Medo e Delírio em Las Vegas

Hunter S. Thompson · Capítulo 6 de 26

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Medo e Delírio em Las Vegas

6. Uma noite na cidade...Confronto no Desert Inn... Frenesi drogado no Circus-Circus

6. Uma noite na cidade...Confronto no Desert Inn...

Frenesi drogado no Circus-Circus

 

Meia-noite de sábado... As lembranças dessa noite são extremamente confusas. Tudo que tenho para me orientar é um bolso cheio de cartões e guardanapos cobertos de anotações. Uma delas: “Falar com o cara da Ford, exigir uma Bronco para fins de observação da corrida... fotos?... Lacerda/telefonar... e por que não um helicóptero?... Pegar o telefone, pressionar os filhos da puta... gritaria insana”.

Outra: “Placa na Paradise Boulevard – ‘Sem Parar & Sem Sutiã’... comparado com Los Angeles, sexo de segunda linha; aqui, branquelos – em Los Angeles, gente pelada trepando em público... Las Vegas é uma sociedade de masturbadores armados/aqui o que excita é o jogo/o sexo é só um bônus/uma demência adicional para os grandes apostadores... putas de luxo para os ganhadores, punhetinhas para o pessoal sem sorte”.

Há muito tempo, quando morava em Big Sur, na mesma rua que Lionel Olay, eu tinha um amigo que gostava de ir a Reno para jogar dados. Tinha uma loja de material esportivo em Carmel. Certo mês ele foi a Reno com seu Mercedes em três finais de semana seguidos – ganhando muito dinheiro em cada viagem. Somando as três, tinha acumulado uns quinze mil dólares. Decidiu que não iria pela quarta vez. Em vez disso, levou uns amigos para jantar no Nepenthe. “É sempre bom parar quando está ganhando”, explicou. “E além disso a viagem é bem longa.”

Na manhã de segunda-feira ele recebeu um telefonema de Reno – era o gerente do cassino onde ele tinha jogado. “Sentimos sua falta neste fim de semana”, comunicou o gerente. “Os perdedores ficaram entediados.”

“Que pena”, respondeu meu amigo.

No final de semana seguinte ele foi a Reno num jatinho particular, levando um amigo e duas garotas – todos “convidados especiais” da gerência. Tudo do bom e do melhor para os grandes apostadores...

E, na manhã de segunda, o mesmo avião – o jatinho do cassino – levou meu amigo de volta ao aeroporto de Monterey. O piloto lhe emprestou uma moeda de dez centavos para que ele telefonasse a um amigo e pedisse uma carona até Carmel. Estava devendo trinta mil dólares. Dois meses mais tarde, estava nas garras dos cobradores mais implacáveis do planeta.

Acabou vendendo a loja, mas não foi suficiente. Eles podiam esperar pelo resto da grana, argumentou – mas então levou uma surra e se convenceu de que talvez fosse melhor pegar dinheiro emprestado para saldar a dívida de uma vez.

Jogo é um negócio muito barra-pesada – e Las Vegas faz Reno parecer tão inofensiva quanto uma quitandinha de esquina. Para um perdedor, Vegas é a cidade mais cruel do planeta. Até o ano passado, uma placa enorme na entrada de Las Vegas anunciava:

Não Aposte na Maconha!

Em Nevada: Posse – 20 Anos

Venda – Prisão Perpétua!

Acho que isso explica por que eu não estava inteiramente tranquilo ao passear pelos cassinos naquela noite de sábado com um carro cheio de maconha e uma cabeça cheia de ácido. Muitas vezes escapamos por pouco: cheguei a tentar invadir a lavanderia do hotel Landmark com o Grande Tubarão Vermelho – mas a porta era estreita demais e o pessoal que estava lá dentro parecia bem exaltado.

Fomos até o Desert Inn para ver o show de Debbie Reynolds/Harry James. “Quanto a você eu não sei”, disse ao meu advogado, “mas no meu ramo é importante estar por dentro das novidades.”

