Poesias

Alexandre Herculano · Capítulo 50 de 103

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Poesias

Capítulo V

Reina em silencio a lua: o mar não brame,

Os ventos nem bafejam;

Rasas co' a terra, só nocturnas aves

Em gyros mil adejam.

No plaino pardacento, juncto ao marco

Tombado, ou rota sebe,

Aqui e alli, de ossadas insepultas

O alvejar se percebe.

É que essa veiga, tão festiva outr'ora,

Da paz tranquillo imperio,

Onde ao carvalho a vide se enlaçava,

É hoje um cemiterio!

 

VI.

Eis de esforçados mil inglorios restos,

Depois de brava lida;

De longo combater atroz memento

Em guerra fraticida.

Nenhum padrão recordará aos homens

Seus feitos derradeiros:

Nem dirá:—aqui dormem portugueses;

Aqui dormem guerreiros.»

Nenhum padrão, que peça aos que passarem

Resa fervente e pia,

E juncto ao qual entes queridos vertam

O pranto da agonia!

Nem hasteada cruz, consolo ao morto;

Nem lagea que os proteja

Do ardente sol, da noite humida e fria,

Que passa e que roreja!

Não! Lá hão-de jazer no esquecimento

De deshonrada morte,

Emquanto, pelo tempo em pó desfeitos,