owen parece extrair um lado todo diferente de m im , m as eu gosto. Eu tam bém sei que eu tenho tantas outras coisas que eu deveria estar m e concentrando agora, m as é um a noite. Um a bebida. Que m al pode fazer?
Ele coloca o braço no bar e desequilibra três garrafas de bebidas até que ele está m e encarando
Eu faço o m esm o, m as as cadeiras são m uito próxim as um as das outras e os nossos j oelhos acabam esbarrando. Ele se aj usta até que um dos m eus j oelhos está entre as suas pernas, e um deles está entre as m inhas. Nós não som os m uito próxim os e não é com o se nós estivéssem os esfregando as pernas j untas, m as elas estão definitivam ente se tocando e é um a espécie de intim idade estar sentada assim com alguém que m al conheço. Ele olha para as nossas pernas. — Será que estam os flertando?
Agora nós estam os olhando um para o outro novam ente e nós dois estam os sorrindo e m e ocorre que eu não acho que nenhum de nós j á parou de sorrir desde que deixam os seu estúdio. Eu balanço m inha cabeça. — Eu não sei com o flertar.
Ele olha para trás, para as nossas pernas e está prestes a com entar quando Harrison se aproxim a de nós. Ele se inclina para a frente e casualm ente descansa os braços no bar, colocando a sua atenção sobre Owen. —Com o foi?
Harrison é definitivam ente irlandês. Eu quase não posso entendê-lo, seu sotaque é tão pesado. Owen sorri na m inha direção.
— Muito bom m aldição.
Harrison acena com a cabeça e, em seguida, concentra-se em m im . — Você deve ser Hannah. - Ele estende a m ão para m im . — Sou Harrison. Eu não olho para Owen, m as posso ouvi-lo lim pando a garganta. Eu pego a m ão de Harrison e a agito.
— Prazer em conhecer você, Harrison, m as eu sou Auburn. Os olhos de Harrison se arregalam e ele lentam ente se volta para Owen. — Porra cara, - ele diz, rindo em tom de desculpa. — Eu não consigo m anter nada com você.
Owen nega. — Está tudo bem , - diz ele. — Auburn sabe sobre Hannah. Eu realm ente não sei. Estou assum indo que Hannah é a m enina que o abandonou. A única coisa que eu sei é que Owen m e disse que vir para este
bar após um a exibição era tradição. Então, eu estou curiosa com o Harrison nunca conheceu Hannah se ela trabalhou em exposições para Owen antes. Owen olha para m im e pode ver a confusão no m eu rosto. — Eu nunca a trouxe aqui.
— Owen nunca trouxe ninguém aqui, - Harrison adm ite. Ele olha de volta para Owen. — O que aconteceu com Hannah?
Owen balança a cabeça com o se ele realm ente não quisesse falar sobre isso. — O de sem pre. - Harrison não se pergunta o que "o de sem pre" é, então eu estou supondo que ele entende exatam ente o que aconteceu com Hannah. Eu só gostaria de saber o que "o de sem pre" significa. — O que eu posso te servir para beber, Auburn? - Harrison pergunta. Eu olho para Owen com os olhos bem abertos, porque eu não tenho ideia do que pedir. Eu nunca pedi um a bebida antes, considerando que eu ainda não tenho idade suficiente para fazê-lo. Ele entende a m inha expressão e im ediatam ente se volta para Harrison.
— Traga-nos dois Jack e Coca-Cola, - diz ele. — E um a porção de palitos de queij o.
Harrison bate no bar com seu punho e diz, — vindo direto. - Ele com eça a virar, m as rapidam ente enfrenta Owen novam ente. — Ah, estam os sem palitos de queij o. Trocarei. Batata frita com queij o ok?
Eu tento não fazer cara feia, m as eu estava realm ente ansiosa para experim entar os palitos de queij o. Owen olha para m im e eu aceno. — Soa bem , - Eu digo. Harrison sorri e com eça a se virar, m as depois m e enfrenta m ais um a vez.
— Você tem m ais de vinte e um , certo? Não tão perto. Por volta disso. Eu rapidam ente aceno com a cabeça, e por um segundo eu vej o dúvida aparecer em sua expressão, m as ele se vira e vai em bora sem pedir a m inha identidade. — Você é um a péssim a m entirosa, - Owen ri. Eu solto o fôlego. — Eu norm alm ente não m into. — Eu posso ver por que, - diz ele.
Ele aj usta a sua posição no banco, e nossas pernas escovam j untas novam ente. Ele sorri. — Qual é a sua história, Auburn?
Aqui vam os nós. O m om ento em que eu costum o cham ar de um a noite antes da noite ter com eçado.
