O Príncipe Corvo
Capítulo Vinte
“No quinto ano de sua busca, no fim de uma noite chuvosa, Aurea foi
cambaleando por uma floresta escura e sinistra. Ela usava trapos finos que
mal cobriam seu corpo; seus pés estavam descalços e cheios de bolhas, e ela estava perdida e cansada. Toda a comida que tinha resumia-se a uma
casca de pão. No escuro, ela avistou uma luz que tremeluzia. Uma cabana
minúscula erguia-se, solitária, numa clareira. Depois de bater, uma mulher
idosa e desdentada, quase dobrada em duas por causa da idade, apareceu
na porta e a convidou a entrar.
— Ah, querida — disse a velha com voz rouca. — Está uma noite fria e
úmida para ficar sozinha. Venha dividir o fogo comigo. Mas temo não ter
víveres para lhe oferecer; minha mesa está vazia. Ah, mas o que eu não
daria para ter algo de comer!
Ao ouvir isso, Aurea sentiu pena da mulher. Ela colocou a mão dentro do
bolso e ofereceu à idosa seu último bocado de pão...”
— O Príncipe Corvo
Um grito alto e feminino arrancou Edward do sono, na manhã seguinte. Ele
se inclinou, chocado, e olhou na direção da fonte daquele terrível som.
Davis, com os cachos cinzentos pendendo sobre a face cinzenta, olhava
para ele com horror abjeto. Ao lado de Edward, uma voz feminina
protestava, sonolenta. Jesus! Ele rapidamente jogou os lençóis sobre Anna.
— Em nome de tudo que é sagrado, Davis, o que deu em você agora? —
gritou Edward enquanto sentia seu rosto queimar.
— Como se não bastasse o senhor viver frequentando prostíbulos, agora
traz para casa u-uma... — A boca do valete se contorceu.
— Mulher — completou Edward. — Mas não do tipo que você está
pensando. Esta é a minha noiva.
Os lençóis começaram a mexer. Edward pousou uma das mãos na
beirada superior, prendendo a ocupante.
— Noiva! Eu posso ser velho, mas não sou gagá. Essa não é a Srta.
Gerard.
As cobertas resmungaram ameaçadoramente.
— Mande a criada acender o fogo — ordenou Edward, desesperado.
— Mas...
— Agora.
Muito tarde.
Anna tinha aberto caminho até o topo das cobertas e agora sua cabeça
estava descoberta. O cabelo estava deliciosamente bagunçado, a boca,
pecaminosamente inchada. Edward sentiu uma parte da própria anatomia
inchar. Ela e Davis se encararam, e os olhos dos dois homens se estreitaram
ao mesmo tempo.
Edward gemeu e baixou a cabeça entre as mãos.
— Você é o valete de Lorde Swartingham? — Nunca uma mulher nua,
flagrada em posição comprometedora, soara tão afetada.
— Claro que sou. E a senhora é...
Edward lançou um olhar a Davis que continha a promessa de
desmembramento, violência e o apocalipse.
Davis se interrompeu e continuou mais cautelosamente:
— A, humm, senhora do milorde.
— Isso mesmo. — Ela pigarreou e tirou um dos braços de debaixo das
cobertas para puxar o cabelo para trás.
Edward a fitou com expressão severa e enfiou os lençóis mais
firmemente em torno de seus ombros. Ele não precisava ter se dado ao
trabalho. Davis examinava cuidadosamente o teto.
— Será que você poderia — começou Anna —, trazer o chá do conde e
mandar a criada atiçar o fogo?
Davis sobressaltou-se diante dessa ideia completamente nova.
— Imediatamente, senhora.
Ele já estava indo para a porta quando a voz de Edward o interrompeu:
— Daqui a uma hora.
O valete pareceu escandalizado, mas nada falou; o que era inédito, pelo
que Edward conhecia dele. A porta se fechou atrás de Davis. Edward pulou
da cama, foi até a porta e girou a chave na fechadura. Ele a jogou do outro lado do cômodo, e ela bateu na parede com um tinido. Ele já estava
novamente na cama antes que Anna tivesse tempo de se sentar.