“No meu também”, ele respondeu. “Mas, como seu advogado, recomendo que leve este carro até o Tropicana para ver o Guy Lombardo. Ele está se apresentando no Blue Room com seus Royal Canadians.”

“Por quê?”, eu quis saber.

“Por que o quê?”

“Por que eu deveria gastar meu dinheiro suado pra ir ver um cadáver, porra?”

“Olha”, ele disse. “Por que a gente tá aqui? Pra se divertir ou pra fazer nosso trabalho?”

“Pra trabalhar, claro”, respondi. Estávamos dirigindo em círculos no estacionamento de um lugar que me parecia o Dunes, mas na verdade era o Thunderbird... ou talvez o Hacienda...

Meu advogado folheava o Vegas Visitor atrás de dicas. “Que tal os ‘Caça-níqueis do Nick Nickel’?”, sugeriu. “‘Buraco Quente’, esse parece bom... Tem cachorros-quentes de 29 centavos...”

De repente começaram a gritar conosco. Estávamos em apuros. Dois brutamontes usando casacos militares vermelhos com detalhes em dourado meteram a cabeça dentro do carro. “Mas que diabos vocês estão fazendo?”, um deles gritou. “Não podem estacionar aqui!”

“E por que não?”, eu quis saber. Parecia um lugar razoável para estacionar – havia bastante espaço. Eu estava procurando uma vaga fazia muito tempo. Tempo demais. Estava prestes a abandonar o carro e chamar um táxi... mas então, sim!, encontramos aquela vaga.

Que na verdade era a calçada em frente à entrada principal do Desert Inn. Eu já tinha subido em tantos meios-fios naquela noite que nem tinha percebido aquele. Mas estávamos numa situação bem difícil de explicar... bloqueando a entrada, brutamontes gritando conosco, uma confusão danada...

Meu advogado pulou para fora do carro, sacudindo uma nota de cinco dólares. “Estacionem este carro! Sou um velho amigo da Debbie. Já aprontamos poucas e boas juntos.”

Por um instante achei que ele tinha estragado tudo... até que um dos porteiros pegou o dinheiro e disse: “Certo, certo. Eu cuidarei disso, senhor”. E entregou um comprovante de estacionamento.

“Puta merda!”, exclamei enquanto cruzávamos o saguão às pressas. “Quase pegaram a gente. Você pensou bem rápido.”

“E o que você esperava? Eu sou seu advogado”, ele respondeu. “...e você me deve cinco dólares. Quero ser reembolsado agora mesmo.”

Dei de ombros e lhe estendi o dinheiro. O saguão do Desert Inn, com seu espalhafatoso carpete sintético, não parecia um local adequado para discutir sobre trocados/suborno. Estávamos no território de Bob Hope. Frank Sinatra. Spiro Agnew. O saguão cheirava à fórmica de primeira qualidade e a palmeiras de plástico – era sem dúvida um refúgio de alta classe para Esbanjadores.

Chegamos ao nosso destino cheios de autoconfiança, mas não nos deixaram entrar no salão. Estávamos atrasados, disse um cara vestido com um smoking cor de vinho; o lugar já estava lotado – não havia mais lugares, nem mesmo se pagássemos.

“Tá cheio, é? Grande merda”, disse meu advogado. “Nós dois somos velhos amigos da Debbie. Viemos lá de Los Angeles pra ver o show, porra. Ninguém vai barrar a gente.”

O cara de smoking começou uma lenga-lenga a respeito de “leis de incêndio”, mas meu advogado se recusou a escutar. Depois de um pouco de gritaria, ele nos deixou entrar de graça – desde que ficássemos quietinhos no fundo e não fumássemos.

Prometemos cumprir essas condições, mas assim que entramos perdemos o controle. Tínhamos passado por momentos de tensão muito fortes. Debbie Reynolds saracoteava pelo palco usando uma peruca afro prateada... ao som de “Sergeant Pepper” sendo tocada pelo trompete mágico de Harry James.

“Puta que caralho!”, berrou meu advogado. “Caímos numa máquina do tempo!”

