Orações Perigosas

Craig Groeschel · Capítulo 8 de 31

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Orações Perigosas

1.5 Revela meus temores

CAPÍTULO 1 . 5

Revela meus temores

O QUE DEIXA VOCÊ ansioso? Nervoso? Inquieto? Com medo?

Não me refiro aos medos normais de coisas exteriores como cobras e aranhas, ou do medo de voar. Quero saber o que o mantém acordado à noite, ricocheteando no interior da sua mente e se recusando a se aquietar. Coisas como perder o emprego. Não se casar. Ou acabar preso em um mau casamento. Ter um problema de saúde. Esgotar as economias apenas para conseguir sobreviver.

Não sabemos que medos exatamente passavam pela cabeça de Davi, mas está claro que perturbavam a própria segurança e talvez também o futuro. Porque depois de pedir a Deus que lhe sondasse o coração, ele orou: “[...] conhece as minhas inquietações” (Salmos 139.23). Queria compartilhar seus piores temores com Deus. Enfrentá-los e dar-lhes um nome. Confiar que Deus era maior que qualquer temor que ele, Davi, pudesse imaginar.

Você está disposto a fazer uma oração assim? “Senhor, revela o que tem mantido minha mente como refém. Mostra-me o que mais temo. Vá em frente, ajuda-me a enfrentar o que me apavora.”

Talvez você se pergunte por que suas “inquietações” interessam para Deus. Não tem necessariamente a ver com nosso conforto ou com experimentarmos uma vida livre de estresse. Mas a resposta para essa pergunta talvez seja muito mais importante do que a maioria de nós compreenderia a partir de uma análise superficial.

O que tememos tem importância. Anos

O que mais tememos atrás, uma revelação que tive acerca

revela a área na qual

menos confiamos em desse assunto me tocou de modo muito

Deus. pessoal. Deus me mostrou que o que eu

mais temia revelava a área na qual

menos confiava nele. Depois do nascimento de Anna, nossa terceira filha, Amy passou a enfrentar problemas de ordem física. A princípio achamos que fosse apenas cansaço, mas, quando metade do corpo dela ficou adormecida, tememos que pudesse ser algo bem pior. Médicos e mais médicos não foram capazes de elucidar o caso. À medida que os sintomas dela pioravam, minha confiança em Deus começou a enfraquecer.

Esse medo levou a outros tantos, de modo que à noite a avalanche de pensamentos fugiu ao meu controle. E se Amy estiver com alguma enfermidade perigosa? E se eu a perder? Não serei capaz de criar nossos filhos sem ela. Não poderia continuar a conduzir a igreja. Não ia querer seguir em frente. Foi então que me ocorreu: o que me mantinha acordado à noite era tudo que eu não estava confiando em Deus para administrar. Permanecia agarrado a essas coisas, ruminando ideias relacionadas a elas, tentando encontrar um modo de controlá-las, de solucionar todos os meus problemas, de traçar planos para cada contingência. Felizmente, pela graça de Deus, Amy foi melhorando aos poucos até recuperar plena força, mas os problemas que enfrentara expuseram uma das minhas piores fraquezas. O medo me consumira.

E você? A que áreas você se apega ao mesmo tempo que lhes dá permissão para que o aterrorizem? A quais temores você tem negado acesso para Deus?

Pense bem. Se o medo em relação ao futuro do seu casamento o domina, esse é um indício de que você não confia por completo em Deus no que diz respeito a esse aspecto da sua vida. Se a preocupação com as contas a pagar o sufoca, isso revela que talvez você não esteja confiando em Deus para ser seu provedor. Se a segurança dos seus filhos é uma preocupação que o paralisa, não seria o caso de você não estar confiando em Deus para mantê-los protegidos?

A experiência com essa oração me diz que Deus sempre revela minhas inquietações e os temores que as alimentam. Um dos primeiros medos que ele revelou também se provou ser um dos mais persistentes. Tenho pavor de fracassar. Começou quando criança, jogando beisebol e morrendo de medo de desapontar meu pai, ex-jogador profissional. Hoje adulto, tenho medo de desapontar no próximo sermão, no próximo projeto ou na responsabilidade de ser bom pai. Morro de medo de decepcionar as pessoas, de não bastar, de não fazer o que precisa ser feito. Sempre me sinto incompetente.