— Seu valete é bem diferente — comentou ela.
— Sim. — Segurando o lençol, ele o retirou completamente da cama,
arrancando um gritinho de Anna, que estava deitada, toda quente, sonolenta
e nua, para seu deleite. Ele gemeu em aprovação, e a ereção matinal ficou
ainda mais dura. Que belo modo de acordar!
Ela lambeu os lábios, um gesto que seu pênis aprovou totalmente.
— E-eu percebi que suas botas raramente são polidas.
— Davis é um incompetente terminal. — Ele colocou as mãos nas
laterais do quadril dela e começou a mordiscar um caminho por suas pernas.
— Ah! — Por um momento, ele pensou que fora bem-sucedido em
distraí-la, mas Anna se recuperou. — Então por que você o mantém?
— Davis era o valete do meu pai antes de ser meu. — Ele falava sem
prestar muita atenção à conversa. Podia sentir o próprio cheiro no corpo de
Anna, e isso o satisfez de um modo primitivo.
— Então você o mantém por sentimentalismo... Edward!
Ela arfou quando ele afundou o nariz em seus pelos pubianos e inspirou.
O cheiro dele era forte ali, nos cachos dourados tão macios e belos sob a luz
da manhã.
— Suponho que sim — respondeu ele para os pelos dela, fazendo Anna
se contorcer. — E eu gosto desse velho imoral e malvado. De vez em
quando. Ele me conhece desde criança e me trata sem um pingo de respeito.
É revigorante. Ou, pelo menos, diferente.
O conde passou um dedo pela boceta de Anna. Os lábios se abriram
timidamente, revelando o interior cor-de-rosa. Ele virou o rosto para ver
melhor.
— Edward!
— Você gostaria de saber como foi que contratei Hopple? — Ele se
ergueu nos cotovelos entre as pernas dela. Mantendo-a aberta com uma das
mãos, ele provocou seu botão com o dedo indicador da outra mão.
— Ohhh!
— E você nem conheceu Dreary, mas ele tem um passado interessante.
— Ed-ward!
Deus, Edward adorava o som do seu nome nos lábios de Anna. Ele
pensou em lambê-la, mas concluiu que não conseguiria aguentar tanto tempo assim no início da manhã. Então se moveu para cima de seus seios, e
sugou um, depois, o outro.
— E tem toda a criadagem na abadia. Você gostaria de ouvir sobre eles?
— sussurrou Edward em seu ouvido.
Cílios grossos quase ocultaram os olhos cor de mel dela.
— Faça amor comigo.
Alguma coisa dentro dele, talvez seu coração, parou por um segundo.
— Anna.
Seus lábios eram macios e convidativos. Ele não foi gentil, mas Anna
não protestou. Ela abriu a boca delicadamente e se entregou, se entregou,
até ele não conseguir aguentar mais.
Edward se afastou e, com cuidado, a virou de bruços. Ele encheu as
mãos com as nádegas fartas e puxou-a para si até que Anna estivesse
apoiada nos joelhos e nos cotovelos. Fez uma pausa para examinar seu sexo
vulnerável desse ângulo. Seu peito arfou diante dessa visão. Aquela era sua
mulher, e somente ele teria o privilégio de vê-la assim.
Ele segurou seu pênis e o guiou pela entrada úmida. A sensação era tão
boa que empurrou com mais força do que pretendia. Fez uma pausa para
arfar. Então empurrou mais uma vez. E mais uma vez. Até as paredes
escorregadias cederem e ele ter feito um abrigo para si mesmo em seu calor.
Os músculos dela se apertando ao redor dele.
Edward trincou os dentes para não ejacular rápido.
Esticando a mão, ele tocou as costas dela. Do pescoço ao bumbum, até o
local onde ele a penetrava. Ali seu dedo fez um círculo, sentindo os tecidos
retesados e sua própria carne dura penetrando-a.
