É Assim que Acaba

Colleen Hoover · Capítulo 24 de 38

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É Assim que Acaba

Capítulo Vinte e Três

 

 

Três horas depois, chego em casa e passam das 22h. Fiquei com Allysa por mais uma hora após a saída de Ryle, e ainda voltei ao escritório para terminar algumas coisas e poder ficar dois dias sem voltar à floricultura. Sempre que Ryle tem um dia de folga, tento folgar também.

As luzes estão apagadas quando entro no apartamento, o que significa que Ryle já está na cama.

Passei o trajeto inteiro até em casa pensando no que ele me disse. Eu não estava esperando essa conversa tão cedo. Tenho quase 25 anos, mas, em minha opinião, esperaríamos mais uns dois anos pelo menos antes de tentar engravidar. Ainda não sei se estou pronta, mas saber que ele vai querer isso um dia me deixou incrivelmente feliz.

Decido preparar algo rápido para comer antes de acordá-lo. Ainda não jantei e estou morrendo de fome. Quando acendo a luz da cozinha, dou um grito. Levo a mão ao peito e esbarro no balcão.

— Meu Deus, Ryle! O que você está fazendo?

Ele está encostado na parede, ao lado da geladeira; os pés, cruzados na altura dos tornozelos; os olhos, semicerrados em minha direção. Ele revira alguma coisa entre os dedos e me encara.

Meus olhos se desviam para o balcão à esquerda, e vejo um copo vazio que devia estar com uísque há pouco. Ele bebe de vez em quando porque o ajuda a dormir.

Olho de novo para ele, que exibe um sorrisinho. Meu corpo se aquece imediatamente com esse sorriso, porque sei o que vem em seguida. Esse apartamento está prestes a virar um frenesi de roupas e beijos. Já batizamos quase todos os cômodos desde que nos mudamos, mas ainda falta a cozinha.

Sorrio de volta, o coração ainda batendo erraticamente por causa do susto de tê-lo encontrado no escuro. Seus olhos se fixam em sua mão, e percebo que está segurando o ímã de Boston. Eu o trouxe do apartamento antigo e o coloquei na geladeira quando nos mudamos.

Ele o devolve à geladeira e dá um tapinha nele.

— De onde veio isso?

Olho para o ímã e depois para ele. A última coisa que quero é dizer que o ganhei de Atlas em meu aniversário de 16 anos. Isso apenas traria à tona um assunto ainda sensível para nós dois, e estou animada demais com o que vai acontecer daqui a pouco para contar uma verdade nua e crua.

Dou de ombros.

— Não lembro. Tenho há um tempão.

Ele me encara em silêncio e se empertiga, dando dois passos para perto de mim. Eu me encosto no balcão e fico sem ar. Sua mão vai até minha cintura, e ele a desliza entre minha bunda e a calça jeans, me puxando para perto. Sua boca toma a minha, e ele me beija enquanto começa a baixar minha calça.

Então vamos fazer isso agora mesmo.

Seus lábios se arrastam em meu pescoço enquanto descalço os sapatos, e ele tira de vez minha calça.

Acho que posso comer depois. Batizar a cozinha acabou de se tornar minha prioridade.

Quando sua boca volta para a minha, ele me levanta e me coloca em cima do balcão, se posicionando entre meus joelhos. Sinto seu hálito de uísque e meio que gosto. Já estou ofegante quando seus lábios quentes deslizam pelos meus. Ele agarra meu cabelo e me puxa delicadamente para que eu o encare.

— Verdade nua e crua? — sussurra, observando minha boca, como se estivesse prestes a me devorar.

Faço que sim.

Sua outra mão começa a subir por minha coxa até não ter mais aonde ir. Ele enfia dois dedos quentes em mim, prendendo meu olhar no seu. Inspiro pela boca enquanto minhas pernas se enrijecem ao redor de sua cintura. Começo a me mover lentamente na direção contrária de sua mão, gemendo baixinho enquanto ele me encara, excitado.

