Poesias
Scena VI.
Terrado no primeiro plano da Torre de Fez, cujo corpo superior se alevanta ao lado esquerdo no fundo, seguindo para a direita a linha das ameias. Ao longe o facho de uma atalaia exterior. No cimo da torre, tambem ameiada, outro facho, cuja claridade allumia a scena, onde se vêem tres ou quatro vigias encostados ás ameias do plano inferior. Sobre a porta do corpo superior da torre lê-se a seguinte inscripção:==Esta torre de Fez ffoy combatida e entrada pollo muy eyscelente e esforçado Iffante Dom Anrigue a 21 Dagosto de 1415 annos.==É noite.
D. DUARTE.
Saíndo seguido de um sobrerolda, ambos apressados.
Viste-los vós?...
SOBREROLDA.
Jura-lo
Posso. Dous cavalleiros:
Negras armas: cavallo
Negro ambos. Ligeiros
Voam... Ouví!...
D. Duarte chega ás ameias escutando.
Ao largo
Ainda soa o tropel.
D. DUARTE.
Áparte com afflição e despeito.
Oh pensamento amargo!
Oh receiar cruel!
Ao sobrerolda.
E os homens d'armas?
SOBREROLDA.
Velam:
Não falta um só.
Escutando para a campanha.
Ao seu correr, que anhelam
Voltar antes do dia.
D. DUARTE.
Não mais...
Chegando-se ás ameias, e apontando para baixo.
Para a barreira
Cem lanças o adail
Conduza: da dianteira
Todos; que valem mil!
E eu lá serei em breve:
E elles hão-de seguir-me.
Sabe-lo elrei não deve.
Ai do que ousar trahir-me!
O sobrerolda sai.
Sob o seu gesto candido
O engano se escondia!
Era uma idéa perfida
Que na alma lhes surgia,
Quando de Ceuta as portas
Juravam não transpôr!
Creram que a noite lobrega
Seu crime esconderia!
Perante o céu, oh miseros,
Que importa a noite, o dia,
Se de ira se ha turbado
A face do Senhor?
Pausa: com terror.
Mas se a suprema cólera
Terrivel já descesse!...
Se, em vez do goso vívido,
A morte os acolhesse!...
Erguendo as mãos.