Mãos pesadas agarraram nossos ombros. Enfiei rapidinho o cachimbo de haxixe no bolso. Fomos arrastados pelo saguão e vigiados por brutamontes na porta de entrada até que trouxessem nosso carro. “Agora caiam fora”, ordenou o cara do smoking cor de vinho. “Estamos lhes dando uma chance. Se Debbie tem amigos como vocês, a situação dela é mais feia do que eu imaginava.”

“Vocês não perdem por esperar!”, gritou meu advogado enquanto nos afastávamos. “Seus paranoicos escrotos!”

De lá, fomos até o cassino Circus-Circus. Estacionei perto da porta dos fundos. “É aqui mesmo”, anunciei. “Aqui ninguém vai se meter com a gente.”

“Cadê o éter?”, meu advogado quis saber. “Essa mescalina não tá batendo.”

Estendi a chave do porta-malas enquanto acendia o cachimbo de haxixe. Ele voltou com a garrafa de éter, tirou a tampa e derramou um pouco num lenço de papel. Enfiou aquilo no nariz e respirou fundo. Encharquei outro lenço de papel e fiz a mesma coisa. O cheiro era avassalador, mesmo com a capota arriada. Logo estávamos subindo as escadas que levavam à entrada, cambaleando, rindo como imbecis e puxando um ao outro. Parecíamos dois bêbados.

Essa é a principal vantagem do éter: você se comporta como o bêbado da aldeia num velho romance irlandês... perde todas as funções motoras básicas: a visão embaça, o equilíbrio some, a língua fica dormente – todas as conexões entre corpo e cérebro são interrompidas. É interessante, porque o cérebro continua a funcionar quase normalmente... você consegue até assistir a si mesmo se comportando daquele jeito tenebroso, mas não tem como se controlar.

Você se aproxima das catracas na entrada do Circus-Circus e sabe que, ao chegar lá, precisa dar dois dólares ao sujeito ou ele não permitirá sua entrada... mas, quando chega, tudo dá errado: você calcula mal a distância e esbarra em tudo, voa para trás e se agarra numa velhinha para tentar não cair. Você leva um empurrão de um rotariano indignado e começa a pensar: O que tá acontecendo aqui? O que tá havendo? Aí escuta sua própria voz resmungando: “Não tenho culpa se uns cachorros comeram o cu do papa. Cuidado!... Dinheiro? Pra quê? Meu nome é Brinks; eu nasci... nasci? Abram caminho pras ovelhas... mulheres e crianças pro carro blindado... ordens do capitão Zeep”.

Ah, o demoníaco éter – uma droga totalmente física. Horrorizada, a mente se retrai, incapaz de se comunicar com a coluna vertebral. As mãos se sacodem descontroladas, incapazes de tirar o dinheiro do bolso... gargalhadas desconexas e chiados escapam da boca... sorrisos eternos.

Éter é a droga perfeita para Las Vegas. Todos adoram bêbados nesta cidade. São carne fresca. Graças a isso, eles nos ajudam a passar pelas catracas e nos deixam à solta lá dentro.

Se os nazistas tivessem vencido a guerra, todos os moderninhos passariam as noites de sábado no Circus-Circus. É o Sexto Reich. Como nos outros cassinos, o térreo é cheio de mesas de jogo... mas o lugar tem uns quatro andares, no estilo de uma tenda circense. Todo tipo de loucuras e esquisitices típicas de parques de diversões de interior acontecem por lá. Sobre as mesas de jogo, os Quarenta Irmãos Carazito Voadores apresentam seu número de trapézio e corda bamba, acompanhados por quatro Carcajus com focinheiras e pelas Seis Irmãs Ninfetas de San Diego... você está ali, arriscando cada vez mais grana no vinte e um, e quando resolve olhar para cima dá de cara com uma garota de catorze anos, seminua, sendo perseguida em pleno ar por um carcaju furioso que de repente se vê no meio de uma batalha mortal contra dois polacos cobertos de tinta prateada que surgem voando de plataformas opostas... os polacos se juntam bem no pescoço do carcaju e não largam o bicho nem mesmo enquanto desabam na direção das mesas de dados – mas ricocheteiam na rede de segurança. Todos se desenroscam e quicam rumo ao teto em três direções diferentes. Quando estão prestes a cair mais uma vez, são resgatados no ar por três Gatinhas Coreanas e levados de trapézio até uma das plataformas.