Ela gemeu empurrando o quadril na direção dele.
Ele retirou o pênis de dentro dela e a penetrou novamente. Com tanta
força que o corpo de Anna deslizou para a cama. Edward se afastou e a
penetrou de novo. O quadril girava cada vez mais rápido, então ele jogou a
cabeça para trás e trincou os dentes.
Ele ouvia os gemidos calorosos de Anna e esticou um braço ao redor do
quadril dela para encontrar aquela pequena saliência macia e apertá-la
levemente. As paredes de sua vagina começaram a se contrair em ondas, e
ele não conseguia mais se segurar. Edward gozou em jatos de prazer quase
dolorosos, jorrando dentro dela, marcando-a como sua. Anna desmoronou,
e ele a acompanhou para a cama, esfregando-se nela. Estremecendo com o
final.
Ele ficou deitado por um momento, arfando, e então saiu de cima de
Anna antes de esmagá-la. Edward se deitou de costas, um braço sobre os
olhos, e tentou recuperar o fôlego.
Conforme o suor secava em seu corpo, ele começou a pensar na posição
em que a colocara. Não havia a menor dúvida de que ela estava
comprometida agora. Ele quase batera em Davis simplesmente pelo olhar
que o homem lançara para Anna. Deus sabe o que faria se alguém
comentasse algo sobre ela, como inevitavelmente aconteceria.
— Você precisa se casar comigo. — Ele fez uma careta. Aquilo fora
abrupto demais.
Aparentemente, Anna também pensava isso. Seu corpo fez um
movimento brusco ao lado do dele.
— O quê?
Ele a fitou com a expressão séria. Agora não era hora de parecer fraco.
— Eu a comprometi. Nós temos que nos casar.
— Ninguém sabe disso além do Davis.
— E de toda a criadagem. Você acha que, a esta altura, eles não notaram
que eu não dormi no meu quarto?
— Mesmo assim, ninguém em Little Battleford sabe, e é isso que
importa. — Ela levantou da cama e retirou uma camisola da bolsa.
Edward olhou para Anna de cara feia. Ela não podia ser tão ingênua.
— E quanto tempo você acha que vai levar até a notícia chegar a Little
Battleford? Aposto que antes de nós voltarmos.
Anna vestiu a camisola e se inclinou para procurar alguma outra coisa
em sua bolsa, com o bumbum tentadoramente à mostra através do linho
fino. Será que ela estava tentando distraí-lo?
— Você já está noivo — disse ela com a voz firme.
— Não por muito tempo. Tenho um encontro com Gerard amanhã.
— O quê? — Isso despertou a atenção dela. — Edward, não faça algo de
que vai se arrepender. Não vou me casar com você.
— Pelo amor de Deus, por que não? — Ele se sentou, impaciente.
Ela se sentou na beirada da cama e calçou uma meia. Ele percebeu que a
peça estava cerzida perto do joelho, e a visão daquilo o deixou ainda mais
zangado. Ela não devia usar trapos. Por que não se casava com ele, para que
ele pudesse cuidar dela direito?
— Por que não? — repetiu ele tão baixo quanto conseguiu.
Ela engoliu em seco e começou a calçar a outra meia, alisando-a
cuidadosamente sobre os dedos do pé.
— Porque não quero que você se case comigo por um senso de dever.
— Corrija-me se eu estiver errado — pediu ele. — Não era eu o homem
que fez amor com você na noite passada e hoje de manhã?
— E eu era a mulher que fez amor com você — retrucou Anna. —
Compartilho a mesma responsabilidade pelo ato que você.
Edward a observou, buscando as palavras, o argumento que a
convenceria.
Ela começou a atar a liga.
— Peter ficou infeliz quando eu não engravidei.
Ele esperou.
Ela suspirou, sem olhar para Edward.
— E, então, ele acabou indo atrás de outra mulher.
Maldito bastardo estúpido! Edward afastou as cobertas e foi até a janela.
