Homem-Formiga
Capítulo 5
GERALMENTE, QUANDO TOCAVA O DESPERTADOR de Cassie Lang, ela resmungava, clicava no soneca e ficava na cama o máximo possível. Mas naquele dia ela mal podia esperar para chegar à escola e ver Tucker McKenzie. Certamente o veria no almoço ou antes de humanidades, porque havia alguma aula do segundo ano no mesmo andar. Ela só falara com ele duas vezes até o momento: uma vez quando se cruzaram perto dos armários e ele disse “oi” para ela, que disse “oi” de volta, e outra vez, quando ela o viu, depois da aula, em frente a uma pizzaria na avenida York e ele disse “e aí, beleza?”, e ela ficou tão empolgada por ele ter reparado nela que gaguejou um “ah, hum-hum, oi”. Mas ela sabia que seria apenas questão de tempo até que os dois começassem a ficar.
Ela vestiu suas calças jeans favoritas e aquele top novo superlegal da Uniqlo, mas o top não ficou tão legal como quando ela o experimentou na loja, então ela trocou pelo roxo da H&M. Não gostou muito de como ficou esse também, mas não tinha mais nada para vestir. As coisas ficaram assim desde que a mãe se mudou para Portland, Oregon, e ela acabou indo viver integralmente com o pai. Da última vez que foram fazer compras, ele lhe dera duzentos dólares, que é quase nada em Manhattan. Ela compreendia que os dois viviam com orçamento apertado, e que era difícil pagar pelas coisas sendo pai solteiro, mas mesmo assim era um saco não encontrar nada legal pra vestir. O pai tinha um monte de qualidades, mas não entendia como era importante para ela ir bem-vestida à escola.
No banheiro, a menina checou o visual de corpo inteiro e concluiu que não estava tão ruim assim. Meio gatinha, até – principalmente depois que passou maquiagem, inclusive a sombra nova que comprara no dia anterior. Torceu para que a maquiagem a fizesse parecer mais velha também, como uma garota do segundo ano. Ela tinha certeza de que faria.
Foi até a geladeira pegar algo para o café da manhã, uma tigela prática de cereal, quando escutou:
– Cassie.
Ela se virou, assustada. O pai estava parado ao lado de um cara de cabelo grisalho que ela nunca tinha visto. O cara nem parecia muito velho – só tinha cabelo grisalho mesmo.
– O que está fazendo em casa? – ela perguntou. O pai costumava sair para trabalhar antes de ela acordar.
– A gente precisa conversar – disse Scott.
Será que fiz algo errado?, pensou Cassie. O pai andava sendo estranhamente rígido a respeito de coisas como mandar mensagem durante o jantar, mas havia mesmo algo para se conversar? E o que teria a ver com o cara esquisito de cabelo grisalho? Será que era algum tipo de castigo?
– Que foi que eu fiz? – Cassie perguntou.
– Você não fez nada. Mas aconteceu uma coisa. Nada de ruim, mas, bom… o Roger aqui vai te levar para a escola.
– Roger? – Cassie perguntou.
– Meu nome é Roger – disse o homem.
– É, isso eu entendi – disse Cassie. Depois, para o pai: – Mas por que ele vai me levar pra escola? O que tá acontecendo? Isso é pegadinha?
O pai respirou fundo, depois disse:
– Tá acontecendo uma coisa, Cassie.
A menina mal escutou quando o pai pôs-se a falar que era apenas temporário, mas que talvez houvesse um cara querendo acertar as contas com ele, e que aquilo era apenas precaução, e que logo acabaria. Ela só conseguia pensar mesmo no mico que seria chegar à escola com aquele cara esquisito junto dela.
Ela interrompeu seja lá o que o pai estava dizendo:
– Eu vou pra escola sozinha hoje.
– Sinto muito – disse o pai. – Você tem que ir. Nós dois temos. Também não tô gostando da situação, mas pelo visto a gente não tem escolha.
– Não preciso de proteção nenhuma – disse Cassie.
– É pro seu próprio bem – o cara, Roger, falou.