— Uau, - diz ele. — Pra que esse olhar?
Eu percebo que devo estar franzindo a testa quando ele diz isso. — Minha história é que eu tenho um a vida m uito particular e eu não gosto de falar sobre ela. Ele sorri, o que não é a reação que eu estava esperando. — Soa m uito com o a m inha história.
Harrison está de volta com as bebidas, nos salvando do que estava prestes a se tornar um a conversa falida. Nós dois tom am os a bebida, ao m esm o tem po, m as a sua desce bem m ais suave do que a m inha. Apesar de ser m enor de idade, eu tenho alguns drinques no passado com uns am igos em Portland, m as isso é um pouco forte dem ais para o m eu gosto. Cubro a boca para tossir e Owen, é claro, sorri novam ente.
— Bem , j á que nenhum de nós quer conversar, não seria m elhor, pelo m enos dançarm os? - Ele olha por cim a do om bro para a pequena, pista de dança vazia no lado oposto da sala. Eu im ediatam ente balanço a cabeça.
— Com o eu sabia que essa seria a sua resposta? - Ele se levanta. — Venha. Eu balancei m inha cabeça novam ente e quase instantaneam ente, as m inhas m udanças de hum or. Não há nenhum a m aneira que eu estou dançando com ele, especialm ente agora que com eçou a tocar um a m úsica lenta. Ele pega a m inha m ão e tenta m e puxar para cim a, m as eu estou segurando m inha cadeira com a outra m ão, pronta para lutar com ele se eu tiver que fazer isso. — Você realm ente não quer dançar? - Pergunta ele. — Eu realm ente não quero dançar. Respondo.
Ele olha para m im por alguns tranquilos segundos e depois se senta na cadeira. Ele se inclina para a frente e faz m ovim entos para eu chegar m ais perto. Ele ainda tem que segurar a m inha m ão, e eu sinto o seu polegar pincelar um pouco sobre a m inha. Ele continua a se inclinar em direção a m im até que sua boca está perto do m eu ouvido. — Dez segundos, - ele sussurra. — Basta m e dar dez segundos na pista de dança. Se você ainda não quiser dançar com igo depois desse tem po passar, você pode ir em bora.
Há calafrios nos m eus braços, pernas e pescoço, e sua voz é tão suave e convincente, eu posso m e sentir assentindo antes m esm o de eu saber que estou concordando.
Mas dez segundos é sim ples. Dez segundos que posso fazer. Dez segundos não é tem po suficiente para m e envergonhar. E depois desse tem po passar, eu vou voltar e m e sentar e ele vai m e deixar em paz sobre a dança, eu espero. Ele está de pé novam ente, m e puxando em direção a pista de dança. Estou aliviada que o lugar está relativam ente vazio. Apesar de que nós vam os ser os únicos dançando, o lugar é deserto o suficiente para que eu não m e sinta o centro das atenções. Chegam os a pista de dança e ele desliza a m ão na parte inferior das m inhas costas.
— Um , - eu sussurro.
Ele sorri quando ele percebe que eu realm ente estou contando. Ele usa a outra m ão para posicionar as m ãos em volta do pescoço. Já vi casais dançarem o suficiente para saber pegar a m ão dele e que posição ficar, pelo m enos. — Dois.
Ele balança a cabeça com um a risada e envolve a m ão livre ao redor da m inha parte inferior das costas, m e puxando contra ele. — Três.
Ele com eça a balançar, e é aí que a dança se torna confusa para m im . Não tenho a m enor ideia do que fazer a seguir. Eu olho para baixo, para os nossos pés, na esperança de ter um a ideia do que eu devo fazer com os m eus. Ele descansa sua testa contra a m inha e tam bém olha para os nossos pés. — Basta seguir a m inha liderança, - diz ele. Suas m ãos deslizam para m inha cintura e ele gentilm ente orienta m eus quadris na direção que ele quer m e m over. Quatro, - eu sussurro enquanto eu m e m ovo com ele. Eu posso o sentir relaxar um pouco quando ele vê que eu tenho-o para baixo. Suas m ãos escorregam a m inha volta m ais um a vez e ele m e puxa ainda m ais para perto. Naturalm ente, m eus braços soltam um pouco e eu m e inclino para ele.
Seu cheiro é inebriante e antes de eu perceber o que estou fazendo, m eus olhos estão fechados e eu estou sentindo o perfum e dele. Ele ainda cheira com o se tivesse acabado de sair do chuveiro, m esm o que tenha sido há horas. Eu acho que eu gosto de dançar.
É um a sensação m uito natural, com o se a dança fizesse parte do propósito biológico de um ser hum ano.
