Homem-Formiga

Jason Starr · Capítulo 5 de 21

Páginas do PDF

Homem-Formiga

Capítulo 4

HOUVE UM TEMPO na vida de Scott que, se agentes do FBI aparecessem no apartamento dele tarde da noite, ele entraria em pânico – talvez tentaria escapar pela saída de incêndio ou pelo telhado. Mesmo ali, a situação acendia um instinto de lutar ou fugir. Contudo, o pânico cedeu quando ele se lembrou de que não tinha feito nada de errado, não infringira nenhuma lei – bom, pelo menos nos últimos tempos – e não tinha nada a temer.

– Desço em um minuto – Scott disse ao interfone.

Ele vestiu a calça jeans, uma camiseta e chinelos, e desceu. Podia ter mandado o cara subir, mas não tinha certeza de que era mesmo do FBI. A segurança de Cassie vinha sempre em primeiro lugar.

Dois homens esperavam no vestíbulo. Um deles, alto, ombros largos, cabelo raspado, usando terno preto, tinha visual que gritava agente do FBI. O outro cara, atarracado, careca, de óculos, parecia mais um contador.

Quando Scott abriu a porta interior, o cara de terno mostrou o distintivo do FBI. Scott sabia como era um distintivo de verdade – e sim, aquele era.

– Agente Warren. Esse é o agente James. Podemos subir, por favor? É importante.

Scott já começava a achar toda aquela situação um tanto quanto enfadonha: agentes do FBI com algo importante para tratar? Aquilo não tinha como ser bom.

– Já é tarde da noite. Minha filha tá dormindo.

– Desculpe, mas preferimos falar disso lá em cima, se não se importar.

Bom, pelo menos ninguém tinha lido os direitos dele. Por outro lado, não tinham vindo lhe fazer uma visita. Será que tinha algo a ver com o incidente no mercadinho, ou com sua identidade enquanto Homem-Formiga? Ele desejou que tudo aquilo fosse um sonho e que ainda estivesse na cama, dormindo, com o livro no peito.

Ele levou os agentes até o apartamento. O lugar era tão pequeno que foi difícil chegar ao sofá com a cama aberta, então ele se sentou com os agentes num cantinho que chamava de sala de jantar. Havia apenas duas cadeiras, então Scott sentou-se num banco.

– Olha, eu adoro surpresas – disse ele –, mas acho que isso é um pouco demais, não acham?

Os agentes permaneceram estoicos.

– Você e sua família podem estar em grande perigo – disse Warren.

Scott não esperava por essa. Não sabia pelo que esperava, mas certamente não por essa.

– Tá – disse. – Em perigo como?

– Willie Dugan escapou da prisão sete meses atrás.

Isso não era novidade para Scott. Dugan era um antigo, digamos, sócio dele. Fizeram vários roubos juntos, depois se separaram. Scott fora forçado a testemunhar contra Dugan no julgamento, nove anos antes.

– Ouvi dizer – disse ele. – E daí?

– Você era amigo de Dugan, não era? – perguntou James.

– Eu não diria que éramos amigos. Conhecidos, sim. Se acham que faço alguma ideia de onde ele está escondido, não faço. Na verdade, já me perguntaram isso várias vezes.

– Aconteceram algumas coisas recentemente – disse Warren.

– Encontraram ele? – Scott perguntou.

– Não, infelizmente não – respondeu James.

– Não estou entendendo. O que isso tem a ver com eu e minha família estarmos em perigo?

– E quanto a Nicky Soto? – perguntou James.

Nicky também estava no bando, junto com Dugan.

– É, eu conheço – disse Scott. – Bom, eu conhecia.

– E Miguel Santana?

– Também – disse Scott.

– Robert Billings? – Warren perguntou.

– Não, desse eu não lembro – disse Scott.

– Ele tinha um apelido, Dólar – Warren disse.

Ah, ele. Scott ouvira histórias sobre Dólar Billings, mas nunca chegara a conhecer o cara pessoalmente.

– Podem, por favor, me dizer o que está acontecendo aqui? – Scott pediu.

– Soto, Santana e Billings foram todos mortos, assassinados, ao longo dos últimos meses – disse Warren. – E achamos que você deve ser o próximo na lista de Dugan.

