Medo e Delírio em Las Vegas
3. Lucy transtornada... “Dentes de bolas de beisebol, olhos de fogo coagulado”
3. Lucy transtornada... “Dentes de bolas de beisebol,
olhos de fogo coagulado”
Entreguei minha sacola para o garoto que apareceu correndo. Pedi que trouxesse um litro de Wild Turkey, duas garrafas de Bacardi Añejo e gelo suficiente para uma noite.
Nosso quarto ficava numa das alas mais afastadas do Flamingo. O lugar é bem mais que um hotel: é uma espécie de Playboy Club imenso e com menos verba, bem no meio do deserto. Tem umas nove alas separadas, interligadas por rampas e piscinas – um vasto complexo entrecortado por plataformas e acessos para carros. Levei uns vinte minutos para caminhar da recepção à ala distante onde tínhamos sido colocados.
Minha intenção era entrar no quarto, receber a bebida e a bagagem, e fumar o que tinha sobrado do haxixe vendo Walter Cronkite e esperando meu advogado chegar. Eu precisava daquela folga, daquele momento de paz e tranquilidade, antes de passar à Conferência sobre Drogas. Seria algo bem diferente da Mint 400. Na corrida eu agi como observador, mas a conferência exigiria participação – e uma postura muito especial. Na Mint 400 estávamos cercados por uma multidão de gente simpática, e se nosso comportamento foi grotesco e escandaloso... bem, havia criaturas muito piores.
Mas desta vez nossa simples presença seria um escândalo. Participaríamos da conferência sob falsos pretextos, lidando desde o início com um grupo de pessoas que se reunia com o propósito explícito de botar na cadeia pessoas como nós. Éramos a ameaça – usuários descarados de drogas, sem disfarce, com intenções nítidas de ir até o fim em seu plano de armar algo muito demente... sem nenhuma intenção de provar qualquer argumento definitivo ou sociológico, e nem mesmo rir da coisa toda: era antes de mais nada uma questão de estilo de vida, uma obrigação, até mesmo um senso de dever. Se os Porcos estavam se reunindo em Las Vegas para uma importante Conferência sobre Drogas, nada mais justo que a cultura das drogas mandasse representantes.
Além disso, eu já estava alucinado havia tanto tempo que uma coisa dessas me parecia perfeitamente lógica. Considerando as circunstâncias, eu estava totalmente em sintonia com meu carma.
Ou pelo menos era o que eu sentia até chegar à imensa porta cinzenta que dava acesso à minissuíte 1.150 naquela ala distante. Enfiei a chave na fechadura e abri a porta, pensando “Um lar, até que enfim!”... mas a porta bateu em alguma coisa que reconheci de imediato como uma forma humana. Era uma garota de idade indeterminada, com o rosto e a forma de um pitbull. Usava uma bata azul muito larga e parecia furiosa...
De algum modo eu sabia que era o quarto certo. Queria estar enganado, mas as vibrações eram inconfundíveis... e ela também parecia saber disso, porque não fez nada para tentar me impedir quando a ultrapassei para entrar na suíte. Atirei minha sacola de couro numa das camas e olhei ao meu redor em busca de algo que eu tinha certeza que encontraria... meu advogado... peladão diante da porta do banheiro, com um sorriso drogado no rosto.
“Seu porco degenerado”, resmunguei.
“Não teve jeito”, ele respondeu, indicando a garota-buldogue com a cabeça. “Essa é a Lucy.” Deu risada, viajando. “Como em ‘Lucy in the Sky with Diamonds’, sabe...”
Olhei para Lucy, que me encarava com veneno nos olhos. Estava claro que eu era algum tipo inimigo, um terrível intruso naquela situação... e pelo jeito que ela se movia pelo quarto, com passos rápidos e tensos, notei que estava me analisando. Estava pronta para usar de violência, não restava dúvida. Até meu advogado percebeu .
