Confess
Capítulo 12 · Owen
Eu deveria ter dito a ela. No segundo que eu fui liberado da custódia, eu deveria ter ido direto para o apartam ento dela e dizer tudo. Eu tenho andado pelo estúdio há m ais de um a hora. Eu só ando assim quando estou chateado, e agora eu não tenho certeza se eu j á estive com tanta raiva. Eu vou abrir um furo nesse chão se eu não parar.
Mas eu sei que a esta altura ela j á leu a m inha m ensagem . Já faz m ais de duas horas desde que eu deixei o bilhete no travesseiro dela e eu estou com eçando a pensar que ela j á está desistindo de m im . Eu não a culpo. Tanto quanto eu quero tentar convencê-la que Trey não é bom para ela e eu não sou tão ruim quanto ela agora pensa que eu sou, eu tenho um sentim ento que eu não vou sequer ter essa oportunidade. Não há com o dizer o que tem sido dito a ela sobre m im até agora. Assim que eu com eço a ir em direção as escadas, eu ouço um a batida na porta de vidro. Eu não m e apresso até a porta. Eu corro. Quando eu abro a porta, os olhos dela encontram os m eus brevem ente antes dela olhar nervosam ente por cim a dos seus om bros. Ela agarra a porta e rapidam ente desliza para dentro, fechando-a atrás de si.
Eu odeio isso. Eu odeio que ela está com m edo de estar aqui e com m edo de quem possa tê-la visto de pé na porta.
Ela não confia em m im .
Ela se vira e m e enfrenta, e eu odeio a decepção que agora inunda os olhos dela.
Precisam os conversar e eu não quero fazer isso aqui, assim , eu chego em torno dela e bloqueio a porta.
— Obrigado por ter vindo.
Ela não responde. Ela espera por m im para dizer m ais algum a coisa. — Você irá lá para cim a com igo?
Ela olha para o corredor sobre os m eus om bros e acena. Ela m e segue pelo m eu estúdio até o m eu apartam ento. É louco com o as coisas estão diferentes entre nós agora. Há duas horas, tudo estava perfeito. E agora... É incrível quanta distância um a verdade pode criar entre duas pessoas. Eu ando para a cozinha e ofereço a ela algo para beber. Talvez se eu der um a bebida a ela, a conversa possa durar m ais tem po. Há tanta coisa que eu quero e preciso explicar para ela, se ela só m e der essa oportunidade. Ela não quer um a bebida.
Ela está em pé no m eio da sala e parece que ela tem m edo de se aproxim ar de m im . Seus olhos se m ovem em torno da sala com o se ela nunca tivesse estado aqui antes. Eu posso ver o olhar em seu rosto. Ela m e vê de m aneira diferente agora que ela sabe.
Eu calm am ente a observo avaliar o espaço por um tem po. Finalm ente, os olhos dela encontram os m eus novam ente, e há um a longa pausa antes que ela trabalhe a coragem para m e perguntar o que ela veio aqui para descobrir. — Você é um viciado, Owen?
Ela não enrolou em torno do assunto. Sua franqueza m e faz encolher, porque nada é um a sim ples resposta de sim ou não. E pela m aneira que ela está olhando para a escada, ela não parece querer esperar tanto para a explicação. — Se eu disser que não, será que isso vai fazer diferença para nós?
Ela m e olha firm e em silêncio por vários segundos e, em seguida, ela balança a cabeça.
— Não.
Eu tinha a sensação de que essa seria sua resposta. E assim , eu não sinto m ais com o se precisasse explicar o m eu lado da situação. Qual seria o ponto se a m inha resposta não im porta? Dizer-lhe a verdade poderia apenas com plicar m ais as coisas.
— Você vai para a cadeia? - ela pergunta. — É por isso que você disse que está se m udando?
Eu inclino a garrafa e m e sirvo um copo de vinho. Tom o um gole longo e lento dele antes de responder com um aceno de cabeça. — Provavelm ente. É a m inha prim eira violação, por isso duvido que eu fique preso por m uito tem po.
Ela exala e fecha os olhos. Quando ela os abre novam ente, ela está olhando para os pés dela. Suas m ãos se deslocam para seus quadris e ela continua a evitar o contato visual com igo.
— Eu quero a guarda do m eu filho, Owen. Eles iriam usar você contra m im . — Quem são eles?
