Poesias

Alexandre Herculano · Capítulo 33 de 103

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Poesias

Capítulo XVI

Da mágua, ou do remorso as longas noites! Aqui veiu, talvez, buscar asylo

Um poderoso, outr'ora anjo da terra,

Despenhado nas trévas do infortunio;

Aqui gemeu, talvez, o amor trahido,

Ou pela morte convertido em cancro

De infernal desespero; aqui soaram

Do arrependido os ultimos gemidos,

Depois da vida derramada em gosos,

Depois do goso convertido em tedio.

Mas quem foram? Nenhum, depondo em terra Vestidura mortal, deixou vestigios

De seu breve passar. E isso que importa, Se Deus o viu; se as lagrymas do triste

Elle contou, para as pagar com gloria?

 

XVI.

Ainda em curvo outeiro, ao fim da senda Que serpeia do monte ao fundo valle,

Sobre o marco de pedra a cruz se eleva, Como um pharol de vida em mar de escolhos: Ao christão infeliz acolhe no ermo,

E consolando-o, diz-lhe—a patria tua

É lá no céu: abraça-te comigo.»

Juncto della esses homens, que passaram Acurvados na dôr, as mãos ergueram

Para o Deus, que perdoa, e que é conforto Dos que aos pés deste symbolo da esp'rança Vem derramar seu coração afflicto:

É do deserto a historia a cruz e a campa; E sobre tudo o mais pousa o silencio.

 

XVII.