“Lucy!”, gritou. “Lucy! Calma, porra! Lembra do que aconteceu no aeroporto... chega daquilo, certo?” Sorriu para a garota, nervoso. Ela parecia um animal selvagem jogado numa arena coberta de serragem para lutar pela sobrevivência...
“Lucy... esse aqui é o meu cliente; é o senhor Duke, o famoso jornalista. Ele tá pagando por esta suíte, Lucy. Tá do nosso lado.”
Ela não disse nada. Notei que não estava em perfeito controle de si mesma. Tinha ombros enormes e um queixo que lembrava Oscar Bonavena. Sentei na cama e, como quem não quer nada, enfiei a mão na sacola em busca do spray de pimenta... ao sentir o polegar encostando na válvula tive vontade de puxar a lata para fora e dar um banho de pimenta na garota. Só para deixar as coisas claras. Eu precisava desesperadamente de paz, descanso, refúgio. Um combate mortal no meu próprio quarto de hotel contra algum tipo de abominação hormonal alucinada por drogas era a última coisa que eu queria.
Meu advogado pareceu entender; sabia por que minha mão estava na sacola.
“Não!”, gritou. “Aqui, não! Senão vamos ter que ir embora.”
Dei de ombros. Ele estava viajando. Dava para ver. Lucy também. Seus olhos estavam febris, enlouquecidos. Me encarava como se eu fosse algo que precisava ser neutralizado para que a vida voltasse ao que ela considerava normal.
Meu advogado se aproximou devagar e encostou as mãos nos ombros dela. “O senhor Duke é meu amigo”, falou, com a voz calma. “Ele adora artistas. Vamos mostrar suas pinturas.”
Pela primeira vez notei que o quarto estava cheio de quadros – uns quarenta, talvez cinquenta retratos. Alguns a óleo, outros em carvão, todos mais ou menos do mesmo tamanho, mostrando o mesmo rosto.
Estavam apoiados sobre todas as superfícies planas. Era um rosto vagamente familiar, mas eu não conseguia reconhecer. Uma garota de boca grande, nariz avantajado e olhos muito brilhantes – um rosto demoníaco e sensual; era o tipo de retrato exagerado, de dramaticidade constrangedora, muito comum em quartos de jovens estudantes de arte apaixonadas por cavalos.
“Lucy pinta retratos de Barbra Streisand”, explicou meu advogado. “É uma artista de Montana...” Olhou para a garota. “Onde é que você mora mesmo?”
Ela encarou meu advogado, depois me olhou e voltou a encará-lo. Enfim respondeu: “Kalispell. Bem no norte. Desenhei isso aqui olhando pra tevê”.
Meu advogado moveu a cabeça, empolgado. “Fantástico”, disse. “Ela veio até aqui só pra dar todos esses retratos pra Barbra. Hoje à noite vamos ao hotel Americana pra encontrar a Barbra no camarim.”
Lucy sorriu, tímida. Os sinais de hostilidade haviam sumido. Larguei o spray e me levantei. Estávamos com um caso sério nas mãos, era óbvio. Com essa eu não tinha contado: encontrar meu advogado louco de ácido, envolvido num jogo de sedução com uma anormal.
“Bem”, falei. “Acho que o carro já deve estar lá fora. Vamos tirar as coisas do porta-malas.”
Meu advogado concordou, afobado. “Claro, vamos pegar os troços.” Sorriu para Lucy. “A gente já volta. Se o telefone tocar, não atenda.”
Lucy abriu um sorriso enorme e ergueu um dedo, fazendo o sinal dos Jesus Freaks. “Deus te abençoe”, falou.
Saímos do quarto depois que meu advogado vestiu calças pata de elefante e uma camisa preta lustrosa. Percebi que ele estava com dificuldades para se orientar, mas me recusei a oferecer ajuda.
“Bem...”, comecei. “Quais são seus planos?”
“Planos?”
Estávamos esperando o elevador.
“Lucy”, insisti.
Ele balançou a cabeça, tentando se concentrar.