— Ly dia e Trey. - Ela olha para m im agora. — Eles nunca confiariam em m im , se eles soubessem que eu estou envolvida com você de algum a form a. Eu esperava algo ao longo das linhas de adeus, quando ela apareceu aqui, m as eu não esperava a dor que viria j unto com as suas palavras. Sinto- m e estúpido por não pensar sobre com o isso afetaria a ela. Eu tenho estado tão preocupado com o que ela pensaria de m im quando ela descobrisse, que
realm ente não m e ocorreu até agora que seu relacionam ento com seu filho poderia ser prej udicado.
Eu m e sirvo de outra taça de vinho. Provavelm ente não é um a boa ideia para ela m e testem unhar bebendo vinho agora que ela sabe sobre o m eu registro crim inal. Eu esperava que ela se virasse e saísse agora, m as ela não faz. Em vez disso, ela dá um lento passo na m inha direção.
— Eles vão deixar você escolher reabilitação, em vez disso? Eu bebo a segunda taça de vinho.
— Eu não preciso de reabilitação. - eu coloco o copo na pia. Eu posso ver a decepção tom a-la. Eu estou fam iliarizado com esse olhar. Eu j á vi isso o suficiente para saber o que isso significa, e eu não gosto que os sentim entos dela por m im tenham m udado tão rapidam ente, querendo que eu sinta pena de m im m esm o.
— Eu não tenho um problem a com drogas, Auburn. - eu m e inclino para a frente até que nós estam os apenas a um pé de distância. — O que eu tenho é um problem a com o fato de que você parece estar envolvida com Trey. Eu posso ser o único com registro crim inal, m as ele é o único que você deve ter cuidado. Ela ri baixinho.
— Ele é um policial, Owen. Você vai para a cadeia por posse de drogas. Em qual de vocês eu devo confiar?
— Em seus instintos. – eu digo im ediatam ente. Ela olha para as m ãos, dobradas em frente ao bar. Ela pressiona seus polegares um contra o outro.
— Meu instinto é fazer o que é m elhor para o m eu filho.
— Exatam ente. - eu digo a ela. — É por isso que eu digo para confiar em seus instintos.
Ela olha para m im , e eu posso ver a dor em seus olhos. Eu não deveria ter trazido isso para ela, eu sei disso. Eu sei exatam ente o que ela está sentindo quando ela olha para m im . Frustração, decepção, raiva. Eu vej o isso toda vez que eu olho no espelho.
Eu ando ao redor do bar e a pego pelo pulso, puxo-a para m im e envolvo m eus braços em torno dela. Por alguns segundos, ela perm ite. Mas, então, ela m e em purra com um inflexível trem er de cabeça. — Eu não posso.
São apenas três palavras, m as elas significam apenas um a coisa. O fim . Ela se vira e vai direto para baixo descendo as escadas. — Auburn, espere. – eu cham o atrás dela.
Ela não espera. Eu chego ao topo das escadas e ouço quando seus passos ecoam através do estúdio. Esta não é a form a com o deveria term inar. Recuso-m e a deixá-la sair assim , porque se ela sair com esse sentim ento, vai ser fácil para ela nunca m ais voltar.
Eu im ediatam ente desço os degraus e corro atrás dela. Eu a alcanço, assim que a m ão dela toca na fechadura da porta da frente do estúdio. Eu puxo a m ão dela e giro para m im , então eu pressiono m inha boca na dela.
Capítulo 13
Auburn
Ele m e beij a com convicção, com o um pedido de desculpas e com raiva, é com o se tudo isso fosse em brulhado em ternura. Quando nossas línguas se encontram , é um alívio m om entâneo da realidade do nosso adeus. Nós dois exalam os suavem ente, porque isso é exatam ente com o um beij o deve ser. Meus j oelhos am olecem com a sensação de seus lábios contra os m eus. Eu o beij o de volta, em bora eu saiba que esse beij o não vai levar a nada. Não vai corrigir nada. Não vai endireitar seus erros, m as tam bém sei que poderia ser a últim a vez que eu m e sentiria dessa m aneira, e eu não quero negar isso para m im m esm a. Ele envolve o braço em volta de m im , deslizando um a m ão pelo m eu pescoço e pelo m eu cabelo. Ele em bala m inha cabeça, é com o se ele estivesse tentando m em orizar todos os aspectos do j eito com o se sente quando nos beij am os, porque ele sabe que depois que parar, isso é tudo o que ele vai ter. A m em ória disso. O pensam ento de este ser um adeus com eça a m e irritar, sabendo que ele m e deu esperança e depois deixou Trey para arrancá-la com a verdade. O beij o entre nós rapidam ente se torna doloroso, e não no sentido físico. Quanto m ais nos beij am os, m ais percebem os o que estam os perdendo, e isso dói. Me assusta saber que há um a chance de eu ter cruzado com um a das poucas pessoas no m undo que poderia m e fazer sentir desse j eito, e eu j á tenho que desistir. Eu estou tão cansada de ter que desistir das únicas coisas na vida que eu quero. Ele se afasta e m e olha nos olhos com um a expressão de dor. Move sua m ão da parte de trás da m inha cabeça até m inha bochecha, roçando o polegar sobre m eu lábio inferior. ─ Isso j á dói.