– Opa, calma aí – disse Scott. – Assassinados? Por quem?

– Dugan, nós achamos – disse Warren. – Ou sócios dele.

– Vocês acham? – disse Scott.

– É mais provável que estejam relacionados com Dugan – disse James. – É nosso principal suspeito. Temos o relato da testemunha de um dos assassinatos, e evidências nas outras mortes indicam que Dugan estava envolvido.

– Sem contar o fato de que as três vítimas foram afiliadas de algum modo a Dugan – disse Warren.

– Duas testemunharam contra ele – disse James. – O terceiro cara, Billings, Dugan tinha meio que uma questão pessoal contra ele. Tinha a ver com mulher.

– Uau. Não acredito que Nicky e Miguel estão mortos – disse Scott. – Quer dizer, faz anos que não os vejo, e sei que fizeram coisa errada, mas estavam tentando consertar a vida. – Scott deixou a informação ser assimilada por um tempo, depois continuou: – Mas entendo o que estão querendo dizer. Deixa eu adivinhar. Acham que sou o próximo na lista de Dugan porque eu testemunhei contra ele, é isso?

Warren e James não disseram nada.

– Bom, não sou – disse Scott.

– Por que diz isso? – perguntou James.

– Porque conheço Willie, e sei que ele não faria isso.

– Pensei que tivesse dito que não o conhecia – disse Warren.

– Não falo com ele faz anos – disse Scott –, mas eu o conheço. Sei como ele pensa.

– Bom, temos informações que nos dizem que você está errado. Ele está vindo atrás de você.

Scott se perguntou se o agente poderia ter razão. Ele achava que conhecia Dugan – mas a verdade era que não falava com o homem há dez anos, desde o último trabalho que fizeram juntos. Era possível, até provável, que Dugan tivesse mudado. Afinal, passara todo aquele tempo na prisão, e tempo de prisão mudava todo mundo – geralmente pra pior.

– Que tipo de informação? – Scott perguntou.

– Não importa – disse Warren.

– Importa pra mim – Scott rebateu.

– Interrogamos uma testemunha que tinha informações acerca dos planos de Dugan. Seu nome apareceu – disse James.

– Em que contexto? – Scott perguntou.

– Sinto muito, mas isso é tudo que podemos contar pra você agora – disse Warren. – Para sua segurança. Diremos o que você precisa saber, e mais nada.

– E quanto à minha filha e minha ex-mulher? – Scott perguntou. – Por que acham que elas podem estar correndo perigo também?

– Antes de Santana ser morto, a família dele recebeu ameaças anônimas – disse James.

– E essas ameaças podem ter sido feitas por Dugan ou pessoas associadas a ele – Warren acrescentou.

– Opa, espera um minuto. Dugan escapou da prisão faz quase um ano, certo? Então enquanto ele tá solto, acontecem três assassinatos, de caras que testemunharam contra ele ou deram alguma mancada. E vocês levaram esse tempo todo pra ligar uma coisa à outra?

– As vítimas moravam em partes diferentes do país – disse Warren. – Califórnia, Texas, Flórida.

– Existem bancos de dados hoje em dia – ironizou Scott. – Chama-se tecnologia.

Os agentes, principalmente Warren, não pareceram muito contentes de ouvir Scott, um ex-trambiqueiro, passando um sermão neles.

– Olha, a gente não veio aqui se explicar para você – disse Warren. – Viemos proteger você e a sua família.

– Obrigado – disse Scott –, mas posso proteger minha família sozinho.

Nessas horas Scott tinha vontade de poder gritar “Eu sou o Homem-Formiga, seus babacas! Não preciso de proteção”. Mantivera a identidade do Homem-Formiga em segredo principalmente para proteger Cassie. Como super-herói, ele tinha uma lista de inimigos que poderiam desejar vingança – e mais uma vez, embora não se preocupasse com a própria segurança, manter Cassie fora de perigo era sua prioridade. Ironicamente, a menina era uma das poucas pessoas que sabiam do segredo. Confiava muito nela.

– Receio que você não tenha escolha – disse Warren.

