Orações Perigosas

Craig Groeschel · Capítulo 12 de 31

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Orações Perigosas

2.2 De volta à realidade

CAPÍTULO 2 . 2

De volta à realidade

Na idade avançada dos meus 27 anos, sentime chamado por Deus para dar início a uma nova igreja. Amy, minha esposa, compartilhava dessa visão, de modo que sonhamos juntos e fomos ganhando terreno a partir de um plano. Escolhemos um nome para a nova igreja e demos entrada na papelada. Recrutamos amigos que já haviam demonstrado interesse em se juntarem a nós e mandamos imprimir convites para pessoas que esperávamos que se envolvessem à medida que a ideia da igreja fosse saindo do papel.

Dizer que éramos idealistas é um eufemismo. Munido bem mais de fé que de prudência, vislumbrei como seria. Eu pregaria mensagens poderosas. A atmosfera seria eletrizante, com adoração intensa e música dinâmica. Multidões se aglomerariam entre nossas paredes. Vidas seriam transformadas. Deus seria honrado. A cidade acabaria ficando diferente. E viveríamos felizes para sempre.

Com meu plano muito bem traçado na minha mente, sentei-me à mesa do café da manhã em frente de um dos meus mentores, Gary Walter. Tendo ajudado um grande número de jovens implantadores de igreja a concretizarem projetos bem-sucedidos e vitais, Gary era considerado um especialista. Com o interesse de um pai e a sabedoria de um veterano espiritual, ele foi generoso ajudando-me a dar direcionamento e perspectiva a um sonho. A partir do momento que ele quis saber dos meus planos, mal toquei nos ovos com bacon à minha frente para explicar a visão com ousadia.

Todavia, antes de me dar a oportunidade de convencê-lo de que nosso pequeno grupo de pessoas fiéis cresceria para se tornar um movimento mundial, Gary me interrompeu. Não foi rude nem abrupto — na verdade, exatamente o oposto disso. Nunca me esquecerei do tom afetuoso, paternal e pastoral de sua voz quando ele perguntou se poderia me falar com toda sinceridade. Fiz que sim com a cabeça e então ele disse: — Quero garantir a você uma coisa. Uma só.

Fez então uma pausa longa o suficiente para ser considerada constrangedora, deixando sua declaração calar fundo dentro de mim.

Inclinei-me para a frente e prendi a respiração, na expectativa do que ele diria a seguir. Uma coisa só? Só podia ser boa, se era única. O que seria? Talvez Gary fosse me garantir que Deus abriria portas para que eu anunciasse as boas-novas de Jesus a milhares de pessoas em diversos países mundo afora. Que Deus usaria a mim e nossa igreja para fazer mais do que eu poderia imaginar. Que o mundo seria diferente e melhor por causa dos nossos esforços por intermédio da igreja.

— A única garantia que posso dar a você é esta: Deus quebrantará você.

Proferidas devagar, em tom deliberado e gentil, as palavras de Gary esmagaram-me com o peso que carregavam.

Encarei-o também. É provável que a expressão do meu rosto traduzisse uma mistura de sentimento de traição com atordoamento.

O que você está querendo dizer? Deus me quebrantará? Que tipo de garantia é essa? Por que Deus desejaria me quebrantar? Que mentor é capaz de dizer uma coisa dessas para a gente? E que Deus permitiria que isso acontecesse?

O que se passou nos minutos posteriores à afirmação de Gary é um borrão indistinto na minha cabeça. Não me lembro se ele continuou falando. Ou se argumentei sobre o assunto. Ou se me limitei a permanecer sentado enquanto a afirmação profética que acabara de ouvir me devastava até os ossos. Só me lembro da sensação de choque provocado por aquelas palavras. Era a última coisa que eu queria escutar. Em que queria crer. Que gostaria que acontecesse. Afinal, eu estava agindo em obediência a Deus e fazendo o que ele queria de mim, certo? A verdade não deveria ser o contrário? Deus não deveria me recompensar ou pelo menos não tentar me quebrantar?

Por mais que sentisse vontade de me opor ao comentário de Gary, eu sabia que ele dissera a verdade.

Não foi ele quem me devolveu à realidade — quem fez isso foi a verdade.

Deus me quebrantaria.

E, ao menos em teoria, eu seria melhor por causa disso.

Se sobrevivesse.

Assim que recuperei o equilíbrio,

“É questionável se Deus lembro-me de Gary explicando por que

pode abençoar

grandemente um homem

antes de feri-lo em

profundidade”. — A. W. esse era o caminho que eu teria de Tozer

percorrer. E citou A.

W. Tozer, que disse: “É questionável se Deus pode abençoar grandemente um homem antes de feri-lo em profundidade”. Lembro-me de pensar na época o que penso hoje: Não tenho certeza de que essa ideia me agrada. Será que cheguei a acreditar nisso? Era esse o preço que teria de pagar para Deus me usar grandemente? Não havia um caminho mais fácil?

Gary me fez lembrar de que Deus me

A fim de sermos úteis para ama. Ele sempre tem em mente o melhor

Deus, precisamos nos

esvaziar de nós mesmos. para minha vida. Contudo, a fim de ser

útil de fato para ele, eu precisaria me

esvaziar de mim. Deus necessitaria me quebrantar para extirpar meu orgulho, minha autoconfiança, minha autossuficiência.

Teria também de arrancar de mim coisas que eu ainda nem tinha consciência de que precisavam ser eliminadas.

Se quisesse mesmo ser usado por Deus para sua glória, não havia como contornar meu quebrantamento.

Teria de me submeter a Deus.

E Deus teria de me quebrantar.