Orações Perigosas

Craig Groeschel · Capítulo 22 de 31

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Orações Perigosas

3.3 Glória a Deus

CAPÍTULO 3 . 3

Glória a Deus

SEJAMOS FRANCOS. DIZER PARA Deus que você fará o que quer que ele deseje é assustador. Certo? Lembro-me de conversar com amigos sobre esse tipo de disponibilidade na época em que participava do grupo de jovens da igreja, na adolescência. Um dos meus companheiros estava convencido de que Deus o enviaria para a África como missionário, onde ele faliria, nunca mais veria a luz elétrica e seria obrigado a usar um buraco no chão como banheiro. Outro colega simplesmente sabia que teria de se casar com uma moça cristã que lhe parecia pouco atraente. Lembro-me de pensar que, se eu fizesse essa oração perigosa, Deus poderia fazer com que me tornasse pastor ou alguma outra coisa assim terrível. (Isso que é alerta do quão perigosa é essa oração!) Como fazer qualquer coisa que Deus deseje? Ele poderia pedir algo que você nunca teve vontade de fazer! Algo devastador. Algo desagradável.

Esse tipo perigoso de oração de submissão não é fácil de proferir, ainda mais se você não tiver profunda confiança em Deus e não menos profunda reverência por ele. Mas, a partir do momento que passa a conhecer de verdade o caráter, a natureza, a santidade desse Deus, você se torna mais disposto a fazer essa oração. Na verdade, quando experimentar Deus pelo que ele de fato é, você terá até prazer em orar com tanta vulnerabilidade.

Isaías não fez essa oração em um

Se você pretende pedir a vácuo. Ela não surgiu do nada, nem por

Deus que o use, um

encontro genuíno com ele nenhum motivo. No primeiro versículo do

será de grande ajuda para livro do profeta, ele expõe o contexto em levar você a confiar nele

que se encontra, explicando que seu

encontro com Deus aconteceu no ano em que o rei Uzias havia morrido. Rei amado e que contava com a confiança do povo, a ausência desse líder popular precipitou Israel para uma era de caos, turbulência e desespero. Portanto, o lógico seria que Isaías começasse a profecia em tom dramático e funesto.

Ele poderia ter dito: “No ano mais deprimente da nossa nação...”.

Ou talvez ter escrito: “No ano que todos perdemos a esperança...”.

Nesse período de desespero e medo, no entanto, Isaías escreveu: “No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor assentado num trono alto e exaltado, e a aba de sua veste enchia o templo” (Isaías 6.1). O profeta não apenas leu ou ouviu falar sobre Deus.

Ele viu Deus. Experimentou a presença do Senhor de modo único.

Se você pretende pedir a Deus que o use, um encontro genuíno com ele será de grande ajuda para levar você a confiar nele.

Você pode sentir a presença de Deus enquanto lê sua Palavra. Pode reconhecer que ele está ao seu lado enquanto o adora na igreja. Pode se descobrir tomado por sua bondade no topo de uma montanha, onde se postou para melhor lhe apreciar a criação. Pode descobrir que ele está ao seu lado e lhe confere palavras para dizer quando você compartilha sua fé com um amigo. Ou talvez você se sinta absolutamente sozinho em uma época difícil da vida. Mas de repente se dá conta de não estar sozinho de verdade. Deus não apenas o acompanha na sua dor, como sempre está aí com você.

Isaías viu o Senhor. E ficou estupefato na presença dele. Abalado. Impressionado. A aba da veste do Senhor enchia o templo.

O profeta deu o melhor de si ao usar palavras humanas a fim de descrever criaturas celestiais a esvoaçarem em torno de Deus, louvando-lhe o nome. Isaías os chama serafins, seres angelicais resplandecentes, com seis asas e rodeando o Senhor Deus. Por causa da santidade do Senhor, eles cobriam os próprios rostos com duas asas para se protegerem da glória do Deus altíssimo. Tais adoradores proclamavam uns para os outros em alta voz: [...] “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; a terra inteira está cheia da sua glória” (Isaías 6.3). A voz deles retumbava alto o suficiente para sacudir os batentes e estremecer o templo. Agora cheio da glória de Deus.

Quando foi a última vez que você teve

um encontro desses com Deus, que o Se algum dia você tiver um

real vislumbre de Deus em

deixasse perplexo diante de tamanha sua essência mais pura,

glória e santidade? garanto que nunca mais se

referirá a ele como um

conhecido da rua.

Hoje em dia, com demasiada frequência muita gente trata Deus com a maior informalidade, como algo banal até. Familiarizados com concepções populares de Deus, mas inconscientes de sua santidade, muitos o menosprezam. Para alguns, ele é o “homem lá de cima” ou o “grandão lá do céu”. Acontece que essas imagens de Deus não chegam nem perto de lhe devotar os devidos respeito, glória e honra. Se algum dia você tiver um real vislumbre de Deus em sua essência mais pura, garanto que nunca mais se referirá a ele como um conhecido da rua.

Deus é poderoso demais para ser desrespeitado. Santo demais para ser tratado com casualidade. Bom demais para que se lhe dirijam a palavra com ingrata familiaridade. Majestoso demais para não lhe darmos o devido valor.