— Você o amava? — A pergunta era amarga em sua língua, mas ele
tinha que saber.
— No começo, quando éramos recém-casados. — Ela alisou a seda
esfarrapada sobre as panturrilhas. — Não no fim.
— Entendo. — Ele pagava pelos pecados de outro homem.
— Não, não acho que você possa entender. — Ela pegou a outra liga e
fitou-a em suas mãos. — Quando um homem trai uma mulher dessa forma,
isso quebra algo dentro dela que eu não sei se pode ser reparado.
Edward olhou para fora da janela, tentando formular uma resposta. Sua
felicidade dependia do que ele dissesse em seguida.
— Eu já sei da sua esterilidade. — Finalmente, ele se virou para encará-
la. — Estou satisfeito com você da forma como é. Posso prometer que
nunca terei uma amante, mas somente o tempo vai oferecer a prova real da
minha fidelidade. No fim das contas, você deve confiar em mim.
Anna esticou a liga entre os dedos.
— Não sei se posso.
Edward se virou para a janela, para que ela não visse sua expressão. Pela
primeira vez, percebeu que talvez não fosse capaz de convencer Anna a se
casar com ele. A ideia lhe trouxe algo próximo do pânico.
— Ah, pelo amor de Deus!
— Shhh. Ele vai ouvir você — sibilou Anna no ouvido de Edward.
Eles estavam assistindo à palestra da tarde de Sir Lazarus Lillipin sobre
rotação de culturas usando couves-nabos-da-Suécia e beterrabas. Até aquele
momento, Edward discordava de praticamente todas as palavras do pobre
homem. E ele não mantinha sua opinião sobre o homem e suas teorias para
si mesmo.
Edward franziu o cenho para o palestrante.
— Não, não vai. O homem é surdo como uma porta.
— Então outros certamente vão.
Edward olhou para Anna, indignado.
— Espero que sim. — E se virou novamente para o palestrante.
Anna suspirou. O comportamento do conde não era pior do que o do
restante do grupo, mas era melhor do que o de algumas pessoas. A
audiência podia ser classificada como eclética. Ia desde aristocratas em
seda e renda até homens em botas enlameadas, fumando cachimbos de
argila. Todos estavam amontoados em um café bastante encardido que
Edward lhe havia garantido ser perfeitamente respeitável.
Ela duvidava disso.
Mesmo agora, alguns gritos irrompiam no canto dos fundos entre um
escudeiro rústico e um dândi. Ela esperava que os dois não chegassem aos
socos — ou às espadas. Cada aristocrata no cômodo usava uma espada
como um distintivo anunciando sua posição social. Até Edward, que
rejeitava a afetação no campo, tinha embainhado uma espada esta manhã.
Ele a havia instruído, antes de eles saírem, a tomar nota dos pontos
importantes da palestra para que ele pudesse compará-los à sua própria
pesquisa mais tarde. Ela fizera alguns rabiscos sem muito entusiasmo, mas
não tinha certeza se seriam úteis. A maior parte da palestra lhe era
incompreensível, e ela estava um pouco confusa sobre o que exatamente
eram couves-nabos-da-Suécia.
Ela começara a suspeitar de que a principal razão de sua presença era
estar sob a vigilância de Edward. Desde a manhã, ele teimosamente repetia
aquele argumento de que os dois deveriam se casar. Ele parecia achar que,
se simplesmente repetisse isso com frequência, ela finalmente cederia. E
talvez tivesse razão — ela só precisava conseguir abandonar o medo de
confiar nele.
Anna fechou os olhos e pensou em como seria a vida se ela fosse esposa
de Edward. Os dois cavalgariam pelas propriedades de manhã, então
conversariam sobre política e sobre as pessoas no jantar. Ele a arrastaria para palestras misteriosas como esta. E eles compartilhariam a mesma
cama. Todas as noites.
Ela suspirou. Seria o paraíso.
Edward bufou explosivamente.
