É Assim que Acaba

Colleen Hoover · Capítulo 7 de 38

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É Assim que Acaba

Capítulo Seis

 

Faz cinquenta e três dias que Ryle saiu de meu apartamento. O que significa que faz cinquenta e três dias que não tenho notícias suas.

Mas tudo bem, porque, nos últimos cinquenta e três dias, andei ocupada demais organizando este momento para pensar no médico.

— Está pronta? — pergunta Allysa.

Assinto, e ela vira a placa para o lado Aberto. Nós duas nos abraçamos e damos gritinhos feito crianças.

Seguimos depressa para trás do balcão e esperamos nosso primeiro cliente. É um soft opening, então ainda não fiz nenhuma campanha de marketing, só queremos conferir se não tem nada de errado antes da grande inauguração.

— Está tão bonito aqui dentro! — elogia Allysa, admirando nosso trabalho árduo.

Olho ao redor, morrendo de orgulho. Claro que quero ter sucesso, mas a esta altura nem sei mais se isso importa. Eu tinha um sonho e me esforcei como uma louca para que se tornasse realidade. O que quer que aconteça depois disso vai ser a cereja do bolo.

— Está com um cheiro muito bom aqui! — comento. — Amo este cheiro.

Não sei se vamos receber algum cliente hoje, mas nós duas agimos como se isso fosse a melhor coisa que já nos aconteceu, então acho que não importa. Além disso, em algum momento Marshall vai passar aqui hoje, e minha mãe vem depois do trabalho. Já são dois clientes garantidos, o que é muito.

Allysa aperta meu braço quando a porta começa a se abrir. De repente, sinto um leve pânico, porque imagina se algo der errado?

E então entro de vez em pânico, porque algo deu mesmo errado. Muito errado. Nosso primeiríssimo cliente é ninguém menos que Ryle Kincaid.

Ele para depois de entrar; a porta bate e ele olha ao redor, impressionado.

— O quê? — pergunta, girando. — Como...? — Ele olha para mim e Allysa. — Que incrível. Nem parece o mesmo lugar!

Ok, talvez não eu não veja nenhum problema em ele ser o primeiro cliente.

Ryle leva alguns minutos para chegar até o balcão porque não consegue parar de tocar nas coisas, observa tudo. Quando finalmente se aproxima de nós duas, Allysa dá a volta no balcão e o abraça.

— Não está lindo? — pergunta ela, acenando em minha direção. — Foi tudo ideia de Lily. Tudo. Eu só ajudei com o trabalho sujo.

Ryle ri.

— É difícil acreditar que suas habilidades no Pinterest não tenham influenciado um pouco.

Confirmo com a cabeça.

— Ela está sendo modesta. Com as habilidades, já tínhamos metade do caminho andado para tornar isso realidade.

Ryle sorri para mim, mas poderia muito bem ter cravado uma faca em meu peito. Ai!

— Sou o primeiro cliente oficial? — pergunta ele, batendo a mão no balcão.

Allysa lhe entrega um de nossos panfletos.

— Na verdade você tem de comprar alguma coisa para ser considerado um cliente.

Ryle olha para o panfleto e o coloca no balcão. Depois vai até uma das vitrines e pega um vaso de lírios roxos.

— Quero este aqui — diz Ryle, colocando-o no balcão.

Sorrio, me perguntando se ele percebeu que acabou de escolher lírios. Que ironia.

— Quer que a gente entregue em algum lugar? — pergunta Allysa.

— Vocês fazem isso?

— Allysa e eu não — respondo. — Temos um entregador a postos. A gente não sabia se precisaria dele hoje.

— Está mesmo comprando as flores para uma garota? — indaga Allysa.

Ela está apenas se intrometendo na vida amorosa do irmão como qualquer irmã faria, mas então percebo que me aproximei dela para escutar melhor a resposta.

— Estou — responde ele, e seus olhos encontram os meus. — Mas não penso muito nela. Quase nunca.

Allysa pega um cartão e o desliza pelo balcão até ele.

— Coitada — diz ela. — Você é o maior babaca. — Ela tamborila o dedo no cartão. — Escreva a mensagem na frente, e o endereço da entrega atrás.

Fico observando Ryle se encurvar sobre o cartão e escrever em ambos os lados. Sei que não tenho o direito, mas estou morrendo de ciúmes.

— Vai convidá-la para meu aniversário na sexta? — pergunta Allysa.

Presto muita atenção em sua reação. Mas Ryle só balança a cabeça e responde, sem olhar para cima:

— Não. Você vai, Lily?

Não dá para perceber pelo tom de voz se ele quer que eu vá ou não. Considerando o estresse que pareço causar em sua vida, acho que é a segunda opção.

— Ainda não decidi.

— Ela vai — afirma Allysa, respondendo por mim. Ela olha para mim e semicerra os olhos. — Você vai a minha festa querendo ou não. Se não for, peço demissão.

Quando Ryle termina de escrever, põe o cartão no envelope anexado às flores. Allysa diz o preço, e ele paga em dinheiro. Depois olha para mim enquanto conta as notas.

— Lily, sabia que lojas novas têm o costume de emoldurar o primeiro dólar que ganham?

Confirmo com a cabeça. Claro que sei disso. Ele sabe que eu sei disso. Só está me jogando na cara que seu dólar vai ficar emoldurado para sempre na parede da loja. Quase peço para Allysa devolver o dinheiro, mas negócios são negócios. Preciso deixar meu orgulho ferido fora disso.

Depois de pegar a nota fiscal, ele bate o punho no balcão para chamar minha atenção. Abaixa um pouco a cabeça e, com um sorriso genuíno, diz:

— Parabéns, Lily.

Ele se vira e sai da loja. Assim que a porta se fecha, Allysa pega o envelope.

— Para quem ele vai mandar flores, hein? — pergunta ela, pegando o cartão. — Ryle nunca envia flores.

Ela lê o cartão em voz alta.

— Faça isso parar.

Puta merda.

Ela encara o cartão por um instante e repete a frase.

— Faça isso parar? O que diabo significa isso? — pergunta ela.

Não aguento nem mais um segundo. Agarro o cartão e o viro. Ela se inclina e lê a parte de trás comigo.

— Ele é o maior idiota — diz, rindo. — Atrás ele escreveu o endereço aqui da loja.

Ela pega o cartão de minhas mãos.

Caramba.

Ryle acabou de comprar flores para mim. E não uma flor qualquer. Comprou um buquê de lírios.

Allysa pega o celular.

— Vou mandar uma mensagem e dizer que ele se enganou. — Ela faz isso e ri enquanto encara as flores. — Como um neurocirurgião pode ser tão idiota?

Não consigo parar de sorrir. Fico aliviada por ela estar olhando para as flores e não para mim, porque poderia perceber.

— Vou deixá-las no escritório até a gente descobrir o endereço de entrega.

Pego o vaso e levo rapidamente minhas flores.