Essa demência é algo constante, mas ninguém parece notar. São 24 horas de jogo por dia no térreo, e o circo nunca para. Enquanto isso, nas plataformas superiores, os clientes são atraídos por todo tipo imaginável de bizarrice. Barraquinhas com inúmeras atrações. Use a espingarda para desgrudar os adesivos dos mamilos de uma mulher-macho de três metros e ganhe uma cabra feita de algodão-doce. Basta parar na frente desta máquina fantástica, meu amigo, e por apenas 99 centavos sua imagem vai aparecer num telão de sessenta metros de altura bem no centro de Las Vegas. Pagando mais 99 centavos, você pode incluir uma mensagem gravada. “Diga o que quiser, companheiro. Todo mundo vai escutar, nem se preocupe. Você vai estar com sessenta metros de altura, lembra?”

Jesus Cristo. Eu me via deitado na cama do hotel Mint, ainda meio sonolento, olhando pela janela e enxergando de repente um bêbado nazista com sessenta metros em pleno céu da meia-noite, gritando coisas sem nenhum sentido para o mundo inteiro ouvir: “Woodstock Über Alles!”.

Nesta noite vamos manter as cortinas fechadas. Uma coisa dessas pode fazer uma pessoa sob efeito de drogas sair quicando pelo quarto como uma bola de pingue-pongue. Como se as alucinações já não fossem o suficiente. Depois de algum tempo você aprende a lidar com as mais variadas situações. Por exemplo, enxergar sua falecida avó subindo pela sua perna com uma faca entre os dentes. A maioria dos usuários de ácido parece ser capaz de aguentar esse tipo de coisa.

Mas com essa outra viagem ninguém consegue lidar – um maluco pode entrar no Circus-Circus a qualquer hora, pagar 1 dólar e 98 e surgir de repente nos céus do centro de Las Vegas, doze vezes maior que Deus, urrando qualquer coisa que lhe vier à cabeça. Não, esta não é uma boa cidade para usar drogas psicodélicas. A própria realidade já é distorcida demais.

Quando é boa, a mescalina faz efeito aos poucos. Na primeira hora você só fica esperando. Na metade da segunda hora, começa a amaldiçoar o desgraçado que passou você pra trás, porque nada está acontecendo... e aí ZAM! Intensidade devastadora, brilhos e vibrações estranhas... uma viagem muito barra-pesada para um lugar como o Circus-Circus.

“Odeio admitir isso”, suspirou meu advogado quando sentamos no bar-carrossel, no segundo andar. “Mas esse lugar tá me fazendo mal. Acho que tô sentindo o Medo.”

“Bobagem”, desconversei. “Viemos até aqui em busca do Sonho Americano e você quer pular fora quando estamos em seu vórtice?” Agarrei seu bíceps e espremi. “Você precisa entender”, expliquei, “que encontramos o centro nervoso.”

“Eu sei”, ele respondeu. “É por isso que tô sentindo o Medo.”

O efeito do éter estava passando e não havia mais nem sinal do ácido, mas a mescalina seguia a todo vapor. Estávamos sentados a uma mesinha redonda de fórmica dourada, girando ao redor do barman.

“Olha aquilo”, apontei. “Duas mulheres trepando com um urso polar.”

“Por favor”, implorou meu advogado. “Não me fala essas coisas. Não agora.” Pediu mais duas doses de Wild Turkey para a garçonete. “É meu último drinque”, avisou. “Quanto dinheiro você pode me emprestar?”

“Não muito”, respondi. “Por quê?”

“Preciso ir embora”, explicou.

“Embora?”

“Sim. Sair do país. Esta noite.”

