Orações Perigosas

Craig Groeschel · Capítulo 5 de 31

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Orações Perigosas

1.3 O estado do seu coração

CAPÍTULO 1 . 3

O estado do seu coração

A PRIMEIRA ORAÇÃO FOI feita por Davi e impressiona. No Antigo Testamento, vemos Davi lutando a torto e a direito contra os inimigos de Deus. Em um acesso furioso de ciúmes, o rei Saul lançou-lhe a falsa acusação de traição e de tentar assassiná-lo. Enviou, em seguida, todas as suas tropas atrás de Davi em repetidas tentativas de lhe tirar a vida e afastar o que considerava sua maior ameaça. Sabia atingir onde doía mais — declarou que Davi não era fiel a seu Deus.

Davi queria agradar a Deus de todo o coração. Lutou contra a própria raiva a fim de proteger o rei e mostrar que o honrava.

Contudo, ciente de que suas motivações nem sempre eram perfeitas, Davi abriu o coração para Deus e fez uma das orações mais vulneráveis, transparentes e perigosas que você vai ouvir na vida.

Desejoso de honrar o Senhor em cada aspecto do seu ser, Davi orou: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece as minhas inquietações. Vê se em minha conduta algo te ofende, e dirige-me pelo caminho eterno” (Salmos 139.23,24).

Mais do que difícil de fazer, essa oração representa um desafio na hora de ser posta em prática e vivenciada. Porque, se tiver coragem para proferi-la, você precisará exercitar essa coragem a fim de viver o que Deus, em resposta, lhe mostrar. Ou seja, não repita essa oração a menos que a leve muito a sério.

Não diga que não avisei: essa oração tem potencial para condenar você. Para corrigir você. Para redirecionar sua vida. Para mudar a maneira de ver você. Para mudar como as pessoas o veem.

Talvez você ainda esteja pensando que nada disso tem grande importância. Talvez se pergunte por que haveria de solicitar para Deus sondar seu coração quando ele já conhece tudo que existe no seu interior. Você sabe o que tem por dentro. Ele sabe o que você tem por dentro. Então por que pedir algo tão óbvio?

Eis o ponto em que as coisas se complicam. À primeira vista, pensaríamos que conhecemos cada qual o próprio coração. Certo?

Eu sei quais são minhas motivações. Sei o que considero mais importante. Sei por que faço o que faço. Além disso, você poderia raciocinar: Tenho um bom coração. Não estou tentando machucar ninguém. Quero fazer o que é certo. Meu coração é bom. Estou orando, não estou?

Acontece que, na realidade, a Palavra de Deus revela justamente o oposto. Pode ser chocante ouvir isso pela primeira vez, mas o que Jeremias nos revela é a pura verdade. Ele era filho de um sacerdote levita nascido por volta de 650 a.C. Durante o reinado de Josias, Deus levantou esse jovem profeta para levar sua Palavra a Israel e a todas as nações. Jeremias afirma sem rodeios que não temos um bom coração — nem você, nem eu, nem ninguém no mundo inteiro. Na verdade, além de não ser bom, seu coração é perverso e pecaminoso em todos os sentidos. Disse o profeta: “O coração humano é mais enganoso que qualquer coisa e é extremamente perverso; quem sabe, de fato, o quanto é mau?” (Jeremias 17.9, Nova Versão Transformadora).

É fácil fingir que somos bons de coração, mas a Bíblia ensina que nosso coração nos engana e é perverso ao extremo. Em essência, só lhe interessa nosso ego — não Cristo. Só se importa com o que é temporário — não eterno. Com o que é fácil — não o que é certo.

Tem obsessão pelo que desejamos — não pelo que Deus quer.

Pode ser que você pense: Comigo não acontece nada disso. Meu Nossos caminhos não são coração é

os caminhos de Deus. Por

bom. Não, sem Cristo, ele não é. Por isso, necessitamos Cristo.

favor, lembre-se disso. Não apenas para nos

perdoar, mas para nos

transformar. Para nos

Se achamos o contrário, estamos redirecionar. Para nos

fazer novos.

sendo enganados por ele. Nossa natureza original é pecaminosa desde o nascimento. (Você nunca precisou ensinar uma criança de dois anos a ser egoísta, precisou?) Nossos caminhos não são os caminhos de Deus.

Por isso, necessitamos Cristo. Não apenas para nos perdoar, mas para nos transformar. Para nos redirecionar. Para nos fazer novos.

Se ainda se acredita inerentemente bom, deixe-me perguntar: com que frequência você mente? Se sua resposta for “pouca”, é provável que esteja mentindo neste exato momento. Se for “nunca”, então já sei que você está mesmo mentindo.

Pesquisas revelam que a maioria das

pessoas conta várias mentiras todos os As mentiras mais comuns

são aquelas que contamos

dias. Não queremos ferir os sentimentos para nós mesmos. de determinada pessoa. Ou queremos “fazer bonito”, de modo que exageramos. Acontece que as mentiras mais comuns são aquelas que contamos para nós mesmos. Já fez isso? No seu coração você diz o que acredita ser verdade: Não vou comer muito. Prometo. Duas porções, no máximo. Quando vai ver, está segurando um saco vazio de batatas fritas ou lambendo a panela.

Todos racionalizamos tudo. Ninguém gosta de enfrentar a verdade repugnante de que bebe demais, pensa demais no que o envergonharia se alguém soubesse, ri dos erros alheios e fofoca pelas costas das pessoas. E as racionalizações não param por aí. Você pondera: Não sou materialista; apenas gosto de coisas boas. Não sou fofoqueiro; só estou contando para que as pessoas possam incluir nas suas orações. Não tenho um problema; só faço isso para enfrentar as batalhas da vida.

Aposto como Davi se sentiu tentado a enfrentar as batalhas da vida quando fugiu de Saul a fim de salvar a própria pele. Podia ter lançado mão do álcool como uma fuga. Podia ter ficado bravo, ressentido e amargurado. Ou poderia ter tramado para prejudicar o rei Saul, justificando seus atos em nome da autopreservação. Em vez de enveredar pelo caminho fácil, no entanto, ele optou por outro mais audaz. O “homem segundo o coração de Deus” (v. 1Samuel 13.14) resolveu orar, ciente de que o próprio coração era capaz de ludibriá-lo vezes e mais vezes.

Sem Cristo, seu coração é enganoso.

Por isso, o perigo insano da oração de Davi.

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração.”