Poesias

Alexandre Herculano · Capítulo 87 de 103

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Poesias

Scena VI.

 

Terrado no primeiro plano da Torre de Fez, cujo corpo superior se alevanta ao lado esquerdo no fundo, seguindo para a direita a linha das ameias. Ao longe o facho de uma atalaia exterior. No cimo da torre, tambem ameiada, outro facho, cuja claridade allumia a scena, onde se vêem tres ou quatro vigias encostados ás ameias do plano inferior. Sobre a porta do corpo superior da torre lê-se a seguinte inscripção:==Esta torre de Fez ffoy combatida e entrada pollo muy eyscelente e esforçado Iffante Dom Anrigue a 21 Dagosto de 1415 annos.==É noite.

 

D. DUARTE.

 

Saíndo seguido de um sobrerolda, ambos apressados.

Viste-los vós?...

 

SOBREROLDA.

 

Jura-lo

Posso. Dous cavalleiros:

Negras armas: cavallo

Negro ambos. Ligeiros

Voam... Ouví!...

 

D. Duarte chega ás ameias escutando.

Ao largo

Ainda soa o tropel.

D. DUARTE.

 

Áparte com afflição e despeito.

Oh pensamento amargo!

Oh receiar cruel!

 

Ao sobrerolda.

E os homens d'armas?

 

SOBREROLDA.

 

Velam:

Não falta um só.

 

Escutando para a campanha.

Ao seu correr, que anhelam

Voltar antes do dia.

 

D. DUARTE.

 

Não mais...

 

Chegando-se ás ameias, e apontando para baixo.

Para a barreira

Cem lanças o adail

Conduza: da dianteira

Todos; que valem mil!

E eu lá serei em breve:

E elles hão-de seguir-me.

Sabe-lo elrei não deve.

Ai do que ousar trahir-me!

 

O sobrerolda sai.

Sob o seu gesto candido

O engano se escondia!

Era uma idéa perfida

Que na alma lhes surgia,

Quando de Ceuta as portas

Juravam não transpôr!

Creram que a noite lobrega

Seu crime esconderia!

Perante o céu, oh miseros,

Que importa a noite, o dia,

Se de ira se ha turbado

A face do Senhor?

 

Pausa: com terror.

Mas se a suprema cólera

Terrivel já descesse!...

Se, em vez do goso vívido,

A morte os acolhesse!...

 

Erguendo as mãos.