É Assim que Acaba
Capítulo Treze
Ryle: Está em casa ou no trabalho?
Eu: Trabalho. Devo terminar em uma hora.
Ryle: Posso passar aí?
Eu: Sabe quando as pessoas dizem que não existe pergunta idiota? Elas não têm razão. Sua pergunta foi idiota.
Ryle: :)
Meia hora depois, ele bate à porta da floricultura. Já fechei há quase três horas, mas ainda estou no escritório, tentando me organizar em meio ao caos que foi esse primeiro mês. A loja ainda é muito recente para projetar com precisão o retorno. Alguns dias são ótimos, outros são tão lentos que dispenso Allysa. Mas, no geral, estou feliz com o resultado até o momento.
E feliz com Ryle e nosso relacionamento.
Destranco a porta para Ryle entrar. Ele veste uniforme hospitalar azul-claro, e ainda traz o estetoscópio no pescoço. Acabou de sair do trabalho. Um detalhe muito bom. Juro que toda vez que o vejo assim, preciso disfarçar meu sorriso ridículo. Eu lhe dou um beijo rápido e volto a atenção para o escritório.
— Preciso terminar algumas coisas, e depois a gente pode ir lá para casa.
Ele me acompanha até o escritório e fecha a porta.
— Tem um sofá aqui? — pergunta ele, olhando ao redor.
Passei parte da semana dando os retoques finais. Comprei alguns abajures para não ter de ligar as fortes lâmpadas fluorescentes. Os abajures deixam o cômodo com uma luz suave. Também comprei algumas plantas para decorar. Não é um jardim, porém é o mais próximo de um. Este cômodo mudou bastante desde que era usado para guardar engradados.
Ryle se aproxima do sofá e se joga ali, o rosto virado para baixo.
— Não precisa ter pressa — murmura ele no travesseiro. — Fico cochilando aqui até você terminar.
Às vezes, me preocupo por ele ser muito exigente consigo mesmo no trabalho, mas não digo nada. Estou sentada em meu escritório há doze horas, então, quem sou eu para falar sobre ambição demais?
Passo uns quinze minutos finalizando pedidos. Quando termino, fecho o laptop e olho para Ryle.
Achei que ele estaria dormindo, mas está de lado, apoiando a cabeça na mão. Passou o tempo inteiro me observando, e ver seu sorriso me faz corar. Empurro a cadeira para trás e me levanto.
— Lily, acho que gosto de você um pouco demais — confessa ele, enquanto me aproximo.
Enrugo o nariz. Ele se senta no sofá e me põe no colo.
— Um pouco demais? Isso não parece um elogio.
— Porque não sei se é — diz ele, ajustando minhas pernas, uma em cada lado do corpo, e envolvendo minha cintura com os braços. — É meu primeiro relacionamento de verdade. Não sei se eu já devia gostar tanto de você assim. Não quero assustá-la.
Sorrio.
— Como se isso fosse possível. Você trabalha demais, não daria tempo para me sufocar.
Ele esfrega as mãos em minhas costas.
— Você se incomoda que eu trabalhe muito?
Nego com a cabeça.
— Não. Eu me preocupo porque não o quero exaurido. Mas não me incomodo de te dividir com sua paixão. Na verdade, gosto de como é ambicioso. Acho sexy. Talvez seja até o que eu mais goste em você.
— Sabe o que eu mais gosto em você?
— Essa resposta eu já sei — digo, sorrindo. — Minha boca.
Ele inclina a cabeça e a encosta no sofá.
— Ah, é. Isso em primeiro lugar. Mas sabe qual é minha segunda coisa preferida?
Balanço a cabeça.
— Você não me pressionou para que eu fosse algo que não sou capaz de ser. Me aceitou exatamente como sou.
Eu rio.
— Bem, para ser justa, você está um pouco diferente de quando te conheci. Não é mais tão antinamorada.
— É porque você facilita tudo — argumenta ele, deslizando a mão por dentro da parte de trás de minha camisa. — É fácil ficar com você. Ainda posso ter a carreira que sempre quis, mas com todo o apoio que você me dá, ela fica dez vezes melhor. Quando estamos juntos, sinto que posso ter tudo.
Agora sua outra mão também está debaixo de minha camisa, pressionando minhas costas. Ele me puxa para perto e me beija. Sorrio em sua boca e sussurro:
— E o que você acha de ter tudo?
Uma de suas mãos sobe até a parte de trás de meu sutiã e o abre com facilidade.
— Acho bom, mas preciso provar mais uma vez só para garantir.