— De onde veio aquele ímã, Lily?

O quê?

Sinto como se meu coração estivesse batendo ao contrário.

Por que ele insiste na pergunta?

Seus dedos continuam se movendo dentro de mim, e seus olhos ainda demonstram que ele me quer. Mas sua mão... A mão em meu cabelo começa a puxar com mais força, e eu estremeço.

— Ryle — sussurro, mantendo o tom de voz calmo, por mais que esteja começando a ficar trêmulo. — Isso dói.

Seus dedos param de mexer, mas seu olhar não desvia do meu. Ele tira lentamente os dedos de mim e coloca a mão ao redor de meu pescoço, apertando delicadamente. Seus lábios encontram os meus, e sua língua entra em minha boca. Eu aceito, porque não faço ideia do que está lhe passando pela cabeça, e torço para que eu esteja exagerando.

Quando ele encosta em mim, sinto que está duro dentro da calça. Mas então ele recua. Suas mãos saem de mim, e ele se encosta na geladeira, me olhando de cima a baixo, como se quisesse me possuir bem aqui na cozinha. Meu coração começa a se acalmar. Estou exagerando.

Perto do fogão, ele põe o braço atrás de mim e pega um jornal. É o mesmo jornal que me mostrou mais cedo, com a matéria sobre os prêmios. Ele o ergue e depois o joga para mim.

— Já leu?

Solto o ar pela boca, aliviada.

— Ainda não — respondo, fixando os olhos no artigo.

—Então leia em voz alta.

Olho para ele. Sorrio, mas estou com frio na barriga de tanta ansiedade. Tem alguma coisa diferente em Ryle. Na maneira como está agindo. Não sei o que é...

— Quer que eu leia? — pergunto. — Agora?

Não estou nada confortável, sentada seminua no balcão da cozinha, segurando um jornal. Ele confirma com a cabeça.

— Primeiro quero que tire a camisa. E depois leia em voz alta.

Fico encarando Ryle, tentando interpretar seu comportamento. Será que o uísque o deixou mais excitado que o normal? Muitas vezes, quando transamos, é um ato tão simples quanto fazer amor. Mas, de vez em quando, fazemos sexo selvagem. Um pouco perigoso, assim como seu olhar no momento.

Deixo o jornal no balcão, tiro a camisa e depois pego o jornal de volta. Começo a ler em voz alta, mas ele dá um passo para a frente e diz:

— A matéria toda, não. — Ele vira para a outra página do jornal, no meio da matéria, e aponta para uma frase. — Leia os últimos parágrafos.

Olho para baixo, ainda mais confusa. Mas faço o que for para esquecermos logo isso e irmos para a cama...

— “O estabelecimento mais votado não é surpresa para ninguém. O icônico Bib’s, na Marketson, foi inaugurado em abril do ano passado e rapidamente se tornou um dos restaurantes mais bem avaliados da cidade, de acordo com o TripAdvisor”.

Paro de ler e olho para Ryle. Ele serviu mais uísque e está tomando um gole.

— Continue lendo — ordena, indicando com a cabeça o jornal em minhas mãos.

Engulo em seco com força, a saliva na boca engrossando a cada segundo. Tento controlar o tremor nas mãos enquanto continuo lendo.

— “O dono, Atlas Corrigan, é um chef duplamente premiado e também membro da Marinha dos Estados Unidos. Não é nenhum segredo que o acrônimo de seu restaurante de sucesso, Bib’s, significa Better in Boston”.

Suspiro.

Tudo é melhor em Boston.

Aperto minha barriga, tentando manter as emoções sob controle enquanto continuo:

— “Mas, quando foi entrevistado sobre seu prêmio mais recente, o chef finalmente revelou a verdade por trás do nome. É uma longa história, afirmou o chef Corrigan. Foi uma homenagem a alguém que teve grande impacto em minha vida. Alguém que foi muito importante para mim. Ela ainda é muito importante para mim”.

Deixo o jornal no balcão.

— Não quero mais ler.