Sua boca encontra a m inha novam ente, e ele consegue um beij o tão suave com o veludo contra os m eus lábios. Ele m ove lentam ente sua cabeça até que sua boca está diretam ente sobre m eu ouvido. ─ É isso? É assim que term ina? Eu concordo, m esm o que sej a a últim a coisa que eu quero fazer. Mas este é o fim . Mesm o se ele fosse m udar com pletam ente sua vida, as escolhas de seu passado ainda afetam m inha própria vida.
─ Às vezes nós não tem os um a segunda chance, Owen. Às vezes as coisas sim plesm ente acabam .
Ele recua. ─ Nós nem sequer tivem os um a prim eira chance. Eu quero dizer-lhe que não é m inha culpa; é culpa dele. Mas eu sei que ele sabe disso. Ele não está m e pedindo para lhe dar outra chance. Ele só está chateado que isso j á tenha acabado.
Ele pressiona as palm as das m ãos contra a porta de vidro atrás de m im , m e prendendo em seus braços. ─ Eu sinto m uito, Auburn - diz ele. ─ Você tem um m onte de coisas para resolver em sua vida, e eu realm ente não tive a intenção de tornar as coisas m ais difíceis para você. - Ele aperta os lábios contra a m inha testa e, em seguida, em purra a porta. Ele se afasta dois passos e acena com a cabeça suavem ente. ─ Eu entendo e eu sinto m uito. Eu não posso suportar a expressão de dor nos olhos dele ou a aceitação em suas palavras. Eu alcanço a m açaneta da porta atrás de m im , abro e então m e viro e saio.
Ouço a porta fechar-se atrás de m im , e isso torna-se o m eu som m enos favorito em todo o m undo. Ponho m inha m ão em m eu coração, porque eu sinto exatam ente aquilo que ele explicou que sente quando sente falta de alguém . E eu não entendo isso, porque eu só encontrei com ele algum as sem anas atrás.
“Há pessoas que você encontra e com eça a conhecer, e há aquelas que você encontra e j á conhece.”
Eu não m e im porto quanto tem po eu o conheço. Eu não m e im porto se ele m entiu para m im . Eu vou m e perm itir ficar triste e sentir pena de m im m esm a, porque, apesar de tudo o que ele fez no passado, ninguém m e fez sentir com o ele m e fez sentir hoj e. Ele m e fez sentir orgulhosa de m im m esm a com o um a m ãe. Por causa disso, o fato de que eu tenho que dizer adeus para ele vale a pena algum as lágrim as, e eu não vou m e perm itir sentir culpada por chorar por isso. Eu estava a m eio cam inho de casa, e estava secando a últim a das lágrim as que eu m e perm iti derram ar por este adeus, quando um carro aparece ao m eu lado e vem m e rastreando devagar. Eu olho para ele com o canto do m eu olho e im ediatam ente vej o que é um carro de polícia. Eu paro de andar quando Trey abre a j anela e inclina-se sobre o assento. ─ Entre, Auburn. Eu não discuto. Eu abro a porta e subo no carro, e ele com eça a dirigir na direção do m eu apartam ento. Eu não gosto da vibração que vem dele agora. Eu não posso dizer se ele está agindo com o um nam orado cium ento ou com o um irm ão super protetor. Tecnicam ente ele não é nenhum a dessas coisas. ─ Estava no estúdio dele até agora?
Eu olho para fora da j anela e penso com o devo responder. Ele vai saber que eu estou m entindo se eu disser que não, e eu preciso que Trey confie em m im . De todas as pessoas no m undo, eu preciso tanto de Ly dia quanto de Trey para ver que tudo o que eu faço, eu faço por AJ.
─ Sim . Ele m e devia dinheiro.
