O Príncipe Corvo
Epílogo
“O Vento do Oeste voou com Aurea até um castelo nas nuvens cercado por aves que voavam em círculos. Quando ela desceu de suas costas, um corvo
gigante pousou ao seu lado e se transformou no príncipe Niger.
— Você me encontrou, Aurea, meu amor! — disse ele.
Quando o Príncipe Corvo falou, as aves desceram lentamente do céu e se
transformaram, uma a uma, em homens e mulheres novamente. Um grande
grito de júbilo irrompeu dos seguidores do Príncipe Corvo. Ao mesmo
tempo, as nuvens se dissolveram ao redor do castelo e revelaram que ele se
encontrava no cume de uma imensa montanha. Aurea estava perplexa.
— Mas como isso é possível?
O príncipe sorriu, e seus olhos de ébano reluziram. — Seu amor, Aurea. Seu
amor rompeu a maldição...”
— O Príncipe Corvo
TRÊS ANOS DEPOIS...
— E Aurea e o Príncipe Corvo viveram felizes para sempre. — Anna
fechou o livro de marroquim vermelho suavemente. — Ele dormiu?
Edward moveu a tela de seda para que protegesse o bebê da luz do sol da
tarde.
— Hum. Já faz algum tempo, acho.
Os dois olharam para o rosto enganosamente angelical. O filho deles
estava deitado em almofadas de seda vermelho-rubi, empilhadas no centro
do jardim murado da abadia. Seus bracinhos e suas perninhas estavam
abertos como se o sono o tivesse dominado em pleno movimento. Os lábios
pequeninos de botões de rosa formavam um bico que envolvia dois
dedinhos, e uma brisa soprava os cachos escuros. Jock estava deitado ao lado de seu humano favorito, sem se importar com a mão gordinha que
apertava sua orelha. Ao redor deles, o jardim florescia em plena glória: as
flores se derramavam sobre as trilhas em exuberância multicor, e rosas
trepadeiras cobriam quase as paredes inteiras. O ar estava impregnado do
perfume de rosas e do zumbido de abelhas.
Edward esticou o braço e pegou o livro da mão de Anna. Ele o pousou
próximo às sobras de seu almoço; então, pegou uma rosa cor-de-rosa do
vaso no centro da toalha de piquenique e moveu-se para mais perto da
esposa.
— O que você está fazendo? — sibilou Anna, embora já desconfiasse.
— Eu? — Edward tentou parecer inocente enquanto roçava a rosa por
cima dos seios expostos de Anna. Ele não foi tão bem-sucedido quanto o
filho.
— Edward!
Uma pétala caiu no decote de Ana. Ele franziu as sobrancelhas, fingindo
alarme.
— Oh, céus!
Os dedos compridos dele remexeram entre os seios dela, em busca da
pétala, mas apenas a empurraram para mais longe. Ele não estava fazendo
um bom trabalho para encontrá-la, e as pontas de seus dedos ficavam
roçando os mamilos de Anna.
Ela afastou a mão dele de forma indiferente.
— Pare com isso. Faz cócegas. — E soltou um gritinho quando ele
puxou um mamilo com dois dedos.
Edward franziu o cenho com ar sério.
— Shh. Você vai acordar o Samuel.
A parte de cima do vestido cedeu.
— Você tem que ficar muito, muito quieta.
— Mas Mãe Wren...
— Está vendo como Fanny está se saindo no novo emprego no condado
vizinho. — Seu hálito fez cócegas nos seios nus dela. — E não vai voltar
até a hora do jantar.
Ele pegou o mamilo com a boca.
Anna prendeu a respiração.
— Acho que estou grávida de novo.
Edward ergueu a cabeça; os olhos escuros brilhavam.
— Você acha ruim ter outra criança assim tão rápido?
— Eu adoraria — respondeu ela, e então suspirou, contente.
Edward estava recebendo a notícia de sua segunda gravidez muito
melhor que da primeira vez. Desde o momento em que Anna tinha lhe
contado que estava grávida, ele ficara terrivelmente mal-humorado. Ela
havia feito o possível para confortá-lo na época, mas se conformara com o
fato de que o marido só se recuperaria quando ela desse à luz com
segurança. E, de fato, Edward ficara sentado, com o rosto pálido, ao lado da
cama desde que ela entrara em trabalho de parto. A Sra. Stucker dera uma
olhada no rosto ansioso do pai do bebê e pedira conhaque, no qual Edward
se recusara a tocar. Cinco horas depois, Samuel Ethan de Raaf, visconde de
Herrod, nascera. Possivelmente era o bebê mais bonito na face da Terra, na
opinião de sua mãe. Edward havia bebido quase um terço da garrafa antes
de se deitar na grande cama com a esposa e o recém-nascido e envolver os
dois com os braços.
Agora, ele puxava as saias de Anna para cima e se ajeitava entre as
coxas nuas.
— Será uma menina desta vez.
Ele cobria o pescoço dela de beijos. As duas mãos cobriam os seios e os
polegares roçavam nos mamilos.
Anna arfou.
— Outro menino seria ótimo também, mas, se for uma menina, eu sei
como vou chamá-la.
— Como? — Ele estava mordiscando a orelha dela, e Anna podia sentir
sua ereção pressionando-a.
Era provável que ele não estivesse ouvindo, mas ela respondeu mesmo
assim:
— Elizabeth Rose.
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