Ele puxa minha camisa e meu sutiã pela cabeça. Começo a me afastar, querendo tirar a calça jeans, mas ele me puxa de volta para seu colo. Depois pega o estetoscópio, coloca nos ouvidos e pressiona o diafragma em meu peito, bem em cima do coração.
— Por que seu coração está tão acelerado, Lily?
Dou de ombros inocentemente.
— Deve ter alguma coisa a ver com você, Dr. Kincaid.
Ele solta a ponta do estetoscópio e me tira do colo, me empurrando no sofá. Depois abre minhas pernas e se ajoelha entre elas, colocando o estetoscópio em meu peito novamente. Ele usa a outra mão para se apoiar enquanto fica ouvindo meu coração.
— Eu diria que deve estar a uns 90 batimentos por minuto — constata ele.
— Isso é bom ou ruim?
Ele sorri e se acomoda em cima de mim.
— Vou ficar satisfeito quando atingir 140.
Pois é. Se meu coração alcançar 140, também acho que vou ficar satisfeita.
Ele aproxima a boca de meu peito e meus olhos se fecham quando sinto sua língua deslizar em meus seios. Ele me toma em sua boca, mantendo o estetoscópio em meu peito o tempo inteiro.
— Agora deve estar em 100 — diz ele.
Ryle põe o estetoscópio no pescoço de novo e se afasta, desabotoando minha calça. Depois de tirá-la, ele me vira para que eu fique deitada de barriga para baixo, com os braços por cima do braço do sofá.
— Fique de joelhos — pede.
Faço o que ele diz, e, antes mesmo de me ajeitar, sinto o metal frio do estetoscópio em meu peito de novo, desta vez com seu braço me segurando por trás. Fico parada enquanto ele escuta meu batimento cardíaco. Sua outra mão começa a procurar um caminho entre minhas pernas, entrando em minha calcinha e em mim. Agarro o sofá, mas tento fazer o mínimo de barulho enquanto ele ausculta meu coração.
— 110 — diz ele, ainda insatisfeito.
Depois puxa meus quadris para perto, para que eu encoste nele, e então o sinto despir o uniforme.
Ele agarra meu quadril com uma das mãos enquanto afasta minha calcinha para o lado com a outra. Depois me penetra até ficar totalmente dentro de mim.
Estou agarrando o sofá com os punhos cerrados em desespero, e ele para, querendo escutar meu coração de novo.
— Lily — diz ele, fingindo decepção. — Cento e vinte. Ainda não chegou aonde eu quero.
O estetoscópio desaparece novamente, e seu braço envolve minha cintura. Sua mão desce deslizando em minha barriga e se acomoda entre minhas pernas. Não consigo mais aguentar seu ritmo. Mal consigo ficar de joelhos. De algum modo, ele está me segurando com uma das mãos, e acabando comigo da melhor maneira possível com a outra. Assim que começo a tremer, ele me ergue até minhas costas encostarem em seu peito. Ele ainda está dentro de mim, mas se concentra em meu coração de novo, enquanto leva o estetoscópio para a frente de meu peito.
Gemo, e ele pressiona os lábios em meu ouvido.
— Shh. Sem barulho.
Não faço ideia de como aguentar os próximos trinta segundos sem gemer. Um de seus braços está a meu redor, com o estetoscópio pressionado em meu peito; seu outro braço está firme em minha barriga, e sua mão continua fazendo mágica entre minhas pernas. De algum modo, ele continua dentro de mim, e eu tento me mover em sua direção, mas Ryle continua firme como uma pedra enquanto os tremores começam a percorrer meu corpo. Minhas pernas estremecem, e minhas mãos estão nas laterais de meu corpo, agarrando suas coxas enquanto uso todas as minhas forças para não gritar seu nome.
Ainda estou tremendo quando ele ergue minha mão e coloca o diafragma no pulso. Depois de vários segundos, afasta o estetoscópio e o joga no chão.
— Cento e cinquenta — diz ele, satisfeito.
Ryle sai de mim e me coloca deitada de costas. Sua boca encontra a minha, e ele me penetra de novo.
Meu corpo está fraco demais para se mover, e nem consigo abrir os olhos para observá-lo. Ele dá várias estocadas dentro de mim, e depois fica parado, gemendo em minha boca. Ele se acomoda em cima de mim, rijo, mas trêmulo.
Depois beija meu pescoço, e seus lábios encostam na tatuagem de coração em minha clavícula. Por fim, se acomoda na curva de meu pescoço e suspira.