— Não, não, não! Até mesmo um lunático sabe que não se podem
plantar nabos depois de centeio!
Anna abriu os olhos.
— Se você não gosta nem um pouco do homem, por que veio a esta
apresentação?
— Não gosto de Lillipin? — Ele parecia realmente surpreso. — Ele é
um bom sujeito. Apenas retrógrado em suas ideias.
Uma onda de aplausos — e vaias — indicou o fim da palestra. Edward
pegou a mão dela com um aperto possessivo e começou a forçar a passagem
com os ombros na direção da porta.
Uma voz saudou os dois, vinda da esquerda.
— De Raaf! De volta a Londres, atraído pelas beterrabas?
Edward parou, fazendo Anna parar também. Ela espiou por cima do
ombro e viu um cavalheiro exageradamente elegante, com sapatos
vermelhos.
— Iddesleigh, eu não esperava vê-lo aqui. — Edward mudou de posição
para que ela não pudesse ver o rosto do homem.
Anna tentou se inclinar para a direita, mas foi bloqueada por um ombro
enorme.
— E como eu poderia perder a retórica apaixonada de Lillipin sobre
couves-nabos-da-Suécia? — Uma mão coberta com renda acenou
graciosamente no ar. — Eu até deixei minhas roseiras premiadas em botão
para vir. E, por falar nisso, como estão as roseiras que você comprou de
mim quando veio à capital na última vez? Não sabia do seu interesse por
flores ornamentais.
— Edward comprou as minhas roseiras do senhor? — Ansiosa, Anna
deu a volta em Edward.
Os olhos cinzentos e gélidos se estreitaram.
— Ora, ora, o que temos aqui.
Edward pigarreou.
— Iddesleigh, permita-me apresentar a Sra. Anna Wren, minha
secretária. Sra. Wren. Este é o visconde de Iddesleigh.
Ela se inclinou numa mesura enquanto o visconde se inclinava e pegava
seus óculos pincenês. Os olhos cinzentos que a examinavam através das
lentes eram muito mais afiados que o estilo do discurso e a maneira de
vestir a levaram a supor.
— Sua secretária? — O visconde arrastou as palavras. — Fas-ci-nan-te.
E, pelo que me lembro, você me tirou da cama às seis da manhã para
escolher aquelas rosas. — Lentamente, ele sorriu para Edward.
Edward o fitou com a expressão séria.
Anna deu um passo para trás.
— Lorde Swartingham foi muito gentil por permitir que eu tivesse
algumas das rosas que ele comprou para o jardim da abadia — mentiu ela.
— Elas estão indo muito bem, eu lhe garanto, milorde. Na verdade, todas as
rosas têm novos ramos, e algumas estão com brotos.
Os olhos gélidos do visconde se voltaram para os dela, e um canto de
sua boca se torceu.
— E a carriça defende o corvo. — Ele fez outra mesura, ainda mais
vistosa, e murmurou para Edward: — Parabéns, meu amigo. — E então se
afastou na multidão.
A mão de Edward apertou levemente o ombro de Anna; em seguida, ele
segurou seu cotovelo mais uma vez e a puxou na direção da porta. Uma
barragem de corpos bloqueava a entrada. Algumas discussões filosóficas
eram ouvidas, todas de uma só vez, algumas feitas pelas mesmas pessoas.
Um jovem parou para ouvir as discussões com uma expressão de
desdém no rosto. Ele usava um tricórnio ridiculamente pequeno no topo de
uma peruca empoada de amarelo com um rabo cacheado bem extravagante.
Anna nunca vira um almofadinha, mas examinava cuidadosamente as
ilustrações que os representavam nos jornais. O jovem olhou para Anna
quando eles se aproximaram da entrada. Seus olhos se arregalaram e, então,
miraram em Edward. Ele se inclinou e cochichou alguma coisa com outro
homem quando os dois alcançaram a calçada. A carruagem os esperava
próximo ao quarteirão, numa rua menos cheia. Quando eles dobravam a
esquina, Anna olhou para trás.
