O Príncipe Corvo
Capítulo Dezenove
“Aurea chorou por tudo o que tinha perdido, sozinha ali no deserto infinito.
Mas, depois de algum tempo, ela percebeu que sua única esperança era
encontrar o marido desaparecido e salvar os dois. Então ela saiu em busca
do Príncipe Corvo. No primeiro ano, ela o procurou nas terras a leste. Lá,
viviam animais estranhos e pessoas estranhas, mas ninguém tinha ouvido
falar do Príncipe Corvo. No segundo ano, ela viajou para as terras ao
norte. Lá, os ventos congelantes governavam as pessoas da manhã à noite,
mas ninguém tinha ouvido falar do Príncipe Corvo. No terceiro ano, ela
explorou as terras a oeste. Lá, palácios opulentos se erguiam até o céu, mas
ninguém tinha ouvido falar do Príncipe Corvo. No quarto ano, ela navegou para o longínquo sul. Lá, o sol ardia próximo demais à Terra, mas ninguém
tinha ouvido falar do Príncipe Corvo...”
— O Príncipe Corvo
— Sinto muito, querida. — Mãe Wren retorceu as mãos naquela noite
enquanto observava Anna fazer a mala. — Mas você sabe como carrua-
gens abertas deixam meu estômago enjoado. Na verdade, basta pensar nisso
p-para...
Anna ergueu o olhar rapidamente. A sogra adquirira um delicado tom de
verde.
Ela conduziu a mulher idosa para uma cadeira.
— Sente-se e respire. A senhora quer um pouco de água? — Anna
tentou abrir a única janela do cômodo, mas estava emperrada.
Mãe Wren levou um lenço à boca e fechou os olhos.
— Ficarei bem num instante.
Anna serviu um pouco de água de uma jarra na penteadeira e entregou o
copo na mão da outra mulher. Mãe Wren tomou um gole, e a cor começou a
voltar às suas bochechas.
— Que pena que Coral tenha ido embora tão repentinamente! — Mãe
Wren tinha repetido aquilo de várias formas durante todo o dia.
Anna apertou os lábios.
Fanny as acordara naquela manhã, depois de encontrar um bilhete na
cozinha. Nele, Coral simplesmente agradecia pelos cuidados. Anna subira a
escada correndo para verificar o quarto onde a outra mulher dormia, mas
estava vazio, e a cama havia sido arrumada. Ali, ela descobriu outro bilhete
preso ao travesseiro. Coral pedia a ela que Pearl ficasse um pouco mais e
havia deixado moedas de ouro que tilintaram no chão quando Anna
desdobrou o bilhete.
Anna tentou dar o dinheiro a Pearl, mas ela balançara a cabeça e o
recusara.
— Não, senhora. Esse dinheiro é para a senhora e a Sra. Wren. As
senhoras foram as melhores amigas que eu e Coral já tivemos.
— Mas você vai precisar dele.
— A senhora e a Sra. Wren também precisam. Além disso, em breve
vou começar a trabalhar. — Ela havia corado. — Lá na abadia.
Anna balançou a cabeça.
— Espero que Coral esteja bem. Seus hematomas mal haviam começado
a desaparecer. Pearl nem sequer sabe para onde ela pode ter ido; apenas que
voltou para Londres.
Mãe Wren pressionou uma das mãos na testa.
— Se ao menos ela tivesse esperado, agora poderia acompanhar você a
Londres.
— Talvez Pearl não se importe em adiar o trabalho na abadia e ir
comigo. — Anna puxou uma gaveta da penteadeira e procurou um par de
meias sem furos.
— Acho que Pearl vai querer ficar aqui. — A sogra pousou o copo com
cuidado no assoalho ao lado da cadeira. Parece que ela conheceu um
cavalheiro na abadia.
— Verdade? — Anna deu meia-volta, com as mãos cheias de meias. —
Quem a senhora acha que é? Um dos lacaios?
— Não sei. Anteontem ela me perguntou sobre a casa e quem trabalhava
lá. E então murmurou alguma coisa sobre abelhas.
— Será que a abadia tem um apicultor? — Anna franziu a sobrancelha
ao considerar essa ideia antes de balançar a cabeça, dobrar um par de meias
e guardá-lo na bolsa.
— Não que eu saiba. — Mãe Wren deu de ombros. — Em todo caso,
fico feliz que Lorde Swartingham tenha decidido levá-la a Londres. Ele é
um homem muito bom. E está interessado em você, querida. Talvez ele lhe
faça uma pergunta importante por lá.