– Não tenho escolha? – Scott perguntou. – O que vão fazer, me obrigar?

– Na verdade, vamos – disse Warren.

– Recebemos ordem de proteção para sua família até que não haja mais ameaça – disse James.

Scott riu, mesmo sabendo que aquilo não era uma pegadinha. Vocês devem estar brincando, certo? Pensou ele. Ordem de proteção pra um super-herói? Tony Stark e a galera iam tirar sarro dele por causa disso por anos. Ele queria manter Cassie a salvo, claro, mas e se não houvesse mesmo perigo? Uma ordem de proteção causaria uma baita perturbação na vida da garota, e ele não queria fazê-la passar por isso a não ser que fosse absolutamente necessário.

– Como sabem que Dugan está em Nova York? – ele perguntou. – E se sabem que está, por que não podem simplesmente capturá-lo?

– A ordem de proteção começa imediatamente – disse Warren, levantando-se.

Scott também se levantou.

– Isso é pra vocês livrarem o rabo de vocês, né? Deram mancada, não ligaram os pontos a tempo, e alguns caras do passado de Dugan foram pro saco. Agora, com provas extremamente circunstanciais, vão obrigar que eu e minha família aceitemos guarda-costas?

– Os oficiais que vão proteger você estão lá fora neste momento – disse Warren. – Carlos Torres vai acompanhá-lo ao trabalho, e Roger Shelly vai levar sua filha à escola. Amanhã no fim da tarde os agentes serão trocados por outros, para o turno da noite.

– Olha, falando sério – disse Scott –, isso é desperdício de dinheiro do contribuinte.

– Sua ex-mulher, Peggy Lang, está neste momento sendo colocada sob custódia preventiva também – disse James.

– Epa, minha ex-mulher nem mora em Nova York. Ela mora no…

– Oregon – disse James.

– Viu, a gente até que sabe usar o banco de dados – disse Warren, emanando sarcasmo.

– Não há motivos para envolvê-la – disse Scott.

– Ela já foi envolvida – disse Warren. – Tem agentes na casa dela neste momento.

– Fala sério, que maluquice! – disse Scott. – Fico agradecido por vocês dois terem vindo aqui me colocar a par de tudo, mas eu estou bem, e a minha família também vai ficar bem. Não precisamos de proteção nenhuma.

– Acho que você não entendeu – disse Warren. – Você não tem escolha.

– Na verdade, você tá tendo um desconto – disse James. – A alternativa seria você, sua filha e sua ex-mulher entrarem pro Programa de Proteção de Testemunhas.

– Pense nisso como se estivéssemos te fazendo um favor – piscou Warren.

– Eu estou falando, vocês não estão entendendo – insistiu Scott. – Willie Dugan não vai me machucar.

Tarde demais; os agentes já estavam saindo do apartamento.

Scott xingou. Deu um soco tão forte na parede que Cassie saiu do quarto.

Com os olhinhos apertados, ela perguntou:

– O que estava acontecendo?

– Nada – disse Scott. – Volte a dormir.

– Eu acabei de escutar vozes aqui?

– Não – Scott disse. – Deve ter sido um sonho.

Cassie não pareceu se convencer, mas murmurou um boa noite e voltou para o quarto.

Scott foi direto para o iPad e pesquisou Willie Dugan no Google. Lera

Scott foi direto para o iPad e pesquisou Willie Dugan no Google. Lera basicamente o que os agentes haviam contado, sobre o assassinato de Robert Billings na Flórida, dois dias antes, do qual Dugan era o principal suspeito. Concluiu que os federais haviam entrado no caso por conta dos assassinatos terem acontecido em vários estados. Talvez questões de jurisdição tivessem impedido a polícia de ligar os fatos antes.

Scott entendia por que os federais achavam que Dugan ia tentar matá-lo. O cara já tinha matado três pessoas – duas que testemunharam contra ele. Se aquilo fosse verdade, não dava para entender por que ele esperara tanto tempo. Por que Scott não foi o primeiro da lista?

Os dois haviam sido, se não amigos, bons camaradas, até que o Dr. Henry Pym deu a Scott o traje do Homem-Formiga – sob a condição de que ele usasse a tecnologia para o bem. Scott decidira deixar para trás sua vida de crimes, mas não soube muito bem como contar a novidade ao antigo sócio.

