Poesias
Capítulo V
Reina em silencio a lua: o mar não brame,
Os ventos nem bafejam;
Rasas co' a terra, só nocturnas aves
Em gyros mil adejam.
No plaino pardacento, juncto ao marco
Tombado, ou rota sebe,
Aqui e alli, de ossadas insepultas
O alvejar se percebe.
É que essa veiga, tão festiva outr'ora,
Da paz tranquillo imperio,
Onde ao carvalho a vide se enlaçava,
É hoje um cemiterio!
VI.
Eis de esforçados mil inglorios restos,
Depois de brava lida;
De longo combater atroz memento
Em guerra fraticida.
Nenhum padrão recordará aos homens
Seus feitos derradeiros:
Nem dirá:—aqui dormem portugueses;
Aqui dormem guerreiros.»
Nenhum padrão, que peça aos que passarem
Resa fervente e pia,
E juncto ao qual entes queridos vertam
O pranto da agonia!
Nem hasteada cruz, consolo ao morto;
Nem lagea que os proteja
Do ardente sol, da noite humida e fria,
Que passa e que roreja!
Não! Lá hão-de jazer no esquecimento
De deshonrada morte,
Emquanto, pelo tempo em pó desfeitos,