Anna se encolheu.
— Ele já me pediu em casamento.
Mãe Wren deu um pulo da cadeira e soltou um gritinho digno de uma
garota com um quarto de sua idade.
— E eu respondi que não — concluiu Anna.
— Não? — Sua sogra parecia chocada.
— Não. — Ela cuidadosamente dobrou uma camisola e colocou-a na
bolsa.
— Maldito Peter! — A outra mulher bateu o pé.
— Mãe!
— Sinto muito, querida, mas você sabe tão bem quanto eu que não teria
recusado aquele adorável homem se não fosse pelo meu filho.
— Eu não...
— Ora, não adianta inventar desculpas. — Na verdade, Mãe Wren
parecia séria. — O bom Deus sabe que eu amava Peter. Ele era meu único
filho e um garotinho muito querido. Mas o que ele fez com você durante o
casamento foi simplesmente imperdoável. Meu querido marido, se estivesse
vivo na época, teria dado umas boas chibatadas nele.
Anna sentiu as lágrimas arderem em seus olhos.
— Eu não desconfiava de que a senhora sabia.
— Eu não sabia. — Mãe Wren voltou a se sentar com uma pancada. —
Não até aquela última doença. Ele estava febril e uma noite começou a falar
quando eu estava com ele. Você já tinha ido para a cama.
Anna baixou o olhar para as mãos e escondeu o fato de que lágrimas
borravam sua visão.
— Ele ficou muito chateado quando descobriu que eu não podia ter
bebês. Lamento por isso.
— Eu também lamento. Sinto muito por vocês não poderem ter tido
filhos.
Anna enxugou o rosto com a palma da mão e ouviu as saias da sogra
farfalharem quando ela se aproximou.
Mãos quentes e gordinhas a envolveram.
— Mas ele tinha você. Faz ideia de como fiquei feliz quando Peter se
casou com você?
— Ah, mãe...
— Você foi, é, a filha que eu nunca tive — murmurou Mãe Wren. —
Você tem cuidado de mim durante todos esses anos. De várias maneiras, eu
fiquei mais próxima de você do que fui de Peter.
Por alguma razão, isso fez Anna chorar ainda mais.
Mãe Wren a abraçou e a embalou levemente. Anna chorou muito, e
soluços pesados que saíam de seu peito faziam sua cabeça doer. Era tão
doloroso ter essa parte de sua vida exposta quando ela a mantivera oculta
por tanto tempo. A infidelidade de Peter tinha sido uma vergonha secreta
que ela sofrera sozinha. Ainda assim, durante todo esse tempo, Mãe Wren
sabia, e o que era mais importante, ela não a culpara. Suas palavras eram
como uma absolvição.
Finalmente, os soluços de Anna ficaram mais baixos e se aquietaram,
mas seus olhos ainda permaneciam fechados. Ela se sentia tão cansada, suas
pernas estavam pesadas e letárgicas.
A mulher mais velha a ajudou a se deitar e alisou a coberta por cima
dela.
— Apenas descanse. — A mão fria e macia de Mãe Wren gentilmente
tirou seu cabelo da testa, e ela a ouviu murmurar: — Por favor, seja feliz,
querida.
Anna ficou deitada, sonhando, e ouviu o barulho dos passos da outra
mulher conforme ela descia a escada. Mesmo com dor de cabeça, ela se
sentiu em paz.
— Foi para Londres? — A voz de Felicity se ergueu até quase ficar rouca.
Duas senhoras que passavam pelo chalé da família Wren olharam por
cima do ombro para ela, que deu as costas para as duas.
A Sra. Wren mais velha a encarava de modo estranho.
— Sim, hoje pela manhã, com o conde. Lorde Swartingham falou que
não podia ir sem ela para a reunião da associação. Eu não lembro agora o
nome da sociedade, os Egeus ou algo assim. É impressionante o que os
cavalheiros da sociedade fazem para se divertir, não é?
Felicity fixou um sorriso em seu rosto quando a mulher idosa começou a
tagarelar, embora quisesse gritar com impaciência.
— Sim, mas quando Anna vai retornar?
—Ah, eu acho que não antes de mais um dia ou algo assim. — A
sobrancelha da Sra. Wren se juntou para pensar. — Talvez até demore uma
semana. Duas, no máximo.