Minha voz falha ao passar pela garganta.

Ryle dá dois passos rápidos para a frente e agarra o jornal. Continua de onde parei, com a voz alta e zangada:

— “Quando perguntamos se a garota sabia que o nome do restaurante era por causa dela, chef Corrigan sorriu compreensivamente e disse: Próxima pergunta”.

A raiva na voz de Ryle me deixa enjoada.

— Ryle, pare — digo, calma. — Você bebeu demais.

Passo por ele e saio depressa da cozinha, indo para o corredor que leva ao quarto. Tem muita coisa acontecendo, e acho que não estou entendendo nada.

A matéria não citou a pessoa de quem Atlas estava falando. Atlas sabe que sou eu, e eu sei que sou eu, mas por que diabo Ryle pensaria isso?

E o ímã. Por que ele está deduzindo que ganhei o ímã de Atlas só com base nessa matéria de jornal?

Exagero.

Eu o escuto me seguir enquanto vou até o quarto. Escancaro a porta e paro imediatamente.

A cama está cheia de coisas. Uma caixa de mudança vazia com as palavras “Coisas de Lily” escritas na lateral. E tudo o que estava dentro da caixa... espalhado. Cartas, diários, caixas de sapato vazias. Fecho os olhos e inspiro lentamente.

Ele leu o diário.

Não.

Ele. Leu. O. Diário.

Seu braço envolve minha cintura por trás. Sua mão sobe por minha barriga e segura meu seio com firmeza. Sua outra mão roça meu ombro enquanto ele afasta o cabelo de meu pescoço.

Fecho os olhos enquanto seus dedos começam a percorrer minha pele, indo até meu ombro. Seu dedo passa lentamente pelo lado do coração, e meu corpo todo estremece. Seus lábios encostam bem em cima de minha tatuagem, e depois seus dentes cravam minha pele com tanta força que eu grito.

Tento me afastar, mas ele está me segurando com tanta força que nem se mexe. A dor de seus dentes perfurando minha clavícula se espalha pelo ombro e desce pelo braço. Imediatamente, começo a chorar. A soluçar.

— Ryle, me solte — digo, com um tom de voz suplicante. — Por favor, se afaste.

Seus braços machucam os meus enquanto ele me segura com força por trás.

Ryle me vira, mas continuo de olhos fechados. Estou assustada demais para encará-lo. Suas mãos se afundam em meus ombros enquanto ele me empurra na cama. Começo a me debater para escapar, mas não adianta. Ele é forte demais. Está zangado. Magoado. E não está sendo Ryle.

Estou deitada de costas na cama e me arrasto freneticamente até a cabeceira, tentando fugir.

— Por que ele ainda está aqui, Lily? — Sua voz não está mais tão controlada quanto na cozinha. Ele está muito zangado. — Esse cara está em tudo. No ímã da geladeira. No diário que achei na caixa em nosso armário. Na merda de sua tatuagem que antes era a parte que eu mais gostava em você, porra!

Ele sobe na cama.

— Ryle — imploro. — Posso explicar. — As lágrimas me escorrem pelas têmporas e molham meu cabelo. — Você está zangado. Por favor, não me machuque. Por favor. Vá embora, e eu explico quando você voltar.

Sua mão agarra meu tornozelo, e me puxa até me colocar debaixo dele.

— Não estou zangado, Lily — retruca, com a voz perturbadoramente calma. — Só acho que ainda não demonstrei como eu te amo.

Seu corpo se aproxima do meu, e ele prende meus pulsos acima de minha cabeça, pressionando-os no colchão.

— Ryle, por favor. — Estou soluçando, tentando afastá-lo com alguma parte de meu corpo. — Saia de cima de mim. Por favor.

Não, não, não, não.

— Eu te amo, Lily — diz ele, e suas palavras atingem minha face. — Mais do que ele jamais amou. Por que você não enxerga isso?

