Poesias

Alexandre Herculano · Capítulo 2 de 103

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Poesias

Capítulo II

Que sabemos tão bem rojar seus ferros

Sem nos queixar, menosprezando a Patria E a liberdade, e o combater por ella.

Eu não!—eu rujo escravo; eu creio e espero No Deus das almas generosas, puras,

E os despotas maldigo.—Entendimento

Bronco, lançado em seculo fundido

Na servidão de goso ataviada,

Creio que Deus é Deus e os homens livres!

 

II.

Oh sim!—rude amador de antigos sonhos, Irei pedir aos tumulos dos velhos

Religioso enthusiasmo, e canto novo

Hei-de tecer, que os homens do futuro

Entenderão; um canto escarnecido

Pelos filhos dest' epocha mesquinha,

Em que vim peregrino a ver o mundo.

E chegar a meu termo, e reclinar-me

Á branda sombra de cypreste amigo.

 

III.

Passa o vento os do portico da igreja

Esculpidos umbraes: correndo as naves

Sussurrou, sussurrou entre as columnas De gothico lavor: no orgam do côro

Veiu, emfim, murmurar e esvaecer-se.