— Já disse esta noite como eu gosto de você?
Eu rio.
— Uma ou duas vezes.
— Então vai ser a terceira vez — diz ele. — Eu gosto de você. Gosto de tudo em você, Lily. De ficar dentro de você. De ficar fora de você. De ficar perto de você. Gosto de tudo.
Sorrio, amando sentir suas palavras na pele. Dentro do coração. Abro a boca para dizer que também gosto dele, mas minha voz é interrompida pelo toque de seu celular.
Ele geme em meu pescoço, sai de mim e pega o aparelho. Coloca o uniforme no lugar e ri ao ver o identificador de chamadas.
— É minha mãe — explica ele, se inclinando e beijando meu joelho apoiado na parte de trás do sofá.
Ele deixa o celular de lado, se levanta, vai até minha escrivaninha e pega uma caixa de lenços.
É sempre constrangedor se limpar depois do sexo. Mas acho que nunca foi constrangedor assim, porque sabemos que sua mãe está à espera.
Depois de me vestir, ele me puxa para perto no sofá e eu me deito em cima dele, apoiando a cabeça em seu peito.
Já são mais de 22h, e estou tão confortável que considero passar a noite aqui. O celular de Ryle toca de novo, avisando que ele tem uma nova mensagem de voz. Só de pensar em vê-lo interagindo com a mãe, eu sorrio. Allysa fala pouco sobre os pais, mas jamais falei sobre eles com Ryle.
— Você se dá bem com seus pais?
Seu braço acaricia o meu delicadamente.
— Sim. São gente boa. Passamos por uma fase difícil quando eu era adolescente, mas já nos resolvemos. Agora eu falo com minha mãe quase todo dia.
Cruzo os braços por cima de seu peito e apoio o queixo neles, olhando para Ryle.
— Pode me contar mais sobre sua mãe? Allysa falou que eles se mudaram para a Inglaterra há alguns anos. E que estavam de férias na Austrália, mas isso foi tipo um mês atrás.
Ele ri.
— Minha mãe? Bem... minha mãe é muito autoritária. Bastante crítica, especialmente com as pessoas que mais ama. Ela nunca perdeu um culto na igreja. E jamais a ouvi referir-se a meu pai sem ser como Dr. Kincaid.
Apesar das advertências, ele sorri o tempo inteiro enquanto fala sobre ela.
— Seu pai também é médico?
Ele assente.
— Psiquiatra. Ele escolheu uma área que o permitisse levar uma vida normal. Cara esperto.
— Eles costumam visitar você em Boston?
— Não, minha mãe odeia viajar de avião, então eu e Allysa vamos à Inglaterra cerca de duas vezes ao ano. Mas ela quer te conhecer, então acho que irá conosco da próxima vez.
Sorrio.
— Você falou de mim para sua mãe?
— Claro! — diz ele. — Isso é meio que extraordinário, sabe? Eu com uma namorada. Ela me liga todo dia para conferir se eu não acabei estragando tudo.
Eu rio, o que o faz pegar o celular.
— Acha que estou brincando? Tenho certeza de que ela mencionou você na mensagem de voz que acabou de deixar.
Ele pressiona alguns números e toca a mensagem de voz.
— Oi, querido! É sua mãe. Não falo com você desde ontem. Estou com saudade. Mande um beijo para Lily. Ainda estão juntos, não é? Allysa disse que você só fala sobre ela. Ainda é sua namorada, não é? Tá bom. Gretchen está aqui, estamos tomando o chá da tarde. Amo vocês. Beijinhos.
Apoio o rosto em seu peito e rio.
— Só estamos juntos há alguns meses. Você fala tanto de mim assim?
Ele pega minha mão e a beija.
— Falo. Demais, Lily. Demais mesmo.
Sorrio.
— Não vejo a hora de conhecer seus pais. Além de criarem uma filha incrível, eles fizeram você. É bem impressionante.
Seus braços me apertam, e ele me beija no alto da cabeça.
— Qual era o nome de seu irmão? — pergunto.
Sinto ele se enrijecer um pouco com a pergunta. Eu me arrependo de tocar no assunto, mas é tarde para voltar atrás.
— Emerson.
Pelo tom de voz, percebo que ele não quer falar sobre isso. Em vez de pressioná-lo, ergo a cabeça e chego para a frente, encostando a boca na sua.
Eu devia saber que com Ryle os beijos não param por aí. Em questão de minutos, ele está dentro de mim de novo, mas agora é totalmente diferente.
Dessa vez, fazemos amor.