Felicity sentiu o sorriso congelar numa careta. Bom Deus, será que a
mulher estava senil?
— Muito bem. Ora, eu tenho que ir. Tarefas domésticas, sabe?
Ela podia dizer, pelo sorriso hesitante da Sra. Wren, que sua despedida
era menos que polida, mas Felicity não tinha tempo agora. Ela entrou na
carruagem, bateu no teto e, em seguida, gemeu enquanto o veículo se
afastava. Por que Chilly fora tão indiscreto? E qual das criadas havia feito a
fofoca? Quando ela pusesse as mãos na traidora, faria questão de que ela
nunca mais voltasse a trabalhar neste condado. Naquela manhã, o escudeiro
explodira à mesa do café. Ele havia exigido saber quem se esgueirara dos
aposentos dela na semana anterior. Isso quase a havia feito perder o apetite
para os ovos poché.
Se ao menos Chilly tivesse escalado a janela em vez de usar a entrada
dos criados. Mas, não, ele insistira que a pedra do peitoril da janela rasgaria
suas meias. Que homem tolo e vaidoso! E, como se as suspeitas de
Reginald em relação a Chilly não fossem suficientes, na véspera ele havia
comentado sobre o cabelo vermelho de Cynthia. Parecia que não havia
ruivos na família Clearwater nos últimos tempos. Se é que alguma vez
havia tido.
Ora, claro que não, seu estúpido, era o que Felicity queria gritar. O
cabelo vermelho não vem da sua família. Em vez disso, ela fez algumas
referências vagas aos cachos avermelhados da avó e rapidamente mudou de
assunto e começou a falar de cães, assunto que sempre deixava seu marido
empolgado.
Felicity passou os dedos pelo penteado impecável. Por que o escudeiro
finalmente estava se dando conta disso depois de todo esse tempo? Se a
carta aparecesse para aumentar as suspeitas do marido em relação a Chilly,
a situação ficaria muito ruim para ela. Felicity estremeceu. Era possível que
fosse banida para uma fazendinha qualquer. Até divórcio, o mais terrível
dos destinos, poderia acontecer. Isso era inconcebível para Felicity
Clearwater.
Ela precisava encontrar Anna e pegar aquela carta de volta.
Anna se revirou na cama e deu um soco no pesado travesseiro pelo que
parecia a centésima vez. Era impossível dormir enquanto esperava ser
atacada por um conde agitado.
Ela não ficara surpresa cedo pela manhã quando Fanny, sua
acompanhante por falta de opção, fora relegada a outra carruagem. Com
isso, Anna partira sozinha com Edward no fáeton para Londres. Ela fizera
questão de colocar Jock entre os dois no assento do veículo e ficara quase
decepcionada quando Edward pareceu não notar. Eles viajaram o dia todo e
chegaram à casa de Edward em Londres após o anoitecer. Aparentemente,
acordaram os criados. O mordomo, Dreary, abrira a porta de camisolão e
gorro. Ainda assim, as criadas sonolentas acenderam o fogo e prepararam
uma refeição fria para os dois.
Então, Edward lhe desejara um polido boa-noite e pedira à governanta
que lhe mostrasse um quarto. Como a carruagem dos criados com Fanny
ainda não havia chegado, Anna tinha o cômodo somente para si. Em seu
quarto, havia uma pequena porta de ligação, da qual ela estava bastante
desconfiada. A cama era grande demais para pertencer a um simples quarto
de hóspedes. Edward não a teria colocado na suíte da condessa, teria? Ele
não ousaria.
Ela suspirou. Na verdade, ele ousaria.
O relógio na cornija já havia badalado uma hora da manhã. Sem dúvida,
se Edward tivesse a intenção de vir atrás dela, já teria feito isso, não é? Não
que fosse adiantar tentar abrir a porta. Anna havia trancado as duas.
Passos masculinos e firmes subiram a escada.
Ela ficou imóvel como uma lebre escondida na sombra de uma ave de
rapina. Olhou para a porta do corredor. Os passos se aproximaram, a
caminhada ficou mais lenta ao chegar à sua porta. Pararam.
Todo o seu ser estava concentrado na maçaneta da porta.
Fez-se uma pausa e, então, os passos voltaram. Uma porta mais adiante
no corredor foi aberta e fechada logo em seguida. Anna se jogou de volta
nos travesseiros. Naturalmente, ela estava aliviada com essa reviravolta.