Eu posso ouvir sua respiração pesada enquanto ele inala e exala. Ele finalm ente puxa para o lado da rua e coloca o carro no estacionam ento. Eu não
quero olhar diretam ente para ele, m as eu posso vê-lo cobrir a boca com a m ão, esprem endo a frustração de sua m andíbula. ─ Eu j ustam ente lhe disse que ele era perigoso, Auburn. - Ele olha diretam ente para m im . ─ Você é estúpida? - Eu só posso aguentar um tanto. Eu abro a porta do carro, saio e bato para fechar. Antes m esm o de eu dar três passos ele está de pé a m inha frente. ─ Ele não é perigoso, Trey. Ele tem um vício. E não há nada acontecendo entre nós, eu apenas fui para pegar o m eu salário por trabalhar em seu estúdio. Trey estuda m eu rosto, m ais com o em um a tentativa para ver se eu estou m entindo para ele. Eu expiro e reviro os olhos. ─ Se houvesse algum a coisa acontecendo, eu teria ficado em seu estúdio por m ais de cinco m inutos. - Eu passo por ele e com eço a cam inhar em direção ao m eu apartam ento. ─ Jesus, Trey. Você está agindo com o se tivesse um a razão para ter ciúm es. Ele está na m inha frente novam ente, forçando-m e a parar. Ele olha para m im por vários segundos. ─ Eu estou com ciúm es, Auburn. Eu im ediatam ente tenho que engolir o nó que se form a em m inha garganta. Eu tam bém continuo a olhar para ele, esperando que ele retire o que disse, m as ele não o faz. Ele está olhando para m im com nada além de sinceridade. Ele é irm ão de Adam . Ele é o tio de AJ.
Eu não posso.
É Trey.
Eu dou a volta em torno dele e continuo andando. Nós estam os apenas a um a quadra do m eu apartam ento, por isso não m e surpreende quando eu o ouço a um passo atrás de m im . Eu continuo andando, tentando processar as duas últim as horas de m inha vida, m as é um pouco difícil quando o irm ão cium ento do m eu nam orado m orto está andando atrás de m im .
Quando eu chego a m inha porta, eu a abro e m e viro para encará-lo. Os olhos de Trey são com o facas de trinchar, cravados em m im , m e perfurando. Estou prestes a lhe dizer boa noite quando ele levanta um braço e descansa a m ão contra a m oldura da porta ao lado da m inha cabeça. ─ Você j á pensou sobre isso?
Eu sei exatam ente o que ele está se referindo, m as eu m e faço de boba. ─ Sobre o quê?
Seus olhos caem aos m eus lábios. ─ Nós. Nós. Eu e Trey.
Eu posso honestam ente dizer que não, eu nunca pensei sobre isso. Mas eu não quero ferir seus sentim entos, então ao invés eu não respondo nada. ─ Isso faz sentido, Auburn.
Eu balanço m inha cabeça, quase inflexível. Eu não quero parecer tão resistente, m as é exatam ente com o eu m e sinto. ─ Não faz sentido - eu respondo. ─ Você era o irm ão de Adam . Você é o tio de AJ. Isso poderia confundi-lo. Trey dá um passo adiante. Sua proxim idade parece diferente do que quando Owen anda em direção a m im . A proxim idade de Trey parece sufocante, com o se eu precisasse perfurar um buraco na atm osfera apenas para respirar. ─ Eu te am o, Auburn. Eu sou a única figura de pai que o seu m enino tem - diz ele. ─ Ele está vivendo em m inha casa com a m am ãe, e se você e eu ficássem os j untos. . . Eu im ediatam ente m e endireito. ─ Eu espero que você não estej a prestes a usar o m eu filho com o um a desculpa para eu sair com você. - A raiva em m inha voz m e surpreende, e então eu sei que isso surpreende Trey.
Ele passa a m ão pelo cabelo m eio perdido sobre o que dizer. Seu olhar se desloca em direção ao corredor enquanto ele tenta sua resposta. ─ Olha -, diz ele, encontrando o m eu olhar novam ente. ─ Eu não estou tentando usá-lo para m e aproxim ar de você. Eu sei que é assim que sou. Estou apenas dizendo... Isso faz sentido. Nós fazem os sentido.
Eu não respondo, porque tudo o que ele está dizendo tem algum a verdade. Ly dia confia em Trey m ais do que qualquer pessoa no m undo. E se Trey e eu ficássem os j untos. . .
─ Pense nisso - diz ele, não esperando um a resposta m inha agora. ─ Podem os com eçar devagar. Ver se nos encaixam os. - Ele tira sua m ão da m oldura da porta e se afasta, dando-m e espaço para respirar. ─ Falarem os sobre isso na noite de dom ingo. Eu preciso voltar ao trabalho. Me prom ete que vai m anter sua porta trancada?
Eu aceno de cabeça, e eu odeio que eu aceno, porque eu não quero que ele pense que eu estou concordando com todas as coisas que ele acabou de dizer. Mas. . . faz sentido. Ele vive na m esm a casa que AJ e Ly dia, e a única coisa que eu quero é m ais tem po com o m eu filho. Eu estou no ponto onde eu não m e im porto o que é preciso para ficar m ais tem po com AJ; eu só preciso disso. Eu sinto m uita falta dele.
