Orações Perigosas
3.1 - Envia-me
CAPÍTULO 3 . 1
Envia-me
FILHO DE PAI PATRIOTA, aprendi bastante novo a saudar a bandeira norte-americana. Não muito depois que comecei a tirar o boné de beisebol e a levar a mão direita sobre o coração à execução do hino nacional, meu pai me contou uma história sobre um de seus presidentes favoritos. Naquele dia gelado de inverno em janeiro de 1961, 20 centímetros de neve cobriam as ruas da nossa capital.
John F. Kennedy, o homem mais jovem já eleito para o cargo mais elevado da nação, sem paletó ou chapéu, caminhou até a tribuna para ser empossado no cargo. Isso feito, em um discurso com menos de 1.500 palavras e quinze minutos de duração, o presidente Kennedy pronunciou o famoso desafio para as futuras gerações que ainda hoje ecoa: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você.
Pergunte o que você pode fazer por seu país”.
Menino ainda, toda vez que ouvi papai descrever a cena e repetir essas palavras, senti-me inspirado. Havia algo muito comovente para mim no desafio de JFK, um convite para participar de algo maior que eu mesmo, um apelo para fazer mais que consumir: contribuir. Anos depois, essas poucas palavras ainda me inspiram a servir meu país, entretanto significam ainda mais para mim quando considero minha vida de oração na presença de Deus.
Em vez de pedir a Deus para que ele
Em vez de pedir a Deus nos sirva, e se lhe disséssemos que
para que ele nos sirva, e
se lhe disséssemos que estamos disponíveis para o servir?
estamos disponíveis para o
servir?
Atuando como pastor há várias
décadas, tenho testemunhado em
primeira mão os pedidos de oração mais íntimos de milhares de pessoas.
A cada semana, centenas de necessidades inundam nossa igreja, desde as impressas em pequenos cartões e distribuídas nos cultos até as compartilhadas em telefonemas ao longo da semana ou em pedidos on-line por intermédio das redes sociais ou do aplicativo da igreja. Portanto, você não se surpreenderá ao saber que a frase mais comum que ouço toda semana é a mesma que me deixa encantado em atender: “Pastor, o senhor pode orar por...?”.
Considero um privilégio, uma honra e uma agradável responsabilidade parar alguns instantes e apresentar uma necessidade perante o trono de Deus, rogando-lhe que tenha misericórdia, que mova sua mão, que conduza, que conceda, que aja, que faça um milagre em favor de alguém que conheço e amo. Toda semana alguém pede para Deus curar de câncer um ente querido, ajudar um vizinho a encontrar emprego ou restaurar um casamento ferido. Alunos pedem oração para entrar na faculdade preferida, para poder pagá-la ou para lidar com a dor do divórcio dos pais.
Algumas pessoas oram por uma cara-metade. Outras pedem ajuda para perdoar alguém que as magoou. Algumas clamam por paz durante uma grave provação. Pais oram em favor de adolescentes que sucumbiram às drogas. Homens, e às vezes mulheres, pedem ajuda para lutarem contra o vício em pornografia. Ambos oram por cura da vergonha.
Por mais que variem os pedidos, as pessoas solicitam que Deus faça algo por elas ou por alguém que amam. Deus, ajuda-me. Deus, ajuda alguém que amo. Senhor, eu preciso. Pai, faça-me um favor.
Deus, faça algo por mim.
Peço que você me ouça com atenção: não resta a menor dúvida de que devemos orar assim. Devemos sempre invocar a presença do Senhor, seu poder, sua paz para que sobrevenham à nossa vida. Devemos pedir a Deus que opere milagres em nosso benefício. Apresentar nossos entes queridos em oração e lembrarmo-nos de como Deus pode se mover na vida deles. Devemos buscar o Senhor para suprir todas as nossas necessidades.
Só não podemos parar por aí.
No espírito do discurso de posse de
Kennedy, e se nos recusássemos a só Se em vez de sempre
rogar a Deus que faça algo
pedir por nós mesmos? Perdoe minha em nosso favor, paráfrase, mas e se orássemos: “Não ousássemos lhe pedir para
nos usar em seu
pergunte o que Deus pode fazer por benefício? você, mas pergunte a Deus o que você pode fazer por ele”?
Se, em vez de pedir para Deus fazer de uma vez algo por nós, fizéssemos uma oração perigosa e abnegada, pondo-nos à disposição do nosso Pai celestial? Se, em vez de sempre rogar a Deus que faça algo em nosso favor, ousássemos lhe pedir para nos usar em seu benefício? Se tivéssemos a fé corajosa de entregar todo o nosso futuro — a partir deste exato instante — a Deus? De lhe dizer que somos inteiramente seus.
Disponíveis. Prontos para o que der e vier.
De prontidão para abençoar alguém, servir alguém, dar tudo que nos for possível a alguém.
E se fizéssemos talvez a oração mais perigosa de todas?
“Envia-me, Senhor. Usa-me.”