Scott, Dugan e mais uns caras estavam num hotel em Kentucky, a cerca de uma hora de Louisville. Estavam numa viagem de “negócios”, fazendo pesquisa para assaltar um banco, quando o prédio começou a pegar fogo. Scott e os outros caras saíram, mas Willie ficou preso lá dentro.

Os bombeiros chegaram e tentaram entrar à força, mas a fumaça estava tão densa que tiveram de recuar. Dugan estava aterrorizado, gritando por sua vida. Então Scott correu para o carro e abriu o porta-malas, onde guardava o uniforme do Homem-Formiga. Até aquele momento, o havia usado poucas vezes – não era exatamente um perito em transitar com ele. Mas se quisesse salvar a vida de Dugan, não tinha tempo a perder. Então ele encolheu, subiu pela escada de incêndio e passou pelos bombeiros, que tinham desistido de enfrentar as chamas, e entrou no quarto de Willie no segundo andar do hotel. O cara estava quase perdendo a consciência, tão fora de si que nem viu Scott voltar ao tamanho normal. Ele quebrou a janela do banheiro, arrastou Willie para fora e largou-o para os bombeiros lá embaixo. Em seguida Scott encolheu e escapou. O fogo se espalhou, e todo o prédio foi consumido pelas chamas.

Alguns dias depois, Scott anunciou a Willie que estava saindo do grupo. Willie foi totalmente contra a ideia. As habilidades técnicas de Scott os ajudavam a burlar sistemas de alarme e abrir cofres, e ele receava que Scott pirasse e testemunhasse contra ele. Scott prometeu que jamais entregaria o sócio à polícia – promessa que, no fim das contas, não pôde cumprir.

Ao longo dos anos seguintes, Scott perdera contato com Dugan. Focara a atenção em criar a filha e combater o crime. Estava se redimindo, tornando-se um homem melhor, e esperava que Dugan tivesse feito mudanças similares em sua vida. E então ouviu no noticiário que o cara fora preso por cometer homicídio duplo em Yonkers, Nova York. Depois de discutir por causa de uma mulher, ele atirou em dois homens – no melhor estilo execução – no estacionamento de um prédio residencial.

Scott sabia que Dugan era um gênio do crime que realizava dezenas de roubos planejados.

Mas o Dugan que ele conhecia não era violento, nunca matara ninguém. Scott nunca o vira discutir nem entrar numa briga. Era do tipo tranquilão, caladão. Ou alguma coisa acontecera para transformar o cara num assassino de sangue frio ou ele simplesmente escondera esse lado de Scott.

Este fora chamado para testemunhar no julgamento. As provas contra Dugan eram irrefutáveis – relatos de testemunhas, amostras de DNA, imagens de câmeras de segurança de um dos assassinatos –, por isso Scott quis fazer de tudo para ajudar a colocar o ex-parceiro atrás das grades. Sentia a responsabilidade pessoal de ajudar a mandá-lo para a prisão perpétua, para não poder matar de novo. A culpa era imensa: se ele não tivesse salvado Dugan do incêndio, as pessoas que ele matara ainda estariam vivas.

Logicamente, Scott sabia que não era o responsável, mas isso não mudava o que ele sentia.

Durante o julgamento, Dugan nem fez contato visual com Scott. Nem durante o testemunho e nem quando entrava ou saía do tribunal – nunca. Scott sabia que era de propósito, que Dugan estava tentando comunicar alguma coisa, mas qual seria a mensagem?

Ele foi condenado por dois homicídios de primeiro grau. O juiz entregou uma série de sentenças compostas que, somadas, resultaram em prisão perpétua. Mas Scott tinha a esquisita impressão de que ainda ouviria falar de Willie Dugan.