O almofadinha a observava.
Um calafrio percorreu sua espinha antes que ela se virasse.
Chilly observou a viúva do interior dobrar a esquina de braços dados com
um dos homens mais ricos da Inglaterra. O conde de Swartingham. Não era de admirar que Felicity tivesse escondido o nome do amante da viúva. O
potencial de lucro era imenso. E ele tinha uma necessidade eterna de
dinheiro. De um bocado, na verdade. Os adornos de um cavalheiro elegante
de Londres não eram baratos.
Seus olhos se estreitaram enquanto ele estimava quanto poderia pedir no
primeiro pagamento. Felicity havia pensado corretamente. Em sua última
carta, ela implorara a ele que entrasse em contato com Anna Wren em seu
nome. Como amante de Lorde Swartingham, a Sra. Wren devia ter montes
de joias e outros presentes valiosos que poderia transformar em dinheiro.
Obviamente, Felicity planejava chantagear a Sra. Wren sem deixá-lo
participar desse esquema.
Ele deu um sorriso irônico. Agora que sabia do esquema, poderia excluir
Felicity. De qualquer forma, ela nunca soube apreciar seus talentos na cama.
— Chilton. Veio para a minha palestra? — Seu irmão mais velho, Sir
Lazarus Lillipin, parecia nervoso.
E deveria estar, pois Chilly originalmente viera atrás do irmão para pedir
outro empréstimo. Claro que, agora que ele sabia sobre Anna Wren, não
precisaria do dinheiro do irmão. Por outro lado, o alfaiate fora um tanto
arrogante em seu último recado. Um dinheiro extra não iria fazer mal.
— Olá, Lazarus. — Ele deu o braço para o irmão mais velho e começou
a preparar o terreno.
— Edward?
— Hum? — Edward rabiscava furiosamente à mesa. Ele havia tirado o
casaco e o colete havia muito tempo, e os punhos da camisa estavam
manchados de tinta.
As velas estavam gotejando. Anna suspeitava de que Dreary havia
corrido para a cama após servir o jantar numa bandeja. O fato de que o
mordomo nem sequer se incomodara em arrumar a mesa na sala de jantar
dizia muito sobre sua experiência com o mestre após uma palestra na
Sociedade Agrária. Edward escrevia refutações a Sir Lazarus desde que eles
haviam voltado.
Ela suspirou.
Levantando-se, Anna foi até onde Edward trabalhava e começou a
brincar com a echarpe de gaze presa ao decote de seu vestido.
— É muito tarde.
— É mesmo? — Ele não ergueu o olhar.
— Sim.
Ela apoiou o quadril na mesa e se inclinou por cima do cotovelo dele.
— Estou exausta.
A echarpe se soltou de um dos seios. A mão de Edward congelou. A
cabeça do conde virou para observar os dedos dela no próprio peito, a
centímetros do rosto dele.
O dedo anelar de Anna passeou pelo decote e mergulhou entre os seios.
— Você não acha que é hora de ir para a cama?
Dentro. Fora. Dentro. Fora...
Edward se pôs de pé e quase a derrubou. Ele a segurou e a ergueu em
seus braços.
Anna passou os braços em volta de seu pescoço ao levantar do chão.
— Edward!
— Querida? — Ele saiu pela porta do escritório.
— Os criados.
— Se você acha, depois dessa exibiçãozinha — ele subiu os degraus de
dois em dois —, que eu iria perder meu tempo me preocupando com os
criados, você não me conhece.
Os dois chegaram ao corredor do segundo andar. Edward passou pelo
quarto dela e parou no dele.
— A porta — declarou ele.
Ela girou a maçaneta, e o conde empurrou a porta com o ombro. No
interior do quarto, ela entreviu duas pesadas mesas cobertas de livros e
papéis. Mais livros estavam empilhados aleatoriamente nas cadeiras e no
chão.