– Isso é tudo culpa sua – Cassie disse ao pai. – É por causa do seu passado, né? Por causa dos bandidos todos com quem você andava?
– É, tem um pouco a ver com isso – disse o pai. – Tá, tem super a ver com isso.
– Viu? – Cassie perdeu o controle. – Foi por isso que a mamãe foi embora. Porque você sempre estraga tudo. E acha que só porq…
Cassie quase disse “só porque você é o Homem-Formiga”, mas antes que saísse, o pai a cortou:
– Tá bom, já chega. Termine o café e vá pra escola com o Roger, e a gente conversa sobre isso mais tarde. Entendido?
– Não – disse Cassie. – Não está entendido, não.
Mas ela sabia que não tinha por que continuar discutindo – quando o pai falava sério, não tinha conversa, era fim de papo –, então ela voltou para o cereal. Mas tinha perdido a fome. Depois de umas colheradas, foi para a sala, pegou a mochila e saiu do apartamento sem olhar nem para o pai nem para Roger.
O policial a seguiu escadas abaixo e prédio afora, apressando-se para alcançá-la.
– Minha escola fica só a três quarteirões daqui. Isso é tão ridículo – disse ela.
Roger disse que compreendia, e que a intenção dele era ser o menos inconveniente possível. Cassie nem dava ouvidos e começou a reparar nas pessoas ao redor. Pessoas, no caso, que estudavam na mesma escola. Ai meu Deus, aquele ali do outro lado da rua é o Ryan, junto com a Nikki e a Carly, e na frente dele estavam Charles e Justin.
– Isso é tão constrangedor – Cassie disse.
– Eu tenho uma filha também, então entendo – disse Roger. – A minha está com treze anos.
– Por acaso algum estranho que ela nunca tinha visto na vida a levou pra escola no primeiro ano?
– Hã, não.
– Então como é que você entende?
O homem tentou se explicar, mas Cassie o ignorou. Andava de cabeça baixa, torcendo para não ser vista.
Quando entraram no quarteirão da escola, ela disse:
– Tá bom, daqui pra frente posso ir sozinha.
– Desculpa, mas tenho que ficar perto de você o dia todo – disse Roger.
Cassie parou de andar.
– Peraí, o dia todo? Pensei que só fosse me levar pra escola. Você não pode entrar na escola comigo. Não vão deixar.
– A escola já sabe de toda a situação – disse o policial. – Não se preocupe, vou ser bem discreto.
– Discreto? Vai me seguir pela escola o dia todo e acha que vai ser discreto?
– Faço isso o tempo todo – disse ele. – Bom, não o tempo todo, mas boa parte do tempo, e sei como ficar fora do caminho, ok?
– Vou pra casa – disse Cassie, e seguiu de volta ao apartamento.
Andando ao lado da menina, Roger dizia:
– Olha, vamos lá, confia em mim. Você tá achando que vai ser muito pior do que vai ser.
Cassie olhou feio para ele.
– Não foi isso que eu quis dizer – disse Roger. – Só quis dizer que não vai ser tão ruim assim. E se você faltar na escola vai perder a matéria e se prejudicar.
Cassie lembrou-se de que tinha uma prova importante de cálculo naquele dia e não podia perder – além disso, estava louca para ver Tucker.
– Tanto faz – disse ela, e deu meia-volta.
Esperava que Roger estivesse certo, que o dia não fosse tão ruim quanto ela imaginava. Quando entrou no prédio da rua 76, fingiu que era um dia normal e que Roger não estava bem atrás dela. Ficou olhando direto para a frente, tentando não reparar nos olhares estranhos que ele sabia que todos lançavam em sua direção.
Pelo menos Roger não entrou na sala de aula.
Mas Zoe, amiga de Cassie, reparou, porque perguntou:
– Quem é aquele cara?
– Que cara? – Cassie perguntou, tentando se fazer de boba. – Ah, aquele. É só, tipo, um supervisor da escola, uma coisa assim.
Aquilo não fazia o menor sentido, mas ela não conseguiu inventar uma explicação melhor.
– Um o quê da escola? – Zoe perguntou.
