Orações Perigosas

Craig Groeschel · Capítulo 23 de 31

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Orações Perigosas

3.4 Um pecador salvo pela graça

CAPÍTULO 3 . 4

Um pecador salvo pela graça

QUANDO CRIANÇA, EU QUERIA sentir a presença de Deus. Sobretudo na igreja — afinal, ela era a casa de Deus, certo? Esperava sentir algo sobrenatural, por falta de expressão melhor. Arrepios teriam sido o máximo. Um calafrio na espinha, maravilhoso. Podia imaginar a paz e o consolo divinos à medida que uma sensação de ternura se propagava dentro de mim. Mas nada disso nunca aconteceu. A maior parte das vezes só me sentia pouco à vontade nas roupas mais formais que meus pais me obrigavam a vestir para ir à igreja enquanto me perguntava quanto tempo ainda demoraria para podermos ir embora almoçar.

Mesmo que esses sentimentos todos

sejam possíveis, descobri que os Para chegarmos de fato ao

ponto da submissão a

encontros com Deus costumam ser mais Deus e da disponibilidade

que os arrepios ou a sensação de ternura para ele, e a termos plena

consciência de sua

que se experimenta ao segurar um presença, convém que reconheçamos e filhotinho. Antes que possamos encontrá- compreendamos nossa lo, no entanto, sempre ajuda lidar com o condição de pecadores. pecado na nossa vida. Para chegarmos de fato ao ponto da submissão a Deus e da disponibilidade para ele, e a termos plena consciência de sua presença, convém que reconheçamos e compreendamos nossa condição de pecadores.

Basta dizer que somos “pecadores” para ofender muita gente hoje em dia. Na nossa cultura, gurus da autoajuda e especialistas motivacionais nos dizem para rejeitarmos essa ideia. Deveríamos amar a nós mesmos do jeito que somos e pronto. Não há necessidade alguma de mudarmos a menos que assim o desejemos — e então podemos fazê-lo nós mesmos.

Na verdade, conversando com um rapaz na academia há pouco tempo, ele me disse que não necessitava de Jesus em sua vida.

Com total confiança, contou-me que, embora Jesus provavelmente fosse uma pessoa real, talvez até o Filho de Deus, era inútil para ele.

Quando lhe perguntei se já sentira alguma necessidade de perdão, o rapaz respondeu com energia: — Nenhuma. — Explicou que era uma “pessoa boa”, bem melhor que muitos cristãos que ele conhecia. Por que necessitaria de perdão se não era mau?

Por mais que eu tenha certeza de que o rapaz fizesse mesmo bastante coisa boa, procurei ajudá-lo a reconhecer que, no fundo, nenhum de nós é bom. Por causa da rebelião ocorrida lá atrás, no jardim do Éden, herdamos a chamada natureza pecaminosa de Adão. O apóstolo Paulo explicou isso do seguinte modo: “Portanto, da mesma forma como o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram” (Romanos 5.12).

Ao vermos quanto Deus é bom, adquirimos aguda consciência do quanto nós não somos bons. A santidade do Senhor revela nosso caráter pecaminoso. É o que aconteceu com Isaías, é o que acontece conosco na presença de Deus. Quando o profeta viu a glória de Deus, não bradou “Sou incrível. Sou santo e perfeito como Deus”. Nada disso. Isaías reconheceu a profundidade da própria depravação e gritou: “Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!” (Isaías 6.5).

O profeta não se limitou a dizer: “Agora estraguei tudo. Fiz algumas coisas bem ruins”. Ele exclamou movido por um coração desesperado: “Ai de mim!”. A consciência da profundidade do seu pecado trouxe tristeza, remorso, dor e um espírito de arrependimento sincero. Na presença de Deus, Isaías disse: “Estou perdido!”.

Outra versão traduz o texto hebraico original para “Chegou a minha hora! Vou morrer [...]” ( Bíblia Viva).

Em reação semelhante, Moisés escondeu o rosto com medo de olhar para Deus (v. Êxodo 3.6). Jó afirmou se menosprezar, ou ter repugnância de si próprio, ao ver o poder de Deus (v. Jó 42.6).

