Orações Perigosas
3.8 Qual é a pergunta?
CAPÍTULO 3 . 8
Qual é a pergunta?
ANOS ATRÁS, OUVI UMA história de que jamais me esquecerei. Um pastor experiente descreveu como se colocava junto à porta da igreja, toda semana após o culto de domingo, para cumprimentar as pessoas à medida que saíam cada qual rumo a seu carro.
Contou da alegria de abraçar as vovós e bater a mão espalmada na mão erguida das crianças mais novas semana após semana.
Reconheceu com sinceridade que amava quando os membros de sua igreja elogiavam a mensagem, cumprimentando-o por como Deus o usara para lhes falar.
Então, o pastor relatou um encontro que teve com um homem chamado Matt. Via-o com regularidade na igreja, mas nunca tivera a oportunidade de conhecê-lo muito bem. Matt devia ter por volta de 45 anos, com o cabelo ficando grisalho na região das têmporas. Linhas ao redor dos olhos indicavam que ele enfrentara alguns desafios na vida, mas seu sorriso caloroso e o aperto de mão confiante levaram o pastor a acreditar que ele atravessava uma fase melhor no momento.
Um domingo, ainda depois do culto, Matt segurou firme as duas mãos do pastor e disse: — Pastor, quero que o senhor saiba que minha resposta é sim.
Agora me diga, qual é a pergunta?
O pastor fitou-o cheio de curiosidade. Pobre rapaz, do que será que ele está falando? A resposta é sim? O que isso quer dizer? Para evitar que a situação ficasse constrangedora, o pastor sorriu para ele, balançou a cabeça e disse: — Obrigado, Matt. Deus o abençoe.
No domingo seguinte, ao término do culto, Matt se aproximou outra vez e repetiu as mesmas palavras exatas. Com profunda sinceridade, encarou o pastor e anunciou: — Pastor, quero que saiba que minha resposta para o senhor sempre será sim. Mas qual é a pergunta?
O pastor presumiu não ter ouvido bem as palavras de Matt.
Pelo simples fato de que não fazia sentido. Balançou a cabeça outra vez e apertou a mão dele, tomando o cuidado de manter o fluxo da fila de cumprimentos.
No domingo seguinte aconteceu de novo. Só que dessa vez o pastor teve certeza de que compreendera muito bem o que Matt dissera. Mas continuou confuso. O que ele quer dizer com isso?
A resposta é sim — a resposta para o quê?
Preocupado em não interromper o andamento da fila com uma conversa mais longa, perguntou a Matt se poderiam se encontrar outro dia para tomarem um café. Matt abriu um sorriso largo e entregou ao pastor um cartão de visitas com suas informações para contato.
— Claro que podemos tomar um café! Eu disse que minha resposta é sim.
Na terça-feira daquela semana, os dois se encontraram em uma cafeteria. Ultrapassada a barreira da troca de amenidades de praxe, o pastor se inclinou de leve para a frente e quis saber: — Ando curioso para entender o que você sempre me fala. O que quer dizer com a resposta é sim?
Matt se recostou na cadeira com um ar de profunda satisfação, como se a vida inteira esperasse que o pastor lhe fizesse aquela pergunta. Afinal, pausadamente, começou a falar escolhendo com cuidado as palavras: — Nem sempre fui o homem que sou hoje. Fiz muita bobagem na vida, machuquei muita gente. Fui dependente de álcool, pornografia e jogo. Esses vícios controlavam minha vida. Traí minha esposa, arrasei meus filhos, causei enorme dor.
Matt engasgou, e o pastor percebeu as lágrimas se formando nos olhos daquele homem. Presumindo que fossem de dor e arrependimento, o pastor se surpreendeu ao ouvir Matt completar: — Mas hoje sou grato por esses tempos ruins, pois foi o que me ajudou a permanecer aberto para Cristo. Veja bem, quando atingi o fundo do poço, um amigo me convidou para ir à igreja.
E foi quando ouvi o senhor pregar sobre a graça de Cristo.
Quando ele disse a palavra Cristo, as lágrimas começaram a escorrer. Matt continuou contando sua história sem nem mesmo tentar esconder a emoção evidente.
— A princípio só ouvi, sem saber muito bem se conseguia acreditar que aquelas verdades se aplicassem ao meu caso. Depois de alguns meses, no entanto, convidei Cristo para entrar em minha vida, e ele me transformou.
A essa altura, nem o pastor foi capaz de conter as lágrimas. Os dois homens permaneceram sentados em silêncio por alguns instantes. Ambos transformados pelo mesmo Salvador. Ambos gratos pelos momentos breves e santos que compartilhavam em torno de xícaras de café.
— Pastor — disse Matt afinal —, em razão de tudo que eu disse, reitero meu desejo de que o senhor saiba que minha resposta para o senhor será sempre sim. Pela maneira como Jesus transformou minha vida por intermédio da igreja, sempre estarei à disposição dele — e do senhor. Se o senhor me pedir para aparar a grama do jardim da igreja, ficarei honrado em atendê-lo. Se precisar de dinheiro para ajudar uma mãe solteira, doarei sem hesitar. Se precisar de alguém para levar uma viúva até a igreja, sou seu motorista.
Pastor, quero que o senhor saiba que minha resposta é sim. Por isso, só peço que me diga qual é a pergunta.
Ora, esse sim é o coração de uma pessoa que Deus pode usar.
Tamanha franqueza é a essência da
oração perigosa. Quando experimentou a Por causa de quem o
Senhor é — meu Deus,
presença de Deus, Isaías se meu Rei, meu Salvador — conscientizou da própria condição de confio no Senhor. Porque o
Senhor é soberano sobre o
pecador quebrantado. O serafim lhe Universo, entrego minha vontade ao Senhor, cada
tocou então os lábios com a brasa parte de mim. incandescente e Deus perdoou seu pecado. Por causa da bondade, da graça e do amor de Deus, o profeta teve uma reação audaciosa. Envia-me. Onde quer que for.
A qualquer tempo. Assinarei meu nome em um contrato em branco de disponibilidade. Deus, pode preencher o restante com os detalhes.
Usa-me. Minha vida lhe pertence por completo. Que sua vontade se torne a minha vontade. Seu plano, o meu plano.
Observe que Isaías não pediu para
saber nenhum detalhe. Não perguntou Sente desprezo pelo
cristianismo morno? Então
para Deus onde iria. Ou quando. Ou o faça a oração perigosa. que aconteceria.
Por isso, a oração pode dar a sensação de ser tão perigosa. “Deus, envia-me. Usa-me. Não estou lhe pedindo detalhes. Não preciso conhecer os benefícios. Ou se será fácil. Ou se vou gostar. Por causa de quem o Senhor é — meu Deus, meu Rei, meu Salvador —, confio no Senhor. Porque o Senhor é soberano sobre o Universo, entrego minha vontade ao Senhor, cada parte de mim.
Toma a minha mente, os meus olhos, a minha boca, os meus ouvidos, o meu coração, as minhas mãos e os meus pés e guia-me em direção a tua vontade. Confio no Senhor. Deus, minha resposta é sim. Agora me diga, qual é a pergunta?”
Imagine se você orasse desse jeito. Cansou das orações restritas ao limite da segurança? Cansou de viver para coisas que não importam? Sente desprezo pelo cristianismo morno? Então faça a oração perigosa.
Eis-me aqui, Senhor.
Envia-me.
Usa-me.