Eu não gosto do fato de que eu estou pensando na sua oferta. Eu não sinto por Trey nem m esm o um a fração de que eu sentia por Adam . Eu não posso sequer com parar com o que eu sinto por Owen.
Mas ele está certo. Ficar com ele poderia m e colocar m ais perto de AJ. E eu sinto m ais por AJ do que por qualquer coisa ou qualquer pessoa no m undo. E eu farei o que for preciso para obter o m eu filho de volta. O que for preciso.
Antes de eu m e m udar para cá, Ly dia m e garantiu que o Tráfego de Dallas não era tão ruim assim . Quando eu perguntei quanto tem po levaria para chegar do m eu potencial novo apartam ento para a sua casa, ela disse, "Oh, não é m ais do que 10 m ilhas."
Ela não m encionou que 10 m ilhas em Dallas levam uns bons quarenta e cinco m inutos de táxi. Na m aioria das noites eu nem sequer saio do trabalho antes das sete. Entre o m om ento de eu entrar em um táxi para ir a sua casa, é hora de dorm ir de AJ. Devido a isso, ela diz que é um a inconveniência para m im para visita-lo à noite durante a sem ana.
─ Faz com que ele fique agitado - diz ela.
Então, j antares de dom ingo à noite e em qualquer outro dia da sem ana que eu possa convencê-la a m e perm itir vir é tudo que eu tenho com o m eu filho. Claro, eu estico os dom ingos tanto quanto posso. Às vezes eu apareço no alm oço e não saio até depois que ele vá dorm ir. Eu sei que isto a irrita, m as eu realm ente não dou a m ínim a.
Ele é m eu filho, e eu não deveria ter que pedir perm issão para visitá-lo. Hoj e excepcionalm ente foi um dia longo com ele, e eu am ei cada segundo dele. Assim que eu acordei esta m anhã, tom ei banho e cham ei um táxi. Eu estou aqui desde logo depois do café da m anhã, e AJ ainda não saiu do m eu lado. Assim que term inam os o j antar, eu o trouxe para o sofá, e ele adorm eceu no m eu colo depois de m eio episódio de desenhos anim ados. Norm alm ente eu lavo os pratos e lim po tudo depois do j antar, m as eu não m e ofereci para isso dessa vez. Hoj e à noite eu só quero segurar m eu filho enquanto ele dorm e. Eu não sei se Trey está tentando provar um ponto sobre o quanto dom éstico ele pode ser, ou se eu estou vendo ele sob um a luz um pouco
diferente, m as ele realm ente tom ou a iniciativa e lim pou a cozinha inteira. Pelo que ouvi, acabou carregando e pondo a m áquina de lavar louça para funcionar. Quando eu olho para cim a ele aparece na porta entre a cozinha e a sala de estar. Se inclina contra a m oldura da porta e sorri para a visão de nós abraçados no sofá.
Ele nos observa silenciosam ente por um m om ento, até que, Ly dia entra e rom pe o m om ento pacífico. ─ Eu espero que ele não durm a por m uito tem po ─ ela diz, olhando AJ em m eus braços. ─ Quando ele dorm e cedo, ele acorda no m eio da noite.
─ Ele adorm eceu a poucos m inutos atrás, - eu digo a ela. ─ Ele vai ficar bem . Ela tom a assento em um a das cadeiras ao lado do sofá e olha para Trey, que ainda está de pé na porta. ─ Você trabalha hoj e à noite? - Ela pergunta. Trey balança a cabeça e se endireita.
─ Sim . Na verdade, eu preciso ir - ele diz. Ele olha para m im . ─ Você quer um a carona para casa?
Olho para AJ em m eus braços, não m e sentindo pronta para deixá-lo ainda, m as não tenho certeza se eu deveria fazer o que eu preciso fazer com AJ ainda dorm indo no m eu colo. Eu tenho tentado criar coragem para falar com Ly dia sobre o nosso acordo, e hoj e à noite parece ser tão um bom m om ento para isso. ─ Na verdade eu estava esperando para falar com sua m ãe sobre algo antes de eu ir - eu digo para Trey
Eu posso sentir Ly dia olhar para m im , m as eu não retribuo seu olhar. Você poderia pensar que depois de viver com ela o tanto que eu vivi, eu não poderia estar com tanto m edo dela. No entanto, é difícil não tem er alguém quando ele tem todo o poder sobre a única coisa na vida que você quer. ─ Sej a o que for, pode esperar, Auburn - diz Ly dia. ─ Eu estou exausta e Trey precisa ir trabalhar.
