Poesias
Capítulo IX
Mas esses, cujos ossos espalhados
No campo da peleja
Jazem, exoram a piedade nossa;
Piedoso o livre seja!
Eu pedirei a paz dos inimigos,
Mortos como valentes,
Ao Deus nosso juiz, ao que distingue
Culpados de innocentes.
X.
Perdoou, expirando, o Filho do Homem
Aos seus perseguidores:
Perdão, tambem, ás cinzas de infelizes;
Perdão, oh vencedores!
Não insulteis o morto. Elle ha comprado
Bem caro o esquecimento,
Vencido adormecendo em morte ignobil,
Sem dobre ou monumento.
É tempo d'olvidar odios profundos
De guerra deploravel.
O forte é generoso, e deixa ao fraco
O ser inexoravel.
Oh, perdão para aquelle, a quem a morte
No seio agasalhou!
Elle é mudo: pedi-lo já não póde;
O dá-lo a nós deixou.
Além do limiar da eternidade
O mundo não tem réus,
O que legou á terra o pó da terra
Julgá-lo cabe a Deus.
E vós, meus companheiros, que não vistes
Nossa triste victoria,
Não precisaes do trovador o canto;