Na verdade, enquanto digito as palavras desta página, preocupo-me com a saúde da minha filha. Mandy tem 23 anos, é casada e tão cheia de talentos quanto todo o mundo que conheço. No entanto, há quase três anos, ela é incapaz de funcionar como uma pessoa normal.

Já fizemos mais orações por ela do que conseguiríamos contar. Consultamos médicos de um extremo ao outro do país. Experimentamos as dietas mais específicas que você seria capaz de imaginar. Tentamos abordagens naturais e até coisas que fariam algumas pessoas nos considerarem malucos. Não sou cristão apenas, sou pastor. Sei que não devo me preocupar. Mas, quando há um filho envolvido, fica difícil não deixar a mente correr na direção errada.

O que me traz de volta à razão pela qual quis escrever este livro. De todo o coração, conheço o poder de fazer orações perigosas.

E o tempo todo me sinto enjoado das minhas orações cautelosas.

Não suporto nem mais um dia do meu cristianismo egocêntrico.

De modo que esta mensagem arde no meu peito. Mas preocupa-me a possibilidade de não ser capaz de transpor a ideia do meu coração para o papel. E se o que estou escrevendo não for poderoso o suficiente? Não convencer? Não abrir os olhos das pessoas para o pecado? Não falar ao coração delas?

Nossos medos são importantes.

Nossos medos são Porque, em última análise, mostram que

importantes. Porque, em

última análise, mostram estamos dependendo dos nossos

que estamos dependendo esforços, não confiando no Salvador. A

dos nossos esforços e não

confiando no Salvador verdade é que nós — você, eu e todo o

mundo — somos sempre incompetentes.

Nunca bastamos. Somos sempre fracos. Mas aqui está o mais incrível: quando somos fracos, o poder de Deus é aperfeiçoado (v. 2Coríntios 12.9).

Seu maior temor pode lhe indicar a melhor oportunidade para você fazer diferença no mundo. Você precisa de Deus para cada momento de todo dia. Tudo que você faz de valor nasce do coração, do poder, da graça dele.

A fim de agradar a Deus, de servi-lo, de honrá-lo, de viver por ele, você não pode ser conduzido pelo medo. Tem de ser conduzido pela fé. Sempre digo que o caminho para seu maior potencial costuma passar bem no meio do seu maior receio. A fé o impulsionará para a frente. Na verdade, o que Deus deseja para sua vida pode estar do outro lado do que você mais teme. O apóstolo Paulo encoraja o pupilo Timóteo a se agarrar à fé lembrando-o: “Pois Deus não nos dá um Espírito que produz temor e covardia, mas sim que nos dá poder, amor e autocontrole” (2Timóteo 1.7, Nova Versão Transformadora).

Muitos cristãos acreditam há séculos

A fim de agradar a Deus, que o inimigo de Deus, o Diabo, tenta

de servi-lo, de honrá-lo, de

viver por ele, você não influenciar os que creem com mentiras.

pode ser conduzido pelo Se você tem medo de fracassar, pode ser

medo. Tem de ser

conduzido pela fé. que seu inimigo espiritual esteja tentando

persuadi-lo a não fazer o que Deus o

criou para fazer. Por isso, ore e avance por cima do seu medo. Sem fé, é impossível agradar a Deus. Lembre-se de que você ama agradar a Deus mais do que receia fracassar.

Quando você fizer essa oração perigosa e Deus lhe revelar o que o impede de segui-lo em plenitude, não perca a oportunidade de experimentar o amor dele. Mergulhe em sua graça extravagante.

Desfrute da bondade incondicional de Deus derramada por você na vida de Cristo. Lembre-se: “[...] o perfeito amor expulsa o medo [...]” (1João 4.18).

À medida que for revelando seus temores, Deus também edificará sua fé. Você precisa dele. Precisa da sua presença. Do seu poder. Do seu Espírito a lhe conduzir. Você precisa de sua Palavra a fortalecê-lo. Fé não significa não sentir medo. Fé significa não deixar o medo deter você.

O que você mais teme mostra em que precisa crescer com Deus.

Do que você tem medo? Quais são suas inquietações?

O que Deus está mostrando a você?

Em que você precisa crescer na fé?

Confie nele.