Ele a colocou em sua imensa cama. Sem dizer uma palavra, Edward
virou-a e começou a abrir seu vestido. Ela prendeu a respiração,
subitamente tímida. Aquela era a primeira vez que tomava a iniciativa sem
a máscara. No entanto, Edward não parecia incomodado com sua ousadia.
Longe disso. Anna estava bem consciente das pontas dos dedos roçando sua
coluna através das camadas de roupas. O vestido afrouxou ao redor de seus
ombros, e Edward o puxou para baixo enquanto ela se desvencilhava da
roupa. Lentamente, ele soltou as anáguas e desamarrou seu espartilho. Ela o
encarou, estava apenas com sua camisola e as meias. Os olhos do conde
estavam pesados e intensos, e seu olhar era sério enquanto ele esfregava um
polegar sobre a alça da camisola.
— Linda — murmurou ele.
Edward se inclinou e deu um beijo no ombro dela quando a alça caiu.
Anna estremeceu, mas não sabia se era pelo toque ou pela expressão nos
olhos dele. Ela não podia mais fingir que aquilo era apenas um ato físico
entre os dois, e ele provavelmente notou sua emoção. Anna se sentia
exposta.
Os lábios de Edward desceram pela pele sensível, e ele a mordiscou.
Então foi para o outro ombro, e aquela alça também caiu. Delicadamente,
ele baixou a parte da frente da camisola, expondo os seios dela. Os mamilos
já estavam intumescidos. Edward abriu suas mãos sobre os dois montes,
com as palmas quentes e possessivas. Pareceu examinar o contraste entre
suas mãos escuras emoldurando a pele branca dela. No alto das bochechas
dele, via-se rubor. Anna imaginou os mamilos de um tom rosa-claro
enrijecendo entre aqueles dedos calejados, e sua cabeça caiu para trás, como
se pesasse.
Ele ergueu os seios dela e os apertou.
Anna se ofereceu às mãos dele. Ela podia sentir o olhar dele no rosto
dela, e então ele tirou a camisola de Anna e a levou para a cama. Ela
observou enquanto ele rapidamente tirava as próprias roupas e se deitava ao
seu lado. A mão de Edward alisou sua barriga. Ela ergueu os braços para
puxá-lo para perto, mas ele delicadamente segurou-lhe os pulsos,
colocando-os ao lado da cabeça. Então deslizou pelo corpo dela até chegar à
barriga. Suas mãos estavam na parte interna das coxas, e ele forçou as
pernas a se abrirem.
— Tem uma coisa que eu sempre quis fazer com uma mulher. — Sua
voz soava como veludo escuro.
O que ele queria dizer com aquilo? Chocada, Anna resistiu. Ele não
queria olhar ali, não é? Tinha sido diferente naquela manhã, quando ela
estava sonolenta. Agora, sentia-se totalmente desperta.
— Não é algo que um homem possa fazer com uma prostituta — disse
ele.
Ah, Deus, será que ela podia fazer aquilo? Expor-se tão intimamente?
Anna esticou o pescoço para encará-lo.
O olhar de Edward era implacável. Ele queria aquilo.
— Deixe. Por favor.
Corando, Anna se recostou, rendendo-se ao conde e às suas
necessidades. Ela deixou os joelhos caírem, sentindo-se quase como se
estivesse oferecendo um presente de amor a ele. Edward baixou o olhar quando suas pernas se abriam cada vez mais, até que ele estivesse ajoelhado
entre as coxas afastadas, com a intimidade de Anna exposta. Ela apertou os
olhos com força, incapaz de observá-lo enquanto ele a examinava.
Edward não fez mais nada, e, finalmente, ela não conseguiu suportar a
espera nem mais um minuto. Anna abriu os olhos. Ele fitava seu corpo, sua
feminilidade; as narinas se moviam e a boca se curvava com uma aparência
tão possessiva que era quase assustador.
Anna sentiu sua abertura se contrair em reação. Líquido escorreu de
dentro dela.