– Ah, ele tipo monitora o alunos às vezes e… não é nada, deixa pra lá.
Zoe não forçou, mas todo mundo na escola acabaria perguntando sobre o Roger – principalmente se a situação se prolongasse por dias, semanas ou até meses. E se o cara fosse ter que ficar seguindo ela pra todo canto durante todo o ensino médio? Ela podia também inventar uma história, dizer para as pessoas que ele era, tipo, do Serviço Secreto. Podia inventar que o pai estava para se candidatar ao governo estadual de Nova York, e por isso ela precisava de proteção. Mas será que alguém acreditaria nisso? Seria muito fácil procurar por “candidatos a governador” no Google e descobrir que era tudo mentira.
Eca, ela odiava o Google – ela odiava tudo! E por qualquer ângulo que olhava, estava ferrada.
Roger acompanhou Cassie à primeira aula, teatro, mas nem foi tão ruim. Os corredores estavam sempre lotados, e Roger não ficou muito perto, então as pessoas pareciam nem notar.
Então Cassie notou que Tucker e alguns amigos dele – inclusive Nikki e Carly – olhavam para ela e riam. Ela torceu para ser apenas impressão. Talvez não estivessem mesmo rindo dela. Talvez estivessem rindo de outra coisa.
Só que mais tarde, antes da aula de Química, aconteceu de novo. Tucker e alguns amigos – outros amigos – meio que lançaram um sorriso irônico para ela e foram embora.
Cassie – com Roger em sua cola feito uma sombra irritante – encontrou Zoe perto dos armários e disse:
– Por que as pessoas estão olhando estranho pra mim? Você disse pra eles alguma coisa sobre você-sabe-o-quê?
– Não. Nem sei o que dizer. Você não me contou nada.
Cassie sentiu-se mal por acusar a amiga.
– Desculpa. É que isso é tão esquisito. O Tucker e esse monte de gente ficam olhando pra mim de um jeito esquisito, como se soubessem de alguma coisa, mas não sei o que pode ser.
– Ai, meu Deus – disse Zoe. – Acho que sei o que é.
– O quê?
– Tem certeza que quer saber?
– Tenho, me conta.
Zoe pegou o celular, abriu o Instagram e mostrou a tela a Cassie. Era uma postagem de Nikki com um print da mensagem que Cassie mandara na noite anterior.
Cassie Lang: Acho que estou apaixonada pelo Tucker McKenzie
– Ai meu Deus – disse Cassie. – Não acredito que a Nikki fez isso comigo. Que humilhação…
– Quando eu li, pensei que você e o Tucker já estavam juntos – disse Zoe.
– Não estamos, não – Cassie disse. – Mandei a mensagem ontem à noite, tipo superconfiando. Por que ela fez isso comigo?
– Porque ela tá com ciúme; quer o Tucker só pra ela – Zoe disse. – Pelo menos, é o que eu acho.
Tocou o sinal indicando o período seguinte.
Enquanto Cassie seguia para a sala, Roger chegou perto dela e perguntou se havia algo errado.
– Não é da sua conta – Cassie disse.
– Eu vi você olhando para o celular daquela menina – disse ele. – Você recebeu algum e-mail ou mensagem de um endereço desconhecido? Se for isso, preciso saber.
– Era só um post do Instagram, tá? – disse Cassie. – Não tem nada a ver com você nem com o meu pai. Eu tenho uma vida também, sabia?
Cassie saiu pisando duro e foi para a sala de aula.
No almoço, ela e Zoe foram até o Beanocchio, onde costumavam almoçar, na York, sabendo que Nikki também estaria lá. Ela estava numa mesa nos fundos com algumas outras meninas, e todas sorriram e deram risinhos quando viram Cassie se aproximando.
– Por que você fez isso? – Cassie perguntou.
– Fiz o quê? – Nikki se fez de tonta.
As outras meninas ficaram só escutando.
– Qual é, foi só uma brincadeira – disse Nikki. – Por que você está levando tão a sério assim?
– Apaga – disse Cassie.
– Apagar o quê?