“Calma”, falei. “Você vai estar bem daqui a algumas horas.”

“Não”, ele insistiu. “Tô falando sério.”

“George Metesky também estava. E olha o que fizeram com ele.”

“Não fode!”, berrou. “Se eu ficar mais uma hora nessa cidade vou sair matando todo mundo!”

Era óbvio – ele estava no limite. Tinha alcançado a intensidade assustadora que só o ápice de uma viagem de mescalina é capaz de proporcionar. “Certo”, concordei. “Eu empresto algum dinheiro pra você. Vamos sair e ver quanto sobrou.”

“Será que a gente consegue?”, ele quis saber.

“Bem... depende de quantas pessoas a gente sacanear entre a mesa e a porta. Quer sair discretamente?”

“Quero sair rápido”, implorou.

“Certo. Vamos pagar a conta e levantar bem devagar. Nós dois estamos alucinados. Vai ser uma longa caminhada.” Gritei para a garçonete, pedindo a conta. Ela se aproximou com um ar entediado. Meu advogado ficou em pé.

“Você é paga pra foder com aquele urso?”, perguntou à garçonete.

“Hein?”

“É brincadeira”, falei, me metendo no meio dos dois. “Vamos lá, Doutor... vamos jogar um pouco lá embaixo.” Consegui levá-lo até a beira do carrossel, mas ele se negou a sair até que o negócio parasse de girar.

“Não vai parar”, falei. “Nunca vai parar.” Saí do carrossel e me virei, mas meu advogado não se mexeu... antes que eu pudesse estender o braço e puxá-lo, o carrossel seguiu girando. “Não se mexa!”, gritei. “Você vai voltar!” Seus olhos encaravam um ponto muito ao longe, apertados de medo e confusão. Mas ele não moveu um músculo sequer antes de completar a volta inteira.

Esperei até que ele ficasse quase na minha frente e estendi o braço para puxá-lo – mas ele saltou para trás e deu outra volta. Fiquei bem nervoso. Quase perdi o controle. O barman parecia estar de olho em nós dois.

Penitenciária de Carson City, pensei. Vinte anos.

Voltei ao carrossel e dei a volta pelo bar, chegando perto do meu advogado por onde ele não esperava – e quando chegamos no ponto correto eu o empurrei para fora. Ele cambaleou e deu um grito infernal ao perder o equilíbrio e se estatelar em cima da multidão... rolou como um pedaço de lenha até se levantar num salto, com os punhos cerrados, procurando alguém para bater.

Cheguei perto dele com as mãos para cima, tentando sorrir. “Você caiu”, falei. “Vamos embora.”

Todo mundo estava nos olhando a essa altura, mas o idiota não se mexia. E eu sabia muito bem o que iria acontecer se eu tentasse agarrá-lo à força. “Certo. Fica aqui e vai pra cadeia sozinho. Estou indo embora.” Comecei a andar bem rápido na direção das escadas, ignorando meu advogado.

Isso fez com que ele se mexesse.

“Você viu?”, ele disse assim que me alcançou. “Algum filho da puta deu um pontapé nas minhas costas!”

“Deve ter sido o barman”, comentei. “Ele queria o seu sangue por causa do que você falou pra garçonete.”

“Santo Deus! Vamos cair fora daqui. Cadê o elevador?”

“Não chega nem perto do elevador”, alertei. “É exatamente isso que eles querem... nos prender numa caixa de aço e levar a gente até o porão.” Olhei para trás, mas ninguém estava nos seguindo.

“Não corre”, pedi. “Eles adorariam ter uma desculpa para atirar em nós.” Meu advogado mexeu a cabeça, parecendo entender. Caminhamos apressados pelo corredor central, entre barracas de tiro ao alvo, tatuadores, cambistas e vendedores de algodão-doce – depois cruzamos uma série de portas envidraçadas e seguimos pelo gramado até o estacionamento, onde o Tubarão Vermelho estava à nossa espera.

“Você dirige”, pediu meu advogado. “Acho que tem alguma coisa errada comigo.”