Pedro caiu de rosto em terra aos pés do Senhor e pediu para Jesus se afastar, pois ele era pecador (v. Lucas 5.8). Em nada nenhum de nós é melhor que Moisés, Jó ou Pedro. E alguns até tivemos experiências semelhantes quando oramos a Deus pedindo salvação. Mesmo que você não tenha se prostrado no chão, entregar a vida para Jesus parte da consciência da sua necessidade de salvação do pecado.

Por que necessitamos reconhecer nosso pecado? Não podemos apenas começar a seguir Jesus e seguir em frente? Qual a importância de olharmos para quanto somos egoístas e rebeldes? Porque, enquanto não nos enxergarmos como pecadores, jamais entenderemos a plenitude de Jesus como o Salvador.

Como meu amigo na academia, também tentei durante anos racionalizar minha condição de pecador, mesmo depois de me tornar um seguidor do Senhor Deus. Afinal de contas, conhecia gente bem pior que eu. Nunca matei ninguém. Não fui membro de gangue nem estuprador. Mas, quando comecei a fazer orações perigosas — clamando a Deus e aprendendo a conhecer quem ele era —, minha autoconfiança foi se convertendo em autoconsciência. Deus é justo. Sou injusto. Deus é pleno de glória. Sou pleno de mim mesmo. Precisei enfrentar a verdade brutal acerca da minha pecaminosidade. Era egocêntrico. Vivia contando mentiras e, de vez em quando, pegava coisas que não me pertenciam. Invejava outras pessoas, tinha desejos libidinosos e queria as coisas reluzentes que o mundo oferecia.

Mas, quando você faz orações

Quando você faz orações perigosas, vê e compreende mais de

perigosas, vê e

compreende mais de Deus. Isso muda tudo. Isaías percebeu

Deus. Isso muda tudo. isso. Talvez você também perceba.

Quando os seres angelicais cantaram a

santidade de Deus, Isaías soube que os próprios lábios eram pecaminosos e impuros. Só veremos nossa pecaminosidade em plenitude quando acolhermos a santidade de Deus. Quando nos comparamos a outras pessoas, conseguimos nos enganar achando que não somos tão ruins. Mas, quando nos comparamos a Deus, vemos quão iníquos na verdade somos. Como Isaías, ao experimentar a presença de Deus, conscientizei-me do meu pecado. Essa consciência me levou então a uma compreensão mais completa da maravilhosa graça de Deus.

Uma das minhas temporadas mais vigorosas de crescimento espiritual aconteceu quando eu trabalhava como jovem pastor associado na Primeira Igreja Metodista Unida da cidade de Oklahoma.

Por difícil que seja admitir, em diversos sentidos, eu mais “desempenhava um papel” do que “vivia um chamado”. Sentindo-me pressionado a corresponder a grandes expectativas, comecei a falar coisas que soassem “pastorais”, mesmo que não totalmente verdadeiras. Era capaz de dizer às pessoas que oraria por elas, embora soubesse que o mais provável seria que não o fizesse. Agia como se fosse próximo de Deus, apesar de viver atolado no trabalho e não passasse muito tempo com o Senhor.

Uma manhã de quinta-feira, preparando-me para pregar no lugar do pastor sênior, senti como se Deus abrisse meus olhos para meu caráter pecaminoso. A imagem que ele mostrou era clara: convertera-me em “pastor em tempo integral” e “seguidor de Cristo em meio período”. A vida exterior que exibia não era reflexo fiel da devoção interior. Assim, em uma das minhas atitudes de fé mais arriscadas, rasguei o sermão que estava preparando e preguei outra mensagem, mais autêntica. Nascida no meu coração, nela eu confessava que me deixara levar para longe de Deus. Até hoje não sei se me lembro de Deus fazendo mais na vida de tanta gente do que no dia em que despi minha alma diante da família que é a nossa igreja.

Das profundezas do desespero, Isaías experimentou a profundidade da graça divina. Procurou traduzir em palavras o que aconteceu quando um dos reluzentes serafins voou em sua direção.

O ser angelical carregava uma brasa incandescente retirada diretamente do altar de Deus. Quando encostou a brasa ardente nos lábios do profeta, o mensageiro divino anunciou: “ ‘Veja, isto tocou os seus lábios; por isso, a sua culpa será removida, e o seu pecado será perdoado’ ” (Isaías 6.7).

Imagine o poder envolvido no acontecimento. Isaías nunca esteve mais consciente da culpa, do pecado, da vergonha. E com um toque da criatura celestial, seu pecado desapareceu. Foi esquecido. Perdoado. Primeiro, graça incondicional. Depois, gratidão irrefreável.