Muito, muito aliviada. Uma verdadeira dama não ficaria aliviada por não
ser agarrada por um conde demoníaco?
Ela estava matutando como uma verdadeira dama deveria se apresentar
no quarto de um conde demoníaco para ser agarrada quando a tranca da
porta de ligação foi aberta. Edward entrou, segurando uma chave e dois
copos.
— Achei que talvez você quisesse tomar conhaque comigo? — Ele
levantou os copos.
— Eu, hum... — Anna fez uma pausa e pigarreou. — Eu não gosto
muito de conhaque.
Ele ergueu os copos por um momento mais, antes de baixá-los.
— Não? Ora...
— Mas você pode beber aqui. — As palavras de Anna colidiram com as
de Edward.
Ele a encarou em silêncio.
— Comigo, quero dizer. — Ela podia sentir as bochechas arderem.
Edward virou as costas, e, por um terrível momento, Anna pensou que
ele iria embora. Mas ele pousou os copos na mesa, encarou-a novamente e
começou a tirar a gravata.
— Na verdade, eu não vim para beber.
Ela prendeu a respiração.
Ele jogou a gravata numa cadeira e tirou a camisa por cima da cabeça.
Os olhos de Anna imediatamente se fixaram em seu peito nu.
Edward a fitou.
— Nenhum comentário? Isso é inédito.
Ele se sentou na cama para retirar, primeiro, as botas e, em seguida, as
meias. O colchão afundou com seu peso. Ele ficou de pé e baixou as mãos
para os botões na camurça.
Anna parou de respirar.
Edward sorriu maliciosamente e, aos poucos, abriu os botões. Ele enfiou
os polegares no cós e retirou a calça e as ceroulas com um único gesto.
Então o conde se empertigou, e seu sorriso desapareceu.
— Se você vai dizer não, faça isso agora. — Ele soou um tanto incerto.
Anna levou o tempo que achou necessário examinando-o. Desde os
olhos escuros aos ombros largos e musculosos, da barriga delgada até a
masculinidade grossa, das bolas pesadas às coxas musculosas, das
panturrilhas peludas até finalmente os pés grandes e ossudos. O Grotto de
Aphrodite era mal-iluminado, e ela queria guardar essa imagem dele, caso
nunca mais o visse. Edward era a personificação da beleza parado ali,
oferecendo-se para ela sob o brilho de uma vela. Anna percebeu que sua
garganta estava seca demais para falar, então simplesmente esticou os
braços.
Edward fechou os olhos por um segundo. Será que ele realmente havia
pensado que ela o mandaria embora? Então ele caminhou em silêncio até a
cama e parou ao lado de Anna. Abaixando a cabeça com inesperada
elegância, ergueu uma das mãos para puxar a fita de seu rabicho. Seda preta
fluiu em torno dos ombros com cicatrizes. Ele estava em cima dela, com o
cabelo roçando-lhe as faces. Edward baixou a cabeça para lhe dar beijos
delicados nas bochechas, no nariz e nos olhos. Anna ergueu os lábios, mas
ele a evitou. Até ela ficar impaciente.
Ela precisava tanto da boca dele.
— Beije-me. — Anna conduziu seus dedos para a cabeleira de Edward e
puxou o rosto dele para perto do dela.
Ele abriu os lábios sobre os dela, seus hálitos se mesclando, e aquilo
parecia uma bênção. Era tão certo. Ela sabia disso agora. A paixão entre os
dois era a coisa mais perfeita do mundo.
Anna se contorceu, tentando se aproximar mais, porém as mãos e os pés
dele nas laterais do corpo dela prendiam o lençol que a cobria. Ela estava
presa. Edward atacou a boca dela ao seu bel-prazer. Levou o tempo que
queria, primeiro ávido, depois delicado, e então ávido novamente, até Anna
sentir que derretia de desejo.
De repente, ele se afastou e ficou de joelhos. Havia uma fina camada de
suor em seu peito, e sua semente umedecia a ponta do pênis. Anna gemeu
baixinho ao ver aquilo. Ele era tão magnífico, tão belo e, neste instante, era
todo dela.