“Merda”, falou enfim. “Encontrei ela no avião, quando tava cheio de ácido.” Encolheu os ombros. “Aqueles cilindros azuis, sabe? Jesus, ela é uma fanática religiosa. Tá fugindo de casa pela quinta vez em seis meses, algo assim. Uma coisa horrível. Dei a droga pra ela antes de me dar conta... puta merda, ela nunca tinha nem bebido!”
“Bem”, respondi. “Acho que a gente dá um jeito. Se mantivermos ela drogada, podemos leiloar o rabo dela na convenção.”
Meu advogado me encarou.
“Lucy seria perfeita para isso”, continuei. “Esses policiais pagariam cinquenta dólares por cabeça pra encher ela de porrada e depois fazer uma suruba. A gente podia deixar a Lucy num desses motéis de quinta, pendurar retratos de Jesus por todo lado e soltar os porcos em cima dela... Porra, ela é forte; aguenta fácil.”
O rosto do meu advogado não parava de tremer. Estávamos dentro do elevador, descendo até o saguão. “Jesus Cristo”, balbuciou. “Eu sabia que você era doente, mas nunca imaginei que ia ouvir você dizendo uma coisa dessas.”
Ele parecia chocado.
Dei risada. “Questões econômicas, nada mais. Essa garota é um presente de Deus!” Abri um belo sorriso no estilo Bogart, mostrando todos os dentes... “Porra, nós estamos quase falidos! E aí você me aparece com uma louca musculosa que pode render uns mil por dia.”
“Não!”, ele gritou. “Para com isso!” A porta do elevador se abriu e caminhamos na direção do estacionamento.
“Acho que ela aguenta uns quatro ao mesmo tempo”, insisti. “Olha, se ela ficar sempre louca de ácido, pode render uns dois mil por dia; até três.”
“Pervertido de merda!”, gritou meu advogado. “Eu devia decepar sua cabeça!” Por causa do sol, apertava os olhos para me encarar. Avistei a Baleia a uns quinze metros da porta. “Ali está”, falei. “Nada mal prum carro de cafetão...”
Ele gemeu. Seu rosto refletia a luta travada pelo cérebro contra alucinações de ácido esporádicas: ondas malignas, intensas e dolorosas, seguidas por confusão total. Quando abri o porta-malas da Baleia para tirar a bagagem, ele se irritou. “Que porra você tá fazendo?”, gritou. “Esse não é o carro da Lucy.”
“Eu sei”, respondi. “É o meu carro. Esta é a minha bagagem.”
“Sua bagagem o caralho!”, berrou. “Não é porque sou um advogado de merda que você pode ficar roubando coisas bem debaixo do meu nariz!” Deu alguns passos para trás. “Qual é o seu problema, porra? A gente nunca faria uma coisa dessas.”
Após muitas dificuldades, voltamos ao quarto e tentamos ter uma conversa séria com Lucy. Eu me sentia um nazista, mas era necessário. A presença dela não era correta – não naquela situação delicada. Já seria ruim o bastante se ela fosse apenas o que parecia ser – uma jovem estranha à beira de um surto psicótico tenebroso – mas eu ficava ainda mais preocupado com a possibilidade de dentro de algumas horas ela estar suficientemente sóbria para ter um ataque de fúria santa inspirado por vagas lembranças de ter sido raptada e seduzida no Aeroporto Internacional de Los Angeles por um samoano cruel que a encheu de bebida e LSD e depois a arrastou para um hotel de Las Vegas, onde penetrou com requintes de selvageria todos os orifícios de seu corpo com um membro pulsante e não circuncidado.
Tive um vislumbre assustador de Lucy invadindo o camarim de Barbra Streisand no Americana e contando essa história horrenda. Seria nosso fim. Depois que nos encontrassem, seríamos castrados antes mesmo de abrirem o inquérito.