Meu medo dá lugar à raiva. Tudo o que vejo ao fechar os olhos é minha mãe chorando no sofá de nossa antiga sala... meu pai a forçando. O ódio esgarça meu corpo e começo a gritar.

Ryle tenta abafar meus gritos com a boca.

Mordo sua língua.

Sua testa bate na minha.

Em um instante, toda a dor passa quando um manto de escuridão cobre meus olhos e me consome.

 

• • •

 

Sinto sua respiração no ouvido quando ele murmura algo inaudível. Meu coração está acelerado, meu corpo inteiro continua tremendo, minhas lágrimas ainda escorrem, e estou ofegante. Suas palavras me atingem no ouvido, mas a dor faz minha cabeça latejar demais e não as decifro.

Tento abrir os olhos, mas sinto uma ardência. Tem alguma coisa escorrendo para dentro de meu olho direito, e imediatamente percebo que é sangue.

Meu sangue.

Suas palavras começam a ficar mais nítidas.

— Desculpe, desculpe, desculpe...

Sua mão ainda pressiona a minha no colchão, e ele continua em cima de mim. Mas não está mais tentando se forçar para dentro de mim.

— Lily, eu te amo, me desculpe mesmo.

Suas palavras estão cheias de pânico. Ele está me beijando, seus lábios delicados roçando minha bochecha e minha boca.

Ele sabe o que fez. Voltou a ser Ryle, e sabe o que acabou de fazer comigo. Conosco. Com nosso futuro.

Tiro vantagem de seu pânico. Balanço a cabeça e sussurro:

— Está tudo bem, Ryle. Está tudo bem. Você estava zangado, está tudo bem.

Seus lábios agitados encontram os meus, e o gosto de uísque me dá vontade de vomitar. Ele ainda está sussurrando pedidos de desculpa até que o quarto começa a esvaecer mais uma vez.

 

• • •

 

Meus olhos estão fechados. Continuamos na cama, mas ele já não está totalmente em cima de mim. Está a meu lado, apoiando com firmeza o braço em cima de minha cintura. Sua cabeça pressiona meu peito. Continuo rígida enquanto analiso tudo ao redor.

Ele não está se movendo, mas sinto a respiração pesada do sono. Não sei se ele apagou ou se acabou dormindo. A última coisa de que me lembro é sua boca na minha, o gosto de minhas lágrimas.

Fico deitada sem me mexer por vários minutos. Minha dor de cabeça piora a cada minuto consciente. Fecho os olhos e tento pensar.

Cadê minha bolsa?

Cadê minhas chaves?

Cadê meu celular?

Demoro cinco minutos para me desvencilhar. Fico com muito medo de me mexer demais de uma vez só, então me movo um centímetro de cada vez, até conseguir rolar para o chão. Quando deixo de sentir suas mãos em mim, um soluço inesperado me irrompe do peito. Tapo a boca com a mão enquanto me levanto e saio correndo do quarto.

Encontro a bolsa e o celular, mas não faço ideia de onde estão minhas chaves. Procuro freneticamente pela sala e pela cozinha, mas mal consigo enxergar. Quando ele me golpeou com a cabeça, deve ter machucado minha testa, porque tem sangue demais em meus olhos e vejo tudo borrado.

Deslizo até o chão perto da porta e fico tonta. Meus dedos tremem tanto que só na terceira tentativa acerto a senha do celular.

Hesito assim que aparece a tela para digitar o número. Penso primeiro em ligar para Allysa e Marshall, mas não posso sobrecarregá-los agora. Ela teve um bebê há apenas algumas horas. Não posso fazer isso com eles.

Eu poderia ligar para a polícia, mas não estou em condições de assimilar as consequências. Não quero depor. Não quero prestar queixa, porque sei as implicações para sua carreira. Não quero Allysa zangada comigo. Simplesmente não sei. Não descarto completamente denunciar à polícia. Mas não tenho energia para decidir agora.

Aperto o telefone nas mãos e tento raciocinar. Minha mãe.