— Eu preciso de você — murmurou ela.
Então Edward realmente a chocou. Ele se inclinou e lambeu sua
umidade com a língua.
— Oh!
Ele ergueu o olhar para o rosto dela e lentamente lambeu os lábios.
— Quero sentir seu gosto, lamber e sugar até você esquecer seu nome.
— Ele deu um sorriso sensual. — Até eu também esquecer o meu.
Anna arqueou e arfou só de ouvir aquelas palavras, mas as mãos de
Edward estavam em seu quadril agora, segurando-a. Sua língua passea- va
pelas dobras de sua feminilidade, cada movimento indo direto ao seu
centro. Ele encontrou seu clitóris e o lambeu.
E ela foi à loucura. Um gemido longo e lento irrompeu de seus lábios, e
Anna apertou o lençol dos dois lados de sua cabeça com as mãos. O quadril
arqueou. Mas isso não o afastaria de seu objetivo. Incansável, ele lambeu a
pequena saliência até que ela visse estrelas e, sem o menor pudor,
empurrasse sua pelve contra o rosto dele.
Então o conde puxou o clitóris em seus lábios e sugou delicadamente.
— Edward! — O nome saiu dela quando uma onda de calor inundou seu
corpo, até os dedos dos pés.
Ele estava em cima dela; seu pênis a invadiu antes que Anna tivesse
tempo de abrir os olhos. Ela estremeceu e o agarrou enquanto ele socava
contra a pele supersensível e sentiu a onda se erguendo de novo, levando-a
infinitamente em sua crista. Suas coxas estremeceram irremediavelmente
abertas, e ela apoiou a pelve na dureza dele. Edward respondeu
enganchando os braços debaixo dos joelhos dela e empurrando as pernas de
Anna na direção dos ombros. Ela estava aberta ao máximo, exposta e presa
enquanto ele a amava. Enquanto ela recebia tudo o que ele tinha para dar.
— Deus! — A palavra escapou dos lábios de Edward, mais um som
gutural do que uma palavra. Seu grande corpo tremia incontrolavelmente, e
ele enrijeceu contra ela.
A visão de Anna se fraturou em minúsculos arco-íris enquanto ele
arremetia a carne dura repetidas vezes contra sua maciez. Ela arfou. Não
queria que aquele momento terminasse; os dois estavam ligados agora, de
corpo e alma.
Até Edward desabar em cima dela, com o peito subindo e descendo em
grandes arfadas. Anna passou as mãos sobre as nádegas dele, com os olhos
ainda fechados, tentando fazer aquela intimidade durar. Ah, como ela queria
este homem! Queria segurá-lo assim amanhã e pelos próximos cinquenta
anos. Queria estar ao seu lado todas as manhãs quando ele acordasse, queria
que a voz dele fosse a última que ela ouviria antes de adormecer à noite.
Então Edward se moveu e rolou de costas. Ela sentiu o ar frio roçar sua
pele úmida. Um braço esguio de Edward a puxou para o corpo dele.
— Eu tenho uma coisa para você — disse o conde.
Anna sentiu algo pesado em seu peito e o pegou. Era O Príncipe Corvo.
Ela piscou para secar as lágrimas e afagou a capa de marroquim vermelho,
sentindo as reentrâncias da pena gravada sob os dedos.
— Mas, Edward, isto era da sua irmã, não era?
Ele assentiu.
— E agora é seu.
— Mas...
— Shhh. Eu quero que fique com o livro.
Ele a beijou com tanta doçura que ela sentiu seu coração se encher e se
inundar de emoção. Como poderia continuar negando seu amor por este
homem?
— Eu... eu acho... — começou ela.
— Shhh, docinho. Conversaremos de manhã — murmurou ele, com a
voz rouca.
Anna suspirou e se aninhou nele, inspirando seu cheiro forte, másculo.
Ela não se sentia tão bem-aventurada e feliz havia anos. Talvez nunca
tivesse se sentido assim.
A manhã chegaria logo.
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