Expliquei tudo isso para meu advogado, que estava à beira das lágrimas só de pensar em mandar Lucy embora. Ela seguia completamente surtada. Percebi que a única solução seria levá-la para o mais longe possível do Flamingo antes que ficasse sóbria o bastante para se lembrar de onde estivera e o que tinha acontecido com ela.
Enquanto discutíamos, Lucy estava deitada no pátio, fazendo um esboço a carvão de Barbra Streisand. De memória, desta vez. Mostrava o rosto inteiro, com dentes de bolas de beisebol e olhos de fogo coagulado.
Fiquei nervoso com a intensidade selvagem daquilo tudo. Aquela garota era uma bomba ambulante. Se não tivesse papel para desenhar, só Deus sabe o que estaria fazendo naquele momento com toda aquela energia descontrolada. E o que faria quando ficasse totalmente sóbria, lesse o Vegas Visitor e descobrisse, como eu tinha acabado de fazer, que Streisand só entraria em cartaz no Americana dentro de três semanas?
Meu advogado acabou concordando que Lucy precisava sumir. Pesou nessa decisão a chance de ser preso sob o Mann Act. Isso resultaria na perda de sua licença para advogar, arruinando seu ganha-pão. Seria um caso federal muito grave. Especialmente para um samoano descomunal que enfrentaria um júri branco de classe média no sul da Califórnia.
“Podem até dizer que foi sequestro”, argumentei. “Aí você vai direto pra câmara de gás, como Chessman. E, mesmo se conseguir ficar livre, volta pra Nevada pra ser julgado por Estupro e Sodomia Consensual.”
“Não!”, ele gritou. “Eu tive pena da garota, só quis ajudar!”
Sorri. “Fatty Arbuckle disse a mesma coisa, e você sabe muito bem o que fizeram com ele.”
“Quem?”
“Esquece”, continuei. “Mas tente dizer a um júri que você tentou ajudar essa pobre garota fazendo ela tomar LSD e em seguida a levando pra Las Vegas, onde você ficou nu e pediu a ela que massageasse suas costas.”
Ele sacudiu a cabeça, desanimado. “Tem razão. Acho que me queimariam na fogueira... bem ali, no meio do tribunal. Merda, hoje em dia não vale a pena ajudar ninguém...”
Convencemos Lucy a ir até o carro, dizendo que estava na hora de “se encontrar com Barbra”. Não foi difícil fazer com que levasse todos os retratos, mas ela não conseguia entender por que meu advogado insistia em também levar suas malas. “Não quero deixar a Barbra constrangida”, dizia. “Desse jeito ela vai achar que estou querendo morar com ela.”
“Que nada”, desconversei... mas foi tudo que consegui dizer. Eu me sentia Martin Bormann em pessoa. O que aconteceria com aquela pobre infeliz depois que nos livrássemos dela? Acabaria presa? Viraria escrava branca? O que o doutor Darwin faria naquelas circunstâncias? (Sobrevivência do... mais apto? Qual seria o termo adequado? Será que Darwin tinha considerado a ideia de inaptidão temporária, como em “insanidade temporária”? Será que o doutor tinha deixado algum espaço em sua teoria para coisas como o LSD?)
Mas todos esses receios eram apenas teóricos. Lucy era um risco enorme para nossa integridade, potencialmente fatal. Nossa única escolha era largar a infeliz em algum lugar e torcer para que não se lembrasse de porra nenhuma. Só que algumas vítimas do ácido, especialmente os mongoloides, têm uma estranha e prodigiosa capacidade de relembrar detalhes insignificantes... e nada mais. Era possível que Lucy vivesse mais dois dias em completa amnésia e então se esquecesse de tudo menos do número do nosso quarto no Flamingo...
Refleti sobre isso... mas a única alternativa era levar a garota para o deserto e fazer os lagartos devorarem seus restos. Eu não estava pronto para isso; parecia meio drástico para nossa situação. Proteger meu advogado – isso era o mais importante. O problema então consistia em encontrar um ponto de equilíbrio. Encaminhar Lucy para um local que não causasse um revertério desastroso em sua mente. De acordo com meu advogado, ela tinha dinheiro. “Pelo menos duzentos dólares”, afirmou. “E podemos ligar e fazer uma denúncia pra polícia de Montana, onde ela mora.”