Edward direcionou o olhar para o rosto dela; em seguida, seguiu para
baixo, enquanto Anna afastava o lençol de seus seios. Ela usava somente
uma camisola. Ele esticou a peça fina sobre seu busto e examinou o corpo
dela. Anna podia sentir os mamilos intumescendo contra o tecido. Duros e
ansiosos. Esperando pelo toque dele. Edward se inclinou, pôs a boca úmida
sobre um mamilo e sugou através da roupa. A sensação foi tão intensa que
ela se curvou. Ele foi para o outro mamilo e sugou também até as pontas de
seus seios estarem grudadas no tecido úmido e transparente. Ele se afastou e
soprou o primeiro mamilo; depois, o outro, fazendo-a arfar e se debater.
— Pare de brincar. Pelo amor de Deus, me toque. — Ela não reconheceu
a própria voz de tão rouca.
— Como você quiser!
Ele segurou o decote da camisola e, com um gesto, rasgou o fino tecido.
Os seios nus emergiram no ar frio da noite. Por um segundo, Anna ficou tímida. Naquele dia, ela não usava uma máscara para se esconder. Aquele
era seu verdadeiro eu fazendo amor com Edward. Ela não tinha uma
desculpa atrás da qual se esconder; ele podia ver seu rosto, suas emoções.
Então ele foi para cima dela mais uma vez e capturou seu mamilo com a
boca. O calor de sua boca depois da frieza do tecido úmido quase a
enlouqueceu. Ao mesmo tempo, ele enfiou dedos compridos entres seus
pelos pubianos.
Anna ficou imóvel, esperando, sem fôlego, enquanto ele delicadamente
procurava e encontrava o que buscava. Edward começou um movimento
circular insidioso com o polegar. Meu Deus, aquilo era tão bom. Ele sabia
exatamente como tocá-la. Ela gemeu, e seu quadril instintivamente
acompanhou a mão dele. Edward enfiou o dedo profundamente nela, e
Anna estremeceu na súbita tempestade de seu clímax.
Edward murmurou, com as pálpebras fechadas.
— Olhe para mim — sussurrou Edward com as pálpebras fechadas.
Ela girou a cabeça na direção do som de seu rosnado, com os olhos
ainda fechados, em êxtase.
— Anna, olhe para mim.
Ela abriu os olhos.
Edward se agigantou sobre ela, com o rosto corado, as narinas abrindo e
fechando.
— Vou entrar em você agora.
Anna podia sentir sua ereção penetrando a abertura úmida. A cabeça
começou a comprimi-la, e as pálpebras dela baixaram em reflexo.
— Anna, doce Anna, olhe para mim — murmurou Edward.
Agora ele estava na metade do caminho, e ela lutava para manter os
olhos focados. Ele inclinou a cabeça e lambeu a ponta do nariz dela.
Os olhos de Anna se arregalaram.
E Edward a penetrou por completo.
Ela gemeu e se arqueou. Tão certo. Tão perfeito. Edward a preenchia
como se ambos tivessem sido feitos para isso. Como se tivessem sido feitos
um para o outro. Ela passou as coxas ao redor do quadril dele, envolvendo-
o com a pelve, e olhou para seu rosto. Os olhos dele estavam fechados, seu
rosto, grave com o desejo. Uma mecha de cabelo escuro havia se colado no
queixo do conde.
Então ele abriu os olhos e a fitou com sua intensidade escura.
— Eu estou dentro de você, e você está me segurando. Não há como
voltar atrás deste momento.
Anna gritou ao ouvir aquelas palavras, e a respiração dentro de seu peito
parecia tremer. O quadril de Edward se movia. Ela passou os braços ao
redor dele e o segurou enquanto o movimento de seu pênis entrando e
saindo afastava todos os pensamentos de sua mente. Ele aumentou o ritmo e
gemeu. Seus olhos estavam fixos nos dela; era como se ele tentasse
comunicar alguma coisa inexprimível. Ela tocou sua face com uma das
mãos.
O grande corpo do conde pareceu se partir. Ele estremeceu contra ela. O
prazer de Anna veio em ondas, uma alegria tão intensa a inundou que ela
não conseguiu contê-la. Ela gemeu seu êxtase. Ele jogou a cabeça para trás
naquele momento e mostrou os dentes num grito de prazer. O calor inundou
seu útero, seu coração e sua alma.
O corpo de Edward pesava sobre o dela, e Anna sentiu os batimentos do
coração dele. Ele suspirou. Então, letargicamente, o conde virou de lado.
Anna se encolheu como uma bola, de lado, com as pernas agradavelmente
doloridas. A última coisa que sentiu antes de se render ao sono foram as
mãos de Edward em sua barriga, puxando-a de volta para seu calor.
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