Orações Perigosas

Craig Groeschel · Capítulo 6 de 31

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Orações Perigosas

1.4 Escolhas difíceis

CAPÍTULO 1 . 4

Escolhas difíceis

Eu cursava o ensino médio a primeira vez que deparei com a perigosa oração de Davi. Nas noites de quarta-feira, meus colegas e eu frequentávamos a reunião semanal de jovens da nossa igreja metodista. Eu não saberia dizer com certeza até que ponto cresci espiritualmente nesses encontros, mas algumas coisas se destacam. A primeira seriam nossas batalhas épicas de four square.

[Nota 1]

Não creio que o jogo seja mencionado na Bíblia, mas quem nos visse imaginaria que o Armagedon começara, considerando a maneira na qual o disputávamos.

Também me lembro dos lanches na pequena cantina. Toda semana algumas senhoras preparavam guloseimas — brownies de chocolate, barrinhas de limão e cookies. Às vezes eu ia à reunião só para ver qual seria o banquete. As senhoras metodistas se empenhavam para provar que a Bíblia diz a verdade quando afirma: “Provem e vejam como o Senhor é bom” (Salmos 34.8).

Lembro-me ainda que nossos pastores de jovens não duravam muito. A maioria que passou por lá parecia atuar em caráter temporário, como se estivesse apenas fazendo uma visita para descobrir se seríamos uma igreja em que gostariam de se estabelecer. Devia ser duro tentar se conectar com um bando de adolescentes, todos querendo impressionar uns aos outros mais que aprender a respeito de Deus. A despeito da rotatividade, houve um sujeito que causou verdadeiro impacto sobre mim.

Eu devia estar no terceiro ano do ensino médio quando vários de nós embarcamos em um micro-ônibus com destino ao acampamento metodista, a cerca de duas horas de viagem da nossa igreja.

No primeiro dia do acampamento, depois de um período de adoração, nosso pastor de jovens deu uma aula sobre a oração introspectiva de Davi pedindo a Deus que o sondasse. No fim da aula, ele nos incentivou a sairmos sozinhos do local da reunião e repetirmos aquela oração diversas vezes, procurando ouvir o que Deus talvez nos dissesse em resposta. Comprei a ideia, mas sem ter noção do que Deus estava prestes a desencadear na minha vida.

Afastei-me do pessoal e caminhei até a extremidade do parquinho, um local ainda cheio de árvores. Havia um frescor como de pinheiros no ar, enquanto nuvens brancas se desemaranhavam no céu azul. Sentei-me junto à fileira de árvores e levei a sério a tarefa atribuída pelo pastor. Chegou a minha vez de aprender a orar — orar de verdade. Não via ninguém por perto, de modo que disse em voz alta: — Deus, sonda o meu coração.

Gostaria muito de poder lhe dizer que Deus me mostrou que meu coração era puro, meus caminhos santos e minhas motivações voltadas todas para o serviço dele. Naquele dia, contudo, lembro-me de perceber uma resposta distinta ao meu pedido. Deus não falou de forma audível, nem eu vi um sinal no céu. Tudo aconteceu sem nuvens se abrindo nem trovões ecoando. Senti apenas uma presença muito pessoal e santa. No mesmo instante que experimentei um amor celestial inconfundível, também me dei conta da dimensão da minha pecaminosidade.

Como eu era hipócrita!

Os colegas haviam me elegido presidente do nosso grupo de jovens. A posição me colocava como líder e exemplo para todas as crianças da nossa igreja. Mas minha vida era uma fraude no que dizia respeito à fé. Aparentava sinceridade e seriedade nas noites de quarta-feira, em companhia do grupo de jovens, e caía na farra com uma turma bem mais maluca no fim de semana. Fingia conhecer Deus, mas minha vida e meu coração revelavam quanto estava longe dele na verdade. Dava um espetáculo para um pessoal e desempenhava papel bem diferente diante de uma plateia com a qual me sentia mais à vontade.

De modo que, quando parei e orei

“Sonda-me” Dei por mim: quanto mais aquela tarde no

perto chegasse de Jesus,

acampamento da igreja, fui pego de mais seria obrigado a surpresa pela realidade da minha enfrentar minhas

deficiências.

profunda condição de pecador. Anos mais tarde descobri um versículo que traduz bem isso: “ ‘Esse povo se aproxima de mim com a boca e me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim’ [...]” (Isaías 29.13). Tinha uma retórica muito boa para falar com Deus, mas meu coração era perverso. Da boca para fora eu era perfeito, mas não praticava nada do que dizia. Fingia ser um bom cristão, mas não conhecia Cristo.

Foi então que dei por mim: quanto mais perto chegasse de Jesus, mais seria obrigado a enfrentar minhas deficiências. Meu orgulho. Meu egoísmo. Minha libidinagem. Meu espírito crítico.

Proferir essa oração perigosa aquele dia abriu um canal de comunicação entre mim e Deus, cuja existência eu desconhecia. Em vez de pedir apenas que Deus fizesse algo por mim, roguei que revelasse algo em mim. E ele revelou coisas aquele dia que deram início a minha jornada rumo ao conhecimento de Deus em nível pessoal. Ficou claro para mim que minha vida era um caos. Eu mentia. Trapaceava.