Não me parecia uma boa ideia. Na minha opinião, a única coisa pior que deixar Lucy à solta em Las Vegas era entregá-la às “autoridades”... e de qualquer modo isso estava fora de questão. Pelo menos naquele momento. “Que tipo de monstro é você, porra?”, falei. “Primeiro você sequestra a garota, depois a estupra, e agora quer botar a infeliz na cadeia!”
Meu advogado deu de ombros. “É que acabei de lembrar”, falou, “que ela não tem testemunhas. Qualquer coisa que ela disser sobre nós não serve pra nada.”
“Nós?”, perguntei.
Ele me encarou. Dava para notar que estava voltando a si. O ácido estava se esvaindo. Isso significava que a viagem de Lucy também estava chegando ao fim. Hora de cortar o cordão umbilical.
Ela nos esperava no carro. Ouvia o rádio, com um sorriso esquisito no rosto. Estávamos a uns dez metros de distância. Quem nos visse de longe poderia imaginar que discutíamos sobre quem tinha “direitos sobre a garota”. Era uma cena corriqueira nos estacionamentos de Las Vegas.
Por fim decidimos fazer uma reserva para Lucy no Americana. Meu advogado caminhou até o carro e inventou alguma desculpa para descobrir o sobrenome dela. Corri para o quarto e telefonei para o Americana – dizendo que era tio de Lucy e pedindo para que a tratassem com “muita delicadeza”, porque era uma artista e poderia parecer meio perturbada. O recepcionista garantiu que ela seria muito bem tratada.
Então a levamos até o aeroporto, dizendo que iríamos trocar a Baleia Branca por um Mercedes 600. Meu advogado a levou até o saguão com todas as suas coisas. Lucy ainda estava delirando e falando coisas sem sentido. Saí com o carro, parei numa esquina e esperei pela volta do meu advogado.
Dez minutos depois ele apareceu e entrou no carro. “Arranca devagar”, pediu. “Pra não chamar atenção.”
Quando chegamos à Las Vegas Boulevard, ele contou que tinha dado uma nota de dez dólares para um dos taxistas no aeroporto. Pediu que levasse sua “namorada bêbada” até o Americana, onde ela tinha uma reserva. “Falei que não era pra levar ela pra nenhum outro lugar”, explicou.
“Acha que vai dar certo?”
Ele balançou a cabeça. “O cara disse que o dinheiro era mais que suficiente pra corrida, e jurou que teria paciência com a garota. Expliquei que eu precisava resolver uns negócios, mas que ia estar no hotel em uma hora – e se a garota não estivesse por lá eu voltaria pro aeroporto e arrancaria os pulmões dele.”
“Boa”, falei. “Sutilezas não funcionam nesta cidade.”
Ele sorriu. “Como seu advogado, recomendo que me conte onde colocou a porra da mescalina.”
Parei o carro. A sacola de drogas estava no porta-malas. Meu advogado tirou duas bolinhas de mescalina, uma para cada um de nós. O sol estava se pondo nos morros cobertos de arbustos a noroeste da cidade. Uma bela canção de Kristofferson saía do rádio. Cruzamos a cidade no calor do anoitecer, relaxando nos bancos de couro vermelho de nosso Coupe de Ville branco.
“Talvez seja melhor pegar leve hoje à noite”, falei enquanto passávamos pelo Tropicana.
“Certo”, ele respondeu. “Vamos achar um bom restaurante de frutos do mar e comer salmão. Ando tarado por salmão.”
Concordei. “Mas antes seria bom voltar ao hotel e descansar. Talvez nadar um pouco, beber rum.”
Meu advogado assentiu com a cabeça, se recostou no assento e olhou para o céu. A noite caía aos poucos.