Então não foi surpresa quando descobriu, no ano anterior, que Dugan e diversos presos haviam passado nove anos cavando diligentemente um túnel e escaparam de Attica, uma das mais famosas prisões de segurança máxima do país. Se havia alguém paciente e determinado o bastante para perpetrar uma fuga tão complicada e bem organizada quanto aquela, esse alguém era Willie Dugan. O cara era um perito, um gênio, e uma das pessoas mais determinadas que Scott conhecera. Não era do tipo que resolvia as coisas na mão – era de planejar. Motivo pelo qual também não foi surpresa para Scott saber que os caras que escaparam junto foram capturados dentro de um dia, enquanto Dugan permanecia desaparecido. Ele sempre tinha um plano, e costumava estar sempre alguns passos na frente da polícia. Era um homem paciente, talvez o mais paciente que Scott já vira. Não corria riscos. Não apostava, a não ser que tivesse certeza absoluta de que as chances estivessem a seu favor.

Scott sabia que Dugan gostava de jogar um jogo demorado – provavelmente devia ter algum plano grandioso na cabeça. Será que esse plano incluía matar Scott e sua família como o grand finale da maratona de assassinatos? Essa era a maior das perguntas.

Sem chance de conseguir dormir naquele momento – Scott estava com a cabeça muito cheia. Zanzou pelo apartamento, cutucou um pedaço de pizza que sobrou na geladeira, de uns dias antes. Uma das coisas na qual ele ainda não mandava bem era a de sempre comprar comida. Mordiscou a pizza até perceber como estava com gosto de passada, e então jogou o resto no lixo.

Desceu para verificar a situação. Não foi difícil avistar os federais – tinha que ser um Charger preto do outro lado da rua com vidro fumê. Encontrava-se oficialmente sob medida preventiva. Estava mesmo acontecendo.

De volta ao apartamento, seu celular vibrou, anunciando a chegada de uma mensagem de texto. Era da ex:

QUE DIABOS TÁ ACONTECENDO??!!

Estava fula da vida – era de se esperar. Por acaso haveria alguma ex-mulher no mundo que não perderia a cabeça se tivesse que ficar sob medida preventiva por causa do ex-marido?

Para tentar acalmá-la, Scott respondeu:

Vou resolver tudo, não se preocupe, prometo.

Ela atirou de volta:

Acho bom mesmo, SENÃO…

Scott não gostou nada da ameaça. O que significava esse “senão”? Ela poderia ficar vingativa e revelar para os federais que Scott era o Homem-Formiga? Peggy amava Cassie, e Scott não acreditava que ela faria algo que pudesse colocar a filha em perigo. Dito isso, o passado criminoso de Scott havia sido um problemão no relacionamento do casal, e ele teve que trabalhar duro para convencê-la de que tinha passado de vez para o lado dos mocinhos. A última coisa que ele queria no momento era que ela tivesse mais informações que pudesse usar contra ele. Na pior das hipóteses, ela poderia argumentar que ele não era adequado enquanto pai e que ela deveria ter a guarda de Cassie. Scott tinha se esforçado tanto para oferecer estabilidade para a filha, e a última coisa que queria fazer era botar a menina no meio de mais uma disputa por guarda. E se Peggy ficasse determinada a levar Cassie para o Oregon, o juiz poderia facilmente legislar a favor dela visto que, a) as cortes geralmente decidem a favor da mãe em casos de guarda de filhos, e b) Scott havia sido um criminoso com uma ficha corrida bem longa.

A chegada dos federais não causara nele uma reação de lutar ou fugir das mais intensas, mas esse assunto sim. Cassie não era apenas filha de Scott. Era sua melhor amiga – e o motivo principal pelo qual ele resolvera mudar de vida. A ideia de perdê-la era inimaginável. Ele sabia que ela estava muito melhor com ele em Nova York.

Scott respondeu:

Confia em mim Relaxa Vai ficar tudo bem

E deixou por isso mesmo.

Ele sabia por experiência própria que ir contra a Peggy seria sempre um erro. A melhor estratégia era recuar e manter a paz.

Ela não respondeu mais, então talvez estivesse esperando as coisas se acalmarem. Talvez a polícia conseguisse pegar Dugan, e essa confusão toda terminaria. A ordem de proteção seria retirada, e todos poderiam seguir com suas vidas.

Scott deitou-se na cama, mas não conseguiu dormir. Teve uma estranha sensação de que antes que as coisas melhorassem, iam ficar muito, muito piores.