Começo a discar seu número, mas, quando penso no que isso lhe causaria, começo a chorar de novo. Não posso envolvê-la nessa confusão. Ela já passou por muita coisa. E Ryle vai tentar me encontrar. Vai procurá-la primeiro. Depois, Allysa e Marshall. E então vai atrás de todo mundo que conheço.

Enxugo as lágrimas dos olhos e começo a discar o número de Atlas.

Nunca me odiei tanto quanto agora.

Eu me odeio porque, quando Ryle achou o número de Atlas em meu celular, eu menti e disse que tinha me esquecido de que estava ali.

Eu me odeio porque, no dia em que Atlas me deu o número, eu abri e olhei o papel.

Eu me odeio porque, no fundo, eu sabia que talvez fosse precisar daquilo um dia. Então decorei.

— Alô?

A voz está cautelosa. Curiosa. Ele não reconhece o número. Assim que atende, começo a chorar. Tapo a boca e tento ficar quieta.

— Lily? — Sua voz fica bem mais alta. — Lily, onde você está?

Eu me odeio porque ele sabe que as lágrimas são minhas.

— Atlas — sussurro. — Preciso de ajuda.

— Onde você está? — repete ele.

Noto o pânico em sua voz. Eu o escuto andando, remexendo em algumas coisas. Ouço uma porta bater do outro lado da linha.

— Vou te mandar uma mensagem — murmuro, com medo demais para continuar falando em voz alta.

Não quero acordar Ryle. Desligo e encontro forças para acalmar minhas mãos enquanto mando meu endereço e o código para entrar no prédio por sms. Depois envio uma segunda mensagem que diz: Me avise quando chegar. Por favor, não bata na porta.

Engatinho até a cozinha e encontro minha calça, vestindo-a com dificuldade. Acho minha camisa no balcão. Depois de me vestir, vou para a sala. Penso em abrir a porta e encontrar Atlas lá embaixo, mas tenho medo de não conseguir chegar sozinha à portaria. Minha testa ainda está sangrando, e me sinto fraca demais até mesmo para levantar e esperar perto da saída. Deslizo até o chão, seguro o celular com a mão trêmula e o encaro, esperando a mensagem.

Depois de vinte e quatro minutos agonizantes, meu celular acende.

Cheguei.

Eu me levanto com dificuldade e abro a porta. Braços envolvem meu corpo, e meu rosto encosta em algo macio. Começo a chorar, chorar, tremer e chorar.

— Lily — sussurra ele. Jamais ouvi meu nome dito com tanta tristeza. Atlas me faz olhar para ele. Seus olhos azuis examinam meu rosto, e eu vejo quando acontece. Noto a preocupação desaparecer quando Atlas vira a cabeça na direção da porta. — Ele ainda está lá dentro?

Fúria.

Sinto a fúria emanar de Atlas, e ele dá um passo na direção do apartamento. Agarro sua jaqueta com os punhos cerrados.

— Não. Por favor, Atlas. Só quero ir embora.

Vejo o sofrimento tomá-lo quando ele para, tentando decidir se deve me escutar ou simplesmente derrubar a porta. Ele acaba virando as costas para ela e me envolvendo com os braços. Então me ajuda a ir até o elevador e a passar pela portaria. Por algum milagre, só encontramos uma pessoa, que estava virada para o outro lado, falando ao celular.

Quando chegamos à garagem, volto a me sentir tonta. Peço que ande mais devagar, então sinto seus braços embaixo dos joelhos enquanto ele me ergue. E depois estamos dentro do carro, já em movimento.

Sei que preciso levar pontos.

Sei que ele está me levando ao hospital.

Mas não faço ideia de por que digo as próximas palavras:

— Não me leve ao Mass General. Me leve a outro lugar.

Por algum motivo, não quero correr o risco de encontrar algum colega de Ryle. Eu o odeio. No momento, eu o odeio mais do que jamais odiei meu pai. Porém, minha preocupação com sua carreira ainda consegue partir meu ódio ao meio.

Quando percebo isso, eu me odeio tanto quanto o odeio.