– Você sabe o quê.
– Ah, aquilo – Nikki continuou. – Foi você que mandou. Achei que fosse, tipo, de conhecimento público.
– Não acredito que você fez isso comigo.
– Não foi nada de mais.
– Por favor, apaga.
– O Instagram é meu. Eu faço o que eu quiser.
Cassie não entendia por que Nikki estava sendo tão maldosa. Achava que eram amigas. Será que Nikki só queria se mostrar para as outras garotas, querendo dar uma de boa?
– Vou contar pro diretor – disse Cassie. – Isso é cyberbullying.
As meninas riram.
– Ah, fala sério! Eu só tava brincando – disse Nikki. – Quer que eu apague? Tá bom. – A menina pegou o celular, tocou algumas vezes na tela e disse: – Pronto, apaguei. Mas o estrago já foi feito. Agora o Tucker nunca vai gostar de você.
– Como você é tosca – disse Cassie.
– Tucker McKenzie não acha isso – rebateu a outra. – E por que aquele cara fica te seguindo pra todo lado, hein? É, tipo, bizarro.
Cassie não entrava numa briga desde quando tinha uns oito anos e uma menina no parquinho tentou empurrá-la do escorregador, mas teve muita vontade de ir pra cima de Nikki ali mesmo. Não como uma garotinha, dando tapas e puxando cabelo: Cassie quis jogá-la no chão e meter um soco na cara dela. Não podia fazer isso, claro, acabaria sendo suspensa. E claro, havia um agente do FBI a poucos metros dali, de olho nela.
Então ela apenas saiu do café e ficou sem almoçar. Foi andando de volta à escola, com Roger seguindo-a o tempo todo.
Passou o resto do dia com a cabeça nas nuvens, tentando se esquecer do quão miserável se sentia. Os professores a chamaram para dizer alguma coisa durante a aula umas duas vezes, e ela estava perdida – não fazia ideia do que estavam falando – e todo mundo riu. Mal podia esperar que o dia acabasse.
Finalmente o dia terminou, e ela correu para casa. Roger teve que verificar o apartamento para ter certeza de que o cara que estava atrás do pai dela não estava escondido ali – como se o cara fosse um Houdini ou coisa do gênero, e pudesse entrar e sair de um apartamento trancado sem ninguém reparar.
Roger voltou para o corredor e deixou o apartamento todinho para Cassie. Foi ótimo ficar sozinha, sozinha de verdade. Definitivamente, aquele havia sido o pior dia na escola, e ela nem queria pensar em como seria o seguinte. Graças a Nikki, Cassie tinha pagado de otária para Tucker McKenzie.
Deu vontade de abandonar a escola. Já era vergonhoso demais ter um agente do FBI seguindo-a por todo canto, mas encarar Tucker de novo seria pior ainda. Como era ruim vê-lo rindo dela.
Cassie reparou que quase não comera nada o dia todo – apenas poucas colheradas de cereal de manhã. Não havia comida no apartamento, como de costume, e o pai ainda não tinha chegado a casa. Devia estar em outro de seus encontros arranjados no Tinder. Era tão injusto que sua vida tenha ficado tão zoada enquanto o pai podia ter encontros e levar uma vida normal tendo sido ele o causador daquela bagunça toda. Não só a palhaçada do FBI, mas tudo. O passado maluco, o divórcio… e que tal o Homem-Formiga? Não era o pai de todo mundo que podia encolher e ficar do tamanho de uma formiga pra combater o crime. Cassie e a mãe vinham guardando esse segredo fazia um ano, o que não parecia nada justo. Ela era uma adolescente. Era ela quem tinha que ter direito a segredos.
Então Cassie teve uma grande ideia. Era tão incrível e perfeita que não soube por que não tinha pensado nela ainda.
Ela foi até o armário do corredor, afastou umas caixas, livros e outras coisas e lá estava o cofre onde o pai guardava o traje do Homem-Formiga. Um dia, alguns anos antes, Cassie vira o pai abrir o cofre. Lembrava-se da combinação, quase toda: 34 direita, 28 ou talvez 27 esquerda, 11 direita. Tentou com 27, mas… não, não abriu. Tentou de novo com 28 e nada aconteceu. O pai trocara a combinação? Isso seria péssimo.