Permita-me ajudá-lo a entrever quem é Deus. Por favor, leia os atributos dele até o fim e pausadamente. Deixe que sejam assimilados por você. Que o maravilhem. Que o deslumbrem. Esteja consciente do que acontece no seu coração à medida que for tomando conhecimento, ainda que bem pouco, da graça e da glória do Senhor. Chegue ao ponto de ter maior intimidade com ele.

Acolha sua santidade. Permaneça em estado de perplexidade por seu esplendor e glória.

Medite em seu caráter. Considere que ele é o criador dos céus e da terra (v. Gênesis 14.19). As Escrituras o chamam de Deus da glória (v. Salmos 29.3), o grande Eu Sou (v. Êxodo 3.14) e Pai justo (v. João 17.25). Deus é nossa fortaleza que salva (v. Salmos 28.8) e o rei eterno (v. Jeremias 10.10). É o Deus de toda consolação (v. 2Coríntios 1.3), o Deus de toda a graça (v. 1Pedro 5.10) e o Deus da paz (v. 1Tessalonicenses 5.23). É o Todo-poderoso (v. Gênesis 49.25), tanto compassivo quanto misericordioso (v. Êxodo 34.6) e um fogo consumidor (v. Deuteronômio 4.24).

Eu poderia continuar — talvez aproximando você da presença dele a fim de investigar outros atributos divinos e neles meditar.

Creio que ajuda muito personalizar a presença e os atributos de Deus. Ele não é nosso Deus apenas, mas também o meu Deus. Você conhece a Cristo? Empenhou sua vida a segui-lo na condição de discípulo dele? Então ele é seu Deus também.

Sinta o poder da presença dele. Se o Espírito habita no seu interior, você pode dizer com confiança: ele é minha Rocha (v. Salmos 42.9). É meu Salvador (v. Salmos 18.46). Minha fortaleza (v. Salmos 144.2). Meu Deus é aquele que se esquece dos nossos pecados (v. Isaías 43.25) e quem me consola quando estou ferido (v. Isaías 66.13). O Rei do Universo é meu advogado (v. Jó 16.19). Quem me consola na tristeza (v. Jeremias 8.18, Nova Almeida Atualizada).

Minha confiança quando me sinto inseguro (v. Salmos 71.5). Ele é minha força quando estou fraco (v. 2Coríntios 12.10). Deus é meu ajudador (v. Salmos 118.7), meu esconderijo (v. Salmos 32.7, Nova Versão Transformadora), minha esperança (v. Salmos 25.5.21), minha luz (v. Salmos 27.1). Ele é meu refúgio em tempos difíceis (v. Salmos 59.16), a minha canção (v. Êxodo 15.2) e meu salvador poderoso (v. Salmos 140.7).

Deus é santo — distinto e perfeito em toda sua glória.

Santo a ponto de não suportar ver o mal (v. Habacuque 1.13).

Tão Santo que o homem mortal não poder contemplar sua essência mais pura e viver (v. Êxodo 33.20).

E esse Deus santo, sobrenatural é lento para se irar e cheio de amor (v. Êxodo 34.6, Nova Versão Transformadora). Não só em relação à humanidade, mas a você.

Quando tomar consciência da presença dele, você não será mais o mesmo.

Alguns talvez protestassem dizendo: “Muito bem, Craig. Entendi. Se visse Deus como aconteceu a Isaías, pode ser que eu também me dispusesse a fazer essa oração perigosa. Mas nunca experimentei a presença de Deus desse jeito. O tempo que passo com Deus não é nada assim dramático”. Bem, permita-me encorajá-lo a repensar seu tempo com Deus. Além de possível experimentá-lo como Isaías o experimentou, Deus deseja se revelar a você.

Tiago, meio-irmão de Jesus, ensina-

nos que devemos nos achegar a Deus e Deus não brinca de

esconde-esconde. Ele quer

promete que o Senhor sairá ao nosso que você o conheça e encontro quando o fizermos. Diz ele: adora se mostrar para

você. Busque-o. Aproxime-

“Aproximem-se de Deus, e ele se se dele. Clame por ele. Ele está aqui.

aproximará de vocês! [...]” (Tiago 4.8).

No Antigo Testamento, o Senhor falou sobre a oração, explicando que ouve quando seu povo ora. Então prometeu audaciosamente a seus filhos que eles o encontrarão quando o buscarem de todo o coração (v. Jeremias 29.13).

Deus não brinca de esconde-esconde. Ele quer que você o conheça e adora se mostrar para você. Busque-o.

Aproxime-se dele. Clame por ele. Ele está aqui.

Você o experimentará quando o buscar, quando o esperar cheio de expectativa e clamar por ele. Talvez lhe sinta a presença enquanto dirige e acompanha um cântico de adoração. Ou sentado enquanto admira sua criação, fascinado com sua obra ao ver o sol se erguer radiante pela manhã. Pode ser que você lhe perceba a presença durante uma simples oração na hora de seu filho dormir.

Os batentes não precisam sacudir para você saber que ele está com você. Basta a simples consciência de que ele nunca sai do seu lado e jamais o abandonará.

Você pode sentir-lhe a presença de modo sobrenatural. Pode saber que ele o acompanha. Mas, mesmo que não o sinta, pode ficar tranquilo, certo de que ele está com você. Às vezes, você sabe disso, mas não o percebe, exceto por fé. Como crescer não apenas para fazer a oração perigosa, mas também vivê-la?

Tudo começa com experimentar a presença de Deus.