Orações Perigosas
2.7 Quebrando feio
CAPÍTULO 2 . 7
Quebrando feio
MINHA COBRA DE MOLA enfim pulou para fora da lata de um modo ao mesmo tempo inegável e bem pior do que qualquer previsão que eu pudesse ter feito. Meu melhor amigo da igreja nesses primeiros anos era um sujeito a quem chamarei de Jason. Quando começamos a Life.Church, Jason saiu da igreja que pastoreava e mudou-se para nossa cidade com o intuito de nos auxiliar. Éramos pequenos demais para contratar pessoas para a equipe e Jason estava resolvendo algumas coisas em sua vida, de modo que trabalhava em outro emprego enquanto sonhávamos que se juntasse à nossa equipe pouco tempo depois. Não demorou para que ele se tornasse meu amigo mais chegado, meu confidente e parceiro de ministério.
Mas, como acontece com a maioria das pessoas, Jason escondia alguns segredos. Ninguém sabia na época, mas ele tomara uma atitude que o fazia se sentir encurralado. Tentando se esquivar desse beco, ele tomou uma decisão ruim de que se arrependeu, sei disso.
Quando descobri a história, não tive escolha a não ser conversar com ele a respeito. Sua decisão traíra minha confiança e ferira nossa amizade. Ao indagá-lo sobre o que fizera, a princípio ele negou tudo. Depois, sem ter onde se esconder, assumiu posição defensiva e começou a gritar comigo. Dirigiu-me algumas palavras ásperas, ao que respondi no mesmo nível. Jason saiu furioso da sala, entrou no carro e partiu a toda velocidade, cheio de raiva.
No domingo seguinte, não me surpreendi por Jason não aparecer para o culto. Nem o culpei. Ele cometera um grave erro e dissera coisas que não deveria. No calor da raiva. O que me ofendeu. Mas, apesar da traição considerável e de me sentir magoado e com raiva, ele continuava sendo meu melhor amigo. Eu sabia que Jason acabaria se acalmando. Em algum momento, conversaríamos e resolveríamos o problema. Perdoaríamos um ao outro. Esqueceríamos. E seguiríamos em frente.
Só que essa conversa que nos sararia jamais aconteceu.
Cerca de duas semanas depois, tendo acabado de pregar uma mensagem intitulada “Amando aqueles de quem você não gosta”, nada mais natural que Jason me viesse à mente. De modo que, enquanto dirigia da igreja para casa, comentei com Amy que telefonaria para ele aquela noite ainda e tentaria acertar os ponteiros entre nós. Sim, ele me machucara, bem como muitas outras pessoas, mas era meu melhor amigo. Não era perfeito. Nem eu. Não achei certo deixar essa distância pairando entre nós.
Em casa, eu estava prestes a pegar o telefone fixo quando notei a luz da secretária eletrônica piscando. Apertei o botão para ouvir a mensagem e reconheci a da esposa de Jason falando. Entre soluços, com a voz embargada pelo choro, ela disse que Jason estava morto.
Tirara a própria vida.