É m uito parecido com sexo, na verdade. Eu tenho tanta experiência com o sexo com o eu tenho com a dança, m as eu definitivam ente lem bro de cada m om ento que passei com Adam . Ela pode ser m uito íntim a, o cam inho de dois corpos se unindo e de algum a form a, saber exatam ente o que fazer e exatam ente com o fazer para encaixar.
Eu posso sentir m eu pulso ficando m ais rápido e o calor se espalhando sobre m im , e faz m uito tem po desde que eu m e senti assim . Eu não sei se é a dança que está fazendo isso com igo ou se é Owen. Eu nunca dancei lento antes, então eu não tenho outra dança para com parar. A única coisa que eu tenho para m edir esse sentim ento é a form a com o Adam m e fazia sentir, e isso é m uito perto disso. Tem sido um longo tem po desde que eu queria alguém para m e beij ar. Ou talvez tenha passado um longo tem po desde que eu m e perm iti m e sentir desse j eito.
Owen levanta a m ão para a parte de trás da m inha cabeça e aproxim a sua boca na m inha orelha. — Já se passaram dez segundos, - ele sussurra. — Você quer parar?
Eu balanço m inha cabeça suavem ente. Eu não posso ver seu rosto, m as eu sei que ele está sorrindo. Ele m e puxa contra seu peito e repousa o queixo no topo da m inha cabeça. Eu fecho os olhos e respiro sobre ele novam ente. Dançam os assim até o fim da m úsica, e eu não tenho certeza se eu deveria ir prim eiro ou se ele deveria ir em prim eiro lugar, m as nenhum de nós o faz. Outra canção com eça e, felizm ente, é lenta, com o a últim a, por isso, apenas nos m antem os em m ovim ento com o se a prim eira m úsica nunca tivesse term inado. Eu não sei quando Owen com eçou a m over sua m ão para longe da parte de trás da m inha cabeça, m as ele está se m ovendo lentam ente para baixo nas m inhas costas, fazendo com que m eus braços e pernas se sintam
tão fracos, eu questiono sua existência. Me encontro desej ando que ele m e pegue e m e leve, de preferência direto para sua cam a. Suas iniciais são m uito apropriados para a form a com o ele está m e fazendo sentir no m om ento. Eu quero sussurrar, "OMG", m ais e m ais. Eu m e afasto de seu peito e olho para ele. Ele não está sorrindo agora. Ele está m e perfurando com olhos que parecem m il tons m ais escuros do que quando nós cam inham os para este bar.
Eu desbloqueio m inhas m ãos, e eu deslizo um a contra o seu pescoço. Estou surpresa que eu m e sinta confortável o suficiente para fazer isso, e m ais surpresa com sua reação. Ele exala baixinho e eu posso sentir os arrepios em erupção sobre a pele em seu pescoço enquanto seus olhos se fecham e sua testa encontra a m inha.
— Eu tenho certeza que eu sim plesm ente m e apaixonei por essa m úsica, - diz ele. — E eu odeio essa m úsica.
Eu ri um pouco e ele m e puxa para m ais perto, descansando m inha cabeça contra seu peito. Nós não falam os, e não param os de dançar até o final da m úsica. A terceira m úsica com eça a tocar e não é algo que eu estou disposta a dançar, considerando que não é um a m úsica lenta. Quando nós dois aceitam os que a dança é longa, inalam os respirações sim ultâneas e com eçam os a nos separar.
Sua expressão é cheia de intenção concentrada, e tanto quanto eu gosto de seu sorriso, eu tam bém gosto quando ele olha para m im assim . Meus braços deixam seu pescoço e suas m ãos deixam a m inha cintura e nós dois estam os de pé sobre a pista de dança, olhando um para o outro sem j eito, e eu não sei o que fazer agora.
— A coisa sobre a dança, - diz ele, cruzando os braços sobre o peito, — é que não im porta o quão bom você se sente quando você está fazendo isso, é sem pre extrem am ente inábil quando acaba.
Isso faz eu m e sentir bem , sabendo que não é só eu que não sei o que fazer agora. Sua m ão toca o m eu om bro, e ele m e guia de volta em direção ao bar. — Tem os bebidas para term inar.
— E batatas fritas para com er, - acrescento eu. Ele não m e pediu para dançar novam ente. Na verdade, assim que voltam os para o bar, parecia que ele estava com pressa para sair de lá. Eu com i a m aioria das batatas fritas, enquanto ele conversava com Harrison um pouco m ais. Ele poderia dizer que eu não estava realm ente bebendo a m inha bebida, por isso, ele term inou ela para m im ...