Depois de tentar 27 e 28 de novo, a garota estava prestes a desistir e arrumar de volta as caixas, mas então tentou com 24 no primeiro número e 27 no segundo. Não sabia por que tentara isso – foi meio inconsciente –, mas quando voltou o disco para o 11, ouviu um clique e abriu o cofre.
Lá estava ele, o traje vermelho e cinza do Homem-Formiga e uma espécie de capacete prateado com o que pareciam ser antenas. Scott mostrara o traje à filha certa vez, mas nunca explicou como ele funcionava, como se fazia para encolher e ficar do tamanho de uma formiga. Ele dissera também que podia se comunicar com as formigas enquanto usava o uniforme, o que pareceu loucura para ela, impossível até. Será que tinha sido mentira do pai?
Ela o examinou com minúcia. Era feito de um material resistente, tipo uma mistura esquisita de metal e tecido – definitivamente não era algo que se usa no Halloween. O capacete era forte, mas muito fino, e tinha um mecanismo que o fazia diminuir e praticamente desaparecer no colarinho do traje. Cassie imaginou que isso servia para que o pai pudesse usar o traje por debaixo das roupas. A parte de baixo do capacete lembrava o interior de um computador. Cassie e o pai já haviam desmontado e montado de novo diversos computadores – era meio que um hobby para eles – e o capacete, obviamente, era a placa-mãe. Cassie provou o capacete, mas era um pouco grande demais. O pai era um pouco mais alto; quando ela ergueu o traje, ficou claro que não serviria nela.
Não dava para entender de onde vinha a energia. O capacete não tinha bateria nem fonte elétrica, mas tinha que tirar força de algum lugar. Ela não fazia ideia de como ligar, também, porque não tinha botão liga/desliga. Havia uns tubinhos, no entanto – os que continham o gás com as partículas Pym. O pai nunca explicara como elas funcionavam – dizia sempre que seria “perigoso demais” contar, seja lá o que isso significava –, mas ela sabia que as partículas encolhiam as coisas. Uma coisa de que Cassie tinha certeza: o traje não era uma piada. Tinha uma tecnologia séria e complexa, o que significava que tudo que o pai lhe contara sobre o Homem-Formiga podia mesmo ser verdade.
Cassie ouviu passos na porta de entrada; alguém se aproximava pelo corredor. Ela guardou o traje de volta no cofre o mais rápido que pôde. Poderia ser um dos agentes do FBI zanzando de um lado para o outro, ou talvez um vizinho. Mas então Cassie ouviu a chave girando na fechadura. Agachada, a garota empurrou as caixas de volta para dentro do armário, bloqueando o cofre, e tinha acabado de se levantar quando o pai entrou.
– Oi – disse Cassie, tentando agir naturalmente.
O pai devia tê-la visto agachada – parecia meio desconfiado.
– Oi, que tá fazendo?
– Nada – disse Cassie. – Tava, hã, procurando minhas luvas.
– Luvas? Tá uns vinte graus hoje.
Cassie queria ter pensado numa desculpa melhor. Luvas em maio foi bem burro.
– É pra um trabalho da escola – disse Cassie.
– Trabalho?
– Estamos mexendo com gelo, num freezer, na aula de Ciências, então preciso levar as luvas.
Isso fez ainda menos sentido, mas obviamente soou razoável o bastante para o pai, que disse:
– Ah, entendi. Como foi seu dia?
– Não tão ruim – respondeu Cassie.
– Que bom – disse Scott. – Fiquei preocupado. Desculpa de novo por te envolver em tudo isso.
– Sem problema.
Cassie deu um beijo no rosto do pai. Depois foi para o quarto e fechou a porta.
Foi difícil acreditar que poucos minutos antes ela estivera tão receosa do futuro. Agora que tinha um plano incrível para se vingar da Nikki, mal podia esperar para ir à escola no dia seguinte.