Poesias

Alexandre Herculano · Capítulo 67 de 103

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Poesias

Capítulo VI

E ao começar o dia; e ellas desciam

A um coração exempto de remorsos

Onde encontravam filial piedade.

E agora? É-lhe mysterio o meu destino.

Qual o seu para mim o exilio occulta.

Saciado, talvez, de dor e affrontas

Dorme já sob a campa o somno eterno? Suas trémulas mãos não mais lançar-me Virão a bençam da piedade? O extremo

Arranco seu não roçará meus labios?

Ah, se um dia raiar para o proscripto

O suspirado alvor do sol da patria,

E se entre nós de um í mpio as mãos ergueram A barreira da morte, ai delle, ai delle!

E tambem, ai de mim!.......................

....................... Mas se 'inda um filho

Houver digno de o ser, eu criminoso

Terei quem me deplore; mãos que plantem No adro deserto onde jazer maldicto

Um cypreste, uma flor, e quem deponha

Aos pés do throno do juiz supremo

Por mim, uma oração fervente e pia.

...................................................

 

VI.

Arvores, flores, que eu amava tanto,

Como viveis sem mim? Nas longas vias, Que vou seguindo peregrino e pobre,

Sob este rude céu, entre o ruído

Dos odiosos folgares do sicambro,

Do monotono som da lingua sua,

Pelas horas da tarde, em varzea extensa, E ás bordas do ribeiro que murmura,

Diviso ás vezes, em distancia, um bosque De arvoredo onde bate o sol cadente,