Meus pecados estão perdoados.

Não há nada melhor para alimentar sua vida de oração que o profundo apreço pela graça divina. Imagine Deus apagando todas as suas mentiras. Curando seu ódio. Expiando seu pecado sexual.

Abrace essa ideia. Se você está “em Cristo”, suas decisões egocêntricas foram perdoadas. Sua raiva — perdoada. Ódio — perdoado. Amargura — perdoada. Vanglória — perdoada. Ciúme — perdoado. Inveja — perdoada. Todos os seus pecados, seus maus pensamentos, sua ganância, sua hipocrisia, suas intrigas imundas, seus desejos libidinosos secretos, seu orgulho, sua ingratidão, seu materialismo, sua descrença — tudo foi perdoado e esquecido pela graça do nosso bom Deus.

Adiante, Isaías acrescentaria mais cor à graça divina citando aquele que o perdoou: “ ‘Sou eu, eu mesmo, aquele que apaga suas transgressões, por amor de mim, e que não se lembra mais de seus pecados’ ” (Isaías 43.25). Quando você clama por perdão, Deus não se lembra dos seus pecados. Eles se foram. Estão perdoados.

Lavados. E esquecidos.

Do mesmo modo que a brasa afastou a culpa e o pecado de Isaías, o sangue de Jesus leva embora os nossos. Ao ler isso, espero que você pare tempo suficiente para deixar essas verdades serem bem assimiladas, tranquilizando sua alma maculada pelo pecado e inspirando-o a fazer orações perigosas.

A graça... transforma... tudo.

Não contribuímos com nada.

Jesus entra com tudo.

Quando sentimos sua presença, conscientizamo-nos da nossa condição de pecadores. Então nos tornamos eternamente devedores para com ele por sua graça extravagante, imerecida e inigualável.

No momento em que enxergamos

No momento em que Deus pelo que ele é, vemos a nós

enxergamos Deus pelo

que ele é, vemos a nós mesmos pelo que não somos. E em

mesmos pelo que não função do que Jesus fez em nosso favor,

somos.

bem como da graça que derrama com

liberalidade sobre nós, de repente a perigosa oração de entrega não parece tão intimidadora. Na verdade, mesmo ela continuando a ser perigosa, talvez chegue a parecer convidativa de certa forma. Quando Deus pergunta “Quem vai?

Quem devo enviar?”, nossa reação imediata, fruto de um coração perdoado e entregue, é a oração repleta de fé e totalmente disponível: “Aqui estou, Senhor. Envia-me”.

Quando repete essa oração perigosa, você não o faz movido por um sentimento de obrigação ou de culpa. Sabe como é, por causa do que Jesus fez em meu favor e tudo mais, tenho de permanecer disponível para ele agora, creio eu. Não; é uma oração audaciosa de fé. A constatação profunda de que sua vida não lhe pertence. Você pertence a Deus. É seu servo. Seu embaixador. Seu representante na terra.

As orações que você faz começarão a se converter de pedidos egocêntricos — “Faça isso para mim, Deus. Ajuda-me, Senhor” — para orações centradas em Cristo, tendo o evangelho a alimentá-las e para glória do Senhor. “Seja para onde for, Deus. Quando o Senhor quiser. Para o que o Senhor quiser, sou seu.”

Você reconhece que o mesmo Deus que o perdoou também o chamou e escolheu. A cada dia ele tem planos traçados para você.

Pessoas para abençoar. Coisas para dar. Oportunidades para servir.

Quando você tiver se submetido a ele,

terá olhos para ver onde o Senhor está Quando você tiver se

submetido a ele, terá olhos

trabalhando. para ver onde o Senhor

está trabalhando. Um

coração capaz de sentir o

Um coração capaz de sentir o que o que o emociona. E mãos

emociona. para demonstrar o amor

que ele tem.

E mãos para demonstrar o amor que

ele tem.

Você verá pessoas necessitadas de incentivo, e o Espírito lhe dará as palavras para lhes dirigir.

Enxergará alguém com determinada necessidade que Deus o estimulará a suprir. Verá alguém que está só e lhe mostrará que Deus o ama. Você é seu servo. Disponível. Ávido. E pronto para ir.