Passo a m ão pelo cabelo de AJ. Ele tem o cabelo de seu pai. Macio e fino, com o a seda. ─ Ly dia - eu digo em voz baixa. Olho para ela, m eu estôm ago em nós e m eu coração na boca. Ela sem pre m e ignora cada vez que eu tento falar com ela sobre isso, m as eu tenho que acabar com isso. ─ Eu quero falar com você sobre a guarda. E eu realm ente gostaria se nós pudéssem os falar sobre isso hoj e à noite, porque está m e m atando não vê-lo tanto quanto eu costum ava fazer. Quando eu m orava com eles em Portland, eu o via todos os dias. A guarda não era então um problem a, porque eu chegava da escola todos os dias na m esm a casa que o m eu filho. Mesm o que Ly dia desse a palavra final sobre tudo que envolvia AJ, eu ainda m e sentia com o sua m ãe. No entanto, um a vez que ela o pegou e se m udou para Dallas vários m eses atrás, eu m e senti com o a pior m ãe do m undo. Eu nunca conseguia vê- lo. Toda vez que eu falava com ele no telefone, eu estava em lágrim as no m om ento de desligar. Eu não posso evitar o sentim ento de que ela está colocando a distância entre nós de form a intencional.
─ Auburn, você sabe que você é bem -vinda para vê-lo a hora que quiser. Eu balancei m inha cabeça. ─ Mas é isso -, eu digo a ela. ─ Eu não sou. - Minha voz é fraca, e eu odeio soar com o um a criança agora. ─ Você não gosta quando eu o visito em noites de escola e você nem sequer perm ite que ele passe a noite com igo.
Ly dia revira os olhos. ─ Por um a boa razão - diz ela. ─ Com o é que eu vou confiar nas pessoas que você perm ite entrar em sua casa? O últim o que você tinha em seu quarto é um crim inoso condenado. Meu olhar cai para Trey, e ele quebra im ediatam ente contato visual com igo. Ele sabia que contar para ela sobre o passado do Owen acabaria por colocar um a pedra entre AJ e eu. Ele pode ver a raiva em m eu rosto, então ele entra na sala de estar. ─ Vou colocar AJ na cam a - ele diz.
Eu sou grato por isso, pelo m enos. AJ não precisa acordar e ouvir a conversa acontecendo ao seu redor no m om ento. Eu entrego AJ para Trey, m e viro e enfrento Ly dia dessa vez.
─ Eu não teria perm itido que ele ficasse com AJ no m esm o apartam ento - eu digo em m inha defesa.
─ Ele não teria sequer estado no m eu apartam ento, se eu soubesse que você estava m e trazendo AJ.
Seus lábios estão apertados, e seus olhos são fendas estreitas de desaprovação. Eu odeio a m aneira com o ela olha para m im .
─ O que você está m e perguntando, Auburn? Quer que o seu filho passe noites em seu apartam ento? Você quer aparecer cada noite um pouco antes da hora dele dorm ir e agitá-lo ao ponto que ele não queira ir para cam a? - Ela se levanta, exasperada. ─ Eu criei esse m enino desde seu nascim ento, então você não pode esperar que eu fique bem sabendo que ele está rodeado de com pletos estranhos. Levanto-m e, tam bém . Ela não está em um a torre acim a de m im para m e fazer sentir inferior. ─ Nós o criam os desde seu nascim ento, Ly dia. Eu estive lá a cada passo do cam inho. Ele é m eu filho. Eu sou sua m ãe. Eu não deveria ter que pedir a sua perm issão quando eu quero passar um tem po com ele. Ly dia olha para m im , na esperança de que absorva m inhas palavras e as aceite. Ela tem que ver com o ela está sendo inj usta.
─ Auburn - diz ela, colocando um sorriso falso em seu rosto ─ Criei filhos antes, então eu sei com o as rotinas e horários são im portantes para o desenvolvim ento de um a criança. Se você quiser visitá-lo, tudo bem . Mas nós terem os que elaborar um cronogram a m ais consistente para que ele não sej a negativam ente afetado por isso.
Eu esfrego m inhas m ãos para cim a e para baixo no m eu rosto, tentando aliviar algum as das frustrações que eu estou sentindo. Eu expiro e calm am ente coloco m inhas m ãos em m eus quadris. ─ Afetado negativam ente? - Eu digo. ─ Com o ele pode ser afetado negativam ente pela sua própria m ãe colocando-o na cam a todas as noites?
─ Ele precisa de consistência, Auburn.
─ Isso é o que eu estou tentando dar a ele, Ly dia! - Eu digo em voz alta. Assim que eu levanto a m inha voz, eu paro de falar. Eu nunca levantei a voz para ela. Nenhum a vez.
Trey cam inha de volta para a sala e Ly dia olha para ele e para m im . ─ Deixe Trey lhe dar um a carona para casa - diz ela. ─ Está tarde. Ela não diz adeus, ou m esm o pergunta se a conversa acabou. Ela sai da sala com o se som ente ela pudesse dar um fim , m esm o que eu ainda não tivesse term inado.
"Ugh!" Eu gem o, com pletam ente insatisfeita com o fim dessa conversa. Eu nem disse a ela que eu quero que m eu filho viva com igo, nem pude dizer algo a m eu favor. Ela sem pre fala em "coerência" e "rotinas" com o se eu estivesse tentando arrastá-lo para fora da cam a à m eia-noite para com er panquecas todas as noites. Tudo o que eu quero é ver o m eu filho m ais do que ela está m e perm itindo. Eu não entendo com o ela não pode ver o quanto isso está m e m achucando. Ela deve ser grata por eu querer fazer o m eu papel. Tenho certeza de que há pessoas na sua situação que adorariam que os pais de seus netos dessem algum a im portância a eles.
Estou m e afasto da m inha linha de pensam ento pela risada de Trey. Eu olho para ele, e há um sorriso em seu rosto.
Eu nunca quis tanto na m inha vida dar um soco num sorriso, m as se houvesse um a hora m ais inapropriada para rir do que agora, eu odiaria vê-la.
Ele pode ver que eu não estou m e divertindo com sua risada, m as ele não a disfarça. Ele balança a cabeça e vai para o arm ário na porta de entrada pegar suas coisas. ─ Você acabou de gritar com a m inha m ãe - ele disse. ─ Uau. Eu olho para ele enquanto ele coloca o coldre no uniform e da polícia. ─ Estou feliz que a m inha situação o divirta - eu digo sem rodeios. Eu passo por ele e saio pela porta da frente. Quando eu chego a seu carro, eu entro e bato a porta. Assim que eu estou sozinha na escuridão, eu desabo em lágrim as. Eu m e perm ito chorar tanto quanto eu posso até ver Trey saindo de casa alguns m inutos depois. Eu paro im ediatam ente com as lágrim as e lim po os olhos. Quando ele está no carro com a porta fechada, eu olho para fora da j anela e espero que sej a óbvio que eu não estou no clim a para conversar. Acho que ele entende que isso m e chateia, porque ele não fala por todo o cam inho de volta à m inha casa. E m esm o que não haj a qualquer tipo de tráfego no cam inho de casa, vinte m inutos é um a longa viagem quando se está m udo. Quando eu m e dirij o para o m eu apartam ento, ele sai do carro e m e segue no interior do edifício. Eu ainda estou chateada quando chego na m inha porta, m as m inha tentativa de escapar para dentro do m eu apartam ento sem lhe dizer adeus é frustrada quando ele agarra m eu braço e m e obriga a virar. ─ Sinto m uito - ele diz. ─ Eu não estava rindo de sua situação, Auburn. - Eu balancei m inha cabeça e pude sentir a tensão em m inhas m andíbulas. ─ Eu apenas. . . Não sei. Ninguém nunca gritou com m inha m ãe e eu achei engraçado.- Ele dá um passo m ais perto de m im e apoia a m ão no batente da porta. ─ Na verdade - Ele diz ─ Eu achei um pouco sexy. Eu nunca vi você com raiva antes. Meus olhos se encontram os dele em um flash. ─ Você está falando sério agora, Trey ? - Eu j uro por Deus, se havia algum a chance de eu acha-lo atraente, ele a arruinou com pletam ente com esse com entário.
Ele fecha os olhos e dá um passo atrás. Levanta as m ãos em sinal de rendição. ─ Eu não quis dizer nada com isso - diz. ─ Foi um elogio. Mas obviam ente você não está no hum or para elogios, então talvez possam os tentar novam ente outra hora. Eu concordo com sua partida com um aceno rápido enquanto m e viro e fecho a porta atrás de m im . Alguns segundos se passam antes de eu ouvir Trey cham ar m eu nom e atrás da porta. ─ Auburn - ele diz calm am ente. ─ Abra a porta. Eu rolo m eus olhos, m as m e viro e abro a porta. Ele está de pé na soleira com os braços cruzados sobre o peito. Sua expressão m udou para um a de pesar. Sua cabeça repousa contra a m oldura da porta, e isso m e lem bra da noite que Owen ficou nessa m esm a posição. Eu gostei m uito m ais quando Owen esteve parado ali.
─ Eu vou falar com a m inha m ãe - diz Trey. Essas palavras m e fazem dar um a pausa e dar-lhe toda a m inha atenção. ─ Você está certa, Auburn. Você deveria passar m ais tem po com AJ, e ela está apenas tornando isso difícil para você. ─ Você vai falar com ela? Sério?
Ele dá um passo m ais próxim o até que está de pé na porta. ─ Eu não queria incom odá-la m ais cedo - ele diz. ─ Eu estava tentando fazer você se sentir m elhor, m as eu acho que eu fui pelo cam inho errado. Não fica brava, ok? Eu não sei se eu posso aguentar você ficando brava com igo. Eu engulo seu pedido de desculpas e balanço a cabeça. ─ Eu não estou brava com você, Trey. Eu apenas. . . - Eu inspiro e expiro lentam ente. ─ Às vezes sua m ãe só m e frustra e m e deixa louca da vida.
Ele sorri agradavelm ente. ─ Eu sei o que você quer dizer - ele diz. Ele se afasta da porta e olha para o corredor. ─ Eu preciso com eçar a trabalhar. Falarem os m ais tarde, ok?
Concordo com a cabeça e dou-lhe um sorriso genuíno. O fato de que ele está disposto a conversar com Ly dia por m im vale um sorriso ou dois. Ele dá vários passos de costas antes de se virar e ir em bora. Eu fecho a porta do apartam ento depois que ele desaparece ao virar da esquina do corredor. Quando eu m e viro, m eu coração pula em m inha garganta por ver Em ory de pé a poucos m etros na m inha frente.
Segurando um gato.
Um gato m uito fam iliar.
Aponto para gato de Owen. ─ O que. . -. Eu largo o m eu braço, com pletam ente confusa. ─ Com o?
Ela olha para o gato e dá de om bros. ─ Owen passou por aqui a cerca de um a hora - diz ela. ─ Ele deixou isso e um a nota.
Eu balancei m inha cabeça. ─ Ele deixou seu gato? Ela se vira e cam inha em direção à sala de estar. ─ E um a nota. Ele disse que você saberia onde encontra-la.
Eu ando para o m eu quarto e caio im ediatam ente de j oelhos e entro dentro da tenda.
Há um pedaço de papel dobrado em um dos travesseiros. Eu o pego e m e deito e então o abro.
Auburn,
Eu sei que é pedir m uito para você m anter Owen, m as eu não tinha nenhum a outra pessoa. Meu pai é alérgico a gatos, e pode ser por isso que eu tenho Owen em prim eiro lugar. Harrison não estará de volta na cidade até terça-feira, m as se você precisar, você pode deixá-lo lá.
Eu sei que eu j á disse isso, m as eu realm ente sinto m uito. Você m erece alguém que possa lhe dar o que você precisa, e agora esse alguém não sou eu. Se eu soubesse que você iria aparecer na m inha porta um dia, eu teria feito tudo diferente.
Tudo.
Por favor, não perm ita que ninguém faça você se sentir m enos do que você é. Se cuide.
PS: Eu sei que um dia desses, você vai ter que deixar alguém usar o seu banheiro. Só m e faça o favor de rem over esses sabonetes pequenos bonitos em form a de concha. O pensam ento de alguém am ar aqueles sabonetes tanto quanto eu é dem ais.
PPS: Você só tem que alim entar Owen um a vez ao dia. Ela é m uito fácil de m anter... Agradeço antecipadam ente por cuidar dela, não im porta quanto tem po você optar por fazê-lo. Eu sei que ela vai estar em boas m ãos, porque eu a vi com o um a m ãe, e você é m uito boa no que faz. Owen
Estou chocada com as lágrim as que estão rolando pelas m inhas bochechas. Eu fecho a carta e cam inho im ediatam ente para fora do m eu quarto. Quando eu encontro Em ory na sala de estar, eu pego a gata-Owen em m eus braços e a levo para o m eu quarto. Eu fecho a porta atrás de m im e m e arrasto para a cam a com ela. Ela circula e se deita ao m eu lado, este é exatam ente o lugar onde ela deveria estar.
Eu vou com prazer cuidar dela pelo tem po que Owen precisar. Porque ter ela m e conecta a ele. E por algum a razão, eu sinto que eu preciso dessa ligação com Owen, porque faz m eu peito